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15.6.19

Porque é que as crianças (ainda) precisam de relógios analógicos


Há uns tempos atrás li uma notícia que é, no mínimo, preocupante. Algumas escolas no Reino Unido estão a tirar os relógios analógicos das salas de aula, e a instalar na vez destes dispositivos digitais, supostamente para facilitar a vida dos alunos, que já estão tão habituados ao digital, que usar um relógio mais tradicional, principalmente na altura de exames, seria um stress desnecessário. Esta notícia lançou o debate: será que, na era tecnológica, ainda é importante que as crianças aprendam a ver as horas num relógio analógico? Tendo em conta que metade das crianças já não o sabe fazer (se têm duvidas, vejam um vídeo que fizeram o ano passado), sim, é, mais do que nunca!

Na turma em que eu andava na primária, havia uma regra em sala de aula que era inquebrável: nenhuma criança podia usar relógios digitais. Qualquer aluno que entrasse naquela sala de aula com um era obrigado a tirá-lo e colocá-lo numa caixa na secretária da professora, sendo que só o tinha de volta no final do dia. Além disto, os pais eram estimulados a fazer o mesmo em casa, a colocar os relógios digitais de parte e a perguntar frequentemente as horas aos filhos. Claro que, em casa, a professora já não tinha controlo sobre se esta medida pedagógica era cumprida ou não, mas a maior parte deles parecia cumprir, porque os seus filhos demonstravam saber ler as horas.

Nos dias de hoje, esta medida talvez fosse um bocado extrema. Vivemos numa época em que os professores têm medo de tomar qualquer atitude mais extrema e, no dia a seguir, virem os pais atrás reclamar, a dizer que pode traumatizar o seu filho (como alguém que acompanha o mundo da educação de perto, sim, isto acontece mesmo, não é exagero). Já estou a imaginar "mas o meu filho não pode usar o que quer agora?". Dão-se tablets para a mão como se fossem brinquedos, e todas estas tecnologias, a longo prazo, estão a ter efeitos nocivos nas crianças: há quem já tenha mais dificuldades a aprender a segurar numa caneta, quanto mais ver as horas. 

Aqui em Portugal, ainda se aprende a ver horas num relógio analógico mas, fora da sala de aula, as crianças estão a perder exposição aos mesmos. Sejamos sinceros, quantos de nós os utilizamos? Eu falo por mim, antes era uma amante de relógios de pulso, mas desde que entrei em Enfermagem, em que não se podem usar qualquer tipo de adorno no estágios, que desenvolvi o hábito de ver as horas pelo telemóvel. Em minha casa ainda existem relógios tradicionais, mas imagino que noutras casas já não se deem ao trabalho de colocar. Nós, adultos, já sabemos ver, e quem aprende não esquece, mas e as crianças? 

Mas qual é problema do digital, afinal? O problema é que com o digital as crianças só têm noção do presente- não conseguem perceber quanto tempo já passou ou quanto tempo falta para o fim de determinada tarefa. Com um relógio analógico, conseguem compreender melhor a passagem do tempo, fazendo com que consigam situar-se melhor e perceber em que medida o momento que estão a viver se encaixa entre o passado e o futuro. Conseguem compreender também quanto tempo falta para o fim de algo- como as aulas, por exemplo- e planear as suas tarefas de acordo. Como o nosso próprio planeta, este é redondo e tem o seu próprio ciclo, o que facilita a  perceção dos miúdos das 24 horas de um dia. 

O tempo é um conceito abstrato para os mais pequenos e, ao dar-lhes relógios digitais, não lhes estamos a facilitar a vida, estamos a fazer com que seja mais difícil para eles compreender este conceito abstrato. Não importa os dispositivos tecnológicos que eles possuírem no futuro, esta é uma competência da qual precisarão sempre. 

15.1.18

15 boas maneiras que todas as crianças deviam aprender

15 boas maneiras que todas as crianças deviam aprender

Ontem estreou "Supernanny", um programa que promete ajudar os pais a controlar a rebeldia dos filhos e dar resposta aos apelos dos pais que já fizeram de tudo e nada resultou, e  está a dar muito que falar.

Eu devo ter sido, provavelmente, das poucas pessoas que não viu o programa. Em primeiro lugar, eu não vejo muita televisão. Tirando o telejornal e um ou outro programa que me desperte particular interesse, prefiro gastar o pouco tempo livre que tenho a ver séries/filmes no computador. Em segundo lugar, e mais importante, não vi  " Supernanny"  por não corcordar, de todo, com o formato. Acho que é de uma profunda irresponsabilidade expor a vida privada e a intimidade de  uma criança desta forma na televisão. Já imaginaram o quanto a criança poderá ser gozada na escola? E não me venham dizer  " ai, muitos pais publicam fotos dos filhos no Facebook", porque não é a mesma coisa. Uma coisa é expor uma criança através de uma foto, outra coisa é expor problemas que deveriam ser resolvidos em casa e/ou com a ajuda de um psicológo na televisão. Para não falar que os episódios vão ficar gravados e disponíveis para sempre, para qualquer pessoa ver, mesmo quando essa criança for adulta. A intenção da SIC foi boa, mas não seria preferível criar um programa a dar umas "luzes" aos pais sobre as melhores formas de educar filhos em vez de estupidificá-los?

Apesar de não concordar com o formato do programa, gerou-se um debate à volta do assunto da educação de crianças que me fez pensar na forma como os pais educam hoje em dia.

Infelizmente, hoje em dia, a etiqueta e as boas maneiras são algo pouco valorizado. Sinto que a maior parte dos pais andam tão ocupados com o trabalho e o stress do quotidiano que, no pouco tempo que passam com os filhos, ou dão-lhe doces para os compensar ou então dão-lhe tablets e telemóveis para se entreterem. A sensação que passa para quem vê de fora é que são poucos os pais que  realmente se preocupam e dedicam a ensinar boas maneiras, pequenos detalhes que poderiam fazer toda a diferença no comportamento dos seus filhos. E isso depois reflete-se no comportamentos deles em sociedade. Tendo um pai que é professor primário, observo muito esta tendência nas crianças.

Desde cedo que sempre me ensinaram boas maneiras. Para mim, nunca é cedo demais para ensinar a uma criança como deve comportar-se. Na verdade, quanto mais cedo melhor. Devemos dar-lhes liberdade para se expressarem livremente e brincarem, mas há certas regras que são essenciais. Não nenhuma expert com crianças ( longe disso!) nem sou mãe, mas estas são, na minha opinião como filha,  regras de etiqueta bastante simples que todas as crianças deveriam aprender.


1. Mostrar sempre respeito para toda a gente à sua volta.

2. Dizer sempre " Obrigada", " Com licença" e " por favor".

3. Ensinar boas maneiras à mesa.

4. Tapar sempre a boca quando espirram ou tossem.

5. Nunca interromper as outras pessoas quando estão a falar.

6. Nunca dizer comentários insultuosos.

7. Ensinar a partilhar.

8. Encorajar a ajudar outros, particularmente aqueles que têm menos possibilidades.

9. Como se introduzirem de forma apropriada aos outros.

10. Bater sempre à porta antes de entrar.

11. Não apontar ou ficar a olhar fixamente.

12. Como atender um telefone de forma educada.

13. Ensinar a não mexerem no que não é deles.

14. Ensinar a pedirem permissão quando não têm a certeza se podem fazer algo.

15. Ensinar o quanto é importante respeitar a privacidade dos outros.


E vocês? Que boas maneiras acham que todas as crianças deviam aprender?

18.9.17

10 clichés que os nossos pais nos disseram ( e que nós odiámos)

10 clichés que os nossos pais nos disseram ( e que nós odiámos)

A vida é dura quando somos novos. Tudo aquilo que nós queremos é viver de acordo com as nossas regras mas, frequentemente, estamos sob o olhar atento dos nossos pais.

Todos nós já as ouvimos. Aquelas frases irritantes que os nossos pais já nos disseram pelo menos uma vez nas nossas vidas. Às vezes, até mais vezes do que aquelas que gostaríamos de ouvir. Sim, sabemos que estão a tentar educar-nos da melhor forma mas, still, estas frases irritam! Todos os pais educam os filhos de forma diferente, mas todos eles já disseram estes clichés. E, sejamos sinceros, já nos apeteceu dar respostas sarcásticas a estas frases.


1. Eu sou o/a pai/mãe, tu és o/a filho/a: Muito obrigada por me relembrarem a árvore genealógica da minha família. Já me tinha esquecido dela! Mas geralmente isso é mais uma desculpa usada quando o elemento mais velho cuida  do mais novo, e faz disso uma forma de o controlar.

2. Eu nunca fiz isso quando era criança: Pois, mas no teu tempo também não existia o Facebook nem a Playstation, portanto não venhas para aqui comparar as coisas. Os tempos mudaram.

3. Porque eu disse que não: Eu pedi uma explicação, e isso não é uma explicação. Isso deixa uma pessoa louca!

4. Nós sabemos aquilo que é melhor para mim: Eu sei, eu sei, vocês têm mais experiência de vida do que eu, e acreditem que eu valorizo a vossa opinião. Mas, por muito que as vossas experiências tenham sido semelhantes às minhas, vocês não são eu, por isso, a palavra final é minha, ok?

5. Tens a certeza que te esforçaste mesmo? : Não, não me esforcei. Eu reprovei no teste por diversão. Eu preenchi de propósito todas as perguntas com a resposta errada para lixar o meu futuro e para vocês reclamarem comigo.

6. Tu não és o filho/a que eduquei: Quem me educou então? Algum fantasma que está aqui?

7. Enquanto viveres sob o meu teto... : Aonde é que é suposto viver então? No orfanato? Debaixo da ponte? É que eu ainda sou novo/a demais para arranjar um emprego, ainda ando na escola.

8. Se todos os teus amigos se atirassem de uma ponte, tu também te atiravas? : Obviamente que não, não sou nenhuma idiota!

9. Quando tiveres filhos vais compreender: Quem te disse que vou ter filhos, para começar?

10. Não estou zangado/a contigo, só estou desiludido/a: Esta é daquelas que faz mesmo doer o coração. É que nem comento!


E vocês? Já ouviram algumas destes clichés? Que clichés ouviram?