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7.7.17

5 vantagens surpreendentes de teres sido um patinho feio


Quando era mais nova, até aos meus 10 anos, eu era uma criança linda. As fotos dos inúmeros álbuns que os meus pais têm guardadas num móvel da sala de jantar comprovam isso. Eu tinha um cabelo castanho claro, com caracóis bem definidos ( como aqueles que vemos nas publicidades da Garnier), tinha um peso considerado normal para a minha idade... Pronto, já perceberam, eu era bonita.

Por volta dos 10 anos, misteriosamente, eu torno-me num patinho feio. O meu cabelo cheio de caracóis definidos transforma-se num cabelo seco e demasiado grosso, que mais parece uma vassoura. Cresço muito mais rápido do que as outras raparigas, não conseguindo engordar na mesma proporção, o que deixa o meu corpo extremamente magro, e me valeu alcunhas como " girafa" e " palito". Como se a situação já não fosse má o suficiente, o meu cérebro também não conseguiu acompanhar o meu crescimento repentino, fazendo com que eu tenha andado uns tempos de forma desajeitada ( o que fez com que os meus pais me levassem ao médico, mas este afirmou que era próprio da idade, de quem cresceu muito depressa, e que iria voltar a andar com equilíbrio). Não me venham com tretas de que " até podias ser bonita, tinhas era falta de autoestima". Eu era, reconhecidamente, feia, e mesmo que os padrões de beleza irrealistas da sociedade mudassem, eu continuaria a ser reconhecidamente feia.

Pela descrição que eu fiz aqui já devem ter percebido que eu não fiz parte do grupo de raparigas que foi abençoada com uma beleza de adulta logo aos 13 anos. Consequentemente, eu não pertencia ao grupo das populares. Durante anos, isso atormentou-me imenso, achava que, por esse motivo, me iria tornar numa adulta falhada e sem amigos. Agora sei que isso não é verdade.

Agora, aos meus 20 anos, numa altura em que já sou e me sinto bonita ( voltei, como que por magia, a ter o meu lindo cabelo encaracolado, já não sou exageradamente magra, nem a mais alta), sinto-me grata por ter sido um patinho feio. Porque isso tornou-me numa pessoa com um bom carácter, e deu-me inúmeras lições. Aqui estão algumas razões pelas quais ter sido um patinho feio pode ter sido vantajoso para ti.


1. Não desejas ser o centro das atenções: Nunca foste popular na escola. Na verdade, nunca tiveste muitos amigos. Nunca foste o assunto do momento nem uma pessoa invejada por muitos. Basicamente, nunca foste o centro das atenções. No início, gostavas de ser o centro das atenções como alguns miúdos, mas esse desejo desvaneceu-se com o tempo. Nos entretantos, tornaste-te um/a bom ouvinte. Como achavas que tinhas uma vida demasiado aborrecida para partilhar, limitavas-te a ouvir o que os outros tinham para dizer. Agora, em adulto, ser bom ouvinte revelou-se ser uma grande qualidade. És capaz de ouvir e aceitar bem opiniões construtivas, não esperas ansiosamente pelo fim de uma conversa para começares a tua ( porque estás atento/a à conversa que está a decorrer), e sabes apoiar as pessoas, porque as ouves e compreendes.

2. Não és mau/má: Como não eras fisicamente atraente, tiveste que desenvolver outros aspetos da tua personalidade para fazer com que as pessoas falassem para ti. Não te podias dar ao luxo de ser mau/má como as pessoas populares e bonitas da escola, porque ninguém iria tolerar isso vindo de ti.

3. Não te levas demasiado a sério: Eu aprendi que a vida é muito mais fácil quando temos a capacidade de nos rirmos de nós próprios. Na Básico, eu era muito gozada pelos rapazes e raparigas populares, pelo facto de ser muito magra, pálida e alta. No entanto, passado algum tempo, fartei-me de chorar por causa disso, e desenvolvi, juntamente com o meu grupo de amigos tão "esquisito" como eu ( esquisitos para os outros, nós só éramos diferentes, e sei agora que ser diferente é bom), um mecanismo de defesa. Antes que qualquer outra pessoa gozasse de alguém do grupo, nós gozaríamos de nós próprios. Por isso, enquanto que os outros estavam demasiado preocupados com as suas roupas de marca e em manterem-se populares, não ríamos das situações embaraçosas que nos iam acontecendo, inventámos alcunhas ( engraçadas em vez de ofensivas) uns aos outros, e até chegávamos a fazer caricaturas uns dos outros. Foi a nossa maneira de atravessar os anos difíceis da adolescência com mais leveza e de forma mais positiva.

4. Desenvolveste talentos e ganhaste vários passatempos: O principal talento dos populares é ser bonito. Se tentarmos procurar mais alguma coisa para além das superfície, a maior parte das vezes, não encontramos nada. Não querendo generalizar, mas a maior parte dos adolescentes populares são maus alunos, filhos rebeldes, e não têm nenhum talento ou passatempo especial ( sim, porque ter como passatempo bullying não conta). Os patinhos feios têm, frequentemente, que arranjar passatempos e desenvolver capacidades que compensem o facto de não terem uma aparência atraente. Não é por acaso que vemos muitas crianças assim a serem génios na Matemática ou nos computadores, por exemplo.

5. Aprendes desde muito novo/a que a vida não é justa: Sabes que não se deve julgar as outras pessoas pela sua aparência mas, infelizmente, é o que a maior parte das pessoas fazem. E isso também funciona assim fora do mundo dos adolescentes. A realidade é que a sociedade favorece sempre as pessoas mais bonitas em vez das mais inteligentes. Nas entrevistas de emprego, por exemplo, a aparência conta imenso. Felizmente, aprendeste desde novo/a que a vida não é justa, pelo que nunca irás dar nada como certo e irás lutar sempre por aquilo que queres.


E vocês? Em crianças, eram o patinho feio? O que aprenderam com isso?

23.5.17

5 vantagens de sair sozinho/a


Vivemos numa sociedade em que se valoriza imenso a interação e as atividades sociais. Tudo à nossa volta nos incentiva a sair em grupo, desde promoções como " tenha 2 bilhetes pelo preço de um" no cinema, festas, eventos em museus... Mas, e se saíssemos sozinhos?

Não me interpretem mal, sair com os amigos é muito divertido mas, por vezes, aquilo que sabe mesmo bem é sair sozinho/a. Eu faço parte daquele grupo de pessoas que não tem problemas em almoçar num restaurante sozinha, ou ir ao cinema sozinha ( esta última nunca fiz, mas ainda vou fazer, um dia destes). E não há mal nenhum nisso, muito pelo contrário, tem muitas vantagens.


1. Os planos são mais espontâneos: Fazer planos com os amigos pode ser uma tarefa difícil. Em primeiro lugar, à medida que crescemos e nos tornamos adultos, é cada vez mais difícil arranjar um dia em que todos possam sair. Em segundo, às vezes demoram anos a decidir para que sítio querem ir ou em que restaurante querem comer. Todos têm que chegar a um consenso e aceitar a hora, o local e o que vão fazer. Quando sais sozinho/a, não tens que estar a combinar esses pormenores todos. Podes sair para onde quiseres, à hora que quiseres. Podes mudar de ideias e mudar os planos, a qualquer momento, sem ter que dar justificações a ninguém.

2. Podes relaxar: Sim, também relaxar com os teus amigos mas, por vezes, também precisamos de passar tempo sozinhos para recuperar as energias. Além disso, quando sais com outras pessoas tens sempre aquela pressão, nem que seja inconsciente, de os agradar, de te certificares que se estão a divertir, e de fazer planos que agradem a todo o grupo. Quando está sozinho/a, podes fazer aquilo que quiseres, sem obrigações nem necessidade de agradar a outras pessoas.

3. Vais poupar dinheiro: Sair em grupo significa, muitas vezes, pagar um café ou outra coisa qualquer só porque essa pessoa é muito amiga nossa ou gastar mais do que o planeado, para poder acompanhar o grupo. Por outro lado, se fores sozinho/a não gastarás tanto dinheiro, porque, como és tu que decides aquilo que queres fazer, também decides aquilo que gastas.

4. Vais aprender a ser mais independente: Sair sozinho/a é algo que causa muita ansiedade a muitas pessoas mas, quando conseguem, dá-lhes muita independência. E a independência é algo que é muito importante na vida adulta.

5. Desfrutar da tua própria companhia: Gostar de sair sozinho/a e apreciar a tua própria companhia não faz de ti uma pessoa egoísta ou anti-social. Por isso, não precisas de te sentir mal por isso. Não és obrigado/a a estar rodeado de pessoas 24 horas por dia. Por vezes, sabe bem estar sozinho/a, a desfrutar da nossa própria companhia.


E vocês? Gostam de sair sozinhos? Contem-me tudo nos comentários.

20.4.17

10 vantagens de ter crescido com pais rígidos


Como filha única, era quase inevitável ter pais superprotetores e rígidos. Talvez rígidos não seja a palavra ideal, soa a pessoas más, coisa que os meus pais nunca foram, sempre me ofereceram muito amor e carinho. Diria que foram muito exigentes comigo, e eu não podia fazer propriamente tudo o que me apetecia.

Foram muitas as vezes na minha infância em que desejei ter aquele tipo de pais relaxados, que deixavam os filhos deitarem-se às horas que queriam, comer porcarias na cama e sair quando quisessem. Porém, apesar de ainda desejar que os meus pais fossem um pouco menos rígidos, estou grata por ter tido a educação que tive, pois deu-me muitas qualidades e competências que me serão muito úteis na minha vida adulta.


1. Aprendi autodisciplina deste nova: Crescer com pais rígidos faz com que desenvolvas autodisciplina logo desde criança. E, a longo prazo, foi uma competência que já me safou em muitos aspetos da minha vida. Foi preciso autodisciplina para não me distrair e estudar para os exames nacionais do secundário, foi preciso ser disciplinada para ir às aulas da universidade em vez de ficar no café a falar, foi preciso disciplina para saber parar de comer numa festa cheia de doces bons... É, muito provavelmente, uma das melhores competências que ganhei com os meus pais.

2. Desistir nunca foi uma opção: Na minha casa, desistir nunca foi uma opção. Podia chorar a dizer que não conseguia fazer determinado teste, mas os meus pais obrigavam-me a fazê-lo na mesma. Eles instalaram em mim mesma um medo saudável de ser preguiçosa, pelo que sempre dei  100 % de mim em tudo a que me comprometi.

3. Presto muita atenção aos mais pequenos detalhes: Apesar de ser um pouco distraída ( e de ainda ser repreendida pela minha mãe por causa disso), eu considero-me uma boa observadora. Isto deve-se ao facto de todas as vezes em que a minha mãe me chamou para fazer melhor a cama, para apanhar algo do chão, ou para ajeitar uma moldura que ficou demasiado virada para a direita ( sim, a minha mãe é muito perfecionista). Apesar de, na altura, ser chato ter que estar a fazer tudo direitinho até ao mais ínfimo pormenor, agora estou grata por isto, porque esta qualidade já me impediu, por exemplo, de mandar mails para pessoas importantes com erros.

4. Sou boa a poupar dinheiro: Os meus pais nunca foram aquele tipo de pais que me davam dinheiro sempre que eu pedia. Eu tinha x dinheiro, semanalmente, que era merecido ( através do meu bom comportamento, sucesso escolar e realização de tarefas domésticas), e qualquer ação má que eu tivesse era suficiente para ficar sem semanada durante algum tempo. Isto incutiu em mim mesma um sentido de responsabilidade, de perceber que o dinheiro não nasce nas árvores, que é preciso trabalharmos para o receber e, quando o recebemos, não o devemos gastar " à balda", temos que saber poupá-lo e gastá-lo conforme as nossas necessidades.

5. Pensar demais está na minha natureza ( mas pode ser uma qualidade): Sou uma pessoa que pensa demais por natureza. Não posso dizer que isto seja culpa dos meus pais, porque acho que é algo que sempre fez parte da minha personalidade, mas diria que os meus pais amplificaram esta característica minha. No entanto, penso que pensar demais, apesar de ser extremamente irritante, por vezes, torna-se uma qualidade. Em vez de me "atirar de cabeça" para as coisas, penso conscientemente nos prós e contras de cada situação, e reflito sempre sobre os meus comportamentos, o meu desempenho e as minhas atitudes, aquilo que posso melhorar,... Basicamente, pensar demais também me ajuda a refletir melhor sobre mim mesma, o que acaba por ser bom.

6. Tenho uma boa postura: Ainda hoje, quando estou sentada num auditório da minha faculdade, consigo ouvir a voz da minha mãe na minha cabeça " Mete as costas direitas", pelo que me endireito logo ahahahah xD. A verdade é que uma boa postura não é importante só para a tua saúde, mas também para a tua autoconfiança e para transmitires a mensagem correta aos outros.

7. Domino a arte de ser persuasiva: Convencer os meus pais a deixarem-me fazer o que quer que seja não é tarefa fácil. Queres sair à noite? Bora lá elaborar uma lista de argumentos, um powerpoint e uma lista das amigas que vão e os seus respetivos números de telefone. Queres um novo telemóvel? É bom que tenhas uma boa razão para isso. Portanto, como devem imaginar, anos e anos disto deram-me boas capacidades de argumentação e de convencer pessoas a deixarem-me fazer algo.

8. Aprendi a escolher as minhas batalhas: Como devem calcular, nunca fui aquele tipo de pessoa que podia sair dois dias seguidos. Se saía na sexta, já não saía no sábado. Como resultado, tive que aprender a escolher as minhas batalhas. Se queria sair, não ia pedir aquela saia linda que vi no mesmo dia. Aprendi que nem sempre podemos ter tudo aquilo que queremos, pelo que temos de ser seletivos e perceber aquilo que realmente queremos e aquilo que nem precisamos tanto.

9. Encorajaram-me a trabalhar mais do que o necessário para entrar numa boa universidade: E, finalmente, estou agora a usufruir de uma boa experiência universitária, após anos de trabalho árduo.

10. Apesar de serem duros comigo, também me apoiam bastante: Já perdi a conta ao número de sacrifícios que os meus pais fizeram por mim. Já perdi a conta às vezes que o meu pai me foi buscar à escola, só para eu não perder tempo para estudar. Já perdi a conta às vezes que foi, à noite, tirar-me fotocópias para eu estudar. Já perdi a conta às vezes que a minha mãe me fazia companhia à hora do almoço, quando eu andava no Básico, para eu não ter que passar duas horas sozinha. Os meus pais sacrificaram imensa coisa por mim, e acho que nunca serei capaz de lhes retribuir. Estou muito grata por tudo aquilo que me deram e fizeram por mim. Foi graças a eles que eu sou aquilo que sou hoje e que cheguei onde cheguei.


E vocês, cresceram com pais rígidos? Que vantagens acham que tiveram? Contem-me tudo nos comentários?

17.8.16

Vantagens de (ainda) viver com os pais


Como sabem, eu estudo na universidade da minha própria cidade, o que se revelou ser uma desilusão, porque não tenho tanta liberdade nem ganho tanta experiência de vida, como os meus colegas que estudam noutras cidades. No entanto, sei reconhecer as vantagens de ainda morar com os meus pais.

Atualmente, e mais do que nunca, cada vez mais jovens entre os 18 e os 30 anos se encontram ainda a viver na casa dos pais. Cada vez mais se tem tornado uma situação normal e comum. Vivemos tempos difíceis, e muitas pessoas não têm condições económicas para sair da casa dos pais ( mas, quanto a mim, espero poder sair de casa no final do curso, preciso dessa liberdade).

Por muito chato e limitante que viver na casa dos pais possa ser, existem algumas vantagens que não teríamos de outra forma.


1. Não tens que pagar renda ou contas: Esta é, sem dúvida, das melhores vantagens. Não tens que te preocupar com a renda ou o aluguer da casa, nem tens que te preocupar em pagar contas de água, luz e gás. Se és daquelas pessoas que já trabalha, esta é uma oportunidade para não gastares nadinha do teu salário e juntares dinheiro para o teu futuro.

2. Boa comida: Por muito bem que cozinhemos, ou por muito boa que seja a comida da cantina/restaurantes, não há comida tão boa como a que a nossa mãe faz.

3. Não precisas de lidar com colegas de quarto desarrumados: A não ser que te tenha saído a sorte grande, se fores para uma residência ou casa universitária, vão-te calhar colegas desarrumados, que saiem à noite e chegam de madrugada ( para não falar do barulho que fazem ao chegar).... Na casa dos teus pais, está sempre tudo arrumadinho e direitinho, quanto mais não seja por a tua mãe te mandar fazê-lo, mas ao menos não existem terceiros a desarrumar tudo o que tu limpas.

4. Sentes-te em casa: Não há sítio mais confortável no mundo do que a casa onde nós crescemos. Por muito que nos sintamos confortáveis na residência universitária ou no nosso novo apartamento, a casa onde nós crescemos será sempre a nossa casa.

5. Tens tempo para descobrir qual é o teu próximo passo: Como não tens a pressão de pôr a comida na mesa e de pagar as contas, tem mais tempo para pensares seriamente sobre o teu futuro, sem tomares decisões precipitadas. Quando te sentires pronto/a, aí sim, poderás sair de casa dos teus pais de consciência tranquila, porque sabes que fizeste aquilo que era mais certo para ti.


E vocês? Na vossa opinião, quais são as vantagens de se viver na casa dos pais?