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11.1.18

Crónicas de uma rapariga de 20 anos que se deita (demasiado) cedo

Crónicas de uma rapariga de 20 anos que se deita (demasiado) cedo

Eu sou aquele tipo de pessoa que leva o ditado " deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer" demasiado a sério ( deve ser por isso que também sou muito alta, se dormir muito faz crescer...). Todos os dias, deito-me às 23 horas ( 23h30 assim na loucura) e acordo às 7h/8h.  É que não falha! " Pronto, como qualquer pessoa responsável, deitas-te cedo, olha que novidade..." pensam vocês. Não, eu não me deito cedo só em tempo de aulas. Também é assim aos fins de semana, nos feriados e até nas férias. É verídico, perguntem às pessoas que me tentaram contactar a partir dessa hora.

Já  tive amigos meus que me tentaram tratar, alguns até já me tentaram internar, mas até hoje nada deu resultado. É um mal incurável.  Resta-me escrever esta publicação e esperar encontrar pessoas com a mesma condição que eu ( se juntar as suficientes, até podíamos fundar uma associação de apoio a jovens nos seus 20 e tal anos que se deitam demasiado cedo). Isto é a história real de como realmente é ser-se uma jovem de 20 anos com um ritmo circadiano de uma idosa de 80 anos.


1. Ficas cansada demasiado cedo: Muitas vezes, são 18 horas e eu já estou a pedir a todos os anjinhos que chegue a hora de eu me deitar na minha caminha confortável e fechar os olhos. O que, basicamente, me torna inválida para todas as atividades noturnas.

2. E nem falemos de estudar à noite! : Isso está fora de questão! Eu não quero saber se sou universitária, se tenho frequência daqui a 2 dias ou se tenho mil trabalhos para entregar. O estudo às 20 horas encerra. Não há hipóteses! O que é isso de andar a estudar às 2 horas e horas da manhã?! Isso faz mal à saúde.

3. De manhã, olhas para o telemóvel e vês um monte de sms: As mensagens que eu recebo de manhã, principalmente no verão, até assustam! " Onde é que tu estás?" ou "A SÉRIO QUE JÁ FOSTE DORMIR?" são alguns exemplos, e isto são os mais levezinhos, acreditem. Isto pode chegar a ameaças de morte.

4. Defendes que jantar a partir das 21 horas devia ser proibido: Como é natural, os meus pais nem sempre chegam a casa a horas, com o trabalho e tal, pelo que uma pessoa lá tem que jantar a essa hora, o que é indecente. Não consigo compreender então as pessoas que jantam às 22 horas. Ui, isso já é muito próximo da hora de ir dormir. A essa hora já estou eu a lavar os dentes e a aquecer a água para a botija ( sim, eu no inverno não durmo sem a botijinha para aquecer os pés, sou como os bebés que precisam de beber leite para adormecer, eu é igual, só que em vez de leite tenho que aquecer os pés).

5. O pensamento de fazer exercício à noite dá-te vontade de vomitar: À semelhança do estudo, as sessões de exercício físico encerram às 20 horas. Dá-me uma coisinha má se me obrigarem a fazer qualquer tipo de atividade física à noite. Não, a essa hora é para estar sentada a ver uma série ou estar imóvel no sofá.

6. Estás sempre a ouvir " tu tens 20 anos, estás a desperdiçar a tua vida...": Não, eu estaria a desperdiçar a minha vida se me deitasse sempre às 3 horas da manhã e acordasse lá para as 15 horas. Isso sim, é desperdiçar tempo,  perde-se metade do dia assim! Eu gosto de acordar cedo, de ver os primeiros raios de sol e de aproveitar o dia para ser produtiva.

7. Qualquer atividade que exija deitares-te cedo causa-te ansiedade: Não me interpretem mal, eu gosto de sair à noite e de ir a festas, mas é assim de vez em quando. Sou mais dos cafezinhos e dos jantares ( daqueles que começam cedo, não é como os jantares de curso que começam sempre às 23 horas, se a comissão do meu curso estiver a ler isto que mude isso, que merda é essa?). Mas o pensamento de que me vou deitar tarde nessa noite e que no dia a seguir vou acordar tarde, exausta e com metade do dia desperdiçado, deixa-me ansiosa e angustiada.

8. Falta de sono é a tua noção de inferno: Além de parecer miserável e estar cheia de olheiras, ainda fico burra, irritada e deprimida. Eu sem as minhas 7/8 horas de sono não funciono.

9. Existem muitas poucas na vida pelas quais sacrificas as tuas horas de sono: Porque o sono é essencial para manter a sanidade de uma pessoa, e eu não quero comprometer a minha saúde mental com nada. Só abro exceções para um bom livro/filme ou para pessoas de quem eu goste muito ( se já tiveram o privilégio de estar e/ou falar comigo às tantas da noite, considerem-se sortudos).

10. O facto de as galas na época de prémios começarem tão tarde irrita-te: Só a passadeira vermelha começa na minha hora de dormir, para não falar do resto. Eu digo sempre " este é ano em que vou ficar acordada e ver a gala até ao fim", mas depois acabo sempre por me contentar em ver os looks dos atores na passadeira vermelha, e vejo a lista dos premiados na manhã seguinte. Mas este ano tenho que ver os Óscares, vou tentar fazer esse esforço, não posso mesmo perder, é desta!

11. Às vezes, ficas desesperada pelo tempo andar tão devagar: Às vezes, eu fico mesmo desesperada com o tempo. Eu quero ir para a cama, mas ainda é tão cedo. Portanto, sento-me no sofá a ver um programa desinteressante qualquer na TV, e estou de 5 em 5 minutos a olhar para o relógio, à espera que seja uma hora socialmente aceitável para eu ir dormir.

12. Metade do teu roupeiro consiste em pijamas: Porque se passam tanto tempo a dormir como eu sabem o quão essencial é estar confortável.

13. Fazer planos de tarde com os amigos é difícil: Porque eles tiveram acordados até tarde a devorar episódios do Game of Thrones ( by the way, um minuto de silêncio pelos fãs desta série, que só vão poder ver uma nova temporada em 2019. Coitados...) e passam a tarde toda a dormir.

14. Às vezes, ficas stressada ao pensar naquilo que estás a perder: A loucura dos 20 anos, as festas, aquelas aventuras todas até às 5 horas da manhã...

15. Mas no fim vale tudo a pena: Estás ali com o pijama vestidinho, fazes olhinhos à tua caminha e aquilo é uma atração... Não dá para resistir.


E aí desse lado? Também são jovens que se deitam demasiado cedo?

12.11.15

Crónicas de quem mora ao pé da Universidade do Minho.


Se há sítio onde eu não conseguia viver era à beira da Universidade do Minho. Até podia ser muito fixe acordar às 7h45 para ir para a aula das 8 horas, mas as vantagens ficariam por aí ( além de que, no meu caso, só poderia usufruir desta vantagem no 3º ano, que é quando só tenho aulas de manhã). Atenção que escrevo este post sem estar a falar por experiência própia, mas sim por testemunhos de pessoas que conheço e que moram lá.

Para quem não sabe, perto da Universidade do Minho aqui em Braga existe uma rua cheia de bares, e nas quarta-feiras académicas fica uma animação ( leia-se um mar de pessoas, e perto das 6 horas da manhã,  um mar de bêbedos). Ora, é muito fixe viver nesta zona quando é para sair numa quarta feira, mas quando se precisa de ficar em casa a estudar e temos um amigo a tocar à porta de nossa casa para sair,imagino que já não tenha assim tanta piada.

Outras das coisas  desagradáveis  de morar ao pé da UM é que já há um despertador predefinido para as 8 horas,  ou seja, acorda-se a essa hora com os berros da caloirada que tem praxe ( e só não começam as praxes mais cedo, porque praxe antes das 8 horas da manhã é considerada praxe nocturna pelo "papa" , que é o equivalente ao  Dux de outras universidades).

Na altura da latada ou do cortejo, na semana da Receção ao Caloiro ou do Enterro da Gata, ou em altura de praxes noturnas, os estudantes que vivem perto da UM vêem as suas casas invadidas pelos seus colegas de turma. Não era grave se estivéssemos a falar de turmas do secundário, com 20 a 30 alunos, mas como estamos a falar de turmas que podem chegar a 100 alunos, a situação  é bastante grave. Normalmente, nestas alturas, podem chegar a estar 50 pessoas dentro de uma  casa universitária ,  para trocar de roupa para sair à noite, para deixar os seus pertences porque vão para uma praxe noturna, ou para guardar as latas e todo o material para a latada.

E isto é o cenário mais positivo, porque ainda há hipótese de alguns colegas dormirem na casa destes pobres estudantes. Aí a casa vira um hotel, com a desvantagem que de que o estudantes que a cedem não recebem dinheiro nenhum. Chegam  a ter 20 "hóspedes" de cada vez. Felizmente, são" hóspedes" pouco exigentes: dormem no chão, não precisam de cobertores ( já ficam felizes se dormirem com o casaco, sempre é melhor que dormirem à porta de um prédio qualquer)... Mas não lá muito bem comportados... Poderão ter que lidar com "hóspedes" que apanharam altas borracheiras, e que portanto podem rir descontroladamente de tudo ou chorar por causa do ex-namorado/ex-namorada que acabou com eles à 500 anos. Isto, claro, se eles não se lembrarem de vomitar no edredom da cama.

Mas há sempre aqueles "hóspedes"que não foram convidados, e que portanto dormem na entrada do prédio. E ainda há aqueles não abdicam dos seus luxos e que levam mesmo colchões e cobertores para a entrada do prédio, e no dia a seguir, os pobres moradores têm que saltar por cima destes "convidados" indesejados para poderem sair e prosseguir com as suas vidas.

Conclusão: Se são de fora e vêem estudar para a Universidade do Minho, não aluguem quarto perto da Universidade. O tempo que poupam em transportes perdem em serviços de hotelaria/noitadas.