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14.6.17

O efeito " bola de neve" das emoções


O cérebro do ser humano é algo engraçado. Somos a espécie mais inteligente e racional deste planeta, somos os únicos capazes de ter sentimentos contraditórios pela mesma pessoa, já inventamos muito mais do que aquilo que seria imaginável,... Mas aquilo que mais nos distingue dos outros animais é a nossa capacidade de pensar. A maioria dos animais não tem habilidade para ter pensamentos coerentes, mas nós conseguimos a proeza de ter pensamentos sobre os nossos pensamentos. Ah, a beleza e a tortura de ser humano!

A nossa mente é muito poderosa porém, se não a soubermos controlar, ela vai dar cabo de nós. Digam-me se isto não vos soa familiar: tu ficas ansioso/a com alguma situação da tua vida. A tua ansiedade começa a atacar-te, e tu começas a pensar porque estás tão ansioso/a. E ficas ainda mais ansioso/a com o facto de estares ansioso/a e agora sentes-te estúpido/a por estares ansioso/a com a tua ansiedade. Que confusão, não é? Pois, é assim que fica a tua cabeça quando não a controlas.

Era bom se isto só acontecesse com a ansiedade. O problema é que este efeito " bola de neve" funciona com todo o tipo de emoções. Imaginemos que estás zangado/a com alguém. Após algum tempo, começas a ficar zangado/a contigo próprio/a por estares a perder tanto tempo em estares zangado/a com alguém, e depois começas a ficar zangado/a com a tua estupidez de estares zangado/a contigo próprio/a. Ou imagina o que acontece quando te sentes culpado/a com algo. Passado algum tempo, ficas culpado/a por te sentires culpado/a.

Parece coisa de quem não têm mais nada que fazer à vida, mas a verdade é que isto acontece com muitas pessoas ( eu incluída!). No entanto, a sociedade recusa-se a aceitar isto. Basta olhar para os feeds de Facebook e do Instagram, e toda a gente parece sempre estar a ter o melhor momento das suas vidas. " Olha, o meu primo casou-se. A minha amiga acabou o curso. A vizinha foi para Itália. E eu aqui sentada, em frente ao computador, a comer porcarias". E, mais do que parecer que toda a gente está feliz, ainda publicitam que estar deprimido/a, zangado/a ou triste é mau, que não devemos ser mal agradecidos, devemos andar sempre com um sorriso na cara.

Durante muito tempo, eu acreditei nestas mentiras. Acreditei que a melhor maneira de ultrapassar os meus sentimentos negativos era fingir que eles não existiam, reprimi-los, fingir que estava sempre feliz. Contudo, os meus sentimentos negativos, principalmente a ansiedade ( um mal com que sofro muito) foram ganhando mais força, e foram ficando tão insuportáveis que, em certas alturas, até cheguei a sentir pontadas de dor no coração.

Andei assim até que me apercebi daquilo que estava a fazer a mim própria. Eu não estava a combater os meus sentimentos negativos. Eu estava a reforçá-los, através deste efeito " bola de neve". Estava a tentar contrariá-los e a falhar miseravelmente, da mesma maneira que se tenta contrariar e impedir um adolescente rebelde de fazer algo e este ainda faz coisas piores. Decidi então que a melhor maneira de lidar com os meus pensamentos e emoções era aceitá-los tal como são. Aceitar que eles existem, que têm as suas manias e opiniões, e deixá-los viver pacificamente na minha cabeça, sem pensar muito no assunto ou panicar sobre isso. Porém, apesar de os deixar viver na minha cabeça, é sobre os meus próprios termos: nunca, em algum momento, os deixarei ter controlo sobre a mim vida. Acima de tudo, tentarei ter uma atitude positiva, apesar de tudo o que possa estar a sentir.

É algo que descobri recentemente e, como tal, ainda está em fase de experimentação. Às vezes resulta, outras vezes não ( ainda são muitas as vezes que deixo que a ansiedade me domine). Não obstante, já me ensinou algo muito valioso: a não dar sempre ouvidos à minha cabeça, porque esta pode-me estar a mentir-me. O nosso cérebro é algo verdadeiramente impressionante, mas também nos pode pregar partidas, se não estivermos atentos.

9 comentários:

  1. Sinto que talvez possa estar numa situação destas. Talvez precise de tentar perceber isso..
    THE PINK ELEPHANT SHOE

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  2. Eu também aprendi isso recentemente, mas faz, de facto, toda a diferença! E, por isso, sempre que tenha de chorar, choro, se tiver a necessidade de dizer alguém que estou feliz ou magoada com ela, digo. É um peso que nos sai de cima! :)

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  3. E é pior quando nos sentimos quase a afogar com essa bola de neve...

    Beijinhos,
    O meu reino da noite ~ facebook ~ bloglovin'

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  4. Temos mesmo que estar atentos às pequenas partidas! Às vezes a bola de neve já está tão mas tão extensa que já a tomamos como adquirida...
    Beijinhos,
    An Aesthetic Alien | Instagram | Facebook
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    1. É mesmo verdade! É uma cadeia que temos que quebrar logo de início antes que se torne muito extensa.

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  5. Ora, tal e qual! Felizmente, cheguei a essa conclusão muito cedo, porém, há dias em que a minha mente tenta fazer traquinices contra mim mesma, mas eu não deixo. Aceito o facto de existir ali uma tentativa, mas de modo a relaxar isso, abraço o sentimento, tento perceber o que é que se passa, amolecendo aos poucos a sensação de auto-destruição. Quando dou por mim, está tudo muito melhor!
    Tenho a certeza de que se continuares a trabalhar por isso, hás de te aceitar por completo, passando a controlar melhor os teus pensamentos! Que texto magnífico! ♥

    Beijinhos,
    LYNE

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    1. Eu estou a tentar fazer o mesmo que tu, às vezes resulta, outras vezes não. Mas já resulta muito melhor do que antes :).
      Muito obrigada <3

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