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3.11.17

5 alturas em que consegues ouvir a voz da tua mãe na tua cabeça

5 alturas em que consegues ouvir a voz da tua mãe na tua cabeça

Quando estou à beira da minha mãe, penso " fogo, quem me dera que não tivesses aqui, para eu poder fazer isto à minha maneira". Porém, quando estou sozinha e estou prestes a fazer algo que ela não concordaria, quase que consigo ouvi-la a dizer " Isso vai dar merda, depois não digas que não te avisei". Juro, a mulher deve-me ter posto um chip ou algo do género, para me poder controlar à distância, só pode!

Todos nós ansiamos sempre pelo momento em que a nossa mãe já não controla cada passo que damos. No entanto, quando começamos finalmente a ganhar mais liberdade ( ou quando vamos morar sozinhos), ouvimos persistentemente a voz dela da nossa cabeça. Parece que as nossas mães ainda nos controlam de alguma forma.


1. Quando está frio lá fora e sais sem casaco: Quase que ouves a tua mãe dizer " leva um casaco,  vais constipar". Eu acho que nenhuma mãe deixa os filhos sair de casa no inverno sem lhes dizer " "leva um casaco, olha que vai estar frio. Deve ser algum protocolo ou assim.

2. Quando pensas em fazer um teste sem estudar: " Sim, eu vou para o teste sem estudar, é tão boa ideia!", diz a mãe da tua cabeça, ironicamente.

3. Quando fazes algo estúpido porque os teus amigos te influenciaram a fazer isso: " Se os teus amigos te mandassem atirar-te da ponte, tu também te atiravas?", é aquele clássico que a tua mãe diria.

4. Quando precisas de marcar uma consulta no médico: Nada aterroriza mais os jovens adultos do que ter que marcar uma consulta no médico. O nosso primeiro instinto é ligar à mãe para marcar por nós, mas ela diria " POR AMOR DE DEUS, ganha-me juízo, já não és nenhum bebé!".

5. Quando os teus amigos são maus para ti: Ouves a típica conversa dos amigos falsos que a tua mãe já teve contigo mil vezes. Até já sabes os argumentos de cor " Eu vejo logo quando um amigo não é bom para ti" e " Além disso, tu não precisas de amigos, eu sou a tua melhor amiga".


E vocês? também conseguem ouvir a voz da vossa mãe na vossa cabeça? O que é que costumam ouvir?

29.8.17

As personagens da minha cabeça

As personagens da minha cabeça

Tenho personagens a viver na minha cabeça. Não fui eu que as inventei, elas simplesmente apareceram e tomaram a minha mente como sua casa. Estava eu distraída com os meus pensamentos, quando subitamente dou conta da sua presença, quando elas já tinham a roupa nas cómodas, as malas arrumadas a um canto, e estavam a conversar animadamente, alheias à invasão que acabaram de fazer.

Têm as suas próprias peripécias, dramas, histórias de vida, medos e obstáculos. Não sou eu que penso nas personagens, elas simplesmente me incomodam nas horas mais inconvenientes, quando estou no banho, a dormir ou a ver televisão. Interrompem os meus afazeres com o seu chinfrim, com as suas conversas, com os seus gritos, a chorar ou a viver a maior aventura das suas vidas. 

Não, não são vozes que eu ouço na minha cabeça. Não estou a ficar maluca, nem psicótica, e não, não preciso de ser internada num manicómio. Aquilo que eu vejo e ouço são personagens dignas de um livro. Personagens que eu não inventei, mas que surgiram na minha mente. Personagens que me pedem, continuamente e persistentemente, que as passe para papel, onde elas e a sua história poderão ganhar uma vida. Qualquer dia, irei fazer mesmo isso, sonhando com a possibilidade de ser autora de um livro, ao mesmo que tempo que vejo pessoas que, embora fictícias, com quem simpatizei, tornarem-se mais reais e imortalizadas em páginas que outros podem ler.

14.6.17

O efeito " bola de neve" das emoções


O cérebro do ser humano é algo engraçado. Somos a espécie mais inteligente e racional deste planeta, somos os únicos capazes de ter sentimentos contraditórios pela mesma pessoa, já inventamos muito mais do que aquilo que seria imaginável,... Mas aquilo que mais nos distingue dos outros animais é a nossa capacidade de pensar. A maioria dos animais não tem habilidade para ter pensamentos coerentes, mas nós conseguimos a proeza de ter pensamentos sobre os nossos pensamentos. Ah, a beleza e a tortura de ser humano!

A nossa mente é muito poderosa porém, se não a soubermos controlar, ela vai dar cabo de nós. Digam-me se isto não vos soa familiar: tu ficas ansioso/a com alguma situação da tua vida. A tua ansiedade começa a atacar-te, e tu começas a pensar porque estás tão ansioso/a. E ficas ainda mais ansioso/a com o facto de estares ansioso/a e agora sentes-te estúpido/a por estares ansioso/a com a tua ansiedade. Que confusão, não é? Pois, é assim que fica a tua cabeça quando não a controlas.

Era bom se isto só acontecesse com a ansiedade. O problema é que este efeito " bola de neve" funciona com todo o tipo de emoções. Imaginemos que estás zangado/a com alguém. Após algum tempo, começas a ficar zangado/a contigo próprio/a por estares a perder tanto tempo em estares zangado/a com alguém, e depois começas a ficar zangado/a com a tua estupidez de estares zangado/a contigo próprio/a. Ou imagina o que acontece quando te sentes culpado/a com algo. Passado algum tempo, ficas culpado/a por te sentires culpado/a.

Parece coisa de quem não têm mais nada que fazer à vida, mas a verdade é que isto acontece com muitas pessoas ( eu incluída!). No entanto, a sociedade recusa-se a aceitar isto. Basta olhar para os feeds de Facebook e do Instagram, e toda a gente parece sempre estar a ter o melhor momento das suas vidas. " Olha, o meu primo casou-se. A minha amiga acabou o curso. A vizinha foi para Itália. E eu aqui sentada, em frente ao computador, a comer porcarias". E, mais do que parecer que toda a gente está feliz, ainda publicitam que estar deprimido/a, zangado/a ou triste é mau, que não devemos ser mal agradecidos, devemos andar sempre com um sorriso na cara.

Durante muito tempo, eu acreditei nestas mentiras. Acreditei que a melhor maneira de ultrapassar os meus sentimentos negativos era fingir que eles não existiam, reprimi-los, fingir que estava sempre feliz. Contudo, os meus sentimentos negativos, principalmente a ansiedade ( um mal com que sofro muito) foram ganhando mais força, e foram ficando tão insuportáveis que, em certas alturas, até cheguei a sentir pontadas de dor no coração.

Andei assim até que me apercebi daquilo que estava a fazer a mim própria. Eu não estava a combater os meus sentimentos negativos. Eu estava a reforçá-los, através deste efeito " bola de neve". Estava a tentar contrariá-los e a falhar miseravelmente, da mesma maneira que se tenta contrariar e impedir um adolescente rebelde de fazer algo e este ainda faz coisas piores. Decidi então que a melhor maneira de lidar com os meus pensamentos e emoções era aceitá-los tal como são. Aceitar que eles existem, que têm as suas manias e opiniões, e deixá-los viver pacificamente na minha cabeça, sem pensar muito no assunto ou panicar sobre isso. Porém, apesar de os deixar viver na minha cabeça, é sobre os meus próprios termos: nunca, em algum momento, os deixarei ter controlo sobre a mim vida. Acima de tudo, tentarei ter uma atitude positiva, apesar de tudo o que possa estar a sentir.

É algo que descobri recentemente e, como tal, ainda está em fase de experimentação. Às vezes resulta, outras vezes não ( ainda são muitas as vezes que deixo que a ansiedade me domine). Não obstante, já me ensinou algo muito valioso: a não dar sempre ouvidos à minha cabeça, porque esta pode-me estar a mentir-me. O nosso cérebro é algo verdadeiramente impressionante, mas também nos pode pregar partidas, se não estivermos atentos.