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3.1.18

Eu adoro animais, mas não sou vegetariana ( e isto não é uma dissonância cognitiva)

 Eu adoro animais, mas não sou vegetariana ( e isto não é uma dissonância cognitiva)

Todos nós já nos cruzámos com alguma pessoa vegetariana ao longo da nossa vida. Muito provavelmente, nem nos apercebemos logo que ela era vegetariana, porque não tinha aparência de hippie como nós pensamos que os vegetarianos têm sempre. O momento em que tudo descobres que alguém é vegetariano é sempre um pouco constrangedor, no mínimo. Inconscientemente, ficamos sempre um pouco nervosos, um pouco reservados e, de repente, temos consciência que existe ali uma divergência de opiniões, quase como uma barreira. Grande parte das vezes, a pessoa acaba por dizer que é a sua escolha de vida, mas que não tem problemas com a tua, que cada um põe o que quer no prato e continuam amigos, na boa. Esta é a atitude mais saudável e a que, felizmente, a maior parte dos meus amigos vegetarianos têm.

Mas muitos não têm essa atitude. Hoje em dia, o vegetarianismo tem-se tornado cada vez mais uma moda. Cada vez mais as pessoas aderem ao vegetarianismo, umas por razões de saúde, mas grande parte por razões éticas. Até aqui tudo bem. Eu suporto e adoro a forma como os vegetarianos e os vegans defendem os direitos dos animais tão apaixonadamente, e a forma como sacrificaram e mudaram a sua dieta para serem mais compatíveis com as suas crenças ( ao longo do texto vou dizer só vegetarianos para simplificar, mas tenho consciência da diferença entre estes dois conceitos). O que eu não gosto é a superioridade moral que alguns vegetarianos pensam ter em relação aos outros. Muitos julgam as pessoas que comem carne, e chamam-nas de monstros, assassinos, que se acham superiores aos animais e que não qualquer respeito pela vida dos outros seres vivos.

Desde que me tornei blogger, já fui algumas vezes confrontada com a pergunta " Porque é que não és vegetariana? Pareces-me ser uma boa pessoa, com bons valores, defensora dos animais... Mas comer carne não vai de encontro aos teus valores, alguma coisa está errada aí..." . Também me fazem esta pergunta na " vida real", mas não com tanta frequência como me fazem na Internet. Também já constatei de cada vez que alguém aborda as razões pelas quais não é vegetariana, há sempre um grupo de pessoas que se junta para a julgar.

Há uns tempos atrás eu li um slogan de uma campanha de ativistas vegetarianos que dizia " Tu não podes adorar animais se os comes". Fiquei bastante revoltada com o que li, porque é uma afirmação bastante ignorante e injusta. Poderia dar-vos o meu exemplo, mas tenho uma amiga minha que é um exemplo muito melhor do que eu. Ela sempre adorou toda a vida animais. Tem muitos animais de estimação, cães, gatos, peixes, até pássaros. Já foi voluntária em vários projetos para cuidar de animais e já ajudou a salvar alguns. Há dois anos realizou o seu sonho de entrar em Veterinária. E, no entanto, ela come carne e peixe regularmente. Ela é apenas um exemplo, porque eu conheço muitas mais pessoas que são defensoras ativas de animais e que comem carne.

Eu sempre adorei animais toda a vida, e sempre fui grande defensora deles. Nunca usei casacos de pele verdadeira ( sempre sintética), nunca maltratei animais, não sou a favor de touradas e sou totalmente contra  qualquer forma de entretimento que os envolva. Mas também a carne sempre fez parte da minha dieta, e não me sinto minimamente culpada por isso, nem sinto que isso vá contra as minhas crenças. Não estou a criar uma dissonância cognitiva por viver desta forma.

Se eu podia ser vegetariana e estar disposta a alterar a minha dieta, a procurar alternativas, de forma a defender ainda melhor os animais? Sim, podia. Mas, no meu caso, nem seria o mais saudável para mim. Dado a um problema de saúde que tive recentemente , não posso comer grande parte dos alimentos que compõem uma alimentação vegetariana. Eventualmente, quando estiver melhor ( já estou a melhorar, aliás) vou tentar comer mais variedade de legumes e consumir menos carne ( era o que já estava a planear fazer antes de ficar doente), mas nunca vou cortar completamente. Porque ,sinceramente, gosto de carne e gosto de ter uma alimentação variada.  E não sou pior pessoa por isso, nem tão pouco os meus esforços pela defesa dos animais são em vão.

O problema aqui não é comer carne. O problema é a quantidade de carne que consumimos e a forma como a produzimos. Comer carne é o ciclo natural da vida. Ninguém acha imoral quando um lobo mata um coelho para comer. Por isso, porque é que acham imoral quando uma pessoa mata um coelho para comer? Muita gente esquecem-se disto, mas nós também somos animais. E, como tal, também temos instintos e necessidades para serem satisfeitas. Claro que podemos ser saudáveis na mesma sendo vegetarianos, mas com a ajuda de suplementos ou procurando alternativas. Mas nem todos conseguimos isso, seja por questões de saúde, seja por razões económicas, seja simplesmente porque gostamos de ter uma alimentação variada.

 Não é preciso cortar radicalmente a carne da nossa dieta. É preciso é comermos menos carne e mais variedade de alimentos, além de repensar seriamente a forma e protestar contra a forma como as indústria da carne estão a criar e a tratar os animais. A indústria da carne, em geral, está a criar muitos animais em condições terríveis, a dar-lhes comida pouco saudável para fazer com que engordem mais depressa e está a matar milhões de animais desnecessariamente, quando poderia matar muitos menos. Muitos dos animais vivem num regime de medo e tortura, com tão pouco espaço que mal podem andar ou deitar-se confortavelmente e, muitas vezes, fechados em autênticos barracões em ponto grande, sem luz do dia.  

Há muitas mudanças que têm de ser feitas, mas podemos começar a mudar já hoje. Como é que as pessoas que não são vegetarianas podem contribuir para acabar com este flagelo? Reduzindo os seus consumos de carne, optando por consumir mais alimentos da roda de alimentos, consumindo menos carne processada, comprando carne a produtores locais, e reduzindo os desperdícios. Se a maior parte das pessoas reduzisse o seu consumos de carne para, por exemplo,3 vezes por semana ( um dos princípios, aliás, da dieta mediterrânea), o número de animais que não seriam abatidos e o impacto ambiental já seria muito menor. São pequenas mudanças que parecem não levar a nada, mas que poderiam ser bastante significativas se todos nós o fizéssemos.

As intenções de muitas pessoas são boas mas falham neste ponto: valorizam muito mais a longevidade de um animal do que a sua qualidade de vida. Muitos estão concentrados apenas nisto " se eu não comer carne, não estou a contribuir para que matem mais animais". Eu cá acho que, se calhar, a  qualidade e experiência de vida destes animais, muito mais a sua longevidade. Porque, quer queiram quer não, para viver vão ter que matar sempre algo. As plantas também são seres vivos. Podem dizer " ah, não é a mesma coisa." Para mim, é. E não é ignorância da minha parte dizer isso. As plantas conseguem comunicar umas com as outras, têm memória, e podem até perceber sentimentos humanos. Obviamente que isto não pode servir de desculpa para continuarmos a consumir carne desenfreadamente nem tão-pouco para desvalorizar os esforços dos vegetarianos. É só para termos noção que não é possível termos uma existência 100 % cruelty-free. 

Portanto, vamos acabar de uma vez por todas com esta batalha dos vegetarianos/ vegans contra as pessoas que comem carne. Vamos parar de ver o vegetarianismo como uma religião e vamos encará-lo como um estilo de vida tão aceitável como ser omnívoro. E, sobretudo, vamos parar com estas frases de " não podes gostar de animais se come carne", " não podes ser veterinário se comes carne" ou " não podes ser ambientalista se não és vegetariano". Além de absurdo, é extremamente cansativo. Mas aceitar de uma vez por todas que existem diversas formas de contritibuir para a defesa dos direitos dos animais, sendo vegetarianos, semi-vegetarianos ou omnívoros, e que nenhum destes esforços são em vão. O que cada um de nós come é uma escolha pessoal que vai muito mais  além de o gostarmos ou não de animais. Existem escolhas melhores do que outras, é certo, mas não existe uma única escolha certa, podem existir várias. Na vida nem tudo é preto nem branco, e esta temática não é exceção.


Qual a vossa opinião sobre o assunto?

16.12.17

5 formas inconscientes de encorajar hábitos alimentares poucos saudáveis durante o natal

5 formas inconscientes de encorajar hábitos alimentares poucos saudáveis durante o natal

Durante a época natalícia e o Ano Novo, são muitos os comportamentos pouco saudáveis que as pessoas têm. Porém, alguns destes comportamentos, apesar de parecerem inofensivos, podem incentivar outras pessoas a ter hábitos alimentares pouco saudáveis ou mesmo a terem uma pior relação com o seu próprio corpo, além de poderem piorar a recuperação de quem está a sofrer de algum tipo de distúrbio alimentar.

Estas são algumas formas através das quais, não intencionalmente, encorajamos os outros a adquirir hábitos alimentares pouco saudáveis.


1. Encorajar uma pessoa que já está cheia a comer mais: "Come só mais uma fatia deste bolo", " espera até provares os outros bolos", " Estás pronto/a para a segunda ronda?". Embora estas frases possam parecer muito simpáticas e convidativas, estão a incentivar-nos a ignorar os sinais do nosso próprio corpo. Embora não nos devamos sentir mal por comer demais de vez em quando ( todos nós temos direito às nossas indulgências), incentivar este comportamento é completamente diferente. Além disso, o natal não significa comer até mais não. Embora o natal também envolva tradições gastronómicas, nem tudo gira à volta da comida. É possível comer de forma consciente, dando mais importância a fatores internos do que externos e, mesmo assim, apreciar esta época.

2. Tornar a comida uma obrigação social: Outra das razões que levam as pessoas a comer mesmo depois de estar cheias é por obrigação social/moral. Quando participamos numa atividade de grupo, como é o caso dos jantares de natal, sentimos frequentemente necessidade de mostrar apreciação e agradecimento por quem fez os bolos todos, os que nos leva a comer mesmo não tendo fome e/ou sem nos apetecer. Isto é uma expetativa injusta para colocar nas pessoas, principalmente se elas estiverem numa dieta ou tiverem alguma condição de saúde que agrave com a ingestão de certos alimentos. Lá por não estarmos a comer o mesmo que as outras pessoas não quer dizer que não estejamos a socializar com elas.

3. Reclamar sobre o quanto comeram demais: Muitas pessoas, após terem exagerado na comida durante a época natalícia, sentem-se enojadas em relação ao seu próprio corpo e reclamam sobre o quanto comeram. Este tipo de conversas pode parecer inofensivo ( até porque todos nós caímos na tentação de abusar de vez em quando), mas se estas conversas ocorrerem perto de pessoas que se sentem inseguras em relação ao seu corpo, pode aumentar ainda mais as suas inseguranças. Por exemplo, se uma pessoa que se sente mal com o seu corpo comeu o mesmo que tu, e tu fazes um comentário assim, ela vai sentir-se ainda mais culpada do que o que já se costuma sentir. Expressar vergonha ou arrependimento de comer demais pode passar a mensagem que é algo negativo, imoral, quando na verdade é apenas um comportamento pouco saudável mas que, apesar disso, não deve ter conotações morais.

4. Comentar o que as outras pessoas comeram e/ou o seu corpo: Entre cumprimentos e elogios sobre a perda/ganho de peso, comentários sobre a aparência de uma pessoa ou avaliar o que as outras pessoas estão a comer ( especialmente se sofrerem de algum distúrbio alimentar), o jantares de natal podem ser stressantes. Elogiar a aparência das pessoas não tem mal nenhum, mas é melhor manter os comentários sobre ganhos/perda de peso para nós próprios se não conhecemos bem a pessoa ou se temos conhecimento que ela está a sofrer ou a recuperar de algum distúrbio alimentar. Perder/ganhar peso pode ser bom do nosso ponto de vista, mas pode ser mau no ponto de vista da outra pessoa. Outra coisa que eu não acho muito correto é comentar o que as outras pessoas estão a comer, como se o jantar fosse uma espécie de avaliação de quem come menos/mais. Cada um come aquilo que quer, e não tem de ser julgado por isso.

5. Falar de "fazer dieta" depois da época festiva: Em primeiro lugar, o "fazer dieta" é algo que não existe. A dieta são os nossos hábitos alimentares, uma rotina que criamos, permanente, e que não dura apenas duas semanas. O termo mais correto para nos referirmos a uma mudança de hábitos alimentares é reeducação alimentar. Continuando, a resolução de Ano Novo mais comum é " perder peso". Todos os anos é a mesma coisa, as pessoas abusam no Natal e Ano Novo, e depois começam dietas malucas em janeiro. Isto cria ideias erradas sobre o que são hábitos de vida saudáveis, principalmente nos jovens.

8.10.17

Uma conta de Instagram saudável que vale a pena seguir

Uma conta de Instagram saudável que vale a pena seguir

O Instagram está a tornar-se, cada vez mais, numa das minhas redes sociais favoritas de sempre. É uma ótima rede social para documentar a nossa vida, partilhar os momentos que vamos vivendo, mantermo-nos a par da vida dos nossos amigos e estimular a nossa criatividade. Apesar de o Instagram poder incitar a comparação e roubar-nos tempo, eu acredito que, se for bem usado, tens mais benefícios do que malefícios. Sabem qual é um dos benefícios? Inspiração para um estilo de vida saudável.  Embora hajam muitas contas de Instagram que só nos incentivam (ainda mais) a comer gulosices (como se fosse preciso incentivo para isso ahahah), são cada vez mais as contas que partilham refeições saudáveis que nos inspiram a comer de uma forma mais equilibrada.

O problema de muitas contas de Instagram deste género ( apesar de, inegavelmente, inspiradoras) é que muitas das receitas que partilham são demasiado impraticáveis, para o ritmo de vida cada vez mais alucinante que vivemos, demasiado caras para os nossos orçamentos cada vez mais limitados, e com demasiados ingredientes, cujos nomes; às vezes, uma pessoa nem sabe. Eu quase que desisti das healthy instagrammers até ter encontrado o @FoodbyTwins.

Esta conta de Instagram, feita por duas pessoas, a " I" e a "E", prova-nos que não é preciso gastar muito dinheiro nem muito tempo para comer de forma equilibrada. Elas não se limitam apenas a partilhar as típicas fotografias bonitas de comida saudável que nos fazem achar que comer corretamente é algo inalcançável. Ao contrário de muitas contas de Instagram, as fotos das refeições delas parecem mesmo um retrato fiel daquilo que realmente comeram num dia.  Na sua conta, podemos ver pequenos-almoços, lanches, almoços e jantares fáceis, que necessitam de poucos ingredientes, e que podem ser feitos em 30 minutos ou menos. 

A comida partilhada no @FoodByTwins tem tão bom aspeto que quase que nos esquecemos que é saudável. Até eu, que sou uma esquisita com a comida, tenho vontade de imitar algumas das receitas.  


E vocês? Costumam seguir contas de Instagram com receitas saudáveis? Já conheciam esta?

( Foto: @FoodbyTwins)

27.9.17

7 hábitos alimentares dos universitários ( que não são normais em adultos)

 7 hábitos alimentares dos universitários ( que não são normais em adultos)

Quando entras para a Universidade, tudo muda. O ambiente, os amigos, o novo sistema de semestres e de avaliação, para muitos até a cidade. Mas existem muitas outras coisas que mudam, que nem nos apercebemos. E uma delas são os hábitos alimentares.

Na universidade, muitos universitários desenvolvem certos hábitos alimentares, que só se apercebem que não são normais quando acabam a licenciatura. Estes aqui são alguns exemplos.


1. Comer com pessoas da tua faixa etária: Nos teus anos na faculdade, estás sempre habituado a almoçar com o mesmo grupo de pessoas, que são todas da tua idade ou de uma faixa etária parecida. Porém, quando entras no mercado de trabalho, almoças com pessoas com idades, muitas vezes, bastante diferentes da tua ( 10, 20 ou até 30 anos mais velhos que tu) pelo que, ao início, vai parecer um grande choque. Eu ainda sou universitária, mas já tive esse embate. Quando fui estagiar para lares de idosos ou centros de saúde, tive que almoçar com pessoas que não eram, de todo, da minha faixa etária, já eram adultas, com emprego, alguns casados e com filhos. Porém, depressa consegui acompanhar as conversas que se desenrolavam à mesa e encontrei interesses comuns com eles.

2. Esqueceres-te de comer e/ou passares horas sem comer: Nunca fiz esta, porque se há coisa com que não brinco é com a minha saúde. Além disso, não consigo estudar ou fazer algo produtivo com fome. Porém, muitos estudantes fazem isto. Esquecem-se de comer e passam horas sem comer por causa de maratonas de estudo, de aulas de 3 horas ou de saídas noturnas.

3. Não há moderação naquilo que comes: Quando entras na faculdade, muitas vezes vais passar fome. Ou porque passas horas sem comer, ou porque não há dinheiro para mais. Mas quando te apanham num sítio em que há comida em abundância, vais ter tentação de abusar.  Enquanto universitários, todos nós já caímos nesta tentação, pelo menos uma vez. Vão existir jantares de curso com comida buffet, um amigo que faz uma grande festa com uma grande variedade de comida... Até a maldita da cantina tem um sistema que nos permite abusar da comida, se quisermos ( encher os pratos mais do que deveríamos, pôr fruta, pão ou doces nos bolsos...).

4. Não cozinhares para ti próprio/a: Ou porque ainda vives na casa dos teus pais, ou porque deixas os teus colegas cozinharem por ti, ou porque não te apetece cozinhar num dia e mandas vir comida de fora. Há sempre os universitários que se safam da cozinha. Porém, em adultos não se irão safar desta.

5. Comer a mesma coisa, todos os dias: Quando se tem um orçamento apertado, acaba-se por ter à escolha um pobre número de ementas possíveis. A ementa de muitos universitários varia apenas entre massa com atum e atum com massa.

6. Fazer estranhas e infelizes combinações de comida: Quando as reservas do frigorífico e de snacks estão acabar, alguns estudantes universitárias fazem combinações muito bizarras. Às vezes, calha de ser um prato com a mistura mais improvável mas melhor de sempre, outras vezes o prato transforma-se numa completa tragédia.

7. Comer a horas estranhas: Existem universitários que comem às horas mais estranhas. São capazes de almoçar às 18  h da tarde ( a essa hora é almoçar tarde ou jantar cedo ahahah?) depois de uma maratona de estudo, ou de comer batatas fritas às 6 h da manhã no McDonalds.


Universitários por aí? Têm algum destes hábitos alimentares?

8.2.17

Porque não devemos eliminar o glúten da nossa alimentação


Nos dias de hoje, perder peso e fazer dietas está cada vez mais na moda.  Dietas Detox, sem hidratos de carbono, dieta vegetariana são apenas alguns exemplos de dietas a que as pessoas recorrem para perder peso. É muito bom trabalharmos para termos uma vida mais saudável mas, infelizmente, acho que esta moda já se está a tornar uma obsessão, que pode ser até prejudicial para muitas pessoas.

Uma das das grandes modas a que as pessoas estão a aderir são aos alimentos sem glúten. O glúten é uma proteína que se encontra principalmente em alimentos como pão, cereais, arroz, etc. Muitos acreditam que, ao removerem esta proteína da sua alimentação, obterão o peso que querem e uma barriga mais lisa.

Graças a esta tendência com cada vez mais dimensão, são muitos os supermercados que já disponibilizam os mais variados produtos sem glúten, como bolachas, arroz, cereais, pão, até gomas,...

O glúten é uma preocupação para quem é celíaco, uma doença auto-imune, que estima-se que afeta 1 a 3% dos portugueses. Para estes doentes, a proteína desencadeia uma reação inflamatória no corpo, podendo causar complicações gastrointestinais, como sensação de enfartamento e diarreia. É uma doença muito complicada, que limita muito a alimentação dessas pessoas, mas penso que hoje em dia seja um pouco mais fácil para elas, com a variedade de produtos sem glúten que já é possível comprar.

No entanto, será que a alimentação sem glúten beneficia pessoas que não sofram desta doença? Se me fizessem esta pergunta há uns tempos atrás eu diria que não, que quem faz isto estaria a privar-se, mas que não iria ter muitas complicações de saúde. No entanto, recentemente a minha prima, que é nutricionista, referiu que sim, é bastante prejudicial, e eu fiquei bastante surpresa com a resposta. Segundo o que ela me explicou, as enzimas de digestão do glúten são criadas por estimulação. Isto significa que, se não consumirmos glúten, essas enzimas não serão criadas, logo o nosso corpo vai se desabituar à proteína. Assim, quando formos, por exemplo, a uma festa de aniversário, e comermos bolo, o nosso corpo poderá reagir muito mal.

Portanto, a não ser que sofram de doença celíaca, não é aconselhável que larguem o glúten. Existem muitas formas de perderem peso e serem mais saudáveis ( como já falei aqui), pelo que não há necessidade de prejudicarem a vossa saúde por uns quilinhos a menos.


E vocês ? Sabiam deste facto?

22.11.16

10 citações que te vão inspirar a ter uma alimentação saudável


Hoje em dia, não faltam livros e dicas nos meios de comunicação sobre como ter uma alimentação saudável ( eu própria já escrevi um post sobre isto). É certo que, por vezes, a alimentação saudável é mais cara mas, com um pouco de "ginástica" no orçamento e compras inteligentes no supermercado, é possível comer de forma saudável e sem gastar muito dinheiro. 

Porém, muitas vezes o que falta mesmo é uma dose de motivação. Por isso, se queres perder peso, ou simplesmente queres começar a comer de forma mais saudável, estas 10 citações vão dar-te uma motivação extra  para atingires os teus objetivos.


1. "Nós somos o que comemos".

2." Faz dos alimentos o teu tratamento".

3. " Uma maçã por dia mantêm o doutor longe" ( Soa melhor em inglês " An apple a day keeps the doctor away").

4. " Se o problema não é a fome, então a comida não é a solução".

5. " Devemos comer para viver, não viver para comer" (Cicero).

6. " A nossa saúde parece sempre mais valiosa depois de a perdermos".

7. " Cuida do teu corpo. É o único sítio onde viverás" (Jim Rohn).

8. " A comida que comes pode ser a forma mais segura e poderosa de medicina ou a forma mais lenta de veneno" (Ann Wigmore).

9. " Não comas nada que a tua avó não considerasse comida".

10. "Comer é uma necessidade, mas comer de forma inteligente é uma arte".


Quais são as vossas citações preferidas?

22.8.16

5 mitos sobre a comida ( de acordo com o nutricionista Pedro Carvalho)


Ultimamente, graças à minha prima nutricionista, tenho desenvolvido um grande interesse por Nutrição. Desde que o meu metabolismo deu uma volta de 180 graus no meu 12º ano, e decidiu que a partir daí eu iria engordar, tenho bastante interesse em como me manter saudável e ao mesmo tempo continuar a obter prazer através da comida.

Recentemente,  li um livro que a minha prima me emprestou, " Os Mitos que Comemos", do nutricionista Pedro Carvalho. E hoje partilho alguns dos mitos que desvendei com este. Todos os mitos que vou referir aqui estão escritos no livro, não sou eu que afirmo que o são, apenas os partilho com vocês.


1. Uma bebida energética equivale a cinco ou seis cafés: Fiquei bastante surpreendida quando li no livro que isto era um mito. De facto, eu acreditava mesmo que uma bebida energética equivalia a 5 ou seis cafés, senão mais! De acordo com o nutricionista Pedro Carvalho, uma bebida energética só equivale a um café. O perigo destas bebidas não reside, portanto, na cafeína, mas sim nos ingredientes que estas contêm.

2. Não se deve beber água às refeições: Eu nunca cheguei a acreditar neste mito, mas há quem acredite. " Ai, a água dificulta a digestão, põe uma pessoa inchada..." e mais mil uma razões para não beber água às refeições. O autor esclareceu tudo e afirma que sim, pode-se beber água às refeições, e em qualquer altura do dia, o importante é mantermo-nos hidratados.

3. Os legumes cozidos perdem todos os nutrientes: Este mito pode ser verdade, depende das situações. Segundo o nutricionista, existem vários alimentos que perdem as vitaminas quando aquecidos, contudo também existem muitos que , ao elevar-se a sua temperatura, consegue-se aumentar a biodisponibilidade de outros compostos e, por consequência, a sua capacidade antioxidante. São alimentos com quantidades abundantes de carotenos, como cenoura, tomate, batata doce, pimento ou couve-galega.

4. Os testes de intolerância alimentar são mesmo eficazes: Lamento informar os fãs deste tipo de testes que, segundo este livro, os testes de intolerância alimentar são uma mentira muito bem contada. A razão pela qual este tipo de testes ganhou tanta popularidade foi porque, hoje em dia, as pessoas já não acham os " métodos tradicionais de emagrecer" suficientemente eficazes, pelo que recorrem a estas consultas para saber quais são os alimentos que estão na causa do seu excesso de peso e mal estar. Na verdade, os testes de intolerância alimentar são inúteis. Normalmente, estes testes detetam intolerâncias precisamente nos alimentos que mais gostamos! E porquê? Os anticorpos medidos por estes testes são produzidos pelo nosso sistema imunitário como forma de reconhecimento às proteínas que normalmente ingerimos.

5. Os suplementos vitamínicos "abrem "o apetite: De acordo com o autor, não existe nenhum mecanismo fisiológico que justifique  efeito positivo dos suplementos vitamínicos no aumento do apetite.  Não existem estudos suficientes que suportem esta afirmação, pelo que a resolução do problema da falta de apetite deve passar por outro tipo de comportamentos e alteração de hábitos, que não envolvam a toma de suplementos.


Se querem saber mais mitos sobre a alimentação, leiam o livro " Os Mitos que Comemos", é muito bom.

E vocês? Já conheciam estes mitos?

25.5.16

Porque devemos dizer " reeducação alimentar" em vez de "estou de dieta"


Não acredito que estamos em 2016 e as pessoas ainda dizem "estou de dieta". Como se depois de perderem aqueles quilos extra pudessem voltar ao que eram, aos hábitos que tinham e a comer as porcarias que comiam antes de entrar na dita dieta. É igualmente estúpido ver nas redes sociais e em publicidades a " Operação Biquini/Verão 2016", que passa a imagem que podemos ser umas "balofas" no Inverno, mas alto aí que em Abril já temos que começar a emagrecer. Depois do Verão, já podem comer outra vez as comidas calóricas que comiam porque a época balnear está encerrada. Não consigo entender como pessoas adultas, bem formadas, têm este tipo de pensamentos.

Há quase 2 anos atrás, a minha prima nutricionista, na altura ainda estudante de Nutrição, decidiu usar-me como cobaia e fez-me uma consulta que mudou por completo a minha relação com a comida. Naquela altura, tinha eu 17 anos ( estava este blog a dar os primeiros passinhos), eu estava no secundário e devo dizer que me alimentava mesmo mal, só comia porcarias. Até comia bem à hora do almoço e do jantar, mas entre as refeições era uma desgraça: comia croissants, chocolates, batatas fritas... Tudo o que podem imaginar de mais calórico eu comia!

Na verdade, eu fiz isso durante o secundário inteiro, porque sempre fui uma daquelas raparigas invejáveis que comia tudo o que lhe apetecia e não engordava um grama. Acontece que quando chego aos 17 anos o meu organismo mudou , e como eu não reparei de imediato nessa mudança, engordei 5 quilos. Muitas mulheres que leiam isto dizem " 5 quilos? Grande coisa, eu no Inverno passado ganhei 10!".  Mas para mim, que sempre fui magra, aquilo foi um grande abalo na minha auto-estima.

Apesar de tudo, fui capaz de interiorizar que o número que via na balança não me definia, e que de qualquer das formas eu iria resolver esta situação depressa. Decidi pedir ajuda à minha mãe. Não foi boa ideia, porque a minha mãe fez-me uma daquelas dietas iô-iô, em que se passa fome, perde-se um quilo numa semana e engorda-se dois quilos na seguinte.

Tentei muitas outras dietas "famosas" antes de recorrer, já desesperada à minha prima. Se pudesse voltar atrás, dava uma chapada ao meu "eu" antigo, porque era a ela que eu me devia ter dirigido em primeiro lugar. O surpreendente foi que a minha prima  me fez não só uma dieta, como uma reeducação alimentar completa. Ensinou-me a não cortar no pão, mas sim escolher o tipo de pão mais saudável, ensinou-me a comer uma bolacha de cada vez que comia uma peça de fruta entre as refeições para não aumentar os níveis de açúcar no sangue,a escolher chocolate preto quando me apetecia uma gulosice,... Enfim, aprendi tanto com ela e sinto-me tão grata por isso.

" Contaste a tua história toda para chegar aonde?", perguntam agora vocês. Partilhei a minha história com vocês par vos explicar que dizer " estou de dieta" é simplesmente estúpido. Desculpem lá mulheres que estejam a ler isto, a vossa vida foi uma mentira!  Dizer " tenho uma dieta assim e assim..."  já é uma maneira mais correta de falar, contudo não a melhor. O termo mais correto para se referirem a uma mudança nos hábitos alimentares é " reeducação alimentar".

Porquê usar este conceito em vez de usar o conceito "dieta"?  Quando nos queremos referir a uma mudança nos nossos hábitos alimentares, dizemos "reeducação alimentar". Isto porque uma dieta é algo que é para toda a vida, ou, pelo menos, até o nosso organismo ou o nosso estilo de vida mudar, portanto não podemos usar esta palavra para traduzir uma mudança ( não sei se me estou a fazer entender, acho que me estou a explicar bem, mas qualquer coisa perguntem).

Uma reeducação alimentar é a melhor maneira de emagrecer sem correr o risco de voltar a engordar tudo aquilo que se perdeu. Além disso, ao contrário do que muitas pessoas pensam, uma reeducação alimentar não é importante só para quem quer emagrecer, mas para todas as pessoas que desejam ter uma vida mais saudável e prevenir as doenças.

Já conheciam este conceito? Acham melhor do que usar o termo "dieta"?



P.S: Este post é apenas a minha opinião obtida com base em conhecimentos aprendidos com a minha prima nutricionista. Não possuo qualquer tipo de formação nem especialização em Nutrição.