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19.3.20

5 coisas que o exercício físico me ensinou sobre a escrita

5 coisas que o exercício físico me ensinou sobre a escrita

No inverno, dou por mim a adiar o exercício físico. No verão, até dou muitos passeios ao ar livre, seja à beira do mar, a ir a pé para todo o lado (ultimamente ganhei muito este vício, afinal Braga é tão pequeno), ou então simples voltas no quarteirão da zona onde moro. Contudo, mal chega o frio, tudo o que me apetece é ficar o dia todo de pijama. Nem a bicicleta estática que tenho em casa me parece atrativa. E quando volto finalmente a este hábito saudável, parece que já não tenho resistência para o mesmo. 

Há uns dias, estava numa destas alturas em que insisto em andar na minha bicicleta estática enquanto oiço música (até porque agora não há muito mais que fazer, por razões óbvias, né?), quando me ocorreu que as lições que aprendemos com o exercício físico não são muito diferentes das que aprendemos com a escrita. Os bloqueios criativos são muito mais imprevisíveis que a minha perda de vontade de me pôr a mexer, que parece ser essencialmente sazonal mas, no final do dia, parece que as estratégias para estes dois males são semelhantes. 


1. Tudo o que precisas de fazer é começar: A ideia de fazer exercício físico, tal como a de sentarmo-nos em frente ao computador para criar algo, pode ser assustadora. Mas, quando finalmente começamos, percebemos que afinal não é assim tão mau. Com o tempo, até passamos a adorar (no caso da escrita sempre adorei, só sofria era com o medo de começar). Começar aos poucos é melhor do que nunca começar.

2. Quanto mais o fazes, mais fácil se torna: A primeira vez que corremos, que andamos de bicicleta quilómetros ou que fazemos qualquer outro tipo de desporto vai-nos custar. Vamos chegar a casa cheios de dores musculares e nem falemos das do dia a seguir. Todavia, quanto mais insistimos, mais fácil se torna. Com o tempo, as dores musculares que tanto nos atormentavam são menos intensas, e ganhamos mais resistência. E o mesmo acontece com a escrita. Escrever um pouco todos os dias parece forçado quando não temos inspiração mas, quanto mais escrevemos, mais ideias temos. Passado algumas semanas, o processo de brainstorming de ideias já é algo que fazemos tão naturalmente que nem nos apercebemos disso.

3. Quando ficamos muito tempo parados, custa recomeçar: Ficamos enferrujados, digamos assim. Parece que já não conseguimos estar tanto tempo a fazer exercício físico sem ficarmos logo sem fôlego. E, mais uma vez, o mesmo acontece com a escrita. De momento, fiquei tanto tempo a escrever no blog em intervalos irregulares, com estágio e outras tarefas da minha vida pessoal, que agora, que tenho todo o tempo do mundo, sinto que já não sei escrever. Contudo, sei que se voltar a insistir no meu ritmo normal, chego lá outra vez. 

4. É bom ter alguém ao nosso lado: Por acaso, no que toca a exercício físico, não costumo praticar acompanhada. Mas, for the sake deste exemplo, vamos fingir que sim. É muito mais fácil correr uma maratona se estivermos acompanhados, com lá alguém para puxar por nós (eu, que não gosto de correr, sei que, caso me meta nessas maluquices, não o vou querer fazer sozinha).  Às vezes, precisamos de alguém que nos mostre que aquilo que tememos não é assim tão apavorante, só precisamos de o fazer. No mundo da escrita, ter alguém que leia os nossos textos, que nos dê a sua opinião e nos incentive é essencial para continuarmos, sobretudo quando não recebemos muito feedback por parte dos nossos leitores (todos os microinfluenciadores can relate).

5. Mas, o objetivo final é fazermos por nós próprios: Como todos os hábitos, seja eles quais forem, no fim, a principal motivação tem que partir de nós mesmos. É bom ter orientação, frequentar aulas, pedir ajuda, porém o objetivo final tem de ser escrever algo, o que quer que seja. 

10.6.18

"No meu blog eu só escrevo para mim." Tretas!


Quando alguém diz " eu não escrevo só para mim" causa sempre muito alarido. Muita gente fica chocada, como se fosse um crime. Então quando dizem " eu também escrevo no meu blog para ganhar dinheiro" então aí cai o Carmo e a Trindade ( mas qual é o mal de ganhar dinheiro com um blog?). Aparecem logo não sei quantas pessoas quase a berrar, a plenos pulmões " Eu só escrevo para mim, um blog é só um passatempo".

Eu não escrevo só para mim. Se eu escrevesse só para mim eu não teria um blog, eu teria um diário onde escreveria muito detalhadamente sobre a minha vida, sem filtros, com muitas cenas embaraçosas pelo meio, que me fariam morrer de vergonha se alguma vez fossem lidas por alguém. Honestamente,  seria irresponsável da minha parte  partilhar coisas assim online. 

Vamos aqui refletir sobre uma coisa. Esta cena do " eu só escrevo para mim próprio(a)" é um bocado relativa. Se me disserem antes "eu escrevo sobretudo para mim, se me lerem fixe, se não lerem paciência" aí já é outra história. Isto porque, quando criamos um blog público, temos sempre uma ínfima esperança de sermos lidos, nem que seja inconsciente. Caso contrário, criaríamos um blog privado, ou então escreveríamos em folhas de papel, que ficariam para sempre no fundo das gavetas.  Quando criei o meu blog criei-o com um propósito de ter um cantinho onde pudesse partilhar os meus pensamentos e opiniões mas, lá no fundo, eu sempre quis ser lida por alguém. E ao querer que alguém lesse, eu já não estava apenas a escrever para mim própria, estava a escrever para alguém do outro lado do ecrã. 

Escrever para os nossos leitores não significa que não estejamos a ser genuínos, nem que estejamos a vendermo-nos. Significa que estamos a partilhar as nossas paixões e opiniões e a interagir com eles. É isto que torna a blogosfera tão especial. 

Eu não escrevo só para mim no blog. Eu escrevo sobretudo para mim, o que são coisas diferentes. Escrevo sobretudo para mim própria, e divirto-me com isso porque, de outra forma, não teria sido possível manter o "Life of Cherry" durante estes últimos três anos. Mas também escrevo para os meus leitores, para os entreter, para os ajudar e, talvez, para os inspirar (e fico sempre comovida quando penso que certos posts meus já influenciaram positivamente a vida de algumas pessoas). Estou também aberta a sugestões deles, embora seja sempre quem decide aquilo que quero ver ou não no meu blog.  

Uma das melhores coisas da blogosfera é que pode ser tudo aquilo que tu quiseres. Cada um de nós decide a forma como quer escrever e para quem quer escrever. E não há mal nenhum em admitir que escrevemos com um destinatário em mente.

15.3.18

O que eu aprendi quando parei de publicar no blog todos os dias

 O que eu aprendi quando parei de publicar no blog todos os dias

Desde que comecei o " Life of Cherry" que publico (quase) sempre todos os dias. Para mim, escrever  é terapêutico, por isso publicar todos os dias era uma forma de relaxar após um longo dia e entreter-me. Claro que dividia pelos dias os vários textos que escrevia. Às vezes, o entusiasmo era tanto que eu até queria publicar 5 num dia, mas isso seria demasiado. Muitos perguntavam-me como é que eu conseguia ter criatividade para publicar todos os dias, mas a verdade é que, quanto mais escrevemos, mais ideias temos

Porém, no mês passado, começou a acontecer muita coisa na minha vida, e senti necessidade de abrandar um pouco para me poder dedicar mais a outros aspetos da minha vida. E até agora tem resultado muito bem. As minhas visualizações não diminuíram, e estou a ter mais flexibilidade para conciliar os outros aspetos da minha vida.

Contudo, este não vai ser um post em que eu vou dizer " tive uma epifania e, afinal, publicar menos é a fórmula de sucesso para os blogs". Acho que alguns de vocês, quando leram o título desta publicação, pensaram logo que eu ia contradizer esta. Mas isso não vai acontecer. Na verdade, até sinto saudades do entusiasmo que me dava ver algo novo no " Life of Cherry" todos os dias. Aqui lição que eu posso tirar daqui é que existem ritmos de publicações diferentes para cada blogger e para cada altura das suas vidas. E conheci o outro lado da moeda.


1. Sinto-me mais pressionada a publicar bom conteúdo: Como a minha frequência de publicações diminuiu, a pressão para escrever algo bom, que valha a pena ler, aumentou. Se determinado post vai representar o meu blog nos próximos 2/3 dias, eu quero ter a certeza que vai causar uma boa impressão. Para leitores novos, até pode ser a primeira impressão. Por um lado, esta pressão causa-me alguma ansiedade. Mas, por outro lado, incentiva-me a ser melhor e a publicar conteúdo bom.

2. Escrever consegue ser mentalmente esgotante: Não me interpretem mal, eu adoro escrever. E passei a adorar ainda mais desde que tenho um blog. Porém, consegue ser mentalmente e emocionalmente esgotante. Escrever bem implica colocar a nossa alma, pensamento e coração em cada palavra. Esta fadiga consegue ser tão real como a fadiga física. Talvez tenha sido uma das razões pelas quais eu decidi abrandar, numa altura em que os estágios já me cansam o suficiente.

3. Os teus leitores não querem saber o quão frequentemente publicas, desde que sejas mais ou menos consistente: A maior parte das pessoas não lê blogs todos os dias. E, mesmo que o façam, seguem um monte deles. Eu incluída, e não consigo dizer com que frequência os meus blogs favoritos publicam. Por isso, não importa que não publiques todos os dias, desde que sejas mais ou menos consistente, para também não deixares o blog às moscas. Publicar todos os dias aumenta imenso as visualizações, é certo, mas publicar com menos frequência não implica aquela descida abrupta de visualizações que eu imaginava.

4. Ajuda-me a apreciar dias mais parados do blog: Quando se tem um blog, existe muita tentação para estar constantemente a ver as estatísticas, especialmente quando publicamos novos posts. " O meu post está a ter muitas visualizações?". " Estou a receber comentários positivos ou negativos?". Ao longo do tempo, tenho aprendido a apreciar os dias mais parados do blog, em que não sinto a necessidade de estar sempre a ver as estatísticas. Antes já contrariava essa necessidade, mas agora é muito mais fácil dado que não existem posts novos todos os dias.

5. Tenho mais tempo para trabalhar nos posts: Sou da opinião  que é possível ter bom conteúdo ao mesmo tempo que se publica diariamente, desde que sejamos organizados e saibamos gerir bem o nosso tempo. Mas am alturas em que andamos mais ocupados, publicar diariamente não nos permite desenvolver bem as nossas ideias nem refletir de forma crítica sobre aquilo que escrevemos, pelo que a melhor opção é escrever menos para nos podermos dedicar mais a cada publicação.

6. Permite que a vida se meta pelo meio: Esta foi a principal razão pela qual eu decidi abrandar o ritmo de publicações no blog. De momento, com tanta coisa a acontecer na minha vida, sinto que preciso de dar mais energia ao mundo offline. Não quer dizer que não consigamos publicar todos os dias ( eu faço questão de o voltar a fazer), mas em fases mais agitadas da nossa vida é preferível abrir mão da regularidade para não comprometer a qualidade do blog e, sobretudo, para ter mais flexibilidade e permitir que a vida aconteça.


Com que frequência publicam no vosso blog? Acham que publicar menos seria melhor para vocês?

17.11.17

5 tipos de posts que podes escrever vezes sem conta

 5 tipos de posts que podes escrever vezes sem conta

Nós, bloggers, temos frequentemente a sensação que já escrevemos sobre tudo e que não há nada de novo para criar, o que não é de todo verdade. Há sempre novas ideias e novo conteúdo para criar, basta estarmos atentos ao que acontece ao nosso redor, irmos lendo outros blogs, lendo livros, vendo filmes, no geral, tentarmos manter-nos inspirados, e novas ideias acabarão por vir ter connosco. Contudo, sempre podemos optar por repetir conteúdo.

Eu quando digo repetir conteúdo não estou a falar sobre voltar a reescrever um post ( embora possam fazê-lo se sentirem necessidade disso). Estou a falar daquele tipo de conteúdo que dá para escrever vezes sem conta, de formas diferentes e criativas, sem aborrecer os leitores.


1.  Factos sobre ti: Os posts " x factos sobre mim" são posts que, naturalmente, tendem a ficar desatualizados, porque tu, tal como toda a gente, és uma pessoa que está continuamente a crescer e a mudar. Portanto, de vez em quando, é interessante voltar a escrever este tipo de publicações, não só para os teus leitores lerem mas também para tu veres aquilo que mudou em ti, o que é que gostavas antes e que agora já não gostas, novos passatempos ou preferências...

2. Lições que aprendeste: O engraçado destas publicações é que podes aprender lições em quase tudo na vida, não só lições de aniversário ( como 19 coisas que aprendi com 19 anos), mas também lições que aprendeste com filmes/séries, lições que aprendeste num estágio,... As opções são infinitas, tudo depende da tua criatividade.

3. Q&A: À semelhança de posts com factos sobre ti, este tipo de publicações também são bastante influenciados pelo teu crescimento e pelas mudanças que vão ocorrendo na tua vida. Além disso, os teus leitores poderão ter novas questões que te queiram colocar ou podem existir perguntas que não tiveste oportunidade de responder  da primeira vez. Assim, é sempre bom fazer este tipo de posts de vez em quando, para permitir que os teus seguidores te conheçam um pouco melhor e que acompanhem um pouco da tua vida. 

4. Tendências: As tendências estão sempre a mudar, por isso podes estar continuamente a falar sobre novas tendências, sem teres que criar uma rubrica ou séries de posts. Às vezes, até acontece de uma certa tendência voltar, e podes recriar posts que já tenhas feito numa perspetiva diferente e com detalhes diferentes.

5. Publicações associadas a certas épocas do ano: Toda a gente adora este tipo de publicações, principalmente se forem associadas ao verão ou ao Natal. Só é adequado publicar este tipo de conteúdo em certas alturas do ano, por isso, passado um ano, já queres, por exemplo, partilhar uma nova receita natalícia ou os teus novos looks de verão. Também podes reescrever alguns desses posts, deixando o link dos anteriores, refletindo sobre aquilo que mudou e sobre coisas novas que estejas a experimentar.


E vocês? Quais são os tipos de publicações que gostam de escrever vezes sem conta?

29.8.17

As personagens da minha cabeça

As personagens da minha cabeça

Tenho personagens a viver na minha cabeça. Não fui eu que as inventei, elas simplesmente apareceram e tomaram a minha mente como sua casa. Estava eu distraída com os meus pensamentos, quando subitamente dou conta da sua presença, quando elas já tinham a roupa nas cómodas, as malas arrumadas a um canto, e estavam a conversar animadamente, alheias à invasão que acabaram de fazer.

Têm as suas próprias peripécias, dramas, histórias de vida, medos e obstáculos. Não sou eu que penso nas personagens, elas simplesmente me incomodam nas horas mais inconvenientes, quando estou no banho, a dormir ou a ver televisão. Interrompem os meus afazeres com o seu chinfrim, com as suas conversas, com os seus gritos, a chorar ou a viver a maior aventura das suas vidas. 

Não, não são vozes que eu ouço na minha cabeça. Não estou a ficar maluca, nem psicótica, e não, não preciso de ser internada num manicómio. Aquilo que eu vejo e ouço são personagens dignas de um livro. Personagens que eu não inventei, mas que surgiram na minha mente. Personagens que me pedem, continuamente e persistentemente, que as passe para papel, onde elas e a sua história poderão ganhar uma vida. Qualquer dia, irei fazer mesmo isso, sonhando com a possibilidade de ser autora de um livro, ao mesmo que tempo que vejo pessoas que, embora fictícias, com quem simpatizei, tornarem-se mais reais e imortalizadas em páginas que outros podem ler.

8.6.17

5 benefícios de escrever à mão


A tecnologia tornou-se algo tão dominante nas nossas vidas, que é quase impossível não fazer algo sem recurso a um computador. Nos dias de hoje, usamos o computador no trabalho, para estudar, e até para as tarefas mais simples do quotidiano, como fazer compras.

Com os computadores, tablets e afins, escrever à mão passou um pouco para segundo plano, e mesmo quem considere isso desnecessário. Contudo, eu cá sou da opinião que escrever à mão ainda é bastante importante, e tem muitos benefícios.


1. Memorizas mais e melhor: Há uns tempos atrás, fiz um post sobre como melhorar a nossa memória, e uma das coisas que referi foi que escrever à mão ajuda-nos a memorizar mais e melhor. Escrever no computador é mais rápido, mas vários estudos comprovam que, ao escrevermos à mão, conseguimos reter mais informação do que aqueles que escrevem num teclado. É por isso que, quando estudo, faço sempre resumos à mão em vez de fazer no meu PC.

2. Treinas o teu cérebro: Escrever à mão requer mais capacidade cognitiva do que escrever num teclado. Como escreves mais devagar à mão, o teu cérebro tem tempo para reter a informação e armazená-la como deve ser.

3. Estás mais concentrado/a: A internet está ligada, tens o Facebook aberto, estás a receber mensagens, e de repente lembras-te de consultar o preço de uma camisola que queres comprar. Nos dispositivos eletrónicos existe todo o tipo de distrações. Quando queres ser criativo, trabalhar ou estudar, o ideal é escreveres à mão, se for possível ( digo isto porque, se tiveres que entregar um relatório ou trabalho, normalmente exigem que seja a computador mas, ainda assim, numa fase inicial, podes escrever à mão, para organizares melhor as tuas ideias).

4. Resumir e fazer esquemas: No papel, é muito mais fácil de resumir a informação e fazeres esquemas para organizares melhor as ideias. No computador, acabas sempre por escrever palavras de mais e perderes o contexto daquilo tudo.

5. Torna-te mais criativo/a: Embora eu escreva grande parte dos posts para o meu blog a computador, para poupar tempo, os melhores posts que já escrevi foram escritos à mão. Sinto-me muito mais criativa quando escrevo à mão, e há uma razão para isto. Como escrever à mão requer mais capacidade cognitiva do que escrever num teclado, encoraja também mais criatividade.


E vocês? Gostam de escrever à mão? Quais é que são os benefícios, na vossa opinião?

14.1.17

5 "'pontapés" que muita gente dá na língua portuguesa


Se há coisa que me irrita imenso são pessoas que não sabem falar e/ou escrever português como deve ser. A não ser que sejam analfabetos e/ou não tenham tido grande acesso à escola, é algo que, para mim, é imperdoável. Fico chocada quando vejo pessoas formadas, com curso superior e a trabalhar, a dar erros estúpidos, alguns que nem alunos da primária dão.

Sou da opinião que dar "pontapés" na língua portuguesa devia dar direito a multa ( e não estou a brincar, acho que se somos portugueses temos que saber falar direito), mas enquanto isso não acontece, hoje falo dos erros que eu mais costumo ouvir/ler, e maneiras de não os voltar a repetir.


1. Confundir "à" com "há": Muitas pessoas passam a vida a confundir isto. Não sei como foi com vocês, mas a primeira coisa que eu aprendi no Português do Ensino Básico ( já para não dizer que foi na Primária, porque se calhar até foi...), foi a distinguir o "à" do "há". A minha professora ensinou-nos uma regra simples e, garanto-vos, infalível! A regra é que o "há" é utilizado para o tempo ( por exemplo, " há muito tempo atrás"), ou para sinónimo do verbo existir ( por exemplo, " há muitas maçãs aqui").

2. Usar acentos graves onde eles não existem: Já vi inúmeras pessoas a colocar acentos graves em todas as palavras possíveis e imaginárias. " Um erro muito grave!", diria a minha professora de Português. Meus caros amigos, a regra para não cair neste erro também é simples. Só se usa acentos graves quando o "a" está sozinho ( "à", por exemplo, " A Joana foi às compras"), e em mais 5 palavras ( "àquele", "àquela", "àqueles", "àquelas", "àquilo". E antes que me perguntem, sim, existem palavras assim, como no exemplo a seguir " Não ligues àquilo que ele te disse").  O resto leva acento agudo.

3. "Prontos" em vez de "pronto": Chamem-me picuinhas, mas deve-se dizer "pronto"e não "prontos" em  frases como " Pronto, já não te chateio mais!". Aliás, "prontos" nem sequer existe. Outra das razões pelas quais a minha professora nos ralhava no Básico.

4. "Quaisqueres"em vez de "quaisquer": Sinceramente, eu nem sei onde é que as pessoas foram buscar esta palavra que, além de não existir, é muito difícil de pronunciar. Eu para dizer " quaisqueres", tenho que enrolar a língua e quase que me engasgo toda! O plural da palavra " qualquer" é " quaisquer" ok? O resto é treta!

5. "Houveram" em vez de "houve": Ainda bem que eu só decidi falar de 5 erros, porque já estou com vontade de matar alguém ahahahah. Também aprendi na escola que o verbo " haver" só se conjuga na 3º pessoa do singular, não tem plural. Assim, diz-se " houve muitos incêndios", em vez de "houveram muitos incêndios".


E vocês? Que "pontapés" na língua portuguesa é que costumam ouvir/ler?

7.10.16

O meu processo de escrita de posts para o meu blog


Para as pessoas que estão na blogosfera, pode ser difícil de compreender o trabalho que um blogger tem com o seu blog, principalmente com os posts que escreve. A maioria pensa " ah e tal, é só escrever um post, uma imagem da net, e já está. " Na verdade, escrever posts dá muito trabalho, exige muito planeamento e muito esforço, pelo menos é assim comigo, porque gosto de me esforçar em tudo que faço.

Por isso, hoje decidi partilhar convosco o meu processo de escrita de posts, para as pessoas de " fora" entenderem o trabalho que isto realmente dá, e talvez para inspirar bloggers.

Uma nota para os bloggers antes de começar: nem todas pessoas têm o mesmo processo de escrita de posts, por isso, é normal haver a possibilidade de não se identificarem com o meu ou o meu não ter nada a ver com o vosso, são formas de organização diferentes. Há formas melhores e piores de escrever posts mas, acima de tudo, têm que encontrar a que melhor se adequa a vocês.


1. Inspiração: Certamente que a coisa que todos nós, bloggers, temos em comum no processo de escrita de posts é a parte da inspiração. A inspiração para os meus posts vem de vários sítios, do Bloglovin, Pinterest, revistas, filmes, livros, mas também pode vir das coisas mais simples do dia a dia, como algo que vi na rua, conversas que ouço...

2. Apontar ideias: Quando me surgem ideias, costumo apontá-las logo porque, caso contrário, esqueço-me delas e depois perco essas ideias ( já perdi tantas ideias boas por não as apontar...). Normalmente, aponto-as num post que tenho em rascunho entitulado " Ideias" e que nunca é publicado ( aponta-as acedendo ao Blogger pela net do telemóvel, que não é muito jeitoso para escrever posts, mas serve perfeitamente para apontar ideias) mas, por vezes, as ideias surgem-me num sítio sem net, e eu aponto-as no bloco de notas do meu telemóvel.

3. Pesquisa (facultativo): No caso de posts científicos ou sobre saúde, como este e este,  não vou dizer coisas aos calhas ( correndo o risco de estarem erradas), sem fazer uma pesquisa prévia sobre o assunto que quero abordar. Excetuando estes temas que referi, normalmente não faço pesquisa sobre os tópicos que abordo no blog.

4. Escrever os posts: Este é o passo em que eu vou à lista que refiro no post anterior e torna-as em algo concreto, escrevendo. De vez em quando, até me surgem ideias na hora que não estavam na lista, e eu dou prioridade a essas, escrevo essas primeiro para captar melhor a essência do que poderá vir a ser esse post.

5. Colocar o post no Calendário Editorial: Já referi aqui no blog que tenho um Calendário Editorial , onde planeio os dias em que publico o quê. Depois de um post ser escrito, copio o título do mesmo e coloco-o no calendário, para saber em que dia este será publicado. Assim, garanto que publico posts todos os dias sem comprometer a qualidade dos mesmos.

6. Imagens: Quando chega o dia de publicar determinado post, normalmente, vou a um site de stock photos para escolher a imagem que mais se adequa ao tema do post. Tento sempre escolher imagens com um formato quadrado/retangular, com tamanho médio, para todas as fotos do blog estarem uniformes, com formato e tamanho semelhantes. Devia começar a escolher as imagens antes do passo 4 para não perder tanto tempo na hora, mas infelizmente o tempo não estica, e prefiro perder esse tempo a escrever outros, principalmente quando estou inspirada.

7. Revisão e edição: Geralmente, costumo realizar este passo meia hora ou 15 minutos antes de publicar um post, dependendo do tamanho e do tipo do mesmo. O que normalmente faço neste passo é:

  • Verificar se não há erros ortográficos nem gramaticais.
  •  Verificar se não há palavras repetidas ( e, caso haja, substituo-as por sinónimos).
  • Ver se o post não está demasiado grande.
  • Ver se o post faz sentido, se está coeso e se a mensagem transmitida é clara.
  • Ver se o post não é ofensivo para as pessoas, para alguma cultura, religião ou grupo.
  • Verificar se é " amigo" do motores de busca, e caso não seja, alterar tags ou título para aparecer melhor posicionado nos motores de busca.
  • Adicionar links de posts antigos ou outros que possam ser úteis ( às vezes não não são necessários links, aí obviamente que não ponho).

9. Publicar: Depois de realizar todos os passos anteriores, publico o meu post. Normalmente agendo-o para dois ou três minutos depois, só para este aparecer no feed de leitura do Blogger ( o Blogger é manhoso e, de vez em quando, lembra-se de não mostrar posts no feed, mas ensinaram-me este truque de agendamento, e até agora tem funcionado).

10. Promover post: Depois do post ser publicado, está na hora de promovê-lo e, para isso, uso essencialmente as redes sociais. Costumo publicar um tweet com o link do meu post, e também o partilho no Facebook do blog. Assim, garanto que este chega ao maior número de pessoas possível ( neste momento, quase 300 pessoas lêem diariamente o blog, o que não é muito para alguns, mas para mim já é um grande número comparativamente com os anos anteriores. Muito obrigada aos que seguem o blog).


Bloggers aí desse lado? Qual é o vosso processo de escrita de posts?

11.9.16

15 coisas que podes escrever no teu diário


Já falei no blog dos benefícios de manter um diário, e de que eu própria mantenho um diário, em formato digital. Apesar de ter um blog onde posso escrever sobre o que me apetece, há sempre coisas que são demasiado pessoais e que prefiro guardar para mim, por isso escrevo-as no meu diário ( ainda no outro dia escrevi um post que, posteriormente, achei demasiado pessoal para publicar e, portanto, coloquei-o no meu diário.

Apesar de ser muito útil escrever as coisas que acontecem no nosso dia a dia num diário ( não só para compreender melhor esses acontecimentos, mas também para recordar as nossas memórias no futuro), é muito útil e benéfico para nós se usarmos os nossos diários para explorarmos os nossos sentimentos, e explorarmos também algumas questões pertinentes.

E é esse o desafio que lanço hoje, refletirem sobres as questões que vou referir a seguir no vosso diário pessoal.  Por vezes não somos capazes de transpor para o papel tudo o que pensamos e o que sentimos, por isso, espero dar uma ajudinha nesse sentido. São apenas algumas ideias para se inspirarem e tirarem mais proveito do vosso diário.


1. Reflete sobre o momento mais feliz da tua vida. Tenta lembrar-te dos pormenores, como as pessoas que estavam contigo, que roupa estavas a usar, como estava o tempo, os cheiros que pairavam no ar...

2. Quais são os teus maiores medos? O que é que te assusta mais?

3. Quais são os teus objetivos? Quais são os teus maiores sonhos?

4. Consideras-te uma vítima ou um/a sobrevivente? Ou ambos? É possível ser ambos?

5. Escreve sobre um arrependimento que te assombra. Escreve sobre o momento em que esse arrependimento nasceu, e o que podias ter feito de maneira diferente para o evitar.

6. Descreve um momento que mudou o rumo da tua vida para sempre. Nesse momento, sabias que a tua vida iria mudar drasticamente? Descreve tudo o que aconteceu nesse mesmo momento.

7. Quais são os problemas que achas que te estão a impedir de ser feliz? De que forma os podes resolver?

8. Escreve uma carta para o teu "eu" adolescente.

9. Escreve um carta para o teu primeiro amor.

10. Escreve sobre as três coisas que te deixam mais orgulhoso/a.

11. Escreve sobre os sonhos que já realizaste. Descreve o momento em que os realizaste, o que correspondeu às tuas expectativas, o que não correspondeu...

12. Fala sobre o momento mais difícil da tua vida. Descreve todos os pormenores, o que sentiste, como ultrapassaste esse momento,...

13. Qual é a tua relação com a tristeza? Vês esta como uma componente essencial da vida, para podermos valorizar as alegrias que temos, ou tentas evitá-la a todo o custo?


14. Pensa em alguém que admiras, apresenta-a, escreve o nome em cima, todos os detalhes sobre ela, as suas qualidades, defeitos, história de vida... Depois, refere as razões pelas quais admiras essa pessoa.

15. Escreve sobre o teu segredo mais íntimo. Algo que nunca tenhas contado a ninguém ( não, não venham com essa de " eu sou um livro aberto", todos nós temos um segredo bem guardado, quer seja algo negro ou não).


Gostaram das ideias? Já colocaram alguma em prática?

9.7.16

Porque deves começar escrever num diário


(Informação: A partir de agora todos os comentários são moderados, para eu garantir que os leio a todos. Não se preocupem, todos serão aceites na mesma, a não ser que sejam ofensivos ou agressivos.)

Sou da opinião que não devemos guardar os nossos sentimentos, medos e frustrações só para nós, porque nós somos como uma panela de pressão, mais cedo ou mais vamos explodir. Mas, por outro lado, também não devemos partilhar tudo com toda a gente porque, além de as chatearmos, podemos destruir relações. Por isso, a minha solução para este problema é manter um diário.

Sempre escrevi diários desde os meus 8 anos, embora nunca os tenho atualizado com muita regularidade. Escrevia apenas quando sentia vontade para tal. Hoje em dia, mantenho um diário em forma digital, escrevo em ficheiros word e depois meto uma palavra-passe nos mesmos. Deste modo, garanto que ninguém lê o meu diário ( mas confesso que tem mais piada escrever em papel, mas tem que ser, por questões de segurança e privacidade).

Toda a gente associa um diário a uma coisa que só raparigas até aos 13 anos é que escrevem, o que é completamente errado! Escrever um diário, mesmo na idade adulta, pode ter muitos benefícios, alguns dos quais eu vou enumerar a seguir.


1. Ajuda a "limpar" a tua mente: Sabes aquele momento em que tens a cabeça "a mil à hora". parece que tens a cabeça a rebentar de pensamentos, e de repente os problemas parecem ser maiores do que realmente são? Pois, muitas vezes, estás a " fazer uma tempestade num copo de água", e escrever num diário ajuda-te a esclarecer isso. Escrever esses problemas ajuda-te a perceber que, afinal, estes não são assim tão grandes , e que a solução é mais fácil do que aquilo que tu pensavas.

2. Ajuda-te a observar e explorar os teus sentimentos: Já alguma vez estiveste de mau humor e chateada com toda a gente, sem saber porquê? Escrever num diário também te ajuda a perceber a origem desses sentimentos, o verdadeiro motivo pelo qual estás chateada ou triste. Muitas vezes, pensamos estar chateados com uma pessoa quando, na verdade, estávamos apenas triste com determinada situação e descarregámos na primeira pessoa que apareceu.

3. Documentar a tua vida: Há certos momentos que nos marcam, que fazem aquilo que somos hoje, por isso é bastante giro revivé-los através daquilo que escrevemos na altura. O diário também pode servir como registo das nossas batalhas, progressos, de todos os passos que demos para chegar onde estamos hoje.

4. Podes partilhar os teus sonhos mais loucos: Todos nós temos sonhos malucos, do tipo largar tudo e viajar durante um ano, ou escrever um best-seller, mas que se partilhássemos com outros pessoas, elas provavelmente achariam ridículo. Assim, o diário é o sítio ideal para dar largas à imaginação e escrever todos aqueles sonhos que nos parecem impossíveis de realizar mas, quem sabe, até podem ser realizados.

5. Praticas a tua escrita: Se conseguires escrever no teu diário todos os dias ( eu não consigo, tenho um blog para atualizar), até pode ser uma mais valia para a tua escrita, porque irás praticá-la todos os dias. Mesmo que não consigas escrever com regularidade, passado uns meses vais olhar para as páginas anteriores e poderás ver o quanto a tua escrita evoluiu.

6. Escrever listas: Como eu adoro listas, também uso o diário para esse efeito. Podes escrever uma wishlist, uma bucket list, 10 pessoas que são importantes na tua vida, os lugares que queres visitar, os teus objetivos...

7. Estimula a tua criatividade: Como já deves ter percebido, podes utilizar o teu diário para o que quiseres, as possibilidades são infinitas, e o facto de escreveres regularmente pode estimular a tua criatividade e tornar-te até numa pessoa mais criativa.


E vocês? Costumam escrever num diário?

28.5.16

Problemas de quem tem pouca capacidade de síntese


É oficial: sou uma pessoa com pouca capacidade de síntese. Comecei a fazer o meu relatório de estagio há um dia e já fiz 5 páginas. O grande problema é que este só pode ter, no máximo 10 páginas, e ainda falta fazer a introdução e conclusão, reflexão sobre o estágio, responder a uns mil resultados de aprendizagem... Não sei como é que eu vou conseguir fazer isto tudo em apenas 10 páginas.

Gosto muito de escrever. Gosto, muito, muito mesmo! O que, na maior parte das vezes, é uma qualidade, transforma-se num defeito em situações em que me são impostos limites/ palavras/ páginas ( como é o caso do meu relatório de estágio).

Durante todo o meu percurso escolar, na disciplina de Português, enquanto muitos se queixavam que X palavras era muito para escrever, eu queixava-me que eram precisas muitas mais palavras para escrever o que eu queria escrever. Muitas vezes, eu perdia quase 15 minutos de um teste a  cortar palavras, para poder cumprir o limite imposto e não me descerem a nota. Cada vez que tinha que cortar partes das minhas composições, ficava frustrada porque sabia que o resultado final não iria ser o mesmo, que não iria ficar um texto tão espetacular como ficaria se os professores não impusessem limites de palavras. Os professores adoravam as minhas composições na mesma, mas tenho a certeza que ainda teriam adorado mais se as lessem na sua versão completa.

Apesar de estar num curso de ciências, a minha cabeça não funciona da mesma maneira que funciona a dos outros alunos. Os alunos de ciências, tipicamente, são mais objectivos, mais sucintos e explicam numa frase o que outras pessoas( como eu) explicariam num texto. Eu, como também tenho uma queda para as Letras, sou mais subjectiva, para mim nada é preto ou branco, há uma infinidade de tonalidades diferentes no meio destas duas cores. Além disso, não vejo as palavras como  um mero instrumento de comunicação: gosto de brincar com elas, fazer trocadilhos, enfeitar um texto com elas, como se de elementos decorativos se tratassem. E quando eu as uso para este fim, acabo ultrapassar os limites impostos. Quando não é por estas razões, é por estar tão absorta naquilo que estou a escrever que esqueço-me por completo das horas e da extensão do texto.

Esta minha falta de capacidade para resumir as coisas até se nota no meu blog. Às vezes, estou tão entusiasmada com um post,  que escrevo, escrevo, escrevo e, quando dou conta, está enorme. Tento cortar partes, mas por vezes não o faço porque estragaria a essência do post. Leitores meu já me disseram que faço posts muito grandes mas, apesar de tudo, lêem-nos à mesma, porque adoram aquilo que eu escrevo ( cada vez que recebo estas mensagens fico tão "awww", obrigada a essas pessoas).

Ter pouca capacidade de síntese tem os seus prós e contras. É mau se tivermos a tentar escrever um relatório ou artigo para um jornal/revista com normas formais a cumprir mas,  por outro lado, é bom se estivermos a escrever um livro.


E aí desse lado? Alguns de vocês tem pouca capacidade de síntese?