Se há fase da minha vida à qual não voltava é a minha adolescência. Por muito que tenha sido feliz nesta fase e que tenha saudades de conviver diariamente com muitos dos meus amigos com quem agora, infelizmente, já não tenho tanto contacto, voltar a vivê-la implicava voltar a passar pela insegurança da idade, pelas dúvidas e, sobretudo, voltar a vivê-la implicava voltar a sofrer à conta dos miúdos populares da minha escola.
Em todas as escolas existe uma hierarquia social, bem ao estilo "Mean Girls". Existem diversos grupos, mas podemos dividi-los em duas grandes categorias, aqueles que são populares e aqueles que não são populares. É engraçado constatar que, na altura, os miúdos populares pareciam ter tanta importância quando, na verdade, não passavam de miúdos idiotas cheios de inseguranças que, para se sentirem mais poderosos, gozavam com os outros e faziam coisas incrivelmente estúpidas.
Apesar de agora, aos 21 anos, ter consciência do quão ridícula era toda esta cena de ser popular, nunca vou esquecer quem eram os miúdos populares da minha escola. Todos os pequenos detalhes acerca deles estão gravados na minha memória: o que vestiam, o modo como andavam, o que diziam, aonde se sentavam, para onde saíam e, sobretudo, aquilo que fizeram a mim e ao meu grupo de amigos. Felizmente, não passam de memórias e eles já não têm a posição que tinham (aquilo que dizem é verdade- a maior parte dos miúdos populares transformam-se em adultos miseráveis), mas ainda ficaram algumas questões por responder.
1. Honestamente, vocês gostavam uns dos outros sequer?: Parecia que os miúdos populares passavam a maior parte do tempo a falar mal dos outros. Era de esperar que se protegessem uns aos outros mas não, até falavam mal de pessoas do próprio grupo. Bastava um virar costas e, pimba, falavasse logo mal dele! Estar num grupo destes, por muito grande que fosse, parece-me agora muito solitário, ter um monte de "amigos" mas ninguém ser realmente um amigo.
2. Mas quanto tempo é que demoravam a arranjar-se de manhã? : Esta é uma pergunta mais para as raparigas, já que para os rapazes aparecerem demasiado arranjados era sinal que eram gays (ai, este nível de estupidez...). As raparigas não se arranjavam para ir para escola, arranjavam-se para ir a um desfile de moda! E nessa altura ainda não estava na moda esta cena dos iluminadores e dos eyeliners todos elaborados porque senão aí é que era, Nossa Senhora nos ajude!
3. E como assim vocês tinham mamas tão grandes?: As raparigas tinham todas mamas tão grandes que eu, ao lado delas, parecia uma tábua de passar a ferro. Não é possível que todas essas raparigas tivessem um desenvolvimento corporal para a idade. Nahhh, isto cheira-me a manhosice. Elas deviam ter um segredo qualquer, uma maneira de encher os seus soutiens de maneira a que parecem naturais.
4. Porque é que odiavam assim tanto a escola?: Malta, eu sei, a escola, por vezes, pode ser muito aborrecida. Temos que acordar às sete da manhã, ter algumas aulas que são uma seca, estudar quando só queríamos divertirmo-nos... Mas aprender é divertido (sim, não estou louca!) e também existem, certamente, disciplinas que gostamos, professores que gostamos. Até podiam não gostar de nada, mas daí a odiar? Os outros, que sofriam à vossa custa, é que tinham razões para odiar a escola! Odiavam mesmo assim tanto a escola ou baldavam-se só para parecer fixes?
5. Os vossos pais deixavam-vos mesmo sair à noite? : Na minha escola, bastava ser bonito e fazer alguma idiotice para ser popular, mas os miúdos que estavam no topo eram aqueles que saíam à noite. Atenção que isto tudo era no contexto de uma escola básica e, quanto mais novo fosses, mais depressa subias de posição. Assim, via-se miúdos de 14, 13 e até 12 anos a sair à noite (porque claro que eles tiravam uma foto para comprovar que saíram mesmo e que não nos estavam a fazer todos passar por parvos). Eu só pensava " Mas aonde é que estão os pais deles? Será que os pais deles são mesmo fixes como eles dizem (ou, como o resto do mundo pensa, desnaturados?)? Ou será que saíam às escondidas?". Se estes pais deixavam mesmo os seus filhos de 12/13 anos saírem à noite, sabe-se lá o que mais eles deixavam. É uma irresponsabilidade enorme!
6. As vossas festas eram mesmo tão épicas como diziam? : Na minha escola básica, existiam miúdos que faziam festas enormes como aqueles que se vêem nos filmes americanos, em que convidavam os miúdos mais populares da nossa escola e das mais próximas- ou, pelo menos, era o que se dizia. Olhando para trás, não acredito que estas festas tivessem a dimensão que diziam que tinham. Diziam que era a loucura, cheia de jogos estilo " verdade ou consequência", com álcool assim nos extremo(?).... Eram mesmo assim tão "divertidas" ou só diziam isso para fazerem com que os pobres miúdos que não foram convidados se sentissem pior?
7. Precisavam mesmo de ser tão maus?: Eu sei, que nessas idades, aquilo que mais queremos é sentirmo-nos incluídos, que fazemos parte de um grupo. Mas precisavam mesmo de ser tão cruéis para criarem prestígio na escola? Não poderiam ter deixado de lado a parte de gozar com os outros, e subir só à custa de ações parvas que não magoassem ninguém e que só afetassem as próprias pessoas que as praticavam? Fizeram coisas mesmo terríveis, que feriu a autoestima de imensos miúdos, e este tipo de coisas ficam toda a vida connosco, como se fossem cicatrizes de uma terrível queda.
Se voltassem a ver os miúdos populares da vossa escola, o que lhes perguntariam?





