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28.8.17

Como lidar com familiares doentes

Como lidar com familiares doentes

( Informação: Peço desculpa por ter estado três dias afastada do blog sem avisar. Tive alguns problemas pessoais que me deixaram muito tempo ocupada. Não se preocupem, não tenho nenhum familiar doente. Prefiro manter aquilo que causou a minha ausência em privado. Obrigada pelas mensagens de apoio que recebi).

Todos nós temos consciência que a doença pode acontecer a todos, mas nada nos prepara para lidar com esta quando esta atinge as pessoas que mais amamos, a nossa família. Quando a doença atinge algum familiar nosso, ficamos confusos, revoltados, tristes e zangados, tudo isto ao mesmo tempo, o que pode ser avassalador. Eu aprendi isto da pior maneira.

Infelizmente, já tive alguns familiares doentes. A minha mãe ficou doente quando eu tinha 16 anos, teve que ser internada durante três meses, devido a uma endocardite e ao facto de ter uma válvula bicúspide em vez de tricúspide ( o que fez com que tivesse que colocar uma válvula mecânica no coração). Depois da minha mãe ter saído do hospital, após três duros meses, o meu avô foi internado devido a um AVC. Em ambas as vezes, não soube  lidar com a situação ( também porque erã muito nova). Só passado algum tempo é que comecei a lidar melhor com a doença dos meus familiares.

Encontrar maneiras efetivas de lidar com doenças de familiares não é fácil. Surgem sempre uma série de emoções contraditórias e de fatores que não podemos controlar, o que nos causa imenso stress e pode virar o nosso mundo do avesso.

Lidar com familiares doentes é, portanto, uma tarefa difícil, mas aqui estão algumas maneiras de lidar com isso, de acordo com a minha experiência pessoal.


1. Concentra-te nas tuas necessidades primeiro: Pode parecer estúpido, " para quê pensar na minha saúde quando alguém está muito pior do que eu?". No entanto,  o teu familiar que está doente precisa de ti saudável e forte, para que possas cuidar dele. É muito fácil passar horas e horas sem comer e sem dormir, quando estamos à espera de notícias nos corredores do hospital. Porém, ficaremos mais fracos, e depois não seremos capazes de tomar conta da nossa família e do familiar doente em condições. Por isso, certifica-te que cuidas um pouco de ti antes de pensares em cuidares dos outros.

2. Procura respostas: Não recorras ao Google para tentares descobrir o que o eu familiar tem. Pergunta aos médicos e aos enfermeiros, eles têm que te dar essas respostas, porque tu tens direito de saber qual a condição de saúde dos teus familiares. Tens alguma dúvida sobre o tipo de tratamento do teu familiar? Pergunta. Reparaste em algum sintoma diferente do habitual ou efeitos secundários de determinada medicação? Diz a alguém. Tens todo o direito de acompanhares, passo a passo, todos os progressos do teu familiar.

3. Pede ajuda e apoio: Um dos erros que muitas pessoas cometem ( e que eu também cometi) neste tipo de situações, é isolarem-se. Porém, se queres cuidar do teu familiar doente, tens de perceber em primeiro lugar que não consegues fazer isso sozinho/a. Vais precisar de muito ajuda e apoio daqueles que mais gostas, diria que até é vital. Não tenhas medo de pedir a alguém que fique tome conta do teu familiar enquanto estás na escola/trabalho, ou que pague algumas despesas do médico, por exemplo. É quase impossível lidares com este tipo de situações sozinho/a, só ficarás ainda mais em baixo e mais stressado/a.

4. Controla o teu stress: Neste tipo de situações, é muito fácil deixar que o stress nos domine por completo. Contudo, a última coisa que o teu familiar doente precisa é que tenhas um esgotamento e/ou fiques deprimido. Eu sei que é difícil, mas tens que ser forte, para poderes estar ao lado dele e cuidar dele. Lembra-te que tens de pôr a tua saúde em primeiro lugar, para poderes estar em condições de cuidar de uma pessoa.

5. Não tentes compreender tudo: Apesar de sim, deveres procurar respostas, tal como eu disse, no ponto dois, não tentes compreender tudo. Vão existir sempre perguntas que vão ficar por responder. Não tentes compreender o motivo pelo qual o teu familiar foi atingido com determinada doença. A doença é algo que pode acontecer a todos, muitas vezes sem qualquer explicação ou motivo aparente. Não tentes culpar Deus/a sorte/destino ( ou no que quer que acreditem), porque não te adiantará de nada, só fará com que percas os teus valores e te sintas perdido/a. As doenças são, muitas vezes, um completo acaso, portanto, concentra-te antes em pensar de que maneira é que podes ajudar o teu familiar a melhorar e/ou de que maneira podes apoiá-lo.


E vocês? Já tiveram familiares doentes? Como lidaram com a situação?

23.2.17

Como sobreviver quando estás doente na Universidade


Estar doente, por si só, já é suficientemente mau, e é uma grande chatice. Mas quando estamos na Universidade, em que damos calhamaços de matéria a cada semana, em que os professores muitas vezes nem sequer sabem o nosso nome, em que a pressão e a exigência chegam a atingir níveis astronómicos, é ainda mais difícil. Sejamos sinceros, os universitários não têm tempo para estar doentes, com tantos compromissos, testes, projetos, trabalhos para entregar...

Há uns tempos atrás, falei da maior probabilidade que os caloiros têm em ficar doentes porém, infelizmente, os outros estudantes universitários também não se safam.

Eu não fiquei doente no meu ano de caloira, mas fiquei este ano. Desde meios de outubro que andava com problemas de estômago horríveis, diarreia, e não conseguia comer nada sem ficar mal disposta. O problema foi piorando cada vez mais e eu, obviamente, comecei a recorrer a vários médicos, mas nenhum deles conseguia descobrir o que eu tinha. Só recentemente é que fui a uma endrocrinologista e descobri que tinha hipotiroidismo, daí os meus problemas de estômago. Não sei bem o que desencadeou o problema, mas muito provavelmente foi o stress que o causou.

Infelizmente, o nosso sistema imunitário desilude-nos de vez em quando, e "brinda-nos" com alguma doença. No entanto, é possível sobreviver ao facto de estar doente e estar na Universidade, seguindo estas dicas.


1. Não faltes às aulas, apenas em casos extremos: Embora estar com uma constipação, por exemplo, seja uma boa desculpa para faltares, quando melhorares vais-te arrepender. Na Universidade, a matéria é dada a uma velocidade alucinante, por isso é provável que, se faltares apenas dois dias, percas logo o fio à meada. Vai ser mais difícil estar atento/a e concentrado/a nas aulas assim, obviamente, mas é um esforço que certamente será recompensado. Guarda as faltas das aulas para situações mais graves, em que estejas muito pior.

2. Se faltares, pede apontamentos aos teus colegas: No caso de não teres conseguido mesmo ir às aulas ( o que é perfeitamente aceitável, até melhoras mais depressa se estiveres em casa) pede os apontamentos que os teus colegas tiraram durante estas.

3. Quer faltes ou não, assegura-te de que descansas bastante: Quer vás ou não às aulas, assegura-te que dormes e descansas o suficiente. É fácil estudar horas seguidas quando estás bem, mas quando estás doente o melhor é estudar menos horas e concentrado/a, do que muitas e cansado/a.

4. Mantêm-te hidratado/a: Beber água é muito importante quando estás bem, porém quando estás doente é ainda mais importante. Desta forma, melhorarás mais depressa.

5. Come muitos legumes e fruta: Lá por estares doente e triste por isso, não quer dizer que devas compensar-te a comer doces e fritos. Isso só te vai fazer piorar. Come muitos legumes, fruta e sopa, para assegurares que estás a fornecer as vitaminas essenciais ao teu organismo, que vão fortalecer o teu sistema imunitário e fazer com que melhores mais depressa.

6. Anda com o teu kit: Cria um kit com todos os medicamentos que necessitas para melhorares, e certifica-te que os tomas sempre às horas certas. Inclui coisas como Brufen, Benuron, Ilvico, Strepfen caso andes com dores de garganta...

7. Caso não melhorares ou tenhas algo grave, vai ao médico: Não esperes que algo de grave te aconteça para ires ao médico. Eu sei que os horários na Universidade são muito apertados e há muito que estudar, mas se não melhorares ou se sentires que tens algo grave, o melhor é consultar um médico o mais rápido possível.



E vocês? Têm algumas dicas para sobreviver ao facto de se estar doente na Universidade?

13.1.17

5 razões pelas quais os caloiros adoecem na Universidade


Antes que se assustem com o título do post: calma. Não estou a dizer que todos os caloiros vão adoecer na Universidade, estou a dizer que pode acontecer e que, na verdade, é algo bastante comum e até normal. E não é normal só no primeiro mês de integração, também pode acontecer passado três ou mesmo cinco meses. Isto porque muitas pessoas demoram tempo a adaptar-se ao ritmo agitado que a universidade exige. Além disso, estamos no final do semestre, aquele que vai ser, para muitos, a primeira época de frequências ( no caso das faculdades que as concentram neste período)  ou a primeira época de recursos. Portanto, tudo isto ainda pode ser bastante assustador para muitos caloiros.

Muitos caloiros deixaram a casa dos pais no início do ano para embarcar nesta nova aventura que é o Ensino Superior.  E, como já devem ter percebido por esta altura, isto acarreta muitas responsabilidades, não é só liberdade e festas. Com a saída da casa dos pais, muitos jovens não prestam atenção suficiente à sua saúde ( porque sempre tiveram quem se preocupasse com isso), e podem ficar doentes.

Mesmo que não tenham saído da casa dos pais, podem ficar doentes na mesma. Isto porque uma nova etapa exige sempre períodos mais ou menos difíceis de adaptação, e a Universidade não é exceção. Não fiquei doente no meu primeiro ano de faculdade, mas andei com enxaquecas terríveis nos primeiros tempos devido ao stress que tinha.

Muitos caloiros ( e, às vezes, até estudantes mais velhos, por ainda não terem aprendido tudo)  podem ficar doentes pelas mais diversas razões, e aqui estão algumas.


1. Stress: O stress é a primeira coisa que se manifesta quando estamos numa situação nova. Os caloiros têm stress quando se inscrevem na faculdade ondem entraram, quando vão às primeiras aulas, conhecem os colegas, vão às primeiras praxes... Mas também têm stress com a chegada das primeiras frequências, os primeiros trabalhos de grupo, apresentações,... A acrescentar a estes novos desafios, alguns alunos podem sentir ansiedade pois estão longe da família, dos amigos e de tudo aquilo que conheciam. O stress, temporariamente, é uma coisa boa, até nos estimula a ser melhores e mantêm-nos alerta para possíveis perigos ou medos passíveis de se tornarem realidade ( por exemplo, reprovar numa frequência) contudo, quando em excesso, estes pode ter efeitos nocivos no nosso organismo, causando-lhe os mais improváveis desequilíbrios, como muitas constipações, problemas gastrointestinais, acne...

2. Falta de sono: Se ainda não entraram na universidade, quando entrarem vão descobrir que é muito difícil conseguir dormir 7/8 horas por noite. Muitos estudantes universitários, devido aos horários das aulas, às festas, ao estudo e aos trabalhos cortam frequentemente nas suas horas de sono, o que é errado. É difícil conseguir dormir bem na Universidade, mas não é impossível. É preciso é ter uma boa gestão de tempo, organização e seguir estas dicas . Muitas pessoas dizem aos estudantes universitários que não precisam de dormir muito, que precisam é de estudar, nem que para isso façam diretas, mas isso é um mito! Dormir é essencial na faculdade, para estarem mais concentrados e terem um melhor rendimento. Caso contrário, andarão exaustos, desconcentrados, e terão o risco de desenvolver doenças, pois o vosso sistema imunitário andará mais fraco devido à privação de sono.

3. Dieta: Quando a mãe não está a ver, podes comer o que quiseres. Isso até seria bom se tudo gostares muito de fruta e legumes, mas se te virares para os doces, para os fritos e para as gorduras, poderás estar a prejudicar gravemente a tua saúde. Muitos estudantes universitários, por preguiça, gulosice e/ou falta de tempo, começam a comer muitas porcarias e, embora seja aceitável fazer isso quando estamos numa fase de muito estudo e precisamos de uma gulosice ( um chocolate de vez em quando não faz mal), a longo prazo pode ser extremamente prejudicial para o nosso organismo.

4. Exposição a mais bactérias/vírus: Muitas universidades têm campus enormes, com muitas salas, lugares, muita variedade de pessoas,.. E grandes espaços cheios de gente significam  mais bactérias/vírus. Além disso, muitos universitários vivem em casas partilhadas, muitas vezes demasiado pequenas para tantos estudantes, com casas de banho também partilhadas, e níveis de limpeza duvidáveis. Por isso, muito frequentemente os caloiros ficam doentes com estas bactérias/vírus, por ainda não saberem as precauções que devem tomar contra estas e/ou como gerir a sua própria casa.

5. Abuso de substâncias: É sobretudo nestas idades que se criam os primeiros vícios, vícios difíceis de largar uns tempos mais tarde. Com as festas, começam a abusar no álcool, talvez experimentem tabaco, bebem demasiado café para se manterem atentos, tomam calmantes para apresentações... Muitos estudantes universitários começam logo no primeiro ano a cair em abusos de substâncias. O abuso de substâncias põe a saúde de muitos universitários em risco, pode causar várias doenças e até mesmo mortes.


E vocês? O que é que acham que leva os caloiros a ficarem doentes?

15.9.16

Mais anos de vida vs qualidade de vida


Nunca questionei o ciclo da vida. Apesar de já ter desejado não morrer ( quem nunca? Se bem que agora, acho que seria muito torturante e pesado para a alma viver para sempre...), compreendo a importância deste ciclo. Todos nascemos, crescemos e morremos e, se assim não o fosse, existiria um grande desequilíbrio.

Mas se há coisa que me atormenta é ver como as doenças mudam completamente uma pessoa. Tendo eu os meus avós doentes, e sendo eu estudante de Enfermagem, já tive que ver muito disso.

Embora me custe ver pessoas desconhecidas a sofrer com uma doença, custa-me ainda mais ver pessoas que gosto sofrer. E aquilo que me custa muito mais do que tudo isto, é ver a doença a sugar aos poucos a personalidade daqueles que gosto, até nada restar. Chegará uma altura em que olharei para essas pessoas, e não conseguirei reconhecer a simpatia característica delas, o seu sentido de humor, a sua generosidade, não conseguirei ver nenhum traço de personalidade que as caracterizava. Tudo isto porque a doença é um monstro e sugará tudo o que encontrar até nada restar.

Não sei o que é melhor. Se é ver uma pessoa a morrer de maneira que repentina, ou vê-la a morrer aos poucos. Às vezes, acho que a primeira opção era a melhor.  A pessoa em questão não sofria tanto , e não era uma agonia tão grande para nós.  Ter que ver uma pessoa de quem gostamos a morrer aos poucos diante dos nossos olhos é uma verdadeira agonia.

Às vezes questiono-me se o objectivo da Medicina está a ser cumprido. São defensores que devemos proporcionar às pessoas a melhor qualidade de vida que é possível, mas eu só ouço " aquele chegou aos 90 anos", mas ninguém diz com que qualidade de vida , porque preferem omitir a parte em que ele pode já nem estar 100% consciente ou, na pior das hipóteses, já nem saber quem é.

Ao ver os outros a sofrer nos seus últimos anos de vida, também penso em como serão os meus. As doenças mentais, por exemplo, estão a ter cada vez mais incidência, e é muito provável que mais pessoas sofram deste tipo de doenças no futuro. Assusta-me só de pensar que, quando for velha, poderei sofrer deste tipo de doenças, e poderei esquecer-me de quem fui, do que fiz, de todas as pessoas que amei. E poderei sofrer mais do que aquilo que é necessário e, como poderei não estar 100% consciente, não poderei decidir aquilo que é melhor para mim tendo em conta a minha condição de saúde. Sei que é macabro pensar nisto, mas é um cenário que pode acontecer.

Não estaremos a ir longe de mais?  Não estaremos a manter vivas pessoas que já estão condenadas a morrer e, que noutro tempo, teriam tido uma morte mais pacífica e com menos sofrimento? Não estaremos a prolongar o sofrimento das pessoas?

Já vi a Medicina a fazer muitos milagres, e a dar a possibilidade de viver com boa qualidade de vida a pessoas que, noutra época, estariam mortas. No entanto, acho que  a Medicina e a evolução tecnológica e científica em geral poderão estar a ir longe de mais em algumas situações. É preciso compreender que, muitas vezes, mais anos de vida não significa mais qualidade de vida, e deviam exisir mais leis que protegessem as pessoas que estão a sofrer demasiado com uma doença da qual, à partida, não vão escapar vivas.


E vocês? Qual é a vossa opinião sobre o assunto?