Ainda não consegui ultrapassar a série "Chernobyl", por isso aqui estou eu, mais uma vez, para falar dela, para ver se deposito de vez todos os pensamentos que me atormentam. Aviso já que esta publicação contém spoilers, pelo que vos aconselho primeiro a irem assistir a esta produção soberba da HBO (questão existencial: serão mesmo spoilers se a série é baseada em factos reais? Não sabemos já todos o que vai acontecer?)
1. Vou mandar mensagens a toda a gente a dizer "O MUNDO É UM LUGAR MONSTRUOSO, vamos abandonar": Ok, eu não fiz mesmo isto, não assim tão maluca, mas era o que me apetecia. Vi praticamente a temporada toda numa tarde nublada, sozinha, e foi uma péssima decisão. O que vale é que pausei os episódios para ir arejar as ideias porque, damn, eram muito pesados!
2. Tu, por favor, não vás para aí... Oh não.. Tu também, não faças ISSO!: Começa logo no primeiro episódio, quando um bombeiro é chamado para a central, e eu estou com a mulher "por favor, não vás". Todos nós, quando estávamos a ver esta cena inicial, sabíamos logo que ia dar merda. Depois, os funcionários da central, que viam que tudo ia correr mal, e não fugiram. Meus amigos, eu se ouvisse uma explosão na central ou os alarmes a tocar lá dentro, eu fugia logo, que se lixe o emprego. Não me punha aí a obedecer a chefes estúpidos, ou a ver tudo a acontecer da ponte (quando eles metem-se ali, sossegadinhos, a ver da ponte, e começa a cair "pó" do ar, já sabemos que vão morrer todos). Mas claro, é isto é a nossa reação quando estamos a ver confortáveis e nunca estivemos mesmo lá.
3. Como é que um hospital não tem comprimidos de iodo: Como é que um hospital, ainda por cima perto de uma central nuclear, não tem comprimidos de iodo (para quem não sabe, são usados em caso de exposição à radioatividade). Partilho a radiação incrédula da médica.
4. Se a minha cara metade fosse aquele pobre bombeiro, será que eu atravessaria a cortina de plástico para estar com ele, enquanto ele morria, mesmo sabendo que podia ser contaminada?: Uma das cenas mais devastadoras da série é quando o bombeiro que apareceu no primeiro episódio está preso numa cama de hospital (told you que ia dar merda), rodeado por cortinas de plástico para não contaminar os outros e, ao seu lado, está a sua mulher grávida. No início, este dois desconhecidos estavam apenas a viver a sua vida normal, e um acontecimento que estava fora do alcance dele destruiu completamente as suas vidas, que poderiam ter sido tão felizes. O pessoal da administração só deixa a mulher estar 30 minutos à beira dele e sem lhe tocar, mas ela, movida provavelmente pelo choque e pelo seu amor incondicional, fica lá dias e noites a fio, a segurar-lhe a mão, enquanto ele literalmente derrete. Já estão perturbados o suficiente? Imaginem então o que seria viver isto em vez de apenas ver.
5. OS ANIMAIS! Vou chorar até 2020: A radiação devastou tudo, a floresta, a água, a comida, até os animais. É por isso que, por volta do 4º episódio, começam a fazer um abate em massa de todos os animais, selvagens ou domésticos. Esta é uma das cenas mais pesadas e difíceis de ver. É curioso constatar como sofremos mais com a morte dos animais do que com a morte de seres humanos. Suponho que é por os animais inocentes acabarem sempre por sofrer com os erros humanos.
6. Estou comovida com a coragem de todas as pessoas que se sacrificaram por Chernobyl: Cientistas, mineiros, os mergulhadores, meros cidadãos com longos anos pela frente, que sabiam que iam morrer ao participar nisto mas que, ainda assim, se decidiram sacrificar para salvar a vida de milhões de pessoas. Alguns não tiveram opção, mas outros tiveram e fizeram-no na mesma. Sou sincera, eu não tinha esta coragem, eu preferia ser covarde e viver toda a minha vida, do que morrer cedo e ser considerada uma heroína.
7. Nunca mais vou ser feliz na vida: "Chernobyl" é como os Dementors: suga-nos a felicidade toda e deixa-nos sem esperança (sim, a minha capacidade de encaixar referências Harry Potter em tudo é incrível). Gostei desta mini-série, está mesmo surreal, porém agora tenho que passar um tempo a ver coisas mais leves, talvez só consiga ver apenas desenhos animados... Consumam por vossa conta e risco. E comprem comprimidos de iodo!

















