No inverno, dou por mim a adiar o exercício físico. No verão, até dou muitos passeios ao ar livre, seja à beira do mar, a ir a pé para todo o lado (ultimamente ganhei muito este vício, afinal Braga é tão pequeno), ou então simples voltas no quarteirão da zona onde moro. Contudo, mal chega o frio, tudo o que me apetece é ficar o dia todo de pijama. Nem a bicicleta estática que tenho em casa me parece atrativa. E quando volto finalmente a este hábito saudável, parece que já não tenho resistência para o mesmo.
Há uns dias, estava numa destas alturas em que insisto em andar na minha bicicleta estática enquanto oiço música (até porque agora não há muito mais que fazer, por razões óbvias, né?), quando me ocorreu que as lições que aprendemos com o exercício físico não são muito diferentes das que aprendemos com a escrita. Os bloqueios criativos são muito mais imprevisíveis que a minha perda de vontade de me pôr a mexer, que parece ser essencialmente sazonal mas, no final do dia, parece que as estratégias para estes dois males são semelhantes.
1. Tudo o que precisas de fazer é começar: A ideia de fazer exercício físico, tal como a de sentarmo-nos em frente ao computador para criar algo, pode ser assustadora. Mas, quando finalmente começamos, percebemos que afinal não é assim tão mau. Com o tempo, até passamos a adorar (no caso da escrita sempre adorei, só sofria era com o medo de começar). Começar aos poucos é melhor do que nunca começar.
2. Quanto mais o fazes, mais fácil se torna: A primeira vez que corremos, que andamos de bicicleta quilómetros ou que fazemos qualquer outro tipo de desporto vai-nos custar. Vamos chegar a casa cheios de dores musculares e nem falemos das do dia a seguir. Todavia, quanto mais insistimos, mais fácil se torna. Com o tempo, as dores musculares que tanto nos atormentavam são menos intensas, e ganhamos mais resistência. E o mesmo acontece com a escrita. Escrever um pouco todos os dias parece forçado quando não temos inspiração mas, quanto mais escrevemos, mais ideias temos. Passado algumas semanas, o processo de brainstorming de ideias já é algo que fazemos tão naturalmente que nem nos apercebemos disso.
3. Quando ficamos muito tempo parados, custa recomeçar: Ficamos enferrujados, digamos assim. Parece que já não conseguimos estar tanto tempo a fazer exercício físico sem ficarmos logo sem fôlego. E, mais uma vez, o mesmo acontece com a escrita. De momento, fiquei tanto tempo a escrever no blog em intervalos irregulares, com estágio e outras tarefas da minha vida pessoal, que agora, que tenho todo o tempo do mundo, sinto que já não sei escrever. Contudo, sei que se voltar a insistir no meu ritmo normal, chego lá outra vez.
4. É bom ter alguém ao nosso lado: Por acaso, no que toca a exercício físico, não costumo praticar acompanhada. Mas, for the sake deste exemplo, vamos fingir que sim. É muito mais fácil correr uma maratona se estivermos acompanhados, com lá alguém para puxar por nós (eu, que não gosto de correr, sei que, caso me meta nessas maluquices, não o vou querer fazer sozinha). Às vezes, precisamos de alguém que nos mostre que aquilo que tememos não é assim tão apavorante, só precisamos de o fazer. No mundo da escrita, ter alguém que leia os nossos textos, que nos dê a sua opinião e nos incentive é essencial para continuarmos, sobretudo quando não recebemos muito feedback por parte dos nossos leitores (todos os microinfluenciadores can relate).
5. Mas, o objetivo final é fazermos por nós próprios: Como todos os hábitos, seja eles quais forem, no fim, a principal motivação tem que partir de nós mesmos. É bom ter orientação, frequentar aulas, pedir ajuda, porém o objetivo final tem de ser escrever algo, o que quer que seja.












