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21.3.20

Ter acabado o curso mais tarde faz de mim burra?

Ter acabado o curso mais tarde faz de mim burra?

(As socas que me acompanharam nos meus 4 anos e meio de estágios em Enfermagem. Faziam-me doer os pés, mesmo com as palmilhas que eu lhes coloquei  numa tentativa, em vão, de as tornar mais confortáveis. Estive para comprar umas novas, mas dei por mim a não me conseguir desfazer deste calçado que me acompanhou desde os 18 aos 22 anos. Fizeram-me doer os pés, tal como o meu percurso me causou dores de crescimento. E tentei torná-las mais confortáveis mas, tal como este mesmo percurso, nem sempre é possível fazê-lo, porque aprender nem sempre é confortável. Mas, no final, orgulho-me de olhar para elas, assim como para todo o meu percurso)

Todos nós conhecemos aquela malta da faculdade que anda por lá a passear livros e a acumular matrículas. Aquelas pessoas que levam com o famoso comentário "oh prima, ainda andas na faculdade?". E, por muito que isto nos confira o estatuto de Cardeais ou de Veteranos na praxe (dependendo das tradições da universidade que frequentamos), ninguém suficientemente empenhado na sua vida quer ser esse tipo de estudante. Eu certamente que não queria.

Quando entrei para a faculdade, aos 18 anos, na minha primeira opção (tal como as expectativas sociais o ditavam), eu jurei a mim mesma que não iria ser esse tipo de estudante. Que nunca iria deixar cadeiras para trás ou que iria reprovar no que quer que fosse, nem numa única frequência. Mas a vida decidiu-me atirar com um grande balde de água fria, como o faz de vez em quando.

Como os leitores mais atentos devem saber, há 3 anos eu reprovei num dos meus estágios do 2º ano. Em parte foi por motivo de doença (uma inflamação de intestino que, sei agora, poderá ter sido desencadeada por uma grande crise de ansiedade),  mas isso não me impediu de ser muito dura comigo mesma. Fiquei absolutamente desolada! E estaria a mentir se dissesse que foi apenas por saber que a minha entrada no mundo profissional iria ficar adiada. Não, a verdade é que esta reprovação foi também uma valente facada no meu ego. 

Toda a minha vida, eu fui sempre uma boa aluna. Nunca fui um "crânio", nunca cheguei a esse patamar, mas fui sempre uma aluna com um bom percurso académico: sempre com 4s e 5s no Básico  (tirando a Educação Física e a Artes Visuais, nisso era uma "nódoa") e 17s e 18s no Secundário. Aquela aluna que ouvia muitas vezes "esta vai ter  futuro".  Nunca reprovei em nenhum ano, disciplina ou teste. Portanto, agora já estão a visualizar melhor o choque que foi quando soube que reprovei num estágio no meu 2º ano de faculdade. 

Este acontecimento deixou-me com a confiança muito abalada. Eu, que sempre me habituei a ver-me de certa forma que alguém que, por muito que entrasse em stress com as notas, sabia que de certo patamar nunca descia - porque era inabalavelmente empenhada - perguntei-me porque é que falhei. Sentia-me burra, igual àqueles que acumulam matrículas. Tive vontade de desistir do curso porque, de repente, achava que não tinha perfil nenhum para ser enfermeira. Felizmente, tive pessoas que me ouviram e me, apoiaram qualquer que fosse a minha decisão, mas que disseram para eu esperar, para continuar. Se depois chegasse mesmo à conclusão que queria desistir, ia sempre a tempo. Porque, meus amigos, desistir não tem mal nenhum. Mas quando estão com a confiança fragilizada e a motivação lá no fundo, a vontade de desistir pode ser apenas uma partida do vosso cérebro, das vozes negativas que lá habitam. Não se toma este tipo de decisão quando a vossa saúde mental está uma merda, e estou grata por ter tido pessoas que não mo deixaram fazer logo na hora. 

O estágio seguinte do 2º ano (em ortopedia para os curiosos), fez-me recuperar parte da minha motivação. Descobri ali uma das primeiras áreas pela qual me interessava muito. No 3º ano, o ano das especialidades, recuperei ainda mais, com uma variedade de áreas que me atraíram e me fizeram relembrar o motivo pelo qual eu escolhi Enfermagem.

Com a ideia de desistir finalmente fora da cabeça, isso não significa que eu não tenha passado o resto do curso a duvidar do meu valor na mesma. Fiquei de tal forma com o trauma daquela reprovação que suspirava de alívio a cada estágio que não reprovava, mesmo que, a maior parte das vezes, o meu desempenho fosse muito mais que satisfatório, eu trabalhasse para mais do que isso e, em alguns casos, eu chegasse até ao 16 ou 17. É estúpido, eu sei, mas tentem dizer isso ao meu cérebro ansioso. Só descontraí mesmo quando acabei o curso, com 16 no Estágio de Integração. Mas, pela primeira vez em muito tempo, vi mais para além do resultado final.

Foi no meu Estágio de Integração que eu acabei por me sentir uma verdadeira enfermeira. Com a ajuda de dois grandes orientadores (do centro de saúde onde estagiei e do hospital), aprendi a reconhecer as minhas competências, a minha paixão por aquele curso e, mais importante que tudo, a minha dedicação presente em todos os momentos. Resumindo, aprendi a dar mais valor ao meu desempenho do que ao resultado final. Foi aí que deixei o medo de não ser boa o suficiente me deixasse de perseguir. E aqui estou eu agora, uma licenciada orgulhosa e que tem tantas competências como quem acabou em junho. 

Assim, a pergunta que aqui se coloca é: ter acabado o curso mais tarde (6 meses mais tarde, foi uma sorte ter conseguido o meu estágio em Época Especial) faz de mim mais burra que os outros? Faz de mim uma pior enfermeira? Faz de mim uma estudante desleixada? A resposta é não, não e não. Nada na vida é assim tão linear, e isso aplica-se também ao mundo universitário.

As perguntas que deveríamos estar, antes, a fazer é: porque é que somos tão duros connosco mesmos, mesmo quando não podemos controlar tudo o que nos acontece? Porque é que sentimos que estamos numa corrida contra os outros? Porque é que sentimos que um único acontecimento negativo nos define completamente?

A universidade é dura. A frase "é fácil entrar, difícil é sair" não é uma mera piada universitária. É porque é mesmo difícil para caraças! Os cursos são cada vez mais exigentes, e somos também apanhados na transição da adolescência para a vida adulta, algo que nos causa muitas dores de crescimento. Nada disso é fácil. Por isso, temos que parar de sentir necessidade de sermos constantemente os melhores. O sucesso não é nenhuma corrida. O mais importante é  aprendermos ao nosso ritmo  e termos fé que concretizaremos os nossos sonhos, demore o tempo que demorar. Quer isso signifique acabar o curso aos 23, 24 ou 25 anos (aí ainda têm toda uma vida pela frente na mesma) quer isso implique congelar matrículas e fazer uma pausa para recuperar a nossa saúde física e/ou mental, ou quer isso implique passar por isto tudo e chegar à conclusão "afinal, não é isto que quero, quero mudar de curso". No entanto, o que quer que escolham fazer, não deixem que estes anos, que devem ser dos mais felizes da vossa vida de estudante, vos destruam por dentro. O futuro será sempre sorridente para aqueles que lutam por ele.

(Foto: da minha autoria)

25.6.19

Prendas de final de ano letivo: devemos premiar algo que é uma obrigação?


Há uns dias atrás li a seguinte afirmação no Twitter: "Prendas de final de ano letivo são só estúpidas. Porque vamos premiar algo que é uma obrigação?". Intrigada por este tweet, quis saber se esta era opinião geral e, por isso, perguntei-vos nas redes sociais qual era a vossa posição. Gerou-se uma discussão interessante (podem ler aqui) , com diversos pontos de vista que me fizeram refletir acerca da minha própria posição- sou a favor, mas depende.

Porquê, perguntam vocês? Antes de dar uma prenda, é preciso ter em consideração alguns fatores, como a idade da criança/jovem, o contexto e o tipo de prenda que se quer der. É importante que a prenda nunca ofusque aquela que deve ser a motivação principal, o sucesso escolar. Cair na velha chantagem "se tirares boas notas dou-te isto" só vai criar adultos irresponsáveis, que não sabem distinguir entre direitos e deveres.

Sinto que, com bens materiais, é muito difícil que os filhos, de forma consciente ou inconsciente, não acabem por cobrar mais aos pais e acabar numa forma desta chantagem invertida, tornando-se numa exigência que deve ser cumprida todos os anos. Houve alguém nas redes sociais que sugeriu premiar  com experiências e, de facto, é o caminho mais sensato para fugir a este problema.  Já cheguei a receber alguns presentes de transitar de ano mas, pessoalmente, aqueles que mais me marcaram não foram coisas materiais, foram experiências, como viagens com a família ou lanches com amigos. Houve ocasiões em que o fim do ano letivo foi usado como desculpa para comprar algo que precisava, como uma peça de roupa ou uns óculos de sol, ou até mesmo um miminho mais supérfluo (presentes que pelos quais me sinto agradecida na mesma, obviamente), mas são coisas que, passado algum tempo, não têm tanto significado como uma celebração, por mais pequena que seja, para assinalar mais uma etapa, em que se fazem diretamente elogios sobre o trabalho feito e toda a dedicação depositada nesse trabalho. 

As principais regras de ouro são, portanto, na minha opinião, evitar dar bens materiais a não ser sejam baratos ou que seja  algo absolutamente necessário (pontos extra se estes bens forem relacionados com o estudo), não haver um acordo prévio (ou seja, não prometer nada aos filhos),  e, sobretudo, não fazer qualquer tipo de suborno. Se se souber respeitar estas regras, não há mal nenhum e dar uma gratificação a quem, de facto, soube cumprir bem os seus deveres. 

Estudar, é sim, uma obrigação, e ninguém pode fazer isso por nós, mas porque não festejar- ainda que de forma simples, não vamos andar a fazer uma festa de formatura todos os anos- cada passo dado naquele que é um longo percurso académico? Há quem diga "ah, quando começarem a trabalhar ninguém os vai elogiar, recebem o salário e o resto é acordar, trabalhar, comer e dormir até morrer". Não é bem assim. Não se sentem muito mais motivados quando são reconhecidos por aquilo que fazem, quer seja por um cliente numa loja ou por um paciente num hospital? Além disso, em muitas empresas, os trabalhadores trabalham por objetivos, e em cada objetivo atingindo recebem um incentivo. Porque não fazer o mesmo enquanto estudamos? 

Celebrar as pequenas vitórias importa, quer seja passar de ano,  um 90% no teste de Português ou uma apresentação de trabalho excecional. Talvez seja este o incentivo que falta a muitos estudantes que, hoje em dia, se sentem desmotivados a exigência cada vez maior do ensino e a falta de perspetivas de emprego. 


Qual é a vossa opinião? São a favor ou contra às prendas de final de ano letivo?

15.6.19

Porque é que as crianças (ainda) precisam de relógios analógicos


Há uns tempos atrás li uma notícia que é, no mínimo, preocupante. Algumas escolas no Reino Unido estão a tirar os relógios analógicos das salas de aula, e a instalar na vez destes dispositivos digitais, supostamente para facilitar a vida dos alunos, que já estão tão habituados ao digital, que usar um relógio mais tradicional, principalmente na altura de exames, seria um stress desnecessário. Esta notícia lançou o debate: será que, na era tecnológica, ainda é importante que as crianças aprendam a ver as horas num relógio analógico? Tendo em conta que metade das crianças já não o sabe fazer (se têm duvidas, vejam um vídeo que fizeram o ano passado), sim, é, mais do que nunca!

Na turma em que eu andava na primária, havia uma regra em sala de aula que era inquebrável: nenhuma criança podia usar relógios digitais. Qualquer aluno que entrasse naquela sala de aula com um era obrigado a tirá-lo e colocá-lo numa caixa na secretária da professora, sendo que só o tinha de volta no final do dia. Além disto, os pais eram estimulados a fazer o mesmo em casa, a colocar os relógios digitais de parte e a perguntar frequentemente as horas aos filhos. Claro que, em casa, a professora já não tinha controlo sobre se esta medida pedagógica era cumprida ou não, mas a maior parte deles parecia cumprir, porque os seus filhos demonstravam saber ler as horas.

Nos dias de hoje, esta medida talvez fosse um bocado extrema. Vivemos numa época em que os professores têm medo de tomar qualquer atitude mais extrema e, no dia a seguir, virem os pais atrás reclamar, a dizer que pode traumatizar o seu filho (como alguém que acompanha o mundo da educação de perto, sim, isto acontece mesmo, não é exagero). Já estou a imaginar "mas o meu filho não pode usar o que quer agora?". Dão-se tablets para a mão como se fossem brinquedos, e todas estas tecnologias, a longo prazo, estão a ter efeitos nocivos nas crianças: há quem já tenha mais dificuldades a aprender a segurar numa caneta, quanto mais ver as horas. 

Aqui em Portugal, ainda se aprende a ver horas num relógio analógico mas, fora da sala de aula, as crianças estão a perder exposição aos mesmos. Sejamos sinceros, quantos de nós os utilizamos? Eu falo por mim, antes era uma amante de relógios de pulso, mas desde que entrei em Enfermagem, em que não se podem usar qualquer tipo de adorno no estágios, que desenvolvi o hábito de ver as horas pelo telemóvel. Em minha casa ainda existem relógios tradicionais, mas imagino que noutras casas já não se deem ao trabalho de colocar. Nós, adultos, já sabemos ver, e quem aprende não esquece, mas e as crianças? 

Mas qual é problema do digital, afinal? O problema é que com o digital as crianças só têm noção do presente- não conseguem perceber quanto tempo já passou ou quanto tempo falta para o fim de determinada tarefa. Com um relógio analógico, conseguem compreender melhor a passagem do tempo, fazendo com que consigam situar-se melhor e perceber em que medida o momento que estão a viver se encaixa entre o passado e o futuro. Conseguem compreender também quanto tempo falta para o fim de algo- como as aulas, por exemplo- e planear as suas tarefas de acordo. Como o nosso próprio planeta, este é redondo e tem o seu próprio ciclo, o que facilita a  perceção dos miúdos das 24 horas de um dia. 

O tempo é um conceito abstrato para os mais pequenos e, ao dar-lhes relógios digitais, não lhes estamos a facilitar a vida, estamos a fazer com que seja mais difícil para eles compreender este conceito abstrato. Não importa os dispositivos tecnológicos que eles possuírem no futuro, esta é uma competência da qual precisarão sempre. 

8.6.19

Os únicos 3 livros que utilizei no meu curso


Na universidade, não há manuais escolares como no Básico e no Secundário. Foi algo que, ao início, me fazia alguma confusão (tal como contei, uma vez, neste post) mas que, com o tempo, percebi que realmente livros na faculdade eram algo prescindível. Para a maior parte das frequências estuda-se unicamente por powerpoints e, se por acaso precisamos de estudar por um livro, normalmente só interessam alguns capítulos e são esses que fotocopiamos. Nos casos em que é preciso mesmo o livro inteiro, vai-se à biblioteca e devolve-se no final do semestre. Não é preciso gastar fortunas em obras que, para o nível universitário, muitas vezes são caríssimas.

Foi assim que eu fiz ao longo de 4 anos. Contudo, houve três livros que eu tive mesmo que adquirir e que considero essenciais, não só para estudantes como para enfermeiros, pelo seu carácter informativo e intemporal.


1. Atlas of Human Anatomy: Este foi o primeiro livro pelo qual estudei quando comecei a ter aulas de Anatomia, e é muito bom para quem está a aprender os básicos. O meu professor de Anatomia disse que, numa primeira fase, aprender com ilustrações ajuda-nos a ter uma compreensão geral da matéria, e só depois é que devemos avançar para imagens reais, por isso foi este o livro que adquiri para o efeito. As ilustrações contidas nas suas páginas foram pintadas à mão pelo próprio autor, e permitem-nos ter uma compreensão geral da sua anatomia humana de diferentes ângulos e informação concisa a acompanhar. O livro também contém um apêndice no final, com todas as estruturas anatómicas reunidas, útil para quando queremos organizar as ideias e expandir os  conhecimentos no que diz respeito a nomes mais complicados.  Apesar de ser mais útil no início do curso, ainda hoje a utilizo de cada vez que quero procurar uma parte anatómica de forma mais rápida ou quero consultar o apêndice. 


2. Anatomy: A Photgraphic Atlas: Este foi o livro que utilizei quando comecei a estudar a sério para as frequências de Anatomia. "Anatomy: A Photographic Atlas" vai além de fornecer meras ilustrações da anatomia humana ao fornecer imagens reais de corpos humanos, através de cadáveres. Meus caros colegas esttudantes e enfermeiros, esta é a bíblia!  Aquele livro que vos vai ser muito útil ao longo de todo o curso e, mesmo no futuro enquanto profissionais, quando quiserem, por exemplo, compreender de que forma determinada patologia afeta certas estruturas. Se só puderem comprar um livro desta lista, comprem este! A versão fotocopiada não é tão boa, porque o que o torna mesmo bom é a qualidade das fotos. 


3. Anatomia e Fisiologia: Ou, como os estudantes costumam chamar a esta grande preciosidade, Seeley. Este livro já me acompanha muito antes de ter entrado em Enfermagem. Já existia em casa de um familiar há muitos anos e, em muitas ocasiões, eu pegava nele para ler. Talvez tenha sido uma das coisas que despertou o meu desejo por esta profissão.  Muitos dos conhecimentos que eu tenho acerca do corpo humano devem-se a este livro. Foi uma alegria quando entrei em Enfermagem e finalmente mo emprestaram. Tudo o que precisam de saber sobre anatomia e fisiologia está reunido no Seeley de uma forma muito simples e fácil de compreender sem, obviamente, desvalorizar a utilização de termos técnicos médicos e de Enfermagem. Não o tentem ler todo de uma vez (mesmo eu, após tantos anos, ainda não li tudo), é para ir estudando e consultando conforme as necessidades. É o único desta lista que tenho em Português e, ainda bem, porque foi isso que permitiu com que eu o usasse desde nova. 


Caros colegas (futuros) enfermeiros, quais são os livros que consideram essenciais na nossa profissão?

12.5.19

Branco e amarelo, sempre!


Ontem, dia 11 de maio de 2019, foi  um dia que vai ser lembrado para sempre como como um dos mais marcantes da minha vida estudantil. Ainda falta um bocadinho para acabar o curso, mas maio é para nós, finalistas, o mês de todas as celebrações. 

Acordei na manhã de sábado após poucas horas de sono, resultado de uma emotiva noite de serenatas. Costumo queixar-me de privação de sono (são poucas as coisas que me fazem abdicar das minhas 7/8 horas de sono) mas ontem, sabendo o que se avizinhava, levantei-me da cama com todo o entusiasmo. Vesti o meu traje com a consciência que seria a penúltima vez que o iria usar (a última vez será em julho, na missa de Enfermagem). Peguei na minha pasta, com as fitas escritas com tanto amor guardadas lá dentro (uma tradição que nem existe na UM, mas eu quis fazê-lo na mesma, por fazer sentido para mim) e nas minhas insígnias que, dali a umas horas, estaria a usar na cerimónia de Imposição das Insígnias e, mais tarde, na Missa de Finalistas na Avenida Central, e lá fui para um dia para o qual achava estar preparada, mal eu sabia a intensidade das emoções que iria experienciar nas horas seguintes.

A poucos minutos do início da cerimónia de Imposição de Insígnias, estava sentada nas mesmas cadeiras do pavilhão desportivo onde, quatro anos antes, estive presente na cerimónia de boas vindas , e foi aí que pensei "caramba, agora é mesmo real!". Andei o ano todo a exibir-me orgulhosamente, a irritar os outros com a frase "Finalista pode tudo!", mas só aí é que a realidade caiu sobre mim e eu soube que era mesmo Finalista. Que a Universidade já me estava a empurrar para fora das suas portas e que eu não podia fazer nada. Sinto que o meu tempo aqui já passou, que está na altura de embarcar em novas aventuras, mas ao mesmo tempo  queria prolongar esta fase só mais um bocadinho.

Na missa, todo o ambiente foi ainda mais envolvente. Ali, não haviam guerras de cursos, competições nem picardias entre malta da praxe e anti-praxe: éramos todos finalistas que estávamos a assinalar o fim de um ciclo, com as insígnias a transformar a Avenida Central num lindo espetáculo de cores. Foi neste ambiente que as lágrimas que teimosamente contive durante todo o tempo apareceram, e pioraram com a dos meus colegas.

Num sábado muito quente, não foi o calor de estar trajada com este tempo que eu senti mais, foi do carinho de todas as pessoas que contribuíram para tornar este dia ainda mais especial. Foi mesmo comovente ver tanta gente que, mesmo com os seus quotidianos preenchidos, arranjaram forma de presenciar isto comigo, e não me  pouparam a mimos. Nem imaginam a força que me deram! Sinto-me mesmo grata por as ter na minha vida.

Foi tanto aquilo que a Universidade me trouxe, muito para além dos conhecimentos que adquiri no curso. Foi um percurso com altos e baixos, naturalmente porém, no final, é sempre o melhor que fica mais presente na memória. Começou por me trazer  duas raparigas que conheci na fila das inscrições, no meu primeiro dia de Universidade, e que me acompanharam durante três horas, mesmo sem me conhecer de lado nenhum - nunca mais as vi, mas foram as primeiras a fazer-me sentir em casa na Universidade do Minho. Deu-me a praxe, que me mostrou que nem todas são como as humilhantes que são retratadas na TV, que podem ser espaços onde podemos ser a nossa versão mais silly,  e onde se aprende valores como a amizade e solidariedade ("Caloiro é solidário!"). Fez com que o meu caminho se cruzasse com tantas pessoas diferentes, de cidades e até de países  diferentes. Trouxe-me um grupo extraordinário de amigas, completamente loucas (no bom sentido, vá!), que me fizeram rir imensas vezes, e que me apoiaram em todos os altos e baixos- somos todas tão diferentes umas das outras mas damo-nos incrivelmente bem, e quero que a nossa amizade continue por muitos anos, até sermos velhinhas, com dentaduras para atirarmos umas às outras. Deu-me a conhecer o meu namorado que, no seu jeito nerd que eu adoro, convidou-me para sair à beira de um carrinho de medicação e que , desde aí, continua a fazer-me sorrir, todos os dias. Fez-me passar por tantos serviços em hospitais e outras instituições de saúde, onde cresci, conheci muitas realidades distintas e histórias inspiradoras que me fizeram pensar "se eles conseguem ultrapassar todos estes obstáculos, eu também consigo ultrapassar os meus". Fez-me perceber que Enfermagem não é um amor fácil, que já me testou e me vai continuar a testar muitas vezes mas que, no final do dia, é nesta nobre profissão que quero continuar- se existisse um botão de retroceder e eu pudesse voltar a candidatar-me ao Ensino Superior, faria a mesma escolha. A universidade tornou-me numa melhor pessoa: posso ainda ser jovem e ter muito para descobrir, contudo já não sou carrego as mesmas incertezas que carregava quando entrei.

Foram muitas as pessoas que contribuíram para o meu sucesso durante estes 4 anos, pelo que é praticamente impossível fazer um parágrafo de agradecimentos em condições sem este ocupar, pelo menos, meia página. Portanto, quero  destacar apenas algumas pessoas. Obrigada aos  meus pais, por terem investido na minha educação, por me terem proporcionado este que, infelizmente, ainda é um luxo, e por me terem ajudado em todo o meu percurso - espero ter feito com que o vosso esforço tenha valido a pena. Obrigada aos meus primos que, sendo eu filha única, fizeram o papel de irmãos , e que me ajudaram com as suas experiências acadêmicas e  conselhos muito valiosos. Obrigada à minha família, que também esteve sempre presente e a torcer por mim.  Às restantes , que sabem quem são e que sabem que me marcaram muito, um muito obrigada. Não teria chegado onde cheguei sem nenhum de vocês.

E assim me despeço da casa que me acolheu durante 4 anos e onde fui tão feliz. Quando dizem que os tempos da universidade passam num instante, não estão a brincar: estes 4 anos souberam a 4 dias, mas acredito que os aproveitei ao máximo.  Branco e amarelo, sempre <3.

(Foto: da minha autoria)

27.4.19

A Fita Blogosférica


Um dos meus muitos encargos como finalista é andar feita chatinha à caça de familiares, amigos e até professores para me escreverem nas fitas. Por esta altura, de alguns já só me resta a fita, porque a amizade foi-se (estou a brincar, sobreviveram todos). E não, vocês não se safam desta também.

Quando, há já alguns anos,  a Inês teve esta ideia incrível, eu soube imediatamente que iria fazer a mesma coisa. Porque a blogosfera fez parte de mim durante estes 4 anos. O meu blog registou o meu último ano de Secundário, a minha entrada na Universidade, da praxe, as primeiras cadeiras, as batalhas contra os cadeirões do curso (ai Anatomia, ainda hoje tenho pesadelos contigo), os meus receios e os meus sonhos.  Acredito até que as minhas vivências enquanto universitária teriam sido muito diferentes se não tivesse o "Life of Cherry".

Não, vocês aí desse lado não foram meus colegas de faculdade, mas acompanharam à distância todas as peripécias da minha vida académica: leram, comentaram, deram conselhos, partilharam experiências que me ajudaram e também me fizeram crescer,  e continuaram a seguir-me em todos os momentos, mesmo naqueles em que tive mais ausente e tive que deixar o meu cantinho virtual para segundo plano.

Assim, a fita que vêem na foto acima é para vocês. Não precisam de escrever testamentos ou textos muito inspiradores, basta deixarem algumas palavras, um "boa sorte" ou até apenas um pequeno smile,  se for essa a vossa vontade. O que vos fizer mais sentido. Podem deixar as vossas mensagens na caixa dos comentários em baixo ou na barra de páginas do blog que vou abrir especialmente para este efeito, até ao dia 10 de maio. 

Dar uma fita a alguém é o reconhecimento que essa pessoa marcou, de alguma forma, o nosso percurso académico. Mesmo que esta tenha estado sempre a quilómetros de distância ou que, como é o vosso caso, exista um ecrã de computador que nos separe. Pode parecer uma loucura, mas vocês também me marcaram de uma forma louca.

Fica aqui o convite para quem o quiser fazer. Obrigada, do fundo do coração <3.

(Foto: da minha autoria)

7.2.19

7 coisas que os professores precisam de saber sobre estudantes introvertidos


Como uma introvertida, sempre me debati com a escola. Não em termos académicos, porque sempre tive boas notas, mas com o ambiente social, principalmente o ambiente das aulas. O barulho dos alunos combinado com o medo de ser obrigada a participar eram uma receita para a ansiedade, na certa!Não vou culpar todos os professores que tive porque, felizmente, tive muitos professores que souberam respeitar a minha personalidade e adaptaram a sua forma de ensinar à mesma, mas também existiram outros tantos que não a respeitaram e obrigaram-me a reprimi-la.

Eu sei que ser professor exige tarefas muito complicadas e nem sempre há tempo nem energia para se adaptarem às necessidades de todos os alunos. Porém, todos sabemos que os introvertidos são, frequentemente, mal interpretados em ambiente escolar, e cabe aos professores mudar isso. Aqui estão 7 coisas que os professores precisam de saber sobre estudantes introvertidos.


1. Podemos ser quietos mas não somos estúpidos: Existem dois tipos de alunos em sala de aula, aqueles que falam muito e aqueles que estão sossegados. Eu sempre pertenci ao último grupo. No primeiro grupo de alunos, os professores conseguem avaliar quem é que sabe e quem é que não sabe, pela quantidade de perguntas que acertam. Já o segundo grupo é sempre um mistério. E, normalmente, os professores caem no erro de assumir que estes são burros, que não sabem nada. Se soubessem, falariam, seria o mais lógico, não é? Depois, ficam surpreendidos quando vêm que alguns dos alunos que nunca participavam têm notas brilhantes. Não, nem sempre um estudante ficam calado por não saber as respostas às perguntas dos professores. Às vezes, simplesmente não faz parte da sua natureza. Eu sabia sempre a matéria, mas nunca respondia às perguntas dos professores porque não me sentia confortável em ter que falar em frente da turma inteira. Eu sou aquele tipo de aluna que gosta de estar sossegadinha nas aulas, no seu lugar, a ouvir e a observar tudo. Não sou menos inteligente por isso. Existem muitas formas de avaliar a inteligência de uma pessoa, por trabalhos, por testes, não nos podemos focar apenas na participação em sala de aula.

2. Não somos um problema que têm que resolver: Os professores têm que parar de assumir que há algo de errado com os alunos introvertidos. Parem de insistir se não participamos no primeiro, segundo dia ou terceiro mês de aulas. Não têm que tentar descobrir o que há de errado connosco, isto faz parte da nossa personalidade. As pessoas acham que os introvertidos estão numa prisão interior, e que têm que ser libertados para aproveitar as suas vidas. Posso garantir-vos que nem sempre é o caso. Muitos de nós somos felizes assim, e só começamos a ficar chateados quando nos apontam falhas que não são as nossas.

3. Parem de nos avaliar pela nossa participação: Nem imaginam quantas vezes as minhas notas foram prejudicadas à conta da minha participação. Ao longo do meu percurso escolar, ouvi imensas vezes "Tens tão boas notas, é pena que não participes, tens que mudar isso, senão sais prejudicada.". Mas porque raio é que nos têm que avaliar pela nossa participação? Na minha opinião, é um critério que nunca fez sentido. Se uma pessoa está lá, nunca falta, faz os trabalhos de casa, estuda e sai-se bem nos testes, isso não é o suficiente? Deviam avaliar-nos pela nossa prestação e não pela nossa personalidade.

4. Não nos façam perguntas sem nós contarmos: Aquilo que mais me aterrorizava nas aulas é quando me apanhavam desprevenida, e me punham a participar sem levantar o dedo. Eu até podia saber as respostas, mas bloqueava com os nervos. Pior, era quando me diziam "fala mais alto, para os teus colegas te ouvirem" , o que aumentava o embaraço. Participação forçada é o pior, não nos façam isso.

5. Por favor, não marquem tantos trabalhos de grupo: Trabalhos de grupo é o pesadelo dos introvertidos. Se tivermos a sorte de escolher o nosso grupo, podemos trabalhar confortavelmente com o nosso círculo de amigos mais próximos. Se um professor decide sortear os grupos, é o terror! Calhámos com pessoas com as quais não estamos familiarizadas, que podem ou não gostar de nós e que podem ou não trabalhar. Se não trabalham, melhor para nós, fazemos o trabalho todo sozinhos e assim certificamo-nos que vai ficar bem, se trabalharem isso pode significar muita discussão entre os membros do grupo, reuniões fora de aulas, chamadas, mensagens, etc. É mesmo horrível! Atenção, eu não estou a dizer para os professores acabarem com os trabalhos de grupo. Os trabalhos de grupo são importantes para desenvolver a nossa capacidade de liderança e/ou de ser liderados, o nosso espírito de equipa, as nossas competências sociais, entre muitas outras competências que vão ser importantes para o nosso futuro enquanto profissionais e enquanto membros ativos de uma sociedade. Contudo, deviam repensar a forma como fazem os trabalhos de grupo. Atualmente, os trabalhos de grupo são quase a norma nas escolas, a maior parte das aulas envolve algum trabalho deste tipo. Para além disso, muitas vezes estes trabalhos não têm qualquer tipo de vigilância por parte dos professores, o que significa que há malta que trabalha mais do que outras, e existem muitos conflitos que nem sempre são resolvidos da melhor forma. É preciso mudar isto.

6. Nunca nos vão conhecer verdadeiramente: No final de um dos meus estágios de Enfermagem do ano passado, quando tive uma reunião com os professores para me avaliarem, estes ficaram surpreendidos com a minha capacidade de fazer uma excelente apresentação. Ficaram boquiabertos e chegaram a dizer-me mesmo, "Nós achamos que te conhecemos e depois vemos isto... Nós nunca te conhecemos verdadeiramente". Isto é o encanto dos introvertidos. Nunca se sabe o que esperar de nós, somos uma caixinha de surpresas. Como somos fechados por natureza e demorámos muito tempo abrimo-nos com as pessoas que nós gostamos, quanto mais com aquelas que não são próximas de nós. Portanto, nunca julguem que sabem tudo sobre nós, porque não sabem. Aliás, nunca julguem que sabem tudo sobre toda a gente, porque existe muito mais do que aquilo que vocês vêem à vossa frente.

7. Trabalhem para criar um mundo que não valorize tantos os extrovertidos, que valorize também  os introvertidos: Não vale a pena negar, o mundo foi feito para os extrovertidos. Na nossa sociedade atual, os extrovertidos são postos num pedestal, e os introvertidos são obrigados a adaptarem-se. Os introvertidos, certamente, percebem aquilo que estou a dizer. Quantas vezes tiveram que reprimir a vossa personalidade para se adequar à escola e, mais tarde, ao mundo do trabalho? A educação é a base da sociedade, portanto se deixarmos de beneficiar excessivamente os extrovertidos pela sua participação e arranjarmos formas de avaliar os introvertidos de outras formas talvez, no futuro, o mundo de trabalho e outros ambientes comecem a fazer o mesmo.


Introvertidos aí desse lado? O que é que gostavam que os professores que já tiveram  soubessem sobre vocês?

Lê também: O poder dos introvertidos.
                    20 coisas que só os introvertidos percebem. 
                 

13.1.19

7 lições que os universitários podem aprender com os estudantes de Hogwarts


Fazer uma maratona de Harry Potter é uma experiência muito engraçada quando somos adultos. É incrível as coisas que nunca tínhamos reparado antes. Cada vez que revejo a saga, reparo sempre em algo novo. Desta vez, reparei nas similaridades que existem entre os estudantes de Hogwarts e os estudantes universitários. Podemos não andar a aprender magia (quem nos dera!), mas identificamo-nos completamente com o nervosismo, o drama e o terror que o grupo de amigos de Harry passou durante os exames.

Aqui estão 7 lições sobre exames que podemos aprender com os estudantes de Hogwarts, para nos lembrarmos que, nesta altura de muito estudo, não estamos sozinhos (e vá, para terem uma desculpa de procrastinar um pouco enquanto lêem isto).


1. Os exames tendem a chegar quando o tempo está mais bonito: Todos nós, em algum momento da nossa vida de estudantes, já fomos o Ron, a olhar pela janela da biblioteca a contemplar um lindo céu azul, desejando não ter tanta porcaria para estudar.

2. Irás encontrar todo o tipo de de professores: Todos nós, durante o nosso percurso académico, encontraremos, pelo menos, um professor horrível, que vai tornar a nossa vida num inferno. Provavelmente, alguns de nós já tivemos uma professora Umbridge ( desejo toda a sorte do mundo a quem estiver a ter aulas com uma professora assim, neste momento). Ou um Snape que não gostou da nossa cara, sendo as suas aulas insuportáveis para nós. Mas se o Harry Potter conseguiu aprender com um professor que tinha o seu inimigo mortal atrás da sua cabeça, nós também conseguimos sobreviver aos nossos professores.

3. Apoia-te nos professores: Por cada Umbridge há uma McGonagall. Podes ter maus professores, mas também encontrarás bons professores, que te darão aulas espetaculares, te ajudaram e apoiarão naquilo que precisares.

4. Vai haver sempre alguém mais bem preparado do que tu: Por muito que te esforces e que te mates a estudar para um exame, vai existir sempre uma Hermione que vai recitar a matéria toda antes de entrar na sala de exame ou que, depois deste, vai dizer " Era muito mais fácil do que esperava".

5. Estar um bocadinho nervoso(a) até é bom: Já dizia a Hermione " Não te sais tão bem nos exames se não estiveres um bocadinho nervoso". Embora os nervos te possam atrapalhar durante os testes, eles também podem fazer com que estudes com antecedência.

6. Ocupam as tuas férias: Os estudantes de Hogwarts não tinham férias na Páscoa, e para os estudantes universitários ainda é pior, nem na Páscoa nem no Natal, temos que estudar nestas duas alturas.

7. A espera agonizante pelos resultados: Os exames finalmente acabaram, mas o sossego ainda não chegou. Agora começa a espera agonizante pelos resultados. Se és como a Hermione, vais divertir-te a falar sobre aqueles que te correram bem e os que te correram pior, e o que respondeste em todas as questões. Se és como o Ron vais querer cair em algum buraco e não sair de lá até as notas saírem.


14.11.18

Como ver uma série quando tens muito para estudar

Como ver uma série quando tens muito para estudar

Ver mais um episódio ou estudar? Ah, o eterno dilema do estudante moderno. Binge watching é uma das causas principais do fracasso escolar (parece que estou a falar de uma doença, desculpem, influências de Enfermagem). O seu principal sintoma é o "só mais um episódio" que nos ilude e faz com que percamos uma tarde de estudo. Qual é a solução, deixar as séries para as férias? Não, não é preciso uma medida tão extrema.

Até este ano (que é o ano em que estou a acompanhar mais séries!), eu fui mais uma rapariga de filmes. Em grande parte porque os filmes só duravam uma 1 hora e meia a 2 horas e, depois disso, acabavam, enquanto que as séries exigiam mais tempo para as acompanhar. Não confiava muito na minha autodisciplina, e preferi sempre deixar as séries para o verão. Era algo que até nem me custava muito a fazer, tirando quando saía uma nova produção completamente wow, que punha toda a gente a comentar nas redes sociais,  e eu ficava a sentir-me como uma criança numa festa de aniversário que recebe a proibição de  comer doces. Foram essas produções que me fizeram arriscar a acompanhá-las em plena época de aulas e com o tempo, para manter a minha produtividade, desenvolvi algumas ferramentas para evitar que estes me distraíssem dos meus objetivos.


1. Escolhe uma série levezinha: Estás a ver aquelas séries em que acontecem um monte de coisas no mesmo episódio, com muito drama, mistério e que te fazem ter múltiplos ataques cardíacos no mesmo minuto? Esquece essa série, não a vejas se estás em plena época de exames. Aquilo que vai acontecer se tu a vires é que só vais conseguir pensar nessa  história o que, por sua vez, vai fazer com que tu entres numa maratona de episódios para procurar respostas para o que vai acontecer a seguir em vez de procurar respostas para os exames que tens nos livros em que deverias estar mesmo a pôr os olhos. As séries ideais para veres quando tens muito para estudar são séries levezinhas, com narrativas simples, em que não acontece nada de especial mas que, ao mesmo tempo, te cativem e te entretenham o suficiente para te proporcionarem um bom momento de descanso. Sugestões: "Gilmore Girls", "The Bold Type" e "Sex and The City".

2. Escolhe uma série que não tenha seguimento: Existem séries que tu tanto vale começares a ver no primeiro episódio da 1º temporada e como no quarto episódio da 10º temporada que consegues acompanhar tudo na mesma. Isto porque a narrativa delas não consiste numa linha contínua de acontecimentos, cada episódio é uma história diferente. O exemplo mais conhecido é "Black Mirror", em que cada episódio tem um cenário diferente, um elenco diferente e um enredo completamente diferente. Existem outras séries que até têm um seguimento, mas que se consegue ver na mesma de modo aleatório porque esses pequenos eventos não são muito relevantes para a narrativa geral. É o caso de "CSI" e "The Simpsons".

3. Pensa nos episódios como uma recompensa do teu estudo: Este é um truque muito bom pensado para os casos em que optares por não seguir nenhuma das duas dicas acima. Bem sei que, por vezes, não é viável optar por uma série mais levezinha quando a que queremos mesmo ver é aquela que toda a gente está a falar e que é mesmo muito boa. Imagina então que isto é um videojogo. Estranho? Eu explico. Num videojogo, para desbloqueares aquele mundo que parece ser mesmo lindo ou acessórios que parecem ser mesmo fixes, tens que passar de nível. Transpondo esta lógica para o estudo, cria um esquema em que 2 horas a estudar, por exemplo, desbloqueiem um episódio que vai dar-te as respostas deixadas pelo episódio anterior. Ao início vais pensar, "bolas, para quê estudar quando o que quero mesmo é saber o que vai acontecer?" porém, passado algum tempo, vais interiorizar que, para tal, tens que ser produtivo primeiro.

4. Escolhe uma série com episódios pequenos: Episódios com duração de 30 ou 20 minutos são muito mais fáceis de encaixar nas pausas de estudo do que episódios de 1 hora ou mais.  A melhor sugestão que tenho para dar aqui é o clássico "Friends", cujos episódios têm uma duração média de 22 a 30 minutos.

5. Impõe um limite de episódios por dia: Passar muito tempo nos ecrãs não é saudável e cansa muito, principalmente quando já gastas a tua energia em muitas outras atividades que compõem o teu ano letivo. Assim, limita os episódios que vês diariamente para evitar que te sobrecarreguem. Estabeleces x episódios diários e, depois desses, finges que já acabaram e voltas para o estudo ou então arranjas outra forma de descansares.

6. Finge que a série ainda não está completa e que sai um episódio por semana: Se fores como eu, há uma grande probabilidade de, na altura em que decides ver determinada série, esta já ter umas 4 ou 5 temporadas. Está mesmo ali prontinha para um binge watching e para desgraçar as tuas notas. São capaz de me matar por esta dica, mas aqui vai. Finge que a série ainda não está completa e que só sai um episódio por semana, por exemplo, à sexta. Eu sei, eu sei, é muito difícil fazê-lo quando queremos mesmo saber o que vai acontecer no próximo episódio, e é por isso que eu aconselhei acima escolher uma série levezinha e que não exija um acompanhamento constante de todos os acontecimento. No caso de não teres seguido esse conselho, lamento, vais ter que recorrer a todo o teu autocontrolo para seguir esta dica.


Costumam ver séries em tempo de aulas? Quais são as vossas estratégias para evitar que estas vos distraiam?

Lê também: 5 coisas saudáveis que pode fazer enquanto vês a tua série favorita.

29.10.18

12 coisas relativas à vida de estudante das quais vou ter saudades

 12 coisas relativas à vida de estudante das quais vou ter saudades

Na semana passada, tive a minha última aula da licenciatura (a partir de agora é só estágios até ao final do ano). A última aula da minha vida! Pelo menos, enquanto estudante no verdadeiro sentido da palavra. Nada me impede de tirar um mestrado ou uma especialidade no futuro, mas já não será a mesma coisa, porque está estarei demasiada ocupado a (tentar) ser adulta.

Durante toda a minha vida, eu nunca conheci outra realidade além da de estar em sentada numa mesa de madeira pequena a estudar. É certo que também estagiei, o que me deu um vislumbre do mundo de trabalho, mas tudo aquilo que eu sei é ser estudante. Apesar de estar  muito entusiasmada para acabar o curso - e estar convencida que serei mais feliz enquanto trabalhadora do que estudante - existem muitas coisas das quais sentirei bastante falta. 


1. Ir às aulas: Muitos podem achar as aulas uma seca e o método de ensino atual desadequado (e eu não vou discordar), mas eu gosto mesmo de ir às aulas. Gosto mesmo de sentir que estou constantemente a aprender algo novo. 

2. Ir às aulas simplesmente existir: Todos nós temos aqueles dias em que, simplesmente, não nos apetece fazer nada. A vantagem de sermos estudantes é que podemos ir para as aulas simplesmente existir, dormir em pé. Não vale a pena ir para as aulas quando não vamos estar atentos, mas quando estas são obrigatórias tem que ser assim. No mundo de trabalho, se não nos apetece trabalhar um dia, não temos esta opção, temos que dar na mesma o máximo e certificarmo-nos que fazemos tudo aquilo que nos compete. Não é possível dormirmos em pé e esperarmos que as horas passem.

3. Faltar às aulas porque sim: Quem nunca fingiu uma doença só para faltar às aulas? Na faculdade, quem nunca faltou à primeira aula da manhã por causa da saída da noite anterior? Se fizerem isso quando estiverem a trabalhar, arriscam-se a perder o emprego. Para faltar ao emprego, é bom que estejam a morrer ou que alguém próximo esteja, porque senão é para esquecer. Ok, talvez esteja a exagerar, mas aquela a cena de "hoje vou faltar ao trabalho, não me apetece mesmo ir" não é, de todo, algo praticável.

4. Ir às aulas de qualquer jeito: Ser um estudante é, provavelmente, o único "emprego" do mundo em que podemos ir vestidos de qualquer jeito e ninguém vai reclamar connosco. Na universidade, até podemos aparecer lá de pijama se nos apetecer e ninguém nos vai julgar. Duvido que os meus futuros chefes aceitem que vá para o meu emprego de pijama.

5. (Ter desculpa para) comprar material escolar: Ainda estou a pensar na desculpa que vou arranjar para comprar material escolar a partir de agora. Porque sim, eu vou continuar a comprar, mesmo que não precise, eu não sei viver sem os cadernos e agendas giras.

6. As "férias grandes": Por vezes, ser estudante pode parecer um trabalho a tempo inteiro sem salário. Mas por muito que fiquemos stressados e cansados, junho recebe-nos sempre com 3 meses de férias, sem compromissos nem grandes responsabilidades. O "mundo real" já não é assim tão simpático - temos uns meros 20 dias úteis de férias (que não calham sempre quando queremos) ou, com sorte, um pouco mais se juntarmos folgas (isto claro, se a nossa profissão o permitir). 

7. Estar inserido(a) numa comunidade da tua própria idade: Durante toda a minha vida de estudante, socializei com pessoas da minha faixa etária. Quando entrar no mercado de trabalho, terei que conviver com pessoas, provavelmente, muito mais velhas do que eu, com outra experiência de vida, com interesses diferentes do meu, etc. Não é necessariamente mau (aprendemos imenso com pessoas mais velhas e com mais experiência do que nós!) mas vou sentir falta de estar rodeada de pessoas da minha idade, que estão na mesma fase de vida do que eu e com quem me identifico mais facilmente.

8. Horário flexível: Quando estamos no Básico os horários são mais rígidos, não temos tardes livres, entramos às 9 horas e saímos sempre às 17 horas. No Secundário, já vamos tendo umas tardes livres e já temos mais margem de manobra. Na universidade, os horários são, no geral, bastante flexíveis, e nem somos obrigados a ir a todas as aulas. Porém, quando temos um emprego, estamos sujeito a horários mais rígidos, em certos empregos até fazemos turnos (como no meu caso), além de, no final de cada dia, termos outras responsabilidades que não tínhamos enquanto estudante.

9. Não trabalhar aos fins de semana: Um dos melhores aspetos da vida de estudante é não termos que trabalhar aos sábados. Chega a sexta feira  e, se o estudo o permitir, podemos passar um fim de semana inteiro sem fazer nada. Esta é uma das coisas que mais me vai custar quando tiver um emprego, ter que trabalhar aos sábados ou mesmo ao domingo.

10. Planos espontâneos: Quando somos estudantes, podes chegar à beira de um amigo e dizer "vamos ao cinema", porque o nosso horário flexível assim o permite. Mesmo que os planos coincidam com as aulas, sempre podemos faltar a uma ou duas. Quando temos um emprego já não temos espaço para tantos planos espontâneos, temos um horário rígido a cumprir, poucas folgas, e é difícil gerir isso e combinar coisas com outras pessoas que, provavelmente, também estão a trabalhar e têm horários diferentes. 

11. Estar com os amigos todos os dias: Ao longo das várias etapas da minha vida de estudante, fui obrigada a separar-me de amigos com quem convivi diariamente e aprendi o quão difícil é combinar coisas e manter uma amizade com as pessoas que costumávamos viver todos os dias. Imagino que agora, com os amigos que criei na universidade, seja pior. No final do curso, iremos todos trabalhar para sítios diferentes, porventura para cidades ou até mesmo países diferentes, e arranjar tempo para estarmos todos juntos, com todas as responsabilidades e afazeres de adultos, será um grande desafio. Terei imensas saudades de todo o tempo que convivemos em aulas, no campus, na biblioteca e em festas. 

12. Saber aquilo que vou estar a fazer para o próximo ano: Durante toda a minha vida, apesar de todas as inseguranças que vivi em todas as etapas, uma coisa era certa - todos os anos eu regressaria às aulas. E essa rotina, essa certeza, impedia que eu pensasse em todas as inseguranças que eu tinha acerca do futuro. Agora que já não terei mais um setembro de regresso às aulas à vista, as incertezas começam a aparecer. O que estarei a fazer daqui a um ano? Será que terei um emprego ou estarei desempregada? Se conseguir um emprego, onde vou trabalhar? Parece que está tudo bastante indefinido. Apesar de assustador, admito que tem o seu encanto nunca saber o que vai acontecer a seguir. Ainda assim, vou sentir muita falta da segurança que setembro me dava enquanto estudante.

3.10.18

Como sobreviver a aulas de 3 horas


Não é novidade nenhuma por esta altura dizer que a faculdade é muito diferente do Secundário. Há mais matéria para estudar, os professores são mais exigentes, as aulas são mais rigorosas e o custo é muito maior (R.I.P à nossa conta bancária). Porém, para além de todos estes fatores que já causam muito stress aos novos alunos, eles ainda têm que se confrontar com um novo inimigo: as aulas de 3 horas. Eu tenho tantas problemas com estas aulas que podia fazer uma publicação inteira a falar sobre isso, para ver se proíbem isto.

Naturalmente, a duração das  aulas vai depender da universidade, do curso e até dos professores que têm. No entanto, arrisco dizer que a maior parte dos universitários terá, pelo menos, uma aula de 3 horas ao longo do curso. Portanto, mais vale estarmos prevenidos.


1. Não faltes à aula: Quando vemos uma aula longa no nosso horário, é tentador faltar mas, na maior parte das vezes, isso não é uma boa ideia. Por norma, este tipo de aulas só ocorrem uma vez por semana e, tendo em conta a sua duração, significa que abordarão uma grande quantidade de matéria que tu não quererás perder, sobretudo se é uma cadeira que é difícil estudar sozinho/a em casa.

2. Certifica-te que tens uma boa noite de sono na noite anterior: Ter uma boa de noite é sempre importante (e não te deixes enganar por muitos dos teus colegas mais velhos, as diretas não são boas para ninguém nem precisas delas para teres sucesso na faculdade). As aulas de 3 horas, por si só, já causam muita fadiga, imagina como será se não tiveres dormido bem na noite anterior. 

3. Leva snacks: Ter fome durante uma aula é horrível. Ter fome durante uma aula de 3 horas é ainda pior. Podes não ter fome antes de entrares para aula, mas aposto que vais ter passado duas horas. Por isso, anda sempre prevenido/a com um snack que seja prático e que não faça muito barulho ao comer (não queres ser aquilo tipo de pessoa cujo processo de mastigação se ouve no auditório inteiro). Normalmente, a maior parte dos professores não se importam que tu comas desde que não perturbes a aula, porém esta dica pode nem sempre é viável. Certifica-te que o podes fazer antes de levares snacks para as aulas.

4. Faz pausas mentais: É humanamente impossível estar atento durante 3 horas. Esquece, não dá mesmo. Nem nas aulas de 2 horas, uma vez que, de acordo com muitos estudos, a duração ideal de uma aula seria 1 hora, que é o tempo que o cérebro consegue estar focado. Portanto, não tentes ir até ao limite. Não faz mal distraíste-te um pouco. É preferível perderes 10 minutos da aula para descansares a cabeça do que perderes a aula inteira por te estares a esforçar demasiado e entrares em exaustão. Há professores que permitem um intervalo pelo meio, o que eu acho bastante benéfico. Mas se o professor não fizer isso, faz tu isso. Sai para ir à casa de banho, dar uma volta no corredor ou fica dentro da sala e estica as pernas enquanto dás um salto nas redes sociais. 

5. Certifica-te que estás confortável: Dado que estarás muito tempo dentro de uma sala de aula e muito provavelmente na mesma posição, certifica-te que estás confortável. Veste roupa confortável, leva um xaile caso esteja frio e podes até levar uma almofada discreta para as cadeiras que, normalmente, são dos mais desconfortável que há (ou, se não tiverem coragem como eu eheheh, um casaco também serve).


Universitários por aí? Como é que lidam com as aulas de 3 horas?

26.9.18

Os introvertidos também podem ser bons enfermeiros?

 Os introvertidos também podem ser bons enfermeiros?

Enfermagem é das profissões com mais interação social. Aquilo que seria lógico é que as pessoas que se metem no curso fossem as mais extrovertidas. É por isso que muitos ficam confusos quando eu lhes digo que estudo em Enfermagem. Não o dizem, mas eu sei o que pensam "Meu Deus, ela é tão introvertida, como é que ela quer ser enfermeira?!". Até já cheguei a receber comentários no meu blog acerca disso.

Há a ideia que os introvertidos têm menos competências sociais, por não gostarem tanto de interagir e de preferirem passar todo o tempo sozinhos. Isso não é necessariamente verdade. Nós, introvertidos, gostamos mais de nos conectar com grupos menores de pessoas do que, por exemplo, ser o centro das atenções numa grande festa, e depois preferimos recarregar baterias sozinhos em vez de procurar mais interação social. Isso não faz de nós pessoas com menos competências sociais, apenas significa que socializamos de modo diferente. 

Confesso que foi algo que me debati durante o curso. Durante algum tempo, acreditei mesmo nisso, que estava numa profissão feita para extrovertidos, e que talvez eu não tivesse lugar ali. Porém, à medida que fui fazendo diversos estágios, ganhando experiência e observando os mais variados enfermeiros, percebi que, nesta profissão, existem lugares para todos os tipos de personalidades. Aquilo que é preciso saber é valorizarmo-nos a nós mesmos e arranjar uma forma de fazer com que os nossos traços de personalidade resultem com as exigências da profissão. Aqui estão alguns dos traços de personalidade que podem ser o ponto forte dos enfermeiros introvertidos.


1. Bons ouvintes: Os introvertidos são, regra geral, bons ouvintes, prestando mais atenção não só  à comunicação verbal, como à linguagem não verbal que até pode revelar muito mais do que aquilo que é dito oralmente e que pode dar informações essenciais para poder melhorar os cuidados de um paciente. Às vezes, o simples facto de nos disponibilizarmos para ouvir um paciente torna-se em algo terapêutico para ele.

2. Mais observadores: Quando temos uma forma de estar mais sossegada, não estamos tão concentrados em interagir a toda a hora e isso permite-nos observar melhor o ambiente que nos rodeia. E todas as pessoas que trabalham na área da saúde sabem o quão ser bom observador é importante. No curso de Enfermagem, é algo que ouvimos a toda a hora "observem, observem, observem...". Os introvertidos têm mais capacidade de observar o ambiente que rodeia um paciente e o modo como este afeta a sua saúde, as relações sociais em que ele se apoia, mudanças subtis no seu estado de saúde ou mesmo o que pode estar por detrás das suas mudanças de humor.

3. Trabalham melhor em equipa: Aposto que este é um ponto inesperado para muitos de vocês. Os introvertidos são vistos, frequentemente, como pessoas antissociais e que, portanto, odeiam trabalhar com outras pessoas, preferiam fazer tudo sozinhos. Mas, na verdade, os enfermeiros introvertidos trabalham melhor em equipa. Como não gostam de ser o centro das atenções, não se importam nada de colaborar com os outros enfermeiros e não estarem em papéis de liderança. Podem não ser os membros da equipa com uma presença mais forte, mas são bastante eficazes.

4. A sua presença conforta os pacientes e as suas famílias: Eu acredito que as personalidades das pessoas transmitem energias diferentes, que passam para os outros. Falando neste caso específico, eu considero que os extrovertidos têm uma energia mais vibrante e barulhenta, digamos, enquanto que os introvertidos têm uma energia mais calma e relaxante. Se, por um lado, a presença de um extrovertido pode animar as pessoas, por outro lado a presença de um introvertido pode relaxá-los em momentos stressantes.

5. A preferência por conversas mais profundas: Os introvertidos são conhecidos por odiarem conversas de circunstância. Morremos um bocadinho por dentro de cada vez que temos que fazê-las. Sabemos que, por vezes, são necessárias para quebrar o gelo, mas não as prolongamos por mais tempo que o necessário. Optamos sempre por conversas mais profundas, que nos permitam estabelecer uma conexão real com uma pessoa. Em Enfermagem, este traço de personalidade é útil para estabelecer uma relação terapêutica mais forte com os pacientes e ganhar mais a sua confiança.


Qual é a vossa opinião? Acham que os introvertidos dão bons enfermeiros?

10.9.18

Cherry Finalista

Cherry Finalista

Hoje começa oficialmente o meu último ano letivo de sempre. E quando o início do meu último ano letivo enquanto estudante começam a surgir sentimentos desconhecidos até agora e alguns deles contraditórios. Parece-me irreal já ser finalista, mesmo já o tendo repetido muito para mim mesma nos últimos dias e estar agora aqui a escrever  esta palavra. Talvez seja uma espécie de mecanismo de autodefesa, uma vez que não consigo pensar no facto de ser finalista sem me dar uma grande pontada de nostalgia. Tal como, há três anos atrás, registei o começo do meu primeiro ano de faculdade, hoje estou aqui para registar o começo do meu último ano, o início do fim.

Ser finalista é querer que tudo acabe para concluir a licenciatura mas, ao mesmo tempo, querer que passe mais devagar para poder desfrutar de tudo uma última vez.  Até damos por nós até a desejar que as aulas não comecem, porque tudo o que começa sempre acaba. Sabíamos que isto era inevitável, mas queremos prolongar esta jornada mais um bocadinho porque ainda não tivemos tempo para recuperar da intensidade de tudo o que vivemos.

Sinto que este ano vai ser recheado de momentos com um sabor agridoce. Todas as alegrias já sabem a despedida, mesmo no início do ano. Já não existem muitos mais jantares de curso, muitas mais saídas à noite, muitas tardes passadas à gargalhada com as amigas no campus. Já só existe mais uma receção ao caloiro, mais uma latada, mais um Enterro da Gata e mais um Cortejo. Está a dar-me uma saudade antecipada de tudo o que ainda não passou, mas que sei que vai passar rápido. Porém, não vou deixar que isso me faça sentir uma tristeza antecipada: vou canalizar estas sensações para aproveitar tudo ao máximo. Este é o ano para sair mais vezes, para estudar (ainda) mais, para dar muito uso à já clássica frase "finalista pode tudo", para valorizar mais os amigos e para, no final, acabar com a sensação de que nada ficou por fazer. 

Entre o anoitecer de um mundo já sentido mil e uma vezes e o amanhecer de um mundo completamente novo e desconhecido, ainda existem uma infinidade de momentos por vivenciar. Há que agarrá-los e torná-los especiais. 

9.9.18

5 coisas a ter em mente antes do primeiro dia de Enfermagem

5 coisas a ter em mente antes do primeiro dia de Enfermagem

Quando faço publicações sobre Enfermagem, eu faço sempre naquela "oh, isto deve ser chato, ninguém vai ler isto, mas pronto,  talvez ajude alguém". Eu sei que existem alunos de Enfermagem por aqui, porque, de vez em quando, recebo um muito bem vindo comentário aqui e acolá.  No entanto, não deixei de ficar surpresa quando, nas últimas semanas, apareceram na minha caixa de correio vários mails a pedirem-me conselhos sobre o meu curso. É engraçado como há malta que só me segue por causa disto (sim, eu uma vez recebi um comentário a dizer que a principal razão pela qual me seguia é por escrever sobre Enfermagem. Não é que tenha problema, se também me seguem só por causa disso são bem vindos na mesma). De facto, existem muitos poucos blogs a falar sobre o curso (no meu ano de caloira, eu naveguei meia Internet e não encontrei praticamente nada), pelo que sei que isto poderá ser uma grande ajuda para muitos.

Ontem saíram os resultados das candidaturas ao Ensino Superior, e hoje certamente que já existem muitos alunos a pensarem no primeiro dia de faculdade, por isso decidi partilhar umas dicas especiais para os futuros alunos de Enfermagem. Aqueles posts de "o que saber antes do primeiro dia de Universidade" são muito bons, mas aqui os futuros enfermeiros querem detalhes mais específicos.


1. Os ensinos clínicos não vão começar logo: A primeira coisa que os alunos querem mal entram no curso de Enfermagem é meterem-se logo num hospital (para estagiar, não para curar o coma alcóolico, espero eu). Nah nah, antes de irem para lá ainda vão ter que levar com muita matéria teórica em cima. Se entrarem na Universidade do Minho não começam a ter ensinos clínicos antes de Maio, e mesmo nessa altura ainda não farão coisas mais complexas como administrar medicação (só nos anos posteriores). Mesmo nas outras faculdades, só começarão a prática no segundo semestre e, antes disso, têm que ter exames práticos.

2. Já vão ter muito que fazer na segunda semana de aulas: No geral, em todos os cursos o ritmo de trabalho é muito elevado, mas eu não tenho termo de comparação para vos dizer se vão estudar mais em Enfermagem . A sensação que dá é que, em Enfermagem, a matéria tem tendência a acumular muito mais depressa, sobretudo no primeiro semestre do 1º ano, que tem uma grande carga teórica. Não estou a exagerar quando digo que, na segunda semana de aulas, já terão muito que fazer. Durante todo o curso o ritmo de estudo será muito intenso-até porque metade deste é prático, pelo que toda a matéria num intervalo de tempo menor- porém o 1º semestre do 1º ano é, sem sombra de dúvidas, o mais trabalhoso (talvez por também existir muita coisa a acontecer ao mesmo tempo, como  a transição do Secundário para a Universidade, a praxe, etc.).

3. Preocupa-te em compreender a matéria, não com as notas: Todos os anos, entra em Enfermagem um grupo de alunos muito ambiciosos que acham que isto é o Secundário e que fazem de tudo para tirar 18. Se vão para lá com esta atitude, repensem a vossa estratégia. Eu sei, eu sei, passaram o Secundário inteiro a marrar e a decorar matéria para ter a melhor média possível, é um hábito difícil de largar. Não me interpretem mal, a média final de curso vai ser algo muito importante no vosso futuro, mas não é o mais essencial. Aquilo que realmente é essencial num (futuro) enfermeiro é  ter adquirido os conhecimentos que lhe foram exigidos, porque vai ter que aplicá-los na prática.  Coisa que não vão conseguir fazer se andarem a decorar matéria por decorar. Mas nem precisam de chegar ao final do curso para pensar no quão inadequado foi este método de estudo. Nos primeiros estágios já se vê quem realmente compreendeu os temas que foram abordados e quem não utilizou o melhor método de estudo. Portanto, o meu conselho é esforçarem-se ao máximo para perceber toda a matéria. Estudem como se, no dia a seguir, fossem aplicar o que aprenderam num paciente. É algo que é muito complicado de fazer no primeiro ano, quando ainda não têm nenhuma experiência em campos de estágio. Nos anos seguintes, é mais fácil de visualizar o conteúdo dado nas aulas, já se torna tão instintivo que quase se esquecem do que é ter que decorar matéria (digo "quase" porque vão ter cadeiras que não vão ter outro remédio senão decorar).

4. Anatomia é o CADEIRÃO  do curso: Meti em capslock para não haver caloiros a terem a infeliz ideia de subestimar esta cadeirão. Eu já devo ter dito isto mil vezes nas minhas publicações sobre Enfermagem, porém nunca é demais avisar.  Bem, todos os anos vão ter um cadeirão. No primeiro é Anatomia, no segundo ano é a única cadeira que existe no plano de estudos, no 3º ano é Investigação, no 4º ano ainda não sei porque ainda não passei por este (dah!), mas circulam rumores que é Investigação II. Não obstante, o Cadeirão dos cadeirões, aquele que está no topo, aquele que reina sobre todos os outros é Anatomia. É aquela cadeira em que vocês vão ter de ir às aulas todas, vão ter que estudar todos os dias, fazer exames na Internet e, ainda assim, pode correr mal. Muitos colegas meus arrastaram esta cadeira pelo curso, e há quem  só a tenha feito no 4º ano. Eu por pouco que não a deixava para trás, fiz-la no primeiro ano à quarta tentativa (depois de uma frequência, exame final e recurso, lá consegui fazer na avaliação oral). Conclusão: não desvalorizem Anatomia e esforcem-se ao máximo.

5. Não se preocupem se ainda não sabem que área querem seguir: Não precisam de saber logo, desde o primeiro dia, que querem trabalhar numa área específica. Vão ter quatro anos para decidir. Aliás, vão ter muitos ensinos clínicos que vão ajudar-vos a ter uma visão geral sobre todas as áreas. Vão estagiar em Medicinas, Cirurgias, Pediatria, Psiquiatria, além de outras áreas fora de hospitais, como centros de saúde, lares de idosos, unidades de cuidados continuados... Vão experimentar de tudo. Portanto, não precisam de ficar preocupados se ainda não souberem que tipo de enfermeiros querem ser, o curso irá abrir-vos horizontes nesse sentido. Até acontece  muitos alunos chegarem ao 4º ano e ainda não saberem ao certo o que querem (apesar de, naturalmente, já terem mais áreas em mente do que os alunos do 1º ano). O bom deste curso é que vos irá formar para serem enfermeiros de cuidados gerais pelo que podem, a qualquer momento das vossas vidas, exercerem numa área completamente diferente na qual estavam.


Caloiros aqui destes lados, quem é que entrou em Enfermagem? Se tiverem dúvidas ou sugestões de publicações, não hesitem em partilhá-las aqui em baixo, nos comentários. 

30.7.18

7 questões que eu ainda tenho para os miúdos populares da minha antiga escola


Se há fase da minha vida à qual não voltava é a minha adolescência. Por muito que tenha sido feliz nesta fase e que tenha saudades de conviver diariamente com muitos dos meus amigos com quem agora, infelizmente, já não tenho tanto contacto, voltar a vivê-la implicava voltar a passar pela insegurança da idade, pelas dúvidas e, sobretudo, voltar a vivê-la implicava voltar a sofrer à conta dos miúdos populares da minha escola. 

Em todas as escolas existe uma hierarquia social, bem ao estilo "Mean Girls".  Existem diversos grupos, mas podemos dividi-los em duas grandes categorias, aqueles que são populares e aqueles que não são populares. É engraçado constatar que, na altura, os miúdos populares pareciam ter tanta importância quando, na verdade, não passavam de miúdos idiotas cheios de inseguranças que, para se sentirem mais poderosos, gozavam com os outros e faziam coisas incrivelmente estúpidas. 

Apesar de agora, aos 21 anos, ter consciência do quão ridícula era toda esta cena de ser popular, nunca vou esquecer quem eram os miúdos populares da minha escola. Todos os pequenos detalhes acerca deles estão gravados na minha memória: o que vestiam, o modo como andavam, o que diziam, aonde se sentavam, para onde saíam e, sobretudo, aquilo que fizeram a mim e ao meu grupo de amigos. Felizmente, não passam de memórias e eles já não têm a posição que tinham (aquilo que dizem é verdade- a maior parte dos miúdos populares transformam-se em adultos miseráveis), mas ainda ficaram algumas questões por responder.


1. Honestamente, vocês gostavam uns dos outros sequer?:  Parecia que os miúdos populares passavam a maior parte do tempo a falar mal dos outros. Era de esperar que se protegessem uns aos outros mas não, até falavam mal de pessoas do próprio grupo. Bastava um virar costas e, pimba, falavasse logo mal dele! Estar num grupo destes, por muito grande que fosse, parece-me agora muito solitário, ter um monte de "amigos" mas ninguém ser realmente um amigo.

2. Mas quanto tempo é que demoravam a arranjar-se de manhã? : Esta é uma pergunta mais para as raparigas, já que para os rapazes aparecerem demasiado arranjados era sinal que eram gays (ai, este nível de estupidez...). As raparigas não se arranjavam para ir para escola, arranjavam-se para ir a um desfile de moda! E nessa altura ainda não estava na moda esta cena dos iluminadores e dos eyeliners todos elaborados porque senão aí é que era, Nossa Senhora nos ajude!

3. E como assim vocês tinham mamas tão grandes?: As raparigas tinham todas mamas tão grandes que eu, ao lado delas, parecia uma tábua de passar a ferro. Não é possível que todas essas raparigas tivessem um desenvolvimento corporal para a idade. Nahhh, isto cheira-me a manhosice. Elas deviam ter um segredo qualquer, uma maneira de encher os seus soutiens de maneira a que parecem naturais. 

4. Porque é que odiavam assim tanto a escola?: Malta, eu sei, a escola, por vezes, pode ser muito aborrecida. Temos que acordar às sete da manhã, ter algumas aulas que são uma seca, estudar quando só queríamos divertirmo-nos... Mas aprender é divertido (sim, não estou louca!) e também existem, certamente, disciplinas que gostamos, professores que gostamos. Até podiam não gostar de nada, mas daí a odiar? Os outros, que sofriam à vossa custa, é que tinham razões para odiar a escola! Odiavam mesmo assim tanto a escola ou baldavam-se só para parecer fixes? 

5. Os vossos pais deixavam-vos mesmo sair à noite? : Na minha escola, bastava ser bonito e fazer alguma idiotice para ser popular, mas os miúdos que estavam no topo eram aqueles que saíam à noite. Atenção que isto tudo era no contexto de uma escola básica e, quanto mais novo fosses, mais depressa subias de posição. Assim, via-se miúdos de 14, 13 e até 12 anos a sair à noite (porque claro que eles tiravam uma foto para comprovar que saíram mesmo e que não nos estavam a fazer todos passar por parvos). Eu só pensava " Mas aonde é que estão os pais deles? Será que os pais deles são mesmo fixes como eles dizem (ou, como o resto do mundo pensa, desnaturados?)? Ou será que saíam às escondidas?". Se estes pais deixavam mesmo os seus filhos de 12/13 anos saírem à noite, sabe-se lá o que mais eles deixavam. É uma irresponsabilidade enorme!

6. As vossas festas  eram mesmo tão épicas como diziam? : Na minha escola básica, existiam miúdos que faziam festas enormes como aqueles que se vêem nos filmes americanos, em que convidavam os miúdos mais populares da nossa escola e das mais próximas- ou, pelo menos, era  o que se dizia. Olhando para trás, não acredito que estas festas tivessem a dimensão que diziam que tinham. Diziam que era a loucura, cheia de jogos estilo " verdade ou consequência", com álcool assim nos extremo(?).... Eram mesmo assim tão "divertidas" ou só diziam isso para fazerem com que os pobres miúdos que não foram convidados se sentissem pior?

7. Precisavam mesmo de ser tão maus?: Eu sei, que nessas idades, aquilo que mais queremos é sentirmo-nos incluídos, que fazemos parte de um grupo. Mas precisavam mesmo de ser tão cruéis para criarem prestígio na escola? Não poderiam ter deixado de lado a parte de gozar com os outros, e subir só à custa de ações parvas que não magoassem ninguém e que só afetassem as próprias pessoas que as praticavam? Fizeram coisas mesmo terríveis, que feriu a autoestima de imensos miúdos, e este tipo de coisas ficam toda a vida connosco, como se fossem cicatrizes de uma terrível queda.


Se voltassem a ver os miúdos populares da vossa escola, o que lhes perguntariam?

17.7.18

3º ano de Enfermagem


Eu já devia ter escrito esta publicação há imenso tempo, logo após o final do semestre, mas estava tão exausta nessa altura que não me apetecia falar sobre a faculdade. E agora estou a sentir-me mal por falar do curso em pleno do julho. EM PLENO JULHO! Isto é sequer legal? Não sei, mas eu não queria ser aquele tipo de pessoa chata que fala sobre a universidade nas férias de verão. Mas vai ter que ser. Prometo que depois desta publicação só voltamos a falar de universidade em setembro. Isto é para o bem dos caloiros (ou dos estudantes de Enfermagem que me estão a ler). 

Todos os semestres debato-me sempre com o dilema se devo ou não continuar a escrever estas publicações, em que falo sobre as cadeiras da universidade e dou o meu feedback. Sinto que são muito aborrecidas para a maior parte dos leitores deste blog (principalmente para aqueles que já estão no mundo do trabalho). Contudo, quando recebo e-mails a pedirem-me informações sobre o meu curso, lembro-me da razão pela qual comecei a escrever sobre a minha experiência e acabo sempre por fazê-lo. Se ajudar uma pessoa a decidir o seu curso ou, no caso de estar em Enfermagem, a saber como estudar, já valeu a pena. Para não ser tão chato e por razões que já expliquei aqui, decidi que, a partir de agora, só sairá uma publicação destas uma vez por ano em vez de ser uma vez por semestre.

Bem, falando deste ano. O 3º ano de Enfermagem, tal como eu suspeitava, foi o meu ano favorito. Foi o ano de especialidades, em que tive oportunidade de estudar e estagiar em especialidades como Obstretícia, Pediatria e Psiquiatria. No geral, eu achei um ano bastante tranquilo. Foi muito trabalhoso (não esperava o contrário com 6 cadeiras), mas fez-se bastante bem. A nível de estágios, a maior parte deles não são assim muito exigentes (o que por um lado é mau, porque depois no 4º ano vai custar mais a retomar o ritmo). Boas notícias para quem gastou muito dinheiro no 2º ano: quase todos os estágios são em Braga. Para ser possível os quase 100 alunos de Enfermagem estagiarem no Hospital de Braga, passamos pelos serviços em alturas diferentes. Por exemplo, enquanto uns estão a estagiar em Psiquiatria outros estão a estagiar em Pediatria.

Aquilo que os meus Doutores me diziam confirma-se: o 2º ano é mesmo o pior ano do curso. Se sobreviverem ao 2º ano, fazem o resto do curso na boa.

Bem, este semestre, tal como já disse, tive 6 cadeiras: Enfermagem de Saúde da Mulher, Enfermagem de Saúde da Criança e do Adolescente, Investigação em Enfermagem, Enfermagem de Saúde Comunitária I, Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica I e as opções. Isto pareceu-vos uma lenga-lenga? Não se preocupem, eu explico melhor em baixo. 

(Notas:Tal como reforço sempre que falo sobre o meu curso, a minha experiência pode não ser igual à de outros estudantes de Enfermagem. Esta é a minha experiência relativamente ao curso de Enfermagem da Universidade do Minho. Vou falar dos estágios muito no geral, porque todos os alunos têm uma experiência diferente, e não vou falar de trabalhos escritos, porque estes, muitas vezes, são diferentes consoante o professor.)


Enfermagem de Saúde da Mulher


Enfermagem de Saúde da Mulher foi a minha unidade curricular favorita do ano, tanto a nível teórico como a nível prático. Era algo que eu queria mesmo estudar desde que entrei no curso e correspondeu às minhas expetativas. Foi o meu grande amor. 

Nesta cadeira, foram abordados todos os assuntos relativamente à mulher em todas as suas fases da mulher: ginecologia, gravidez, puerpério, menopausa e climatério. Claro que a minha parte favorita foi a gravidez. Como não adorar a história do início da vida? Muito do que foi abordado nas aulas é interessante não só para nós, futuros enfermeiros, como para nós, mulheres, para sabermos de cuidar de nós próprias e até para os homens, para poderem acompanhar as suas parceiras. Se estudarem, é muito fácil de tirar boas notas nas frequências. 

Esta foi a única cadeira deste ano que teve aulas práticas. Estejam descansados, não existem exames práticos às carradas como aqueles que tivemos o ano passado. São duas aulas, para aprenderem as principais técnicas que vão executar no estágio de Obstetrícia: cuidados de higiene ao Recém-Nascido e Cuidados Perineais à Puérpera.

Relativamente ao estágio, para mim, foi o sonho! Eu tinha medo de estar com as expetativas demasiado elevadas para este ensino clínico e, depois, revelar-se ser muito diferente do que imaginava, mas gostei muito. Aliás, foi muito refrescante poder estar a cuidar dos bebés e dos seus pais, a promover a sua saúde, em vez de estar a lidar com a doença, tal como já estamos habituados nos outros estágios. Um dos receios da maior parte dos alunos (e que foi o meu, também) era não conseguir dar banho aos bebés. Em primeiro lugar, tínhamos que estar a ser observados pelos pais (que, se já fosse o segundo filho, nos iriam estar a observar cuidadosamente para ver se fazíamos tudo bem) e pelo enfermeiro orientador. Socorro! Em segundo lugar, um recém-nascido é um ser tão frágil que temos medo de o magoar, de o apertar com demasiada força ou, pesadelo dos pesadelos, deixá-lo cair.  Porém, asseguro-vos que, quando sabem bem a técnica e fazem-na uma primeira vez, todas as outras vezes são canja. Se gostarem da área, este ensino clínico é o paraíso, se não vos atrair muito, tolera-se bem, são só quatro semanas (aliás, todos os estágios que vou falar aqui têm a curta duração de quatro semanas). 

Enfermagem de Saúde da Criança e do Adolescente


Esta cadeira é muito exigente, é muito duro estudar toda a matéria, mas vale a pena, porque é muito interessante. Aqui aprendemos tudo relativamente à saúde infantil e juvenil. Tudo, tudinho, desde bebés até adolescentes. Também são dadas as patologias mais comuns na infância, a dor na criança (uma parte muito importante, uma vez que as crianças lidam com a dor de forma diferente dos adultos), psicologia e parceria de cuidados em pediatria (algo em que todos os professores insistiram muito e, depois de  estagiarmos em Pediatria, percebemos porquê). 

O ensino clínico em Pediatria foi o mais exigente. Todos os estágios foram bastante tranquilos menos este. Este exigiu muito  mais estudo (têm que estudar todos os dias, medicação, as doenças com que se vão deparando... Os orientadores aqui não facilitam, têm que saber muito bem tudo relativamente aos vossos doentes e a todas as intervenções que fazem), toda a nossa capacidade de pensamento e raciocínio crítico e muitas capacidades comunicacionais. Foi o meu último estágio do ano, mas gostava que tivesse sido o meu primeiro, porque sinto que teria tido energia para aprender muito mais. Ainda assim, foi muito enriquecedor. Puxaram imenso por mim e fizeram-me adquirir competências que eu, por mim própria, não saberia explorar. 


Investigação em Enfermagem


Meus amigos, muito cuidado com esta cadeira. Este é o cadeirão do 3º ano. Realcem bem isto na vossa cabeça. 

Tal como o próprio nome indica, Investigação em Enfermagem aborda todo o processo para fazermos um estudo em Enfermagem. Que tipos de estudos existem, como os fazer, como podem ser validados, quais os tipos de variações que existem, quais os tipos de hipóteses que existem... 

A  primeira parte da cadeira são, essencialmente, aulas teóricas, com um ou dois trabalhos de grupo pelo meio. Já na segunda parte de Investigação, vão ter uma componente mais prática, em que vai ser abordada Bioestatística . Para este módulo, vão precisar de levar o computador para a faculdade todos os dias, e vão ter que instalar um programa chamado de SPSS (que não precisam de se preocupar em instalar, porque vai ser instalado por um Engenheiro da Universidade do Minho aquando destas aulas, numa marcação feita conforme a vossa disponibilidade). 

Não pensem que esta vai ser daquelas cadeiras em que podem faltar a metade das aulas e, ainda assim, passar. Têm que ir às aulas todas e estar com o máximo de atenção para conseguir acompanhar senão, esqueçam, depressa perdem-se.  Confesso, eu fui a todas as aulas e, ao início, não consegui acompanhar a matéria. A professora expunha os exercícios que tínhamos que fazer, e eu parecia que estava a ler chinês. Eu simplesmente não conseguia chegar lá. Eventualmente, tive que vencer a minha timidez e levantar o dedo (eu nunca levanto o dedo para nada, dá para ver o desespero?) e dizer à professora um muito honesto  "Não estou a perceber nada, pode-me explicar outra vez?". Após esta explicação (que, devo dizer, foi milagrosa), passei de uma naba que odiava a cadeira a dominar aquilo e até a divertir-me ao estudar a matéria. 

Guardem muito bem os conhecimentos que adquirem nesta unidade curricular  porque vão precisar deles para Investigação do 4º ano, em que vão ter mesmo que fazer estudo (scary, I know,mas não pensemos nisso já).

Enfermagem de Saúde Comunitária I


Saúde Comunitária é muito mais interessante na prática do que na teórica. Mas a matéria tem que ser dada, e é um esforço que temos que fazer para poder estagiar na área. 

O primeiro módulo diz respeito, essencialmente, à reorganização dos cuidados de saúde primários (uma matéria muito chatinha de estudar), à família como foco dos cuidados de saúde primários, à saúde escolar e ao Plano Nacional de Vacinação. O Plano Nacional de Vacinação é, sem dúvida, a matéria mais importante deste módulo. É fundamental que o dominem muito bem o PNV, porque vão precisar dele não só para o Centro de Saúde, como para Obstetrícia e Pediatria. 

O segundo módulo é um pouco mais cultura geral. É sobre a abordagem epidemiológica dos centros de saúde e os vários programas que são desenvolvidos pelo SNS e Se estiveram atentos no estágio de 1º ano de Centro de Saúde, já estarão familiarizados com muitos dos assuntos que serão abordados aqui.

O ensino clínico é, naturalmente, num centro de saúde, uma experiência que, apesar do estágio do 1º ano, é diferente, porque desta vez vão poder participar mais ativamente, não estarão a trabalhar numa componente de observação participada (com sorte, poderão até dar algumas consultas, com a supervisão do vosso enfermeiro orientador, claro). A maior parte dos alunos prefere estagiar em hospitais, "ah e tal, só se dá consultas, que seca!" mas, na minha opinião, eu acho que os centros de saúde são uma grande oportunidade de aprendizagem. É a única área onde podemos acompanhar a pessoa em todo o ciclo de vida, desde nascer até morrer. Não vemos isto em mais área nenhuma, nos hospitais está sempre tudo dividido em serviços específicos (Cardiologia, Pediatria...). Além disso, temos oportunidade de executar muitas técnicas (nomeadamente a técnica de pensos. Em centro de saúde, fazem-se imensos pensos) e de realizar visitas domiciliárias (que é bastante interessante, porque dá para perceber todo o contexto socioeconómico e emocional de uma pessoa). Uma particularidade deste estágio é que têm que estudar um pouco de tudo. Não podem recorrer apenas à gavetinha "saúde da criança" ou à gavetinha "pensos", têm que ter todas as vossas gavetas da cabeça prontas para qualquer tipo de pessoa que vos apareça. É dada mais importância à saúde da mulher e da criança e ao PNV, mas acabam por ter que saber um pouco de tudo.


Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica


Psiquiatria foi, a seguir a Enfermagem da Saúde da Mulher, a minha unidade curricular favorita. Não se deixem enganar pelo nome da cadeira, esta é muito centrada em patologias e não tanto na promoção da saúde mental. Estudar as patologias psiquiátricas todas foi fascinante e intrigante, assim de uma forma sombria. Existe uma quantidade absurda de doenças que podem afetar uma pessoa de maneiras que nem imaginamos e, muitas das quais, podem passar despercebidas aos olhos mais inexperientes. A saúde mental foi sempre algo que considerei aliciante e, portanto, nem cheguei a sentir o cansaço nas horas que dediquei a estudar para as frequências. 

No que diz respeito ao ensino clínico, este é um estágio que ou adoram ou odeiam. Claro que isso também vai depender do sítio onde calham. Nos serviços de Psiquiatria são permitidas menos estagiários por serviço, pelo que existiram alunos que não estagiaram no Hospital de Braga, e calharam em outros sítios que ora tinham doentes com casos de doença mais agudos ou mais crónicos (e lidar com doentes com doenças psiquiátricas agudas é muito diferente do que lidar com aqueles que têm doenças crónicas). Este estágio vai parecer muito parado, vai parecer que não se faz nada. Não existem técnicas, a medicação é praticamente toda oral e nem existem as rotinas habituais como os cuidados de higiene porque, à partida, todos os doentes lá internados conseguem tomar banho sozinhos. Podem ter a sensação que de são inúteis, que não estão a fazer lá nada . Contudo, isso não é bem assim, não se vocês não quiserem. Como nos disse um doss  orientadores no início do estágio, são vocês que decidem o que vão fazer deste estágio. Psiquiatria pode não ser técnicas, mas é muita interação com os doentes, muita capacidade de comunicação e, muita, muita, observação. Nem tudo o que parece é. Podem achar que um doente está melhor ou que o diagnóstico que está no seu processo não se adequa a ele, mas têm que saber ler nas entrelinhas, pensar que o doente não vos transmite tudo ou que vos pode "enganar" (muitas são as pessoas que tentam esconder a sua doença) e têm que estar atentos a todos os sinais e sintomas. Se bem aproveitado, pode ser muito interessante. Eu adorei estagiar neste serviço, desenvolveu imenso as minhas capacidades de comunicação e de observação.

Cadeiras de opção


A partir do 3º ano, o plano de estudos de Enfermagem traz-nos uma novidades: as cadeiras de opção. As cadeiras de opção do 3º ano são apenas duas: Crianças e Adolescentes com Necessidades Especiais e Oncologia e Cuidados Paliativos.

Na primeira opção, vão estagiar na área de Oncologia, tanto em serviços de Oncologia dos hospitais como hospitais de dia. É, basicamente, um ensino clínico normal como àqueles que já são habituais no nosso curso. Têm doentes atribuídos, são responsáveis por todas as intervenções que fazem aos mesmos e toda a medicação que lhes administram e têm que elaborar planos de cuidados. A desvantagem desta opção são os locais de estágio: são poucos os alunos que ficam em Braga, a maior parte vai para cidades como o Porto e Lisboa, o que pode exige custos extra em transportes e alojamento. 

Na segunda opção, vão lidar com crianças e adolescentes com necessidades especiais e estarão a estagiar em escolas. Este ensino clínico é mais em regime de observação participada, uma vez que são os educadores e professores que estão responsáveis por cuidar destas crianças e jovens. Contudo, podem participar em tudo aquilo que vos for permitido, interagir com as crianças e adolescentes e desenvolver atividades com eles se tal se proporcionar e for permitido.

Eu escolhi a segunda opção sem hesitar. No segundo ano já estagiei em Oncologia e não gostei muito, mas mesmo que tivesse gostado já tinha tido a possibilidade de conhecer o serviço. Por outro lado, trabalhar com crianças e adolescentes com necessidades especiais é algo que nunca tive oportunidade de fazer e era, provavelmente, a minha única oportunidade para o fazer. Não teria mais nenhum estágio nesta área até ao final do curso, e tenho a certeza que me iria arrepender bastante se não escolhesse esta opção. Portanto, escolhi esta opção e foi a mais acertada para mim, sem dúvida alguma, foi uma experiência muito enriquecedora.


Ética


Não, isto não é uma cadeira, é uma particularidade que todas as cadeiras tiveram e que eu achei importante realçar. No início ou no fim de cada unidade curricular, existiu sempre um módulo dedicado a Ética. Há quem ache este ramo de filosofia aborrecido, mas eu achei que foi muito relevante tendo em conta que Enfermagem é uma ciência humana. Todas as aulas foram muito curtas mas penso que nos deram as ferramentas fundamentais para nos tornarmos profissionais de saúde mais conscientes e responsáveis na nossa tomada de decisão. 


E, pronto, aqui ficou mais uma retrospetiva do meu semestre. Por curiosidade quem é que daqui está a pensar em ir para Enfermagem ou está em Enfermagem (não necessariamente na minha universidade)? Acusem-se nos comentários.