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17.7.18

3º ano de Enfermagem


Eu já devia ter escrito esta publicação há imenso tempo, logo após o final do semestre, mas estava tão exausta nessa altura que não me apetecia falar sobre a faculdade. E agora estou a sentir-me mal por falar do curso em pleno do julho. EM PLENO JULHO! Isto é sequer legal? Não sei, mas eu não queria ser aquele tipo de pessoa chata que fala sobre a universidade nas férias de verão. Mas vai ter que ser. Prometo que depois desta publicação só voltamos a falar de universidade em setembro. Isto é para o bem dos caloiros (ou dos estudantes de Enfermagem que me estão a ler). 

Todos os semestres debato-me sempre com o dilema se devo ou não continuar a escrever estas publicações, em que falo sobre as cadeiras da universidade e dou o meu feedback. Sinto que são muito aborrecidas para a maior parte dos leitores deste blog (principalmente para aqueles que já estão no mundo do trabalho). Contudo, quando recebo e-mails a pedirem-me informações sobre o meu curso, lembro-me da razão pela qual comecei a escrever sobre a minha experiência e acabo sempre por fazê-lo. Se ajudar uma pessoa a decidir o seu curso ou, no caso de estar em Enfermagem, a saber como estudar, já valeu a pena. Para não ser tão chato e por razões que já expliquei aqui, decidi que, a partir de agora, só sairá uma publicação destas uma vez por ano em vez de ser uma vez por semestre.

Bem, falando deste ano. O 3º ano de Enfermagem, tal como eu suspeitava, foi o meu ano favorito. Foi o ano de especialidades, em que tive oportunidade de estudar e estagiar em especialidades como Obstretícia, Pediatria e Psiquiatria. No geral, eu achei um ano bastante tranquilo. Foi muito trabalhoso (não esperava o contrário com 6 cadeiras), mas fez-se bastante bem. A nível de estágios, a maior parte deles não são assim muito exigentes (o que por um lado é mau, porque depois no 4º ano vai custar mais a retomar o ritmo). Boas notícias para quem gastou muito dinheiro no 2º ano: quase todos os estágios são em Braga. Para ser possível os quase 100 alunos de Enfermagem estagiarem no Hospital de Braga, passamos pelos serviços em alturas diferentes. Por exemplo, enquanto uns estão a estagiar em Psiquiatria outros estão a estagiar em Pediatria.

Aquilo que os meus Doutores me diziam confirma-se: o 2º ano é mesmo o pior ano do curso. Se sobreviverem ao 2º ano, fazem o resto do curso na boa.

Bem, este semestre, tal como já disse, tive 6 cadeiras: Enfermagem de Saúde da Mulher, Enfermagem de Saúde da Criança e do Adolescente, Investigação em Enfermagem, Enfermagem de Saúde Comunitária I, Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica I e as opções. Isto pareceu-vos uma lenga-lenga? Não se preocupem, eu explico melhor em baixo. 

(Notas:Tal como reforço sempre que falo sobre o meu curso, a minha experiência pode não ser igual à de outros estudantes de Enfermagem. Esta é a minha experiência relativamente ao curso de Enfermagem da Universidade do Minho. Vou falar dos estágios muito no geral, porque todos os alunos têm uma experiência diferente, e não vou falar de trabalhos escritos, porque estes, muitas vezes, são diferentes consoante o professor.)


Enfermagem de Saúde da Mulher


Enfermagem de Saúde da Mulher foi a minha unidade curricular favorita do ano, tanto a nível teórico como a nível prático. Era algo que eu queria mesmo estudar desde que entrei no curso e correspondeu às minhas expetativas. Foi o meu grande amor. 

Nesta cadeira, foram abordados todos os assuntos relativamente à mulher em todas as suas fases da mulher: ginecologia, gravidez, puerpério, menopausa e climatério. Claro que a minha parte favorita foi a gravidez. Como não adorar a história do início da vida? Muito do que foi abordado nas aulas é interessante não só para nós, futuros enfermeiros, como para nós, mulheres, para sabermos de cuidar de nós próprias e até para os homens, para poderem acompanhar as suas parceiras. Se estudarem, é muito fácil de tirar boas notas nas frequências. 

Esta foi a única cadeira deste ano que teve aulas práticas. Estejam descansados, não existem exames práticos às carradas como aqueles que tivemos o ano passado. São duas aulas, para aprenderem as principais técnicas que vão executar no estágio de Obstetrícia: cuidados de higiene ao Recém-Nascido e Cuidados Perineais à Puérpera.

Relativamente ao estágio, para mim, foi o sonho! Eu tinha medo de estar com as expetativas demasiado elevadas para este ensino clínico e, depois, revelar-se ser muito diferente do que imaginava, mas gostei muito. Aliás, foi muito refrescante poder estar a cuidar dos bebés e dos seus pais, a promover a sua saúde, em vez de estar a lidar com a doença, tal como já estamos habituados nos outros estágios. Um dos receios da maior parte dos alunos (e que foi o meu, também) era não conseguir dar banho aos bebés. Em primeiro lugar, tínhamos que estar a ser observados pelos pais (que, se já fosse o segundo filho, nos iriam estar a observar cuidadosamente para ver se fazíamos tudo bem) e pelo enfermeiro orientador. Socorro! Em segundo lugar, um recém-nascido é um ser tão frágil que temos medo de o magoar, de o apertar com demasiada força ou, pesadelo dos pesadelos, deixá-lo cair.  Porém, asseguro-vos que, quando sabem bem a técnica e fazem-na uma primeira vez, todas as outras vezes são canja. Se gostarem da área, este ensino clínico é o paraíso, se não vos atrair muito, tolera-se bem, são só quatro semanas (aliás, todos os estágios que vou falar aqui têm a curta duração de quatro semanas). 

Enfermagem de Saúde da Criança e do Adolescente


Esta cadeira é muito exigente, é muito duro estudar toda a matéria, mas vale a pena, porque é muito interessante. Aqui aprendemos tudo relativamente à saúde infantil e juvenil. Tudo, tudinho, desde bebés até adolescentes. Também são dadas as patologias mais comuns na infância, a dor na criança (uma parte muito importante, uma vez que as crianças lidam com a dor de forma diferente dos adultos), psicologia e parceria de cuidados em pediatria (algo em que todos os professores insistiram muito e, depois de  estagiarmos em Pediatria, percebemos porquê). 

O ensino clínico em Pediatria foi o mais exigente. Todos os estágios foram bastante tranquilos menos este. Este exigiu muito  mais estudo (têm que estudar todos os dias, medicação, as doenças com que se vão deparando... Os orientadores aqui não facilitam, têm que saber muito bem tudo relativamente aos vossos doentes e a todas as intervenções que fazem), toda a nossa capacidade de pensamento e raciocínio crítico e muitas capacidades comunicacionais. Foi o meu último estágio do ano, mas gostava que tivesse sido o meu primeiro, porque sinto que teria tido energia para aprender muito mais. Ainda assim, foi muito enriquecedor. Puxaram imenso por mim e fizeram-me adquirir competências que eu, por mim própria, não saberia explorar. 


Investigação em Enfermagem


Meus amigos, muito cuidado com esta cadeira. Este é o cadeirão do 3º ano. Realcem bem isto na vossa cabeça. 

Tal como o próprio nome indica, Investigação em Enfermagem aborda todo o processo para fazermos um estudo em Enfermagem. Que tipos de estudos existem, como os fazer, como podem ser validados, quais os tipos de variações que existem, quais os tipos de hipóteses que existem... 

A  primeira parte da cadeira são, essencialmente, aulas teóricas, com um ou dois trabalhos de grupo pelo meio. Já na segunda parte de Investigação, vão ter uma componente mais prática, em que vai ser abordada Bioestatística . Para este módulo, vão precisar de levar o computador para a faculdade todos os dias, e vão ter que instalar um programa chamado de SPSS (que não precisam de se preocupar em instalar, porque vai ser instalado por um Engenheiro da Universidade do Minho aquando destas aulas, numa marcação feita conforme a vossa disponibilidade). 

Não pensem que esta vai ser daquelas cadeiras em que podem faltar a metade das aulas e, ainda assim, passar. Têm que ir às aulas todas e estar com o máximo de atenção para conseguir acompanhar senão, esqueçam, depressa perdem-se.  Confesso, eu fui a todas as aulas e, ao início, não consegui acompanhar a matéria. A professora expunha os exercícios que tínhamos que fazer, e eu parecia que estava a ler chinês. Eu simplesmente não conseguia chegar lá. Eventualmente, tive que vencer a minha timidez e levantar o dedo (eu nunca levanto o dedo para nada, dá para ver o desespero?) e dizer à professora um muito honesto  "Não estou a perceber nada, pode-me explicar outra vez?". Após esta explicação (que, devo dizer, foi milagrosa), passei de uma naba que odiava a cadeira a dominar aquilo e até a divertir-me ao estudar a matéria. 

Guardem muito bem os conhecimentos que adquirem nesta unidade curricular  porque vão precisar deles para Investigação do 4º ano, em que vão ter mesmo que fazer estudo (scary, I know,mas não pensemos nisso já).

Enfermagem de Saúde Comunitária I


Saúde Comunitária é muito mais interessante na prática do que na teórica. Mas a matéria tem que ser dada, e é um esforço que temos que fazer para poder estagiar na área. 

O primeiro módulo diz respeito, essencialmente, à reorganização dos cuidados de saúde primários (uma matéria muito chatinha de estudar), à família como foco dos cuidados de saúde primários, à saúde escolar e ao Plano Nacional de Vacinação. O Plano Nacional de Vacinação é, sem dúvida, a matéria mais importante deste módulo. É fundamental que o dominem muito bem o PNV, porque vão precisar dele não só para o Centro de Saúde, como para Obstetrícia e Pediatria. 

O segundo módulo é um pouco mais cultura geral. É sobre a abordagem epidemiológica dos centros de saúde e os vários programas que são desenvolvidos pelo SNS e Se estiveram atentos no estágio de 1º ano de Centro de Saúde, já estarão familiarizados com muitos dos assuntos que serão abordados aqui.

O ensino clínico é, naturalmente, num centro de saúde, uma experiência que, apesar do estágio do 1º ano, é diferente, porque desta vez vão poder participar mais ativamente, não estarão a trabalhar numa componente de observação participada (com sorte, poderão até dar algumas consultas, com a supervisão do vosso enfermeiro orientador, claro). A maior parte dos alunos prefere estagiar em hospitais, "ah e tal, só se dá consultas, que seca!" mas, na minha opinião, eu acho que os centros de saúde são uma grande oportunidade de aprendizagem. É a única área onde podemos acompanhar a pessoa em todo o ciclo de vida, desde nascer até morrer. Não vemos isto em mais área nenhuma, nos hospitais está sempre tudo dividido em serviços específicos (Cardiologia, Pediatria...). Além disso, temos oportunidade de executar muitas técnicas (nomeadamente a técnica de pensos. Em centro de saúde, fazem-se imensos pensos) e de realizar visitas domiciliárias (que é bastante interessante, porque dá para perceber todo o contexto socioeconómico e emocional de uma pessoa). Uma particularidade deste estágio é que têm que estudar um pouco de tudo. Não podem recorrer apenas à gavetinha "saúde da criança" ou à gavetinha "pensos", têm que ter todas as vossas gavetas da cabeça prontas para qualquer tipo de pessoa que vos apareça. É dada mais importância à saúde da mulher e da criança e ao PNV, mas acabam por ter que saber um pouco de tudo.


Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica


Psiquiatria foi, a seguir a Enfermagem da Saúde da Mulher, a minha unidade curricular favorita. Não se deixem enganar pelo nome da cadeira, esta é muito centrada em patologias e não tanto na promoção da saúde mental. Estudar as patologias psiquiátricas todas foi fascinante e intrigante, assim de uma forma sombria. Existe uma quantidade absurda de doenças que podem afetar uma pessoa de maneiras que nem imaginamos e, muitas das quais, podem passar despercebidas aos olhos mais inexperientes. A saúde mental foi sempre algo que considerei aliciante e, portanto, nem cheguei a sentir o cansaço nas horas que dediquei a estudar para as frequências. 

No que diz respeito ao ensino clínico, este é um estágio que ou adoram ou odeiam. Claro que isso também vai depender do sítio onde calham. Nos serviços de Psiquiatria são permitidas menos estagiários por serviço, pelo que existiram alunos que não estagiaram no Hospital de Braga, e calharam em outros sítios que ora tinham doentes com casos de doença mais agudos ou mais crónicos (e lidar com doentes com doenças psiquiátricas agudas é muito diferente do que lidar com aqueles que têm doenças crónicas). Este estágio vai parecer muito parado, vai parecer que não se faz nada. Não existem técnicas, a medicação é praticamente toda oral e nem existem as rotinas habituais como os cuidados de higiene porque, à partida, todos os doentes lá internados conseguem tomar banho sozinhos. Podem ter a sensação que de são inúteis, que não estão a fazer lá nada . Contudo, isso não é bem assim, não se vocês não quiserem. Como nos disse um doss  orientadores no início do estágio, são vocês que decidem o que vão fazer deste estágio. Psiquiatria pode não ser técnicas, mas é muita interação com os doentes, muita capacidade de comunicação e, muita, muita, observação. Nem tudo o que parece é. Podem achar que um doente está melhor ou que o diagnóstico que está no seu processo não se adequa a ele, mas têm que saber ler nas entrelinhas, pensar que o doente não vos transmite tudo ou que vos pode "enganar" (muitas são as pessoas que tentam esconder a sua doença) e têm que estar atentos a todos os sinais e sintomas. Se bem aproveitado, pode ser muito interessante. Eu adorei estagiar neste serviço, desenvolveu imenso as minhas capacidades de comunicação e de observação.

Cadeiras de opção


A partir do 3º ano, o plano de estudos de Enfermagem traz-nos uma novidades: as cadeiras de opção. As cadeiras de opção do 3º ano são apenas duas: Crianças e Adolescentes com Necessidades Especiais e Oncologia e Cuidados Paliativos.

Na primeira opção, vão estagiar na área de Oncologia, tanto em serviços de Oncologia dos hospitais como hospitais de dia. É, basicamente, um ensino clínico normal como àqueles que já são habituais no nosso curso. Têm doentes atribuídos, são responsáveis por todas as intervenções que fazem aos mesmos e toda a medicação que lhes administram e têm que elaborar planos de cuidados. A desvantagem desta opção são os locais de estágio: são poucos os alunos que ficam em Braga, a maior parte vai para cidades como o Porto e Lisboa, o que pode exige custos extra em transportes e alojamento. 

Na segunda opção, vão lidar com crianças e adolescentes com necessidades especiais e estarão a estagiar em escolas. Este ensino clínico é mais em regime de observação participada, uma vez que são os educadores e professores que estão responsáveis por cuidar destas crianças e jovens. Contudo, podem participar em tudo aquilo que vos for permitido, interagir com as crianças e adolescentes e desenvolver atividades com eles se tal se proporcionar e for permitido.

Eu escolhi a segunda opção sem hesitar. No segundo ano já estagiei em Oncologia e não gostei muito, mas mesmo que tivesse gostado já tinha tido a possibilidade de conhecer o serviço. Por outro lado, trabalhar com crianças e adolescentes com necessidades especiais é algo que nunca tive oportunidade de fazer e era, provavelmente, a minha única oportunidade para o fazer. Não teria mais nenhum estágio nesta área até ao final do curso, e tenho a certeza que me iria arrepender bastante se não escolhesse esta opção. Portanto, escolhi esta opção e foi a mais acertada para mim, sem dúvida alguma, foi uma experiência muito enriquecedora.


Ética


Não, isto não é uma cadeira, é uma particularidade que todas as cadeiras tiveram e que eu achei importante realçar. No início ou no fim de cada unidade curricular, existiu sempre um módulo dedicado a Ética. Há quem ache este ramo de filosofia aborrecido, mas eu achei que foi muito relevante tendo em conta que Enfermagem é uma ciência humana. Todas as aulas foram muito curtas mas penso que nos deram as ferramentas fundamentais para nos tornarmos profissionais de saúde mais conscientes e responsáveis na nossa tomada de decisão. 


E, pronto, aqui ficou mais uma retrospetiva do meu semestre. Por curiosidade quem é que daqui está a pensar em ir para Enfermagem ou está em Enfermagem (não necessariamente na minha universidade)? Acusem-se nos comentários. 

25.6.17

2º semestre do 2º ano de Enfermagem


Esta semana acabou o meu 2º ano de Enfermagem. Como os meus pais gostam de dizer nos jantares de família, já sou meia enfermeira! Estes dois anos passaram a correr, ainda me lembro do meu primeiro dia como caloira ( que saudades!).  Estou orgulhosa de tudo o que aprendi e já conquistei até agora, e estar neste curso, apesar de todo o esforço e cansaço físico e mental, está a valer a pena. Já sou uma pessoa diferente, com mais maturidade, e com uma vontade cada vez maior de ajudar sempre o próximo.

Antes de mais nada, não estranhem não ver aqui nomes de cadeiras. A partir deste ano, só terei aulas no 1º semestre, no 2º semestre terei sempre estágios. No último ano, só terei aulas até novembro, depois tenho um último estágio e, a seguir, vou para o derradeiro estágio, o de integração à vida profissional. Tal como já disse várias vezes aqui no meu blog, o meu curso é muito prático, pelo que não estranhem não ver muitas cadeiras.

Falando deste semestre que passou, foi ainda mais duro do que o anterior. Além de ter tido o meu primeiro estágio a sério ( sim, porque o do primeiro ano, comparado com este, foi brincadeira de crianças), os professores decidiram fazer greve durante todo o tempo de estágio, o que causou algum nervosismo e incerteza nas notas mas, felizmente, tudo acabou por correr bem.

Neste post irei falar um pouco sobre os dois ensinos clínicos que tive neste semestre, os seus objetivos, a duração, e aquilo que eu achei. Ao longo do ano, já fui falando um pouco sobre os meus estágios ( podem ver aqui) , como estavam a correr, mas achei interessante explicar tudo direitinho.


Ensino Clínico II- Enfermagem em Contexto de Medicina


Para quem não se recorda, o meu primeiro ensino clínico era no âmbito da cadeira Fundamentos de Enfermagem, ou seja, era uma introdução aos estágios, basicamente. Fomos para um centro de saúde que foi quase só observação, e depois fomos para o Hospital de Braga, onde só prestávamos cuidados de higiene, medíamos sinais vitais e fazíamos posicionamentos. Já perceberam porque é que eu digo que isto foi uma brincadeira de crianças, não já? Pois, é que neste estágio fizemos muito mais do que isso, o que foi um grande embate com a realidade.

Neste estágio, em que a primeira parte foi em contexto hospitalar ( eu já explico depois como foi a segunda parte), começámos por ter apenas um doente atribuído, mas éramos 100 % responsáveis por ele. Isso significa que, além de fazermos as coisas que já fazíamos no 1º ano , como prestar cuidados de higiene e medir sinais vitais, tínhamos que administrar medicação ( via oral, endovenosa, subcutânea), algaliar, fazer colheitas de sangue, otimizar cateteres e puncionar... Fazíamos mesmo de tudo. Numa fase mais avançada do estágio, começámos a ter dois doentes, e começámos também a fazer passagens de turno, em frente a toda a equipa de enfermagem ( o que, no início, foi intimidante, mas lá nos habituámos). 

Este estágio foi o mais longo, teve a duração de 8 semanas, e foi muito duro, independentemente do serviço em que estivéssemos ( claro que para os que tiveram em Oncologia, como eu, ou em Neurocirurgia, foi um pouco mais), pois foi a primeira vez que tivemos que fazer uma série de procedimentos que nunca tínhamos feito, o que causou algum nervosismo, porque desta vez já estávamos mesmo a afetar a vida das pessoas, e cometer erros, apesar de ser humano, tinha que ser evitado ao máximo. No entanto, foi extremamente enriquecedor em termos de aprendizagem, e permitiu-nos adquirir competências essenciais para os estágios seguintes.

A segunda parte deste estágio foi agora em finais de Maio e Junho, e foi em unidades de cuidados continuados e lares de idosos. Durou, no total, 4 semanas. Na minha opinião, foi um estágio um pouco estúpido, porque era de observação participada ( o que, trocando em miúdos, era não fazer quase nada) e, além disso, não estávamos a ser avaliados pela prática, só por um relatório, feito em grupos de 10. Portanto, a possibilidade de reprovarmos neste estágio era quase nula, o que fez com que muitos alunos andassem para aí a fazer faltas coletivas, a ver filmes em estágio, a passear, mas isso agora é outra história. O que me irritou particularmente foi que, nas unidades de cuidados continuados, nós já sabíamos fazer tudo, como administrar medicação, mas não nos deixavam fazer, porque estávamos em observação participada. Eu ainda tive a sorte de me terem calhado uns enfermeiros fixes, que não ligaram às tretas que a minha faculdade disse, e me deixaram fazer tudo, mas outros não tiveram a mesma sorte. 

Apesar de tudo, ainda deu para aprender algumas coisas neste estágio, nomeadamente as rotinas das unidades de cuidados e lares de idosos, bem como o seu funcionamento e objetivos. Contudo, na maior parte do tempo, foi uma seca, não fazíamos nada a maior parte do tempo. Este estágio bem que poderia ter durado 2 semanas em vez de 4, seria mais que suficiente.


Ensino Clínico III- Enfermagem em Contexto Cirúrgico


Este estágio foi aquele que antecedeu a segunda parte do Ensino Clínico II ( alguns leitores devem estar confusos, mas a minha faculdade é mesmo assim, misturam estágios), e teve a duração de 6 semanas. Também foi em contexto hospitalar mas, desta vez, em serviços de Cirurgia, como Ortopedia. 

Neste ensino clínico, além de fazermos os procedimentos que já fizemos no estágio anterior, fizemos outros novos, como ligaduras de todo o tipo, trações, treino de marcha... Foi o estágio que eu mais gostei este ano, porque aprendi imenso sobre reabilitação, uma área que acho muito interessante e extremamente compensadora ( não há sensação melhor do que ver um doente que, antes de o acompanharmos, não andava e, após algumas semanas de reabilitação, andar como se nada fosse).

Foi um estágio mais fácil do que o anterior, mas isso deve-se ao facto de já termos ganho competências e traquejo, o que nos permitiu estar muito mais à vontade.  


Por agora, estou de férias! Para o ano há mais.

Estudantes por aí? Como correu o vosso ano letivo?

5.2.17

1º semestre do 2º ano de Enfermagem


Amanhã começará oficialmente o meu 2º semestre, com o início do meu segundo estágio hospitalar por isso, à semelhança do que fiz no ano anterior ( aqui e aqui), vou fazer agora uma reflexão sobre este semestre que passou.

O 1º semestre do 2º ano de Enfermagem foi um semestre duro, ao contrário do que o plano curricular deste ano ( com apenas uma cadeira, Enfermagem de Saúde do Adulto e do Idoso) fez prever. Foram muitas as frequências, as aulas práticas, muitas avaliações práticas, muita matéria, muito estudo... Só tínhamos que fazer uma cadeira, mas garanto-vos que esta valia por quatro ou por cinco!

Fazendo um pequeno aparte, aquilo que tornou este semestre ainda mais duro foram os inúmeros problemas que ocorreram no funcionamento do meu curso, e que acabaram por prejudicar os alunos. Começaram com as notas demoraram a sair mais tempo que o habitual ( se antes já demoravam um mês, agora demoraram dois ou três), com a falta de material ou material estragado nas aulas práticas, com a distribuição desorganizada dos grupos de aulas práticas,... Para culminar, no final deste semestre soubemos que 21 dos 30  professores que iam connosco para estágio iriam fazer greve, e ainda não sabemos que implicações isso terá na nossa nota final. Foram inúmeros problemas que estavam fora do nosso controlo , mas que acabaram por nos stressar mais e causar-nos ainda mais problemas.

Apesar de tudo, o semestre até me correu bem, fiz as frequências com notas boas e menos boas, fiz os exames práticos com sucesso, e consegui acabar com uma média razoável, embora estivesse à espera de mais.

Tal como já disse, este semestre só tive uma cadeira, Enfermagem de Saúde do Adulto e do Idoso, mas dividida em vários módulos, como já vão perceber a seguir.

( Nota: É provável que o meu plano curricular seja completamente diferente de algumas universidades, pelo que se andam em Enfermagem, poderão não ter dado as coisas pela mesma ordem que eu).


Enfermagem de Saúde do Adulto e do Idoso



Esta cadeira, tal como o próprio nome indica, fala de tudo que seja relacionado com a saúde dos adultos e idosos, e está dividida em 7 módulos, 2 meramente teóricos ( o 1 e o 2), e os outros com avaliações práticas a complementar.

O módulo 1 foi um aprofundamento da Sociologia e Psicologia que tive no ano passado, na cadeira de Fundamentos de Enfermagem I. Estudei os mais variados assuntos, todos muito interessantes, como a Morte e a forma como lidamos com ela, a forma como lidamos com a dor, a imagem corporal ( e problemas como a anorexia ou a obesidade), as pressões sociais... Foi, sem dúvida, um módulo do qual gostei bastante.

O módulo 2 foi Patologia ( como dizemos no nosso curso, a "irmã gémea" de Anatomia, pois foi quase tão difícil como esta, apesar de mais interessante), em que abordamos as mais variadas doenças do sistema circulatório, digestivo, dos ossos,... Adorei particularmente o facto de terem vindo médicos convidados darem-nos aulas, o que contribuiu ainda mais para a nossa aprendizagem ( embora nós não precisemos de saber tudo de maneira tão profunda como um médico).

O módulo 3 foi uma mistura de diversos assuntos. Falámos de Reumatologia, de problemas respiratórios ( e as respetivas técnicas para estes problemas), do processo neurológico e do processo respiratório. A partir deste módulo, começámos a ter aulas práticas, em que aprendemos a fazer ligaduras, mais posicionamentos que o ano passado, e aprendemos técnicas de nebulização e oxigenoterapia. 

O módulo 4 focou-se nas feridas, desde os tipos, os vários desbridamentos ( autolítico, enzimático,..), a alimentação nas feridas... Nas aulas práticas deste módulo aprendemos a limpar feridas e colocar pensos, com todas as técnicas asséticas que este procedimento exige.

O módulo 5 foi um módulo muito interessante, diria até o mais interessante, porque abordou tudo sobre a administração de medicamentos e vias de administração que é, normalmente, a matéria preferida dos alunos. Nas aulas práticas, foi ainda mais interessante, porque aprendemos a fazer colheitas de sangue, a dar injeções,... Agora é oficial, já sabemos dar "picas"!

O módulo 6 centrou-se na alimentação entérica e parentérica, e no processo urinário e intestinal. Nas aulas práticas aprendemos o processo de algaliação, e de entubação nasogástrica. 

Por último, o módulo 7 foi, à semelhança do módulo 3, uma mistura de vários assuntos. Aprendemos suporte básico e avançado de vida ( já tínhamos tido uma aula de suporte básico de vida no ano passado, antes do estágio, mas agora aprofundámos os nossos conhecimentos), falámos de intoxicação por organofosforados, falámos de vias aéreas artificais e de cuidados palatiavos. Neste módulo, tivemos ainda uma pequena abordagem sobre deontologia em Enfermagem, em que abordámos assuntos muito relevantes como a eutanásia e a morte medicamente assistida. Em termos práticos, fomos avaliados ao Suporte Básico de Vida ( e, devo dizer, que já conseguiria reanimar uma pessoa, por compressões, apesar de ser fraquinha em termos de insuflações, porque não expiro com força suficiente para a boca do doente).

No geral, foi uma cadeira muito interessante, que abrangeu diversos tópicos relevantes, que nos ensinou inúmeros procedimentos, e penso que isso contribuiu imenso para o meu crescimento profissional, e para a minha preparação para os estágios deste ano.


O 1º semestre foi um semestre duro, recheado de muito trabalho e estudo, mas no final acabei com um sentimento de dever cumprido, a pensar " este ano é que foi a sério!" ( pois aprendi muita mais prática que o ano passado), e agora estou pronta para esta nova etapa que se avizinha, estágios ( o 2º semestres serão sempre assim a partir de agora, só com estágios, por isso gostava de saber se querem ver um post assim nesses semestre ou não, o que acham?). 


Malta universitária? Como correu o vosso 1º semestre?

25.6.16

2º semestre do 1º ano de Enfermagem


Esta semana acabou o 1º ano da minha licenciatura em Enfermagem. É com orgulho que digo que o fiz de forma limpa, sem deixar nenhuma cadeira para trás. Foi sempre o meu medo, antes de entrar para a universidade, deixar cadeiras para trás. Mas graças a Deus que tal não aconteceu, no 1º semestre Anatomia quase que esteve para ficar para trás, mas lá a consegui fazer na última tentativa.

Como no 1º semestre tive 4 cadeiras e passei a maior parte do tempo em estudo intensivo, quando vi que o 2º semestre só tinha 2 cadeiras ( Fundamentos de Enfermagem II e Fundamentos de Biopatologia, Farmacologia e Terapêutica AKA Farmacologia) achei que este seria mais fácil. Pensei " finalmente, vou ter mais tempo livre e vou estudar com mais calma". Estava tão enganada!

De facto, só tive duas cadeiras este semestre, mas a cadeira de Farmacologia valia logo por 4 ou por 5, por isso também estudei imenso. Não diria que foi um semestre tão difícil como o primeiro, porque já não senti aquele choque da passagem do Secundário para Ensino Superior, já estava bastante adaptada aos métodos de estudo e de avaliação, portanto correu muito melhor. Mas ainda assim suei muito!

Há semelhança do que fiz no semestre anterior, achei interessante fazer também uma retrospectiva do 2º semestre e das cadeiras que tive.


Fundamentos de Enfermagem II


Como o próprio nome indica, esta é uma continuação da cadeira que tive no semestre anterior. No semestre anterior esqueci-me de referir que em Fundamentos de Enfermagem I tivemos muitos trabalhos de grupo ( já acrescentei a esse post). Neste semestre, Fundamentos de Enfermagem II não teve tantos trabalhos de grupo, e teve aulas bastante mais interessantes.

Tive aulas muito úteis, que em nada se comparavam ao semestre anterior, em que só dei meras teorias sem grande utilidade para o meu futuro profissional. Nesta tive nutrição, ergonomia ( onde estudámos posicionamentos e a forma como devemos utilizar o nosso corpo), aprendemos a escrever diagnósticos e planos de cuidados... Como vêem, foi muito mais interessante e com muita mais utilidade que Fundamentos de Enfermagem I. 

É de extrema importância que, mesmo depois de passarem a esta cadeira, voltem a estudar a matéria da mesma, porque vão usá-la muito em estágio, principalmente a parte de fazer diagnósticos e elaborar um plano de cuidados que, ao contrário do que a maior das pessoas pensa, tem muito que se lhe diga. Por exemplo, para fazer um plano de cuidados existe uma forma padronizada de o fazer com códigos e tudo, reunidas num documento, a CIPE, de onde têm que retirar todas os diagnósticos e intervenções de enfermagem que querem escrever para o vosso plano de cuidados. Não podem simplesmente escrever o que vos apetece. Obviamente, isto tem uma razão de ser, que é uniformizar os cuidados de enfermagem, para um enfermeiro ou outro profissional de saúde, de qualquer parte do mundo, saber que cuidados foram prestados a determinado paciente. Durante o estágio têm que fazer planos de cuidados à mão, mas na realidade todos os enfermeiros usam a versão informática. Mas não vou adiantar mais, quem tiver esta cadeira vai aprender.



Fundamentos de Biopatologia, Farmacologia e Terapêutica ( AKA Farmacologia)


Anatomia foi, sem sombra de dúvidas, o cadeirão do 1º ano de Enfermagem, mas Farmacologia não lhe ficou muito atrás. Foi bastante difícil de fazer, mas felizmente fiz todas as frequências à primeira ( ao contrário de Anatomia, que só à quarta tentativa, na oral, é que passei).

Esta cadeira teve dividida em 4 sub-cadeiras: Genética, Microbiologia, Farmacologia e Patologia.

Genética foi muito fácil,  só foram lecionadas matérias que já tinha estudado no Secundário, em Biologia 11º ano e de 12º ano, como o Ciclo Celular, Leis de Mendel,.. Foi uma frequência muito fácil de fazer, também porque tivemos poucas aulas e não foi avaliada muita matéria.

Microbiologia já foi mais difícil. Muito mais difícil, na verdade. Em Microbiologia tivemos que estudar todo o tipo de microorganismos, como bactérias, vírus e parasitas, os seus nomes ( aqueles nomes em latim enormes e complicadíssimos, que mais parecem chinês), características e doenças associadas. Vi-me aflita para decorar aquilo tudo! Como é lógico, é impossível decorar todos os microorganismos para a frequência, por isso eu aconselho a descobrirem quais são os mais importantes ou os que o/a vosso/a professor/a quer que saibam, e estudem apenas esses. Foi o que eu e a maior parte da turma fizemos, e correu bem ( eu tirei 12).

Farmacologia foi a parte mais difícil desta cadeira. Cheguei a chorar de ver tanta matéria à frente! Nesta sub-cadeira estudam todo o tipo de medicamentos ( analgésicos, antifúngicos, antidepressivos, anticoagulantes...) , os seus efeitos secundários, o seu modo de atuação, a janela terapêutica, entre muitas outras coisas. Tal como Microbiologia, é impossível saberem todos os medicamentos de cor ( nem estes saem todos na frequência), por isso mais uma vez aconselho a saberem apenas os mais importantes.

Patologia foi apenas uma introdução, só demos as patologias mais básicas, como cancro, enfartes e AVC. Tal como Genética, foi muito fácil de fazer e também tivemos poucas aulas.



Ensino Clínico I- Fundamentos de Enfermagem


No 1º ano, o Ensino Clínico é no âmbito da cadeira Fundamentos de Enfermagem, o que significa que não fazemos muito além de lavar e posicionar doentes, avaliar sinais vitais e elaborar planos de cuidados.

Todos os alunos estagiam  3 semanas num centro de saúde e 3 semanas numa ala de Medicina Interna no Hospital de Braga.

Antes dos 2 estágios temos aulas de preparação para Ensino Clínico, em que vamos para um laboratório treinar com manequins posicionamentos e técnicas para prestação de cuidados de higiene. O único defeito que eu tenho a apontar a estas aulas é a sua curta duração ( 2 semanas) Na minha opinião, deviam começar mais cedo pois, como éramos mais de  100 alunos, não tínhamos todos aulas práticas no mesmo dia, éramos divididos em quatro grupos e tinhamos aulas  em dias alternados ( não havia laboratórios nem professores suficientes para todos).


E assim acabou o meu primeiro ano na universidade. Passou tão depressa! Foi um ano muito duro, com muito estudo, muitas frequências, muitas horas de sono mal dormidas, muitas calorias perdidas, mas também foi um ano muito divertido, emocionante, em que conheci pessoas extraordinárias, experimentei a praxe, saí à noite, aprendi muito...

O 1º ano foi o ano mais teórico, o 2º ano vai ser  mais prático, porque vou começar a estagiar em Fevereiro, mas por agora estou de férias, finalmente!


E vocês? Como vos correu este ano letivo?


9.2.16

1º semestre do 1º ano de Enfermagem


Hoje começou o meu 2º semestre na faculdade. Por isso, achei que seria interessante fazer uma retrospectiva sobre o meu semestre anterior, que foi também o meu primeiro semestre na faculdade. E não há sítio melhor para fazer esta retrospectiva do que aqui no blog.

Não querendo ser acusada de plágio pela Inês do Bobby Pins ( vejam os posts dela sobre o seu curso, são muito úteis, como este aqui), acho que seria muito útil escrever sobre os  meus semestres para quem está a pensar entrar ou esteja em Enfermagem.

Para quem não sabe, eu entrei em Setembro do ano passado ( quem me ouvir falar pensa que já foi há um ano, mas na verdade só foi ainda há uns meses) em Enfermagem na Universidade do Minho. Tinha média para entrar em todos as zonas do país, mas ainda assim passei o Verão um bocado stressada porque, azarada como eu sou, as médias ainda poderiam subir vários valores e eu não entrar. Felizmente, isso não aconteceu, e eu entrei na Universidade do Minho com bastante facilidade, um valor acima da média de ingresso ( e só não entrei com melhor média porque Física e Química lixou-me a vida no secundário, mas isso agora já é passado).

O primeiro semestre foi uma montanha-russa de emoções. Por um lado, foram os meus primeiros meses como caloira. Foram os melhores meses da minha vida: experimentei a praxe e adorei, conheci pessoas fantásticas ( tanto caloiros como Doutores), fiz muitas coisas engraçadas na praxe... O início do primeiro semestre foi marcado também por muitas festas, jantares de curso e muita animação... Por outro lado, foram meses muitos stressantes: as primeiras aulas, os professores que não sabiam o nosso nome (nem nunca chegaram a saber), os primeiros trabalhos escritos e de grupo ( "trabalhos de grupo" significam sempre drama), as primeiras frequências, as primeiras desilusões com as notas ( principalmente com as de Anatomia), ter sido obrigado a desistir da praxe pelos meus pais ( caso não saibam do que estou a falar, leiam este post)... No entanto, no geral foi um bom semestre.

No 1º semestre do meu 1º ano em Enfermagem tive 4 cadeiras: Fundamentos de Enfermagem I, Fundamentos dos Sistemas do Corpo Humano ( também conhecida como Anatomia), Biologia Celular e Molecular e PFFS ( Família, Pessoa, Sociedade e Saúde). Decidi falar neste post sobre estas cadeiras separadamente, para vocês compreenderem melhor em que consiste cada cadeira. Aviso já que vai ser um post um pouco longo ( tenho que trabalhar na minha capacidade de síntese), mas como está tudo dividido é de leitura mais fácil e podem ler apenas o que vos interessa.



Fundamentos de Enfermagem I

Uma pequena nota: todas as cadeiras que começam com "Fundamentos.." são mais as mais complicadas. Nem são cadeiras, são mais sofás! Uma pessoa lê no plano curricular do curso " Fundamentos de não sei o quê" e pensa " Fundamentos? Isto deve ser a cadeira mais fácil" e depois chega à época de frequências e tem vontade de cortar os pulsos. Pronto, já aprenderam a lição: se alguma cadeira for " Fundamentos de qualquer coisa" agarrem-se aos livros/ apontamentos dessa cadeira, porque esta vai-vos fazer derramar muitas lágrimas.

Posto esta pequena ( e não muito animadora) nota, vou falar-vos então da cadeira. Fundamentos de Enfermagem I é, tal como o próprio nome indica, os conceitos básicos desta profissão. Mas não se deixem enganar pelo nome, têm-se que estudar muita coisa: a evolução da Enfermagem ( desde o tempo dos dinossauros até aos dias de hoje.), os tipos de pensamento em Enfermagem ( que é como quem diz, 1263829 teorias diferentes), o Autocuidado, o Comportamento do Enfermeiro,  Cuidar em  Enfermagem... Desta quantidade enorme de matéria, aquilo que é mais importante é  o Autocuidado ( quem estiver em Enfermagem vai estar sempre a ouvir esta palavra, e que não se atreva a não saber o que significa), o Comportamento do Enfermeiro e o Cuidado de Enfermagem. O resto é "palha"! Mas obviamente que temos que decorar tudo para a frequência. Mas uma vez feita esta cadeira, é basicamente isto que é preciso reter.

As aulas que tive desta cadeira forma quase todas em trabalhos de grupo. Fomos autênticos autodidatas! Chegou a ser rídiculo até a quantidade de trabalhos de grupo que tivemos de fazer. Cá entre nós, a maior parte da matéria era tão entediante que nem os professores se davam ao trabalho de dar aulas, o que acabou por nos prejudicar.

Esta cadeira é, apesar de tudo, de extrema importância e talvez até a mais importante. Se uma pessoa não passar a esta cadeira, não vai a estágio e reprova automaticamente de ano. E vocês pensam " mas quem é que vai reprovar a uma cadeira tão fácil, que só é decorar?". Isso é o que eu e os meus colegas estivemos a pensar um semestre inteiro até chegar à frequência. E quando chegamos à frequência, arrependemo-nos de não ter dado tanta atenção à cadeira. A frequência foi muito difícil. Perguntas muito abstratas, manhosas do tipo " escolha a opção mais verdadeira" ( e todas as opções eram verdadeiras), perguntas que nada tinham a ver com o que estava nos nossos apontamentos ( muitas vezes só quem tinha ido às aulas todas sabia responder, dou Graças a Deus por ter ido a todas as aulas.)....

Passei a esta cadeira logo à primeira, mas muitos colegas meus não tiveram essa sorte. Não volto a cometer o mesmo erro com Fundamentos de Enfermagem II. 


Fundamentos dos Sistemas do Corpo Humano ( AKA Anatomia)


Este é o verdadeiro cadeirão do 1º ano de Enfermagem. Faz-vos chorar, gritar, rezar mesmo que vocês não sejam religiosos, e chegas mesmo a preferir morrer do que teres de fazer exame a isto. Pronto, já perceberam que esta cadeira é mesmo horrível. Mas ninguém pode ser enfermeiro se não a fizer ( pelo bem da Humanidade, não gostaria de ser tratada por pessoas que não sabem onde fica o músculo Esternocleidomastoideu...). 

Esta é o tipo de cadeira a que vocês têm que ir às aulas todinhas ( e estar atento/a do início ao fim), fazer resumos e estudar desde o início e, depois de todo este trabalho e esforço, ainda muita coisa pode correr mal. Por isso, o melhor é estudar esta cadeira do início. 

A quantidade de matéria é enorme. Noutros cursos existe Anatomia I e II, Fisiologia I e II, Histologia,... Aqui na Universidade do Minho não, é tudo na mesma cadeira, no mesmo semestre. Para matar uma pessoa mais rápido, só pode! Basicamente, tivemos que decorar 1500 páginas de matéria para duas frequências, mais saber de cor e salteado, da frente para trás e de trás para a frente, todos os cantos possíveis e imaginários do corpo humano para o teste prático.

Reprovei a Anatomia. Por 3 décimas, que crueldade! Estou à espera de uma eventual oral para ver se me safo, mas ainda não soube de nada ( EDIT 16 Fevereiro: os professores fizeram uma oral para quem tinha média superior a 8 e eu fui lá, tentar a minha sorte. Consegui passar! Livrei-me do cadeirão do ano!)



PFFS ( Pessoa, Família, Sociedade e Saúde)

Esta cadeira é como se incluísse sub-cadeiras dentro dela: tive Pscicologia, Sociologia e ainda Contextos de Saúde,... Gostei bastante desta cadeira. Acho que foi a minha preferida neste semestre. Aprendi tanta coisa que certamente me vai ser muito útil para enfermagem e até para a vida em geral: aprendi as formas mais adequadas de comunicar, de abordar as pessoas, aprendi que a nossa linguagem corporal diz muito sobre o nosso grau de interesse, aprendi formas de pensamento e comportamento, aprendi mais sobre a sociedade e como esta funciona... Uma cadeira extremamente prática e útil.

É uma cadeira muito fácil, até podia ter faltado às aulas e ter passado na mesma. Mas obviamente que não seria a mesma coisa. São cadeiras como esta que, no futuro, nos tornam enfermeiros mais humanos, prontos a atender às necessidades dos pacientes. 

Esta cadeira foi a melhor nota do meu primeiro semestre: 16, upi!



Biologia Celular e Molecular

Apesar de não ser uma cadeira tão difícil como Anatomia, não lhe fica muito atrás. É uma cadeira muito trabalhosa, com muitos pormenores, que exige muito tempo para estudar.

Nesta cadeira, aprendi ( ou decorei, vá, depois da frequência esqueci metade) tudo sobre Biologia, desde células, a todos os processos do metabolismo, DNA ( e tudo relativo a este), proteínas... Tive que estudar tanta coisa que nem sei o que enumerar aqui!

Os resumos de Biologia do Secundário foram-me bastante úteis para esta cadeira. Aliás, não sei o que teria sido de mim sem eles. Tive uma professora de Biologia no Secundário que ensinou mais matéria do que aquela que estava no programa, ou seja, ensinou matéria que é lecionada na universidade. Dou graças a Deus por ter tido uma professora excelente no Secundário, que se deu mesmo a esse trabalho. Agora que cheguei à universidade e tive esta cadeira, foi muito mais fácil de estudar pelos resumos que já tinha feito, em vez de ter 1892739 para fazer a frequência. Sem dúvida que estudar pelos resumos do Secundário foi uma mais valia.

Acabei de constatar agora que escrevi muitos pontos de exclamação neste post. Para verem o semestre cheio de emoções que tive!

No geral, até me safei bem neste semestre, tendo em conta o choque que foi em relação ao Secundário (acreditem, o secundário não vos prepara em nada para a faculdade). No segundo semestre existem várias coisas que quero melhorar, e não pode voltar a acontecer o que me aconteceu a Anatomia.


E a malta destes cantos que anda na universidade? Como correu o vosso 1º semestre?