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5.6.20

Filme: A Plataforma (2020)


As produções espanholas, ultimamente, estão em alta na Netflix, e não deixam de surpreender. Mesmo com um orçamento mais reduzido, arrebatam o público pela sua forma crua de abordar as coisas. A "Plataforma" é uma das entradas mais recentes no catálogo da Netflix que, em poucas semanas, chegou logo às mais visualizadas, e percebe-se porquê. 


Sinopse


Uma prisão vertical é regida por um mecanismo vertical, uma plataforma, que sai do piso 0 com um grande banquete. Cada nível tem dois prisioneiros e a fonte de comida imprevisível conforme o nível em questão.

A minha opinião


Desde logo, se estão à procura de um filme que vos faça esquecer o caos em que vivemos atualmente, esta não será a melhor escolha. Aviso também que "A Plataforma" pode ser nojento e pertubador - não serão poupados até dos detalhes mais sórdidos. Mas mesmo com estas condicionantes que podem afetar as pessoas mais sensíveis, merece mesmo ser visto, façam-no se puderem!

Como podem ler na sinopse, o conceito deste thriller é bastante simples, e uma alegoria bastante direta daquilo que a nossa sociedade é - só não compreende quem não quer. A condição humana aqui é ameaçada, não surpreeendentemente, por humanos. Os dos níveis mais elevados alimentam-se como reis, deixando os níveis mais abaixo com (quase) nada. Além disso, para agravar as coisas, ninguém sabe ao certo quantos níveis esta prisão tem e, por conseguinte, quantas pessoas dependem dos míseros restos de comida deixados por aqueles dominados pela ganância e irracionalidade. 

Como se estar na prisão já não fosse suficientemente difícil - como diria o filósofo francês Jean-Paul Sartre, "O inferno são os outros" - ainda há outra variante: a plataforma só está em cada piso por 2 minutos, e toda a comida tem de ser devolvida ao fim desse tempo, senão há ameaças de morte (o respetivo nível aquece ou arrefece para os extremos), o que faz com que os prisioneiros se atirem violentamente à comida. Isto, claro, os que têm oportunidade de o fazer.  Outro dos parâmetros mais flagrantes é que, todos os meses, as pessoas mudam de nível: tanto podem ir parar aos mais elevados como os mais baixos. De qualquer das formas, os valores morais são sempre abandonados.

Há uma frase durante o filme que me ficou na cabeça: " Se todos comessem apenas aquilo que precisavam, a comida chegaria até aos níveis mais baixos" (aliás, pensei nisso mesmo antes da própria personagem que o disse). O problema é que isso não acontece, nem na história, nem na vida real. 

No início de "A Plataforma", conhecemos um dos prisioneiros, Goreng, que acaba de chegar, por vontade própria (!), a este meio completamente cruel. Conhecemos ainda o seu companheiro da cela, Trigamasi (que tem um vício em dizer "óbvio", um dos poucos momentos cómicos para cortar um bocadinho o ambiente pesado do enredo), que anseia desesperadamente o fim da sua estadia. ali. Trigamasi aparece-nos, numa primeira parte, como um velho sábio, que fornece todas as informações sobre a prisão ao seu companheiro recém-chegado - funciona como um elemento de exposição para compreendermos e nos envolvermos com a trama.

À semelhança do protagonista, quanto mais percebemos a dinâmica da prisão, mais inquietos ficamos. A certa altura, a nossa cabeça começa a ficar às voltas com o egoísmo doentio que se revela. Em Goreng, vemos a sua mentalidade a entrar em mutação, a pensar em como irá sobreviver ou como irá quebrar o sistema.

Toda esta curta-metragem está envolta em muitos simbolismos, todos livres para muitas interpretações, tanto religiosas, como políticas ou relativas a meritocracia. A visceralidade das cenas foi necessária para realçar todos estes simbolismos, e o final, então esse, foi assombroso e gerador de ainda mais teorias!

De todas as formas, todos os que virem  "A Plataforma" terão uma interpretação em comum: esta é uma denúncia implacável do individualismo exacerbado que existe no mundo. Recomendo muito!

13.4.20

Filme: Last Christmas (2019)


Ok, eu sei que já estamos abril, a Pácoa já passou, daqui a nada estão a estrear os filmes típicos de verão, e aqui estou eu, a ver um filme de Natal, mas eu sou a dona deste blog, posso tudo e não se fala mais nisso! Talvez seja por essa mesma razão, o facto de já não estarmos em época natalícia, que me leva a dar uma má review a "Last Christmas" , ou talvez não. Continuem a ler para saberem. 

Sinopse


Kate percorre Londres num amontoado de más decisões acompanhadas do tilintar dos sinos dos seus sapatos, outra consequência irritante do seu trabalho como elfo de uma loja de Natal a tempo inteiro, o ano todo. Tom parece bom demais para ser verdade quando entra na sua vida e consegue ver através das muitas barreiras que Kate tem. Enquanto Londres se transforma, na época mais maravilhosa do ano, nada parece funcionar para os dois. Mas, às vezes, é preciso deixar a neve cair, ouvir o seu coração.... e ter fé.

A minha opinião


Eu quando me pus a ver filme, já sabia mais ou menos para o que ia. Consegui prever o grande plot twist da história pelo trailer, o que me fez perder logo um pouco o encanto pela história, particularmente pelo Tom, supostamente a personagem mais misteriosa (se quiserem ver o filme sem spoilers, não vejam o trailer, conselho de amiga). Um grande exemplo daquilo que os típicos trailers reveladores demais podem fazer a um filme, fazer com que metade dos espectadores percam logo interesse de ir aos cinemas o ver. Ainda assim, tinha esperança que, com um elenco fantástico, sobretudo a divertida Emilia Clark, "Last Christmas" se tornasse em algo divertido e querido mas, infelizmente, nem a esse nível chegaram. 

Na teoria, este filme tinha tudo para resultar. Para começar, com um elenco de luxo- Emilia Clark de "Game of Thrones" e "Me Before You", Michelle Yeoh e Henry Golding de "Crazy Rich Asians"- e um grande realizador, Paul Leig, que realizou uma das mais conhecidas comédias da última década, ("The Bridesmaids", em 2011), e cujo presente filme foi trabalhado a partir de um guião co-escrito por Emma Thompson, que, POR AMOR DE DEUS, já ganhou vários Óscares. Depois a história, apesar do plot twist do enredo não ser nada de novo, podia ter sido interessante se, primeiro, não tivesse sido logo divulgado na publicitação de "Last Christmas" e, segundo, se o tivessem inovado um bocadinho. Porém, não há talento que salve uma história mal concebida e com personagens pouco empáticas (mesmo que os atores por detrás das mesmas sejam excecionais). 

Falando em piadas, esta ficou à altura das medíocres comédias românticas. Tirando a menção honrosa da relação entre a "Mãe Natal" (a dona da loja de Natal) e o amante nórdico sentimental que lhe oferece árvores de natal em miniatura compostas por couves que podiam constar na sopa das pausas de almoço dela, raramente nos arranca gargalhadas durante os seus 90 minutos de duração.

"Last Christmas" é a prova que um bom elenco não basta para esconder um enredo que já foi utilizado milhões de vezes e ao qual não foi acrescentado nenhum detalhe inovador para o renovar. Mesmo as cenas musicais que, honestamente, são aquilo que mais se destaca, são suficientes para torná-lo em algo comovente, como os produtores queriam que fosse. Pelo menos para mim, foi só aborrecido e enjoativo. George Michael não merecia que o nome de uma das canções mais famosas de sempre fosse usado desta forma. 

E vocês? Já viram "Last Christmas"? O que acharam?

(Publicação inserida no #MOVIE36emQ40tena, um projeto criado pela Lyne, cujo objetivo é ver um filme por dia, durante os próximos 15 dias de quarentena)

27.2.20

Filme: Miss Americana (2020)

Filme: Miss Americana (2020)

Sou sincera, eu sou aquele tipo cliché dos apreciadores de Taylor Swift: gosto da música da artista, mas não gosto da personalidade dela. Não que acredite em todos os escândalos de que ela já foi alvo (todos sabemos que a imprensa é muito boa a despersonalizar celebridades), apenas a achei  desde sempre demasiado "menina certinha" e calculista. Portanto, a minha opinião pode estar um bocado influenciada por isto. No entanto, decidi ver este documentário da Netflix de mente aberta, porque talvez pudesse mudar a minha opinião acerca da Taylor Swift e, como foi um grande sucesso no Festival de Sundance, bem, eu queria saber a razão.


Sinopse


Com apenas 30 anos, ela é artista mais premiada da história dos AMAs, tendo recebido 10 Grammys. Após passar por controvérsias na carreira e vida pessoal, ela resolveu assumir o seu papel como intérprete, cantora e uma mulher influente. 


A minha opinião


"Miss Americana" faz, basicamente, um resumo da carreira de Taylor Swift, desde os seus 13 anos até à atualidade, com acesso a vídeos caseiros, filmagens de backstage de tours e acesso a todo o seu processo criativo na elaboração dos álbuns. Foca-se, principalmente, no seu crescimento pessoal ao longo dos anos, até ao momento em que se torna politicamente ativa. 

Estava a contar com um documentário que mostrasse ao mundo quem é a Taylor Swift por detrás dos holofotes. E o documentário tenta fazer isso, em vários momentos. Existem várias tentativas de mostrar vulnerabilidade por parte da artista, falando até de temas relevantes e com os quais muitos jovens se identificariam. Contudo, estas tentativas foram de tal forma calculadas e os temas abordados de forma tão superficial, que o resultado final ficou artificial. 

Um dos temas abordados foi a necessidade de aprovação dos outros. E, MEU DEUS, o quão este tema poderia ter feito a diferença no documentário se exposto da forma correta. Há uma fase na nossa vida em que todos nós queremos ser vistos como boas pessoas, agradar a toda a gente e ser uma boa influência. Eventualmente, isso vira-se contra nós, como aconteceu com a artista. Todavia, ao contrário de muitos de nós, não me parece que ela realmente tenha dado a volta por cima. A mim parece-me que ela continua a querer agradar aos outros, e esta produção é apenas mais uma das formas a que ela recorre para agradar aos fãs, e vender o produto em que, sejamos sinceros, ela se tornou: ela é uma marca que precisa de ser continuamente vendida nesta indústria que é a música. 

E onde está a fonte de inspiração das suas composições, os motivos que a influenciaram a escolher esta carreira, todas as coisas que a inspiram na sua expressão artística? Durante o tempo todo, eu só vi a preocupação por parte dela de dinheiro, estar no topo de vendas e ganhar prémios. Logo no início, vemos Taylor Swift a reagir negativamente por não ter sido nomeada para nenhum Grammy. Ok, todos nós gostamos de ser reconhecidos pelo nosso trabalho, mas é preciso reagir como se a sua vida dependesse disso? Uma realidade que sei que é comum a muitos artistas, but still, estava à espera de algo diferente da parte dela.

Para mim, "Miss Americana" foi isto, um anúncio publicitário de uma hora e meia. Talvez interesse aos mega fãs da cantora mas para quem, como eu, é um mera apreciador ocasional das suas músicas, não me acrescentou grande coisa. Não foi algo memorável como esperava, é apenas mais um documentário relativo ao mundo da música  que vou esquecer daqui a alguns dias que vi. 

18.6.19

Filme: Aladdin (2019)


2019 não está a ser, definitivamente, o ano dos filmes (esta a ser é o ano das séries, sai cada uma wow!) Já há imenso tempo que não ia ao cinema porque, simplesmente, não havia nada em cartaz que me atraísse. "Aladdin" era outra opção do cartaz que ia ser ignorada. Quando vi o trailer, a minha reação foi a mesma de muita gente: mais um remake só para encher os bolsos de quem já nada em dinheiro. Os remakes da Disney têm sido muito inconstantes, ora fiéis aos originais, ora totalmente diferentes das histórias da nossa infância. " A Bela e o Monstro" foi dos poucos que adorei, de resto têm sido uma desilusão. 

Para não sofrer outra desilusão (sobretudo por Aladin fazer partes dos meus clássicos favoritos), já nem ia gastar dinheiro para o assistir, mas quando comecei a ler críticas positivas sobre o mesmo, comecei a ponderar dar-lhe o benefício da dúvida. Aquilo que me fez decidir ir vê-lo ao cinema? A nova versão de "Arabian Nights" que diziam ser soberba numa sala de cinema (agora confirmo, deu arrepios!). "Aladdin"  foi uma grande surpresa, revelou que fomos todos muito precipitados nas  críticas ao elenco e à produção, e que os trailers podem enganar (costumo pôr os trailers na sinopse das minhas reviews, no entanto aqui nem vou pus, por esta razão). Como sempre, esta publicação é sem spoilers, por isso podem ler à vontade.


Sinopse


Aladdin, um ladrão de rua, vive de pequenos roubos em Agrabah. Um dia, ele ajuda uma jovem a recuperar uma pulseira, sem saber que ela é, na verdade, a princesa Jasmine. Aladdin fica logo interessado nela, que diz ser a criada da princesa. Ao visitá-lo em pleno palácio e descobrir a sua verdadeira identidade, ele é capturado por Jafar, o conselheiro do Sultão, que deseja que ele recupere uma lâmpada mágica que contém um génio, que realiza 3 desejos ao seu dono. 


A minha opinião


O filme abre com duas crianças em um modesto barco em alto mar. Subitamente, elas ficam surpreendidas com um barco enorme ao lado da seu, como se este tivesse magicamente aparecido ao lado da sua, e não se tivesse aproximado aos poucos. A cena roça um pouco no ridículo e, por uns segundos, ficamos na dúvida se os nossos receios  vão realmente confirmar-se. Porém, mal começa a tocar "Arabian Nights", as nossas opiniões de haters desaparecem. Esta intro é tão magnífica que vale a pena ir ao cinema só por esta cena, quanto mais pelo resto! A sério, corram mesmo à sala de cinema mais próxima, este filme é para ser visto assim!

Se, no caso raríssimo da intro não ter convencido os espectadores a largar a suas dúvidas, a prestação de Meno Massoud rebate a expetativa negativa nos primeiros 5 minutos. O actor conseguiu capturar todo o charme do protagonista, um ladrão de rua, com o seu ar desajeitado mas esperto.

Mantendo-se sempre fiéis à história original, os produtores foram fazendo pequenas alterações aqui e ali, para atualizar os enredos que já não funcionam, como o caso das princesas cuja salvação está sempre nas mãos de figuras masculinas. Agora, a princesa Jasmine, interpretada por Naomi Scott, não se limita a sentir-se presa no seu palácio, ganha novas ambições e desejos, como o obstáculo às leis patriarcais que a impedem de se tornar num sultão, por mais que seja a substituta mais apropriada para o trono. Jasmine era também das poucas princesas da Disney que não tinha uma canção a solo, e nesta versão ganha uma nova música, "Speechless", que ficou muito bonita neste contexto, apesar de não ter gostado do ar de videoclip que lhe deram. 

Fiquei apaixonada pelos cenários e figurinos, muito bem feitos e coloridos. Sendo Agrabah uma cidade fictícia, que fica algures numa região da Arábia, é mesmo notável o esforço que fizeram para mostrar a cultura árabe. 

Falemos agora do elefante na sala, Will Smith no papel de Génio. Quando anunciaram que seria ele a desempenhar uma das personagens mais caricatas da versão animada, eu fiquei logo desanimada. Sim, todos nós sabemos que ele é um grande ator, mas também sabemos que muito do estrelato nos filmes em que participou já está associado ao seu nome. O meu medo é que não tivéssemos um ator a desempenhar o papel de Génio, que fosse Will Smith a ser apenas Will Smith. Contudo, de todo o elenco, foi ele que mais surpreendeu! Ele continuou a fazer as maluquices típicas do Génio que nos deixam muito nostálgicos, com apenas algumas edições pessoais. E ele sabe cantar e dançar! Um pouco off-topic: não percebi os comentários que fizeram ao corpo desajustado proporcionalmente na sua "forma azul", o seu "gémeo" em desenho também era assim. 

A única escolha do elenco que me desiludiu foi o Jafar. Ele não me fez lembrar em nada a personagem do desenho animado. Não acho que tenha sido o facto de o terem tornado mais jovem que fez a diferença, figurino dele também era incrível, o problema aqui para mim foi não sentir que ele metesse medo, que ele tivesse aquele humor mesmo cruel. Também senti falta daquelas risadas mesmo maléficas e da cobra, que aqui está apenas no bastão. Sendo os vilões um grande elemento das produções da Disney, foi um falha que afetou um bocado. 

Todas as nossas canções favoritas estão ali, a maioria das falas permanecem iguais e as cenas mais visuais estão bem recriadas, de uma forma que, em live-action, ficam ainda mais breathtaking. Estes fatores são mais do que suficientes para deixar as nossas crianças interiores felizes.

Que esta seja uma lição para os próximos remakes: não mexam muito nas histórias da nossa infância, deixem-nos reviver os diálogos e as músicas que nos marcaram, com apenas algumas pequenas alterações. 


Já viram "Aladdin"? O que acharam?

26.1.19

Filme: A Favorita (2019)

Filme: A Favorita (2019)

Depois de um ano de pausa, em que participei no projeto Movie 36 e privilegiei as reviews em catálogo, em 2019 voltamos ao formato de sempre, as reviews isoladas de cada produção. Apesar de ter adorado experimentar algo diferente, confesso que já tinha saudades deste formato, em que posso comentar mais pormenorizadamente os filmes que vejo. 

A minha maratona de filmes nomeados para os Óscares começou com "A Favorita", um filme que ainda não estreou em Portugal (só estreia em fevereiro) o que, by the way, é uma vergonha, todos os anos acontece a mesma coisa. Ainda estão para me explicar porque é que, muitas vezes, só vemos os filmes meses depois do resto do mundo já ter visto. É aborrecido estarmos tanto tempo à espera e  nos entretantos ainda levamos com spoilers nas redes sociais. Anyway, felizmente este filme já está no MrPiracy, já podem vê-lo por lá. Eu cá vou fazer uma review dele, e fingir que sou uma daqueles bloggers muito privilegiadas que vê e faz críticas dos filmes antes das estreias. 



Sinopse


No início do século XVIII, na Inglaterra, uma frágil Rainha Anne ocupa o trono e a sua amiga mais próxima, Lady Sarah, governa o país no seu lugar. Quando uma nova serva, Abgail, chega com o seu charme, inicia-se uma disputa entre as duas, para ver qual delas é a favorita da Rainha (trailer: aqui). 


A minha opinião


Durante o período da Europa Pós-Clássica e no Início da Modernidade, os governantes e outras pessoas importantes tinham um companheiro íntimo, que era considerado o "Favorito" e, por possuírem a confiança dos seus governantes, ganhavam poderes políticos significativos. Isto era muito comum naquela época, em que os que ocupavam posições de topo na governação dos países não demonstravam grande interesse pelo talento para a governabilidade. Este era, assim, o caminho perfeito para alguém ambicioso alcançar os seus objetivos e se tornar parte da realeza, ou até mesmo governar um país. E é este cenário que o diretor grego Yorghos  Lanthimos explora. 

Calculo que "A Favorita" não siga fielmente aquilo que aconteceu historicamente (nem o que pode ter acontecido nos bastidores). Na vida real, sabemos que Lady Marlborough era a amiga dominadora da Rainha Anne e que a sua influência era tão grande que era considerada a pessoa mais poderosa de Inglaterra, a seguir à própria Rainha. Após anos de amizade, a duquesa foi trocada pela sua prima Abgail. De resto, pouco mais sabemos e o filme faz uma releitura livre destes acontecimentos, dando às personagens espaço para fazerem aquilo que desejarem, o que resulta numa excelente reflexão sobre a ambição humana desmedida. 

Aquilo que é mais cativante neste filme é o facto de retratar a forma como três mulheres (sim, mulheres!) podem ter sido tão poderosas no ano de 1708, ao ponto de influenciar o rumo de um país. Na verdade, até destaca as mulheres com um certo exagero uma vez que, segundo dizem, o rei ainda era vivo quando Abgail apareceu e, cuja morte agravou a depressão da Rainha. Contudo, ele não tem destaque no filme (nem sequer aparece), bem como outras figuras masculinas que, aqui, não passam de meros figurantes. 

O final amargo traz-nos uma sensação de anticlímax que não é necessariamente desagradável, apenas nos atira para fora da zona de conforto, deixando-nos inquietos, porque não é propriamente um plot twist mas também não é aquilo que estávamos à espera. 

"A Favorita" está longe de ser a minha produção favorita (perdoem-me, tinha que fazer aqui este trocadilho) e não considero que mereça o prémio de melhor filme, mas tem os seus méritos. Apresenta uma história intrigante, um sentido de humor ácido e uma bela fotografia (quem me dera tê-lo visto com uma qualidade melhor). Olivia Colman merece o Óscar de Melhor Atriz, o filme merece o prémio de Melhor Fotografia, talvez também o de Melhor Direção de Arte mas, de resto não merece todo o alarido que está a receber. 


Já viram "A Favorita"? O que acharam? Já começaram a vossa maratona de filmes na corrida para os Óscares?

18.11.17

Filme: Um Crime no Expresso do Oriente (2017)

Filme: Um Crime no Expresso Do Oriente

Ontem fui ao cinema. Já há séculos que não ia ( ok, se calhar sou capaz de ter ido há umas três semanas, mas para quem adora muito a 7ª arte já é demasiado tempo). Além disso, já estava a precisar de tirar a cabeça dos livros, que as frequências deste semestre estão a  dar cabo de mim. Anyway, o filme que fui ver foi " Um Crime no Expresso do Oriente" e hoje trago-vos a minha opinião.

Sinopse


O que começa como uma luxuosa viagem de comboio pela Europa rapidamente se torna num dos mais elegantes e emocionantes mistérios alguma vez contado. Baseado no best-seller de Agatha Christie " Um Crime no Expresso do Oriente" conta a história de treze estranhos presos num comboio e onde todos são suspeitos. Um homem a correr contra o tempo para resolver o enigma antes que o assassino ataque novamente. ( Trailer: aqui).


A minha opinião


Nunca li nenhum livro da famosa escritora de policiais, Agatha Christie, mas saí da sala de cinema com muita vontade de o fazer. Com essa vontade e com a de viajar num comboio luxuoso como o Expresso do Oriente. Como eu não estou por dentro do mundo das narrativas da Agatha Christie não posso entrar no debate de se é fiel ou não ao livro ou se é tão surpreendente como as aventuras anteriores de Poirot, portanto a minha opinião é apenas baseada neste filme.

Pelo que já li na Internet, " Um Crime no Expresso Oriente" já teve a sua quota parte de adaptações. O realizador, Kenneth Branagh ( que eu só me apercebi que era o mesmo actor que interpretou o Prof. Lockhart no Harry Potter após 2 horas do filme, não parecia nada ele. A culpa foi do bigode.), deu-lhe  um ar mais cinematográfico e mais moderno. O elenco conta com caras  muito conhecidas, e todos os atores, mesmo aqueles que só apareceram em algumas cenas, tiveram uma interpretação fenomenal. Os cenários estão bastante bons e retratam bastante bem a época. Tudo foi pensado ao pormenor, as decorações, o guarda-roupa, o que o torna num filme visualmente agradável.

Adoro este tipo de filmes. É sempre muito interessante ver como é que o detetive vai interpretando todas as pistas e consegue tirar as suas próprias conclusões. É sempre bastante emocionante ver como a investigação vai prosseguindo, ver quem parece mais culpado e tentar adivinhar o assassino. O resultado, apesar de causar sempre muita expectativa, é apenas um pormenor quando nos encontramos perante um filme envolvente, com mistério, suspense, drama e humor à mistura.

Só encontrei dois problemas nesta produção. A primeira é que eu acho que as personagens foram apresentadas de forma muito rápida e breve, o que se tornou confuso ao início. O segundo é que muita da informação aparece do conhecimento do Poirot. Nós não sentimos que estamos a descobrir com ele, mas mais que nos estão a explicar as coisas. Não sei se é assim no livro, mas fiquei com a sensação que era um bocado exposição a mais. 

O final foi, na minha opinião, surpreendente. Nunca na vida teria adivinhado quem era o assassino nem teria adivinhado um desfecho daqueles. Há quem não tenha achado o mistério " Um Crime no Expresso do Oriente" do mais mais interessantes (não sei se é essa a opinião geral dos fãs da Agatha Christie) mas eu cá gostei muito a história. 

Alguns poderão achar o filme parado, por só ocorrer uma morte ( isto não é spoiler, não se preocupem) e decorrer maioritariamente num comboio, mas não o é. A história é equilibrada, tem um bom ritmo, e ficamos entretidos a ver o enredo a desenrolar-se que nem damos pelo passar do tempo. Pode não ser dos melhores filmes de mistério que vão ver mas é, sem dúvida, uma experiência cinematográfica fantástica que vale a pena.


E vocês? Já viram o filme? O que acharam?

18.8.17

Filme: Everything, Everything (2017)


Há já algum tempo que não escrevia uma review de um filme para o blog, por isso, aproveitando o facto de o filme " Everything, Everything" ( que, depois de ter lido o livro, eu estava ansiosa por ver) ter ido finalmente para a Net, vi-o e hoje trago-vos a minha opinião ( sem spoilers, como de costume).


Sinopse


Madeline Whittier observa o mundo pela janela. Tem uma doença rara que a impede de sair de casa. Apesar disso, Maddy leva uma vida tranquila, na companhia da mãe e de uma enfermeira, até ao dia em que conhece Olly, um rapaz vestido de preto, que se muda para a casa ao lado, e os seus olhares se cruzam pela primeira vez.

De repente, torna-se impossível para Maddy voltar à velha rotina, e ignorar o seu fascínio pelo exterior, mesmo que isso ponha a sua vida em risco ( Trailer: aqui).



A minha opinião


Depois de eu ter lido o livro, tinha tantas, mas tantas expetativas para este filme! O livro tinha um enredo bastante interessante e diferente: uma rapariga que era, basicamente, alérgica ao mundo, e os conflitos interiores que isso lhe causava. Apesar de no livro, esse enredo poder ter sido muito mais trabalhado, a história e os desenhos fofinhos do livro conquistaram-me. Contudo, esperava que o filme desse mais profundidade e drama à história. O que, infelizmente, não aconteceu. O filme não correspondeu, de todo, às minhas expetativas.

Para começar, fiquei logo irritada de início, quando passaram logo para a parte romântica da história. O que eu vou dizer a seguir nem é spoiler porque o filme me em a 5 minutos ia,  e a Maddy já estava a conhecer o Olly. Uma pessoa assim nem tem tempo para idealizar se o gajo é bonito ou feio e como é que vai ser a relação deles. Além disso, existia muita coisa que podia ser explorada na situação da Maddy, o facto de ela ser alérgica ao mundo, não poder sair de casa, os transtornos que isso lhe causava. Tudo isso podia ter sido explorado nos primeiros minutos do filme. 

O filme, muito sinceramente ( e não me matem por isso), só é bem sucedido mesmo na parte romântica. A química entre os dois protagonistas é o que salva este filme. São bem sucedidos em retratar o primeiro amor da adolescência, que é estranho e constrangedor, de início, e  que depois é arrebatador.

Este é o tipo de filme que eu adoraria se tivesse 12 anos outra vez, fosse ingénua e não soubesse o que sei hoje. Como não tenho 12 anos e sou quem sou, gostei dele, mas achei-o muito fraquinho, não era nada do outro mundo. Foi bonito ver um romance simples entre adolescentes desenrolar-se no ecrã mas, tirando isso, fiquei desiludida. Se soubessem explorar a história como deve ser, este poderia ser um filme bastante bom, que nos podia fazer refletir sobre a vida e sobre a sorte que temos em ter saúde. Como não o souberam fazer, tornou-se mais um filme simples de adolescentes.


E vocês? Já viram o filme? O que acharam?

12.4.17

Filme: Beleza Colateral (2016)


Como sabem, esta semana estou de férias ( que, infelizmente, estão quase a acabar), pelo que tenho aproveitado ao máximo todo o tempo que tenho para fazer aquilo que gosto, e uma das coisas que mais gosto é ver filmes.

Beleza Colateral foi um dos filmes que vi recentemente, e hoje partilho a minha opinião.



Sinopse


Quando um bem-sucecido executivo de Nova Iorque sofre uma tragédia pessoal e entra numa espiral de depressão, os seus amigos reúnem-se e esboçam um plano drástico para interceder antes que ele perca tudo. Levando-o até ao seu limite, eles forçam-no a confrontar a verdade de uma maneira surpreendente e profundamente humana ( Trailer: aqui).

A minha opinião


Haverá dor maior do que perder um filho? Existe maneira de atenuar essa dor? E se o Amor, o Tempo  e a Morte se juntassem para ajudar um homem a ultrapassar o seu sofrimento?

Howard é um publicitário que não acredita nem em Deus, nem no universo, mas apenas em três coisas, que considera as bases da vida: o Amor, o Tempo e a Morte. Quando passa pelo acontecimento trágico de perder a filha, é precisamente a estas três bases que ele recorre, escrevendo-lhes cartas. 

E se estas cartas tivessem mesmo respostas? Será que conseguiria lidar com as respostas?

O filme criou, portanto, um conceito bastante original, de uma sensibilidade humana tremenda, que nos faz refletir sobre o luto, a dor de perdas de ente queridos, o amor e o tempo que ainda nos resta. É um filme com um argumento simples, mas com reviravoltas surpreendentes, principalmente no final.

" Beleza Colateral" conta com um elenco de luxo, com muitas caras conhecidas, mas aquele que, na minha opinião, mais surpreende, é o Will Smith. Não sendo este um filme de comédia, o ator não só se saiu bem, como conseguiu interpretar na perfeição um papel de uma personagem com sentimentos complexos e profundos.

Confesso que não foi um filme fácil de assistir, mexeu um pouco com os meus sentimentos e o medo de perder familiares meus, e soltei uma lagriminha ou outra durante o filme.

É um filme que levanta inúmeras questões existenciais, com uma história simples, mas envolvente, que vale a pena ver ( não posso contar mais, se não perdem a magia do filme, têm que ver com os vossos olhos).


E vocês? Já viram o filme? O que acharam?

26.3.17

Filme: A Bela e o Monstro (2017)



Quando soube que iriam fazer uma adaptação real  do clássico " A Bela e o Monstro", mal pude conter o meu entusiasmo. Apesar de ter um pouco de receio de sair desiludida ( porque, até agora, nenhum remake foi fiel à versão original), o filme superou as minhas expetativas.

Já vi o filme na semana passada, mas no meio de dias cansativos de estágio e da elaboração do meu relatório final de estágio, só agora é que tive oportunidade de publicar esta review.


Sinopse


A fantástica história de Bela, uma jovem brilhante, bonita e independente, que é aprisionada por um Monstro no seu castelo. Apesar dos seus receios, torna-se amiga dos empregados encantados do castelo, e consegue ver para além do terrível exterior do Monstro, quando começa a conhecer a alma e o coração do verdadeiro Príncipe que vive no seu interior ( Trailer: aqui)


A minha opinião


Ao contrário da opinião de muitas pessoas, eu considero que o filme até foi bastante fiel ao original. Até agora, nenhum remake da Disney tinha sido capaz de respeitar a 100% o enredo das versões originais. Porém, a versão mais recente do clássico " A Bela e o Monstro", não só respeitou a história original, como foi bastante fiel, até nos mais pequenos detalhes, como o guarda-roupa de Bela e de outras personagens. Se ainda têm dúvidas, este vídeo comprova isto mesmo.

O filme, além de ter sido fiel à versão original, ainda conseguiu a proeza de corrigir algumas falhas sobre a história, que sempre me tinham incomodado na versão original. O que realmente aconteceu à mãe de Bela é explicado, o Monstro ganha um passado bem definido, e finalmente é esclarecido o porquê de nenhuma pessoa da vila estranhar a ausência do Príncipe ( o filme esclarece que o feitiço apagou a memória de todos).

Outra das coisas que discordo relativamente à opinião geral: o facto de Emma Watson não ser indicada para o papel. Discordo plenamente, na verdade, acho que a Emma Watson fez um trabalho brilhante enquanto Bela. Se existiam atrizes fisicamente mais parecidas com a Bela? Sim, existiam, mas nenhuma com tanta garra e talento como a Emma Watson. A atriz  interpretou não só Bela como uma simples princesa Disney, mas também como uma mulher forte, destemida e independente, que não tem medo de lutar por aquilo que quer.

Quanto ao Monstro, cá entre nós, ele era mais bonito enquanto Monstro do que em príncipe ( será que é errado achar um animal atraente ahahahah?). Ainda assim, o príncipe é mais bonito do que na versão original ( sinceramente, o da versão original não era minimamente bonito, era um horror, até um camponês era mais bonito).

A cinematografia, os cenários e a banda sonora ( incluindo a nova música original, cantada pelo Monstro, que é tão linda!), deram ainda um ar mais doce e mais encantado a uma história que tanto encantou a nossa infância.

Só tenho uma pequena crítica a fazer: a tradução deste filme foi horrível! As legendas não batiam certo com as falas das personagens, em vez de escreverem uma frase, escreviam outra. A certa altura, desisti de ler as legendas, e concentrei-me só em ouvir o inglês.

Este é um filme para aqueles que, com muita nostalgia, querem recordar uma das histórias apaixonantes da Disney, ou até mesmo para aqueles que não gostaram da versão original, e querem ver as correções que foram feitas.  Esta versão da " A Bela e o Monstro" é tão encantada como a original, porém mais humana, em que a história e as personagens são mais exploradas, e algumas são vistas como nunca antes foram.


E vocês? Já viram o filme? O que acharam?

25.2.17

Filme: Jackie (2017)


Depois de ter ido ver o filme "La La Land" , a minha maratona de filmes para os Óscars continua, desta vez com o filme "Jackie" ( não sei se "maratona" é o termo correto, uma vez que, com o pouco tempo que tenho, é provável que me fique por estes dois). 

Sou uma pessoa que adoro saber tudo sobre a História, portanto não poderia deixar de ver este filme, sobretudo com uma atriz fantástica como a Natalie Portman.

Sinopse


Jacqueline Kennedy tinha apenas 34 anos quando o seu marido foi eleito Presidente dos Estados Unidos. Elegante, chique e inscrutável, tornou-se instantaneamente num ícone, uma das mulheres mais famosas do mundo, com o seu gosto pela moda, artes e decoração amplamente admirado. Mas a 22 de novembro de 1963, durante uma viagem de campanha a Dallas, John F. Kennedy é assassinado, e o fato cor-de-rosa de Jackie é manchado com o sangue do marido. Ao embarcar no Air Force One de volta a Washington, o mundo de Jackie ( incluindo a sua fé), está completamente destruído. Traumatizada e transtornada, na semana seguinte enfrenta o inimaginável: consolar os seus dois filhos, desocupar a casa que ela restaurou, e planear o funeral do marido. Jackie rapidamente percebe que os próximos sete dias determinarão como a história irá definir o legado do seu marido, e como ela própria será lembrada  ( Trailer: aqui).


A minha opinião



Depois de tantos filmes sobre o assassinato de John Kennedy, achei que este se fosse centrar na relação conturbada do casal.  No entanto, "Jackie" faz um retrato da primeira-dama na semana que se seguiu à morte do marido. Este retrato vai, de forma gradual, deixando de ser apenas de uma mulher magoada, e passa a ter alguns contornos políticos, passando também por Jackie no papel de mãe.

Sem revelar muito sobre o filme, a história é contada em três momentos: a do assassinato, uma entrevista e uma conversa com um padre. Achei bastante interessante a forma como o filme se foi desenrolando à volta destes três momentos.

Esta é uma grande história sobre perda, honra e legado. Jackie não faz o funeral do marido só por causa dela própria, mas também para se certificar que John Kennedy não fica para sempre lembrado apenas por três palavras ( " Monroe", "Fidel" e " mísseis"), e para se certificar que a família Kennedy fica bem retratada na História. Daí a sua vontade quase obsessiva do marido ter um funeral tão grandioso como o do  Abraham Lincoln. 

Todos nós sabemos algo sobre esta época da História e sobre o casal Kennedy. Por esse motivo, fiquei bastante confusa quando a relação deles foi retratada como perfeita, quando todos sabemos que  esteve muito longe disso ( é, porventura, uma das minhas únicas críticas a este filme). 

Independentemente das qualidades e defeitos de Jacqueline Kennedy, ela teve, de certa forma, mérito, por ter organizado o funeral do marido desta forma. Nem todas as mulheres, após as mortes dos maridos, têm que lidar com tantos detalhes logo na semana a seguir à sua perda. Jackie teve que preparar todos os detalhes de um funeral digno de um Chefe de Estado, teve que lidar com a imprensa, com as preocupações de segurança, ao mesmo tempo que tentava consolar os seus filhos pela perda bastante precoce do pai.

A prestação da atriz Natalie Portman foi, tal como esperava, brilhante. Trata-se de um papel muito exigente, que certamente exigiu muita preparação por parte da atriz que, ao longo do filme, fez muitos monológos, teve muitas cenas sozinha, e basicamente, retratou sozinha o papel de uma ex-primeira dama conturbada e traumatizada. Entre ela e a atriz Emma Stone, do filme " La La Land", a corrida para o Óscar de melhor atriz vai estar muito renhida ( eu, pessoalmente, quero que a Emma Stone ganhe, porque adorei o filme, mas talvez a Natalie Portman mereça mais o prémio).

É um filme cativante, hipnotizante, ideal para aqueles que adoram História e querem saber mais sobre um dos acontecimentos mais marcantes que já aconteceram na Casa Branca.


E vocês? Já viram o filme? O que é que acharam?


4.2.17

Filme: La La Land (2017)


Ontem fui finalmente ver o filme que toda a gente anda a falar. " La La Land" é um filme nomeado para 14 Óscares, recorde que só foi conseguido, em toda a história do cinema, por "Titanic" e "Eva". Apesar de todo este aparato, tinha medo de ir para o filme com expectativas demasiado elevadas e desiludir-me, mas tal não aconteceu, muito pelo contrário. Hoje trago-vos a minha opinião.


Sinopse


Ao chegar a Los Angeles, o pianista de jazz Sebastian ( Ryan Gosling) conhece a atriz iniciante Mia ( Emma Stone), e os dois apaixonam-se perdidamente. Em busca de oportunidades de carreira numa cidade competitiva, os dois jovens tentam fazer com que o seu relacionamento dê certo, ao mesmo tempo que perseguem a fama e o sucesso. ( Trailer: aqui )


A minha opinião


Não há maneira de transcrever para este post o quanto surreal é este filme. Pensei em mil e uma maneiras de começar esta review, mas nenhuma faz justiça ao que acabei de assistir ontem. Este é um daqueles filmes que não é possível traduzir em palavras, só se sente.

Antes de mais, devo dizer que não sou muito fã de musicais. Gostei de " O Fantasma da Ópera" e " Mamma Mia", mas tirando esses, assisto aos restantes do tipo " mas porque é que toda a gente está a cantar feita parva?!" Porém, devo dizer que adorei este, de tal maneira que saí da sala de cinema a desejar que a minha vida se transformasse num musical. A banda sonora é belíssima, principalmente a canção original " City of Stars" ( que não me vai sair da cabeça durante uns bons tempos).

A escolha dos atores é fantástica, principalmente os protagonistas Ryan Gosling e Emma Stone, que têm uma química incrível, e que me prenderam ao ecrã do início ao filme, com as suas falas, canções e danças. 

" La La Land" toca-nos no coração porque é real. Fala de pessoas como todos nós, que têm sonhos, objetivos, por vezes irrealistas aos olhos dos outros, e que têm as suas qualidades e defeitos, frustrações e desespero, lutas e fracassos. Este é um filme para aqueles que sonham, para aqueles que são, vezes sem conta, derrubados pelos obstáculos da vida, mas que nunca perdem a fé. Este é um filme para aqueles que enfrentam os seus medos, por muito inseguros que se sintam. Este é um filme para aqueles que caem continuamente, mas que se levantam de todas as vezes.

Quer ambicionem ser atores, cantores, pianistas, jornalistas, advogados, enfermeiros, o importante é que nunca desistam dos vossos sonhos, não importa o quanto impossível e inalcançável  pareça, e quantas portas se fechem.

Sem revelar muito, confesso que, ao início, fiquei um pouco sem perceber o porquê daquele final. No entanto, depois compreendi tudo, compreendi que só fazia sentido um filme genial como este acabar desta forma, com uma mensagem poderosa.

Um filme que merece todos os Óscares para o qual foi nomeado, e que suspeito que será o grande vencedor da noite mais esperado do ano para os amantes do cinema.


E vocês? Já viram o filme? O que acharam?




20.11.16

Filme: Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los (2016)


Na sexta-feira, recebi um convite inesperado da minha prima para ir ao cinema ver este filme, e não hesitei em aceitá-lo. Sendo eu uma adepta do mundo mágico de Harry Potter, quando soube que este filme iria estrear, fiquei bastante curiosa e ansiosa para poder reviver um pouco da magia que marcou a minha infância, desta vez com uma nova história, novas personagens e numa época diferente.

Hoje partilho com vocês a minha opinião, sem spoilers, prometo!


Sinopse


" Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los" começa em 1926, quando Newt Scamander termina a sua excursão global para encontrar e documentar um extraordinário leque de criaturas mágicas. Chegado a Nova Iorque para uma rápida estadia, poderia ter passado despercebido... se não fosse um SemMage (denominativo de Muggle, em Americano) chamado Jacob, uma mala mágica extraviada e a fuga de algumas das suas criaturas fantásticas, que vão lançar problemas quer ao mundo dos feiticeiros quer ao mundo dos SemMages.
( Trailer: aqui ).


A minha opinião


Antes de mais nada, vamos só esclarecer aqui umas coisas: isto não é o Harry Potter. É o mesmo mundo, claro, poderão ver a mesma magia no filme ( e que tão bom que foi reviver essa magia!), mas não ouvirão falar de avós ou bisavós do Harry Potter, de Hogwarts ( só verão uma breve referência, no início do filme saberão que Newt Scamander foi expulso da escola, e não se preocupem, isto não é um spoiler ) ou quaisquer outras personagens ou parentes ( apenas algumas breves referências). Obviamente que a magia de Hogwarts está presente em todo o filme, mas não é aquela magia tão viva e quente que caracteriza a escola. 

Portanto, tal como já referi, esta é uma história que se passa no mundo de magia de Harry Potter, mas nada tem a ver com os filmes anteriores. É uma história diferente, com personagens diferentes, e numa época diferente ( os anos 20). Mas desengane-se quem acha que a história tem menos encanto, porque têm muito encanto e magia.

O enredo do filme não desiludiu. Existiu drama, ação, comédia, muitas reviravoltas... Sim, isto parece-se um pouco com as histórias a que J.K Rowling já nos habituou. E sobretudo, existiu muita magia, e as criaturas mágicas da mala de Newt Scamander são muito encantadoras ( algumas bastante fofinhas!).

A meu ver, a escolha do elenco foi bastante acertada. O Eddie Redmayne é um ator fantástico ( como já tinha constatado ao ver " A Rapariga Dinamarquesa" e " A Teoria de Tudo"), mas os outros atores não lhe ficaram atrás. Os atores no papel de Auror Tina ( Katherine Waterston), Queenie (Alison Sudol) e no de SemMage Jacob ( Dan Fogler) foram quase tão bons como ele. Na verdade, a minha personagem favorita nem foi o protagonista ( apesar de ter adorado a prestação dele), mas sim a do SemMage ( que riso que este foi!) e aquela criatura fantástica que tem uma fixação por objetos brilhantes ( esqueci-me agora do nome desta, mas quem souber que diga nos comentários). 

Visualmente, o filme foi muito giro. Não o vi em 3D ( essa sala já estava cheia quando eu comprei o bilhete), mas todos os efeitos especiais foram igualmente bons e contribuiram para dar aquele ar encantado do mundo de Harry Potter ( e algumas cenas fizeram lembrar-me mesmo Hogwarts). 

Enfim, foi um filme muito bom. Acho que todos os fãs de Harry Potter sairão da sala de cinema de coração cheio, nostalgia, orgulho e, sobretudo, muitas saudades de um mundo que encantou a sua infância. Mesmo os espectadores que nunca virão Harry Potter sairam de lá felizes e com vontade de ver a saga. 

" Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los" é o primeiro de 5 filmes. O próximo filme estreará em 2018.


E vocês? Já viram o filme? O que acharam?

9.10.16

Filme: A Rapariga no Comboio (2016)


Há uns meses atrás, li o livro ( escrevi um post sobre este aqui)  em que este filme se baseou  e gostei bastante. Por isso, estava curiosa para ver como iriam adaptar esta história, que uns acharam cheia de surpresas e outros demasiado previsível, ao grande ecrã.

O filme tem gerado opiniões bastante controversas. Uns adoraram o filme, dizem que foi uma boa adaptação do livro, que adoraram as personagens e todo o mistério. Outros odiaram, dizem que não foi fiel ao livro, que o final era demasiado previsível e que o elenco não foi bem escolhido.

Ontem fui ver o filme para saber com qual dos lados é que concordo e hoje trago-vos a minha opinião.


Sinopse


Rachel, inconsolável devido ao seu divórcio recente, passa a sua viagem diária a caminho do emprego a tecer fantasias sobre um casal aparentemente perfeito que vive numa casa por onde o comboio passa. Um dia vê algo que a perturba e envolve-se num mistério que se vai desenrolando.
( Trailer: aqui).


A minha opinião


Estava curiosa para ver se o filme ia ou não ser fiel ao livro. Embora já tenha lido o livro há alguns meses e possa já não me lembrar de alguns pormenores, pelo que me lembro, o filme ficou muito parecido com o livro. O enredo foi basicamente o mesmo, até conseguiram meter no filme a narração alternada das três personagens femininas, com as suas perspetivas diferentes. A única coisa que não gostei na adaptação de livro para filme foi o facto de terem alterado o local onde decorre a narrativa. No livro, a história decorria nos subúrbios de Londres, mas alteraram isso e puseram na América. Porque raio foram fazer uma coisa dessas? Eu já estava a imaginar sotaques britânicos, o ambiente londrino, casas londrinas, e obrigaram-me a ver casas americanas e personagens com sotaque americano? Não se faz! Pronto, mas fora este pormenor, o filme ficou muito parecido com o livro.

Adorei a escolha do elenco. Fiquei logo com vontade de ir a correr à sala de cinema mais próxima quando soube que a Emily Blunt iria desempenhar o papel principal. Ela é uma excelente atriz e, como não podia deixar de ser, fez também um excelente trabalho neste papel. Quanto aos outros atores, eu não os conhecia, mas estiveram também muito bem, embora não tenham tido uma atuação tão espetacular com a Emily ( também era difícil, é muito difícil chegar ao nível dela).

Quer tenham lido ou livro ou não, a história prende-nos até ao fim. É, sem dúvida, uma história muito perturbadora, que nos faz pensar que as aparências iludem, e que nós não conhecemos realmente a vida das pessoas que vemos todos os dias no comboio/autocarro/outro sítio qualquer. O filme, tal como o livro, explora o lado mais negro das pessoas, traições, mentiras, abuso, violência... Até chega a ser arrepiante ver o quão desiquilibradas  são algumas personagens ( ou, melhor dizendo, todas, é difícil encontrar uma que se diga " esta é que é uma boa pessoa"). Porém, é mesmo isso que torna tudo mais interessante.

Vamos lá agora à polémica: o filme é ou não previsível? Depende. Depende muito da vossa perspicácia, de quantos filmes deste género já viram e da vossa veia de investigadores. Há quem tenha achado previsível, que se via logo a quilómetros querem era o "culpado" , e outros nunca na vida adivinhariam o final. Obviamente que eu já não fiquei surpreendida com o final do filme, porque li o livro, mas quando li este não adivinhei mesmo o desenlace. Mas, lá está, eu não tenho propriamente veia de investigadora ahahahah. No entanto, a minha prima não leu o livro , e quando viu o filme também não adivinhou.  Por isso, é difícil dizer se é previsível ou não, têm que o ir ver, e depois dizerem se acertaram ou não, combinado? Mas mesmo que já saibam quem é o "culpado" a meio do filme, vão querer sempre saber o como e porquê de ter acontecido o que aconteceu.

Eu gostei muito do filme. Já não fui para o cinema numa de ser surpreendida, porque já sabia o final, mas gostei muito de o ver. Foi uma adaptação do livro bem conseguida e destaco, mais uma vez, a fantástica prestação da Emily Blunt.


E vocês? Já viram o filme? O que acharam?

Podem ler mais reviews de filmes aqui.

23.9.16

Filme: Mean Girls (2004)


Já algum tempo que não faço um post sobre um filme, por isso decidi fazer um hoje. Com o começo da faculdade o tempo não tem sido muito, não tenho visto filmes com tanto que já tenho para estudar, por isso decidi falar-vos do meu filme preferido de adolescentes e que já é um clássico.

Como sempre, não há spoilers, podem ler à vontade. Aviso só que o trailer deste filme revela muito do mesmo, quase que diz o final, mas ainda assim deixei o link mais abaixo se o quiserem ver.


Sinopse


Criada num universo selvagem pelos seus pais em África, Cady Heron, de 15 anos, encontra-se agora numa selva bem diferente: a de uma escola secundária. No meio de outros adolescentes, Cady pensa se é realmente capaz ou não de sobreviver às novas regras ( Trailer: aqui ).


A minha opinião


Pela sinopse, toda a gente já consegue reconhecer o formato deste filme: uma adolescente vai para uma escola nova, e tenta adaptar-se no meio da confusão que é o secundário. A história parece não ser nada de novo. Mas garanto-vos que este filme é dos melhores filmes de adolescentes que vão ver.

 Embora tenha alguns clichés típicos de filmes sobre o Secundário, este retrata os jovens como eles realmente são e os seus verdadeiros problemas, sem aquela cena do " adolescente que se preze não tem borbulhas, é chefe de claque ou jogador de futebol, e é bonito/a todos os dias, mesmo quando o filme insiste em fazer com que toda a gente à volta diga que não é." Ok, talvez tenha algumas destas cenas, afinal é um filme americano que retrata escolas secundárias americanas, mas não é isto que é realmente importante no filme. Aquilo que é realmente importante são as questões que são abordadas, como todo o drama de ser rapariga e de ter que lidar com  as outras ( e toda a gente sabe que as relações entre raparigas/mulheres são tudo menos fáceis), a necessidade que sentimos de pertencer a um grupo, todas as regras sociais que existem no Secundário e como é realmente difícil passar por esta etapa, a necessidade de pertencer ou deitar abaixo o grupo das raparigas populares da escola ( todas as escolas tem o grupo das " populares")....

Tratando-se de uma comédia, obviamente que muitas das cenas que vão ver são exageradas e hilariantes, mas todas elas têm o seu fundo de verdade, e facilmente nos identificamos com as situações retratadas, porque certamente também as vivemos no Secundário ou mesmo no Básico ( já que, hoje em dia, os jovens têm tendência a fazer tudo cada vez mais cedo).

O que é curioso, e quem vir o filme vai perceber isto, é que não existem vilãs no filme. Independentemente de serem as raparigas populares ou não, tudo o que as personagens femininas estão a fazer é serem simples raparigas adolescentes e agirem como tal. E, por vezes, sobreviver ao secundário envolve ser um pouco bitch de vez em quando. Muitas vezes, o pior comportamento de um adolescente é apenas uma tentativa de ser aceite e, por vezes, esse tipo de comportamento persiste na vida adulta. 

" Mean Girls" é, principalmente, o retrato do mundo feminino na adolescência, com todos os dramas, problemas, dúvidas... Porém, também é um retrato da vida escolar, que também envolve diversos dramas e problemas. É um filme inteligente, engraçado e uma sátira muito esperta do Secundário. Vale a pena reservar um tarde para vê-lo.


E vocês? Já viram o filme? O que acharam?

Podem ler mais reviews de filmes aqui .

15.8.16

Filme: Me Before You (2016)




Há um ano atrás, eu li o livro que inspirou este filme ( fiz a review deste aqui) e, desde aí, fiquei ansiosa pela estreia deste filme. Ontem fui vê-lo e hoje podem saber a minha opinião.


Sinopse


Lou Clark, uma rapariga do interior, não tem muitas ambições na vida e trabalha como empregada de balcão num café. Mas após o encerramento definitivo do estabelecimento, teve de procurar um novo emprego.

Sem muitas qualificações, aceita a vaga para cuidar de Will Traynor, um empresário tetraplégico, que descarrega toda a sua amargura naqueles que estiverem por perto. 

O que Will não sabe é que Lou está prestes a mudar a sua vida ( Trailer: aqui ).


A minha opinião


Eu sei, eu sei, parece mais um filme ao estilo de Nicholas Sparks, lamechas, mas não é, garanto-vos que não é! Primeiro, porque o livro nem sequer foi escrito por ele ( foi escrito por Jojo Moyes) e, segundo, porque se trata de um filme muito realista,  com lições de vida importantes, sobretudo porque uma das personagens principais é um tetraplégico, e o enredo também nos transmite a vida difícil que ele leva.

Para quem leu o livro e quer saber se o filme foi ou não fiel a este, dou-vos a resposta: foi quase a 100 %. Digo "quase" porque sou um pouco suspeita, uma vez que já li o livro há um ano, por isso sou capaz de não me lembrar de alguns detalhes, mas afirmo com quase todas as certezas que as cenas do livro correspondem à cenas do filme.

Bem, em relação ao filme, tal como já disse, este é bastante realista ( embora não o pareça à primeira vista, porque toda a publicidade girou à volta do "romântico") . Aborda um tema que  eu considero bastante relevante, a tetraplegia, e o se, de facto, uma pessoa com este problema consegue ter uma vida boa ou não. Basicamente, o filme é uma montanha russa de emoções, com os seus momentos muito engraçados, os seus momentos mais chocantes, mais emocionantes, que faz com que os espectadores fiquem com a lagriminha ao canto do olho ou que chorem imenso, caso sejam mais sensíveis ( no fim da sessão era tanta gente a afundar-se em lágirmas  no cinema xD).

Não poderiam ter escolhido melhores atores para os papéis principais. Emilia Clarke e Sam Claflin assentaram que nem uma luva nos respetivos papéis, e tiveram uma performance incrível. Criaram personagens com as quais facilmente simpatizamos. A Louisa Clark, com a sua simpatia, a sua doçura, o seu bom humor e o seu altruísmo ganha facilmente o nosso coração, e dá-nos vontade de abraçá-la e de sermos a melhor amiga dela. O Will Traynor consegue igualmente a nossa simpatia, mesmocom a sua arrogância, o seu sarcasmo e o seu mau feitio, mas que de alguma forma o torna engraçado. Ambas as personagens vão sofrendo grandes mudanças à medida que se vão conhecendo, e é interessante ver o quanto eles se mudam um ao outro.

É um filme que, sem dúvida, nos põe a pensar. A história de Will Traynor podia ser real. Num minuto era um empresário bem-sucedido e no outro, após um acidente de mota, a sua vida muda por completo, e este vê-se preso a uma cadeira de rodas para sempre. É algo que pode acontecer a qualquer um, ao contrário do que nós costumamos pensar " só acontece aos outros". A nossa vida pode virar-se do avesso de um minuto para o outro, por isso saiam à rua e vivam intensamente.


Para quem está mesmo ansioso/a por ver o filme e não pode ir ao cinema, este já está disponível na Internet, aqui.


Já viram o filme? O que acharam?





10.8.16

Filme: Ao Ritmo do Sonho (2016)


Não costumo gostar muito dos filmes de verão, não costuma ser esta a época alta para o cinema. Sou da opinião que os melhores filmes estreiam sempre em Dezembro ou Janeiro e, embora continue a ser dessa opnião, tenho a dizer que este verão têm saído filmes muito bons ( e ainda vão sair mais, como " Me Before You", " Nerve" e "Mas que Família é esta?"). E este é igualmente bom, embora não pareça à primeira vista.


Sinopse


Ruby Adams ( Keenan Kampa) é uma bailarina do interior dos EUA com uma bolsa de estudos para a mais prestigiada escola de artes dramáticas em Nova Iorque. Johnnie Blackwell ( Nicholas Galizine) é um músico britânico que toca violino por dinheiro no metro dessa cidade. Quando os dois jovens artistas se encontram, os seus mundos colidem, mas nenhum deles nega a química que partilham, e a ambição de ambos por alcançarem o sucesso na cidade mais competitiva do mundo. Quando Ruby fica em risco de perder a sua bolsa e Johnnie é confrontado com a possibilidade de ser deportado, os dois acabam por unir esforços. Com a ajuda dos The SwitchSteps, uma trupe de bailarinos, Ruby e Johnnie preparam-se para uma competição que junta os seus mundos, num extravagante clímax que combina a energia do hip-hop com a dança clássica e contemporânea, e onde ganhar ou perder irá determinar as suas vidas para sempre ( Trailer: aqui ).


A minha opinião 


Este parece mais uma filme de talentos, mas desengane-se quem acha que vai ser banal: não é o é. O enredo é demasiado previsível e cliché ( percebem logo o que vai acontecer, desde o primeiro minuto), mas a música e atuações são verdadeiramente geniais, quase a tocar no épico.

Neste filme, música clássica e hip-hop fundem-se, ballet e dança contemporânea ligam-se, uma combinação improvável mas que, por incrível que pareça resulta e transforma-se em algo mágico, que coloca o espectador colado ao ecrã até ao último minuto. Ficamos quase hipnotizados e sem fôlego ao ver as atuações.

O elenco é composto por atores pouco conhecidos, mas muito talentosos. Eles não fingem que dançam, eles realmente dançam. Quanto ao tocar violino e afins, isso já não me perguntem, podem apenas acrescentar o som ao filme. Uma curiosidade: a protagonista é mesmo uma bailarina profissional!

A banda sonora é simplesmente linda, e já a ouvi incontáveis vezes no youtube.

É um filme que vale a pena ver, não pela história em si ( que não é grande coisa), mas sim pelas atuações lindas e muito originais, em várias cenas do filme.


23.7.16

Filme: Férias (2015)


Há uns dias atrás, estava na casa da minha prima, e como ela tem TVcine e eu não, decidi aproveitar para ver um filme com ela. Escolhemos este filme porque era o melhor que estava a dar na altura nos 4 canais , e começámos a vê-lo sem grandes expetativas, a pensar " é só mais uma comédia qualquer". Mas, na verdade, não é, o filme superou as minhas expetativas, e vou já explicar porquê.



Sinopse


Na esperança de fazer com que a sua família fique mais unida  e recriara as suas férias de infância para os seus filhos, um adulto Rusty Griswold ( Ed Helms) leva a sua esposa e os seus dois filhos em uma viagem atravessando o país até ao parque temático mais legal da América, Walley World. Não é necessário dizer que as coisas não saem como o planeado. Provavelmente não são as férias que eles planearam, mas parece que poderia ser as melhores férias de todos os tempos ou que, pelo menos, não vão esquecer! ( Trailer: aqui)


A minha opinião


Costumo hesitar sempre antes de ver uma comédia. Porque os filmes de comédia são aquele tipo de filmes em que não dá para errar, ou é muito mau ou é mesmo bom, ou se adora ou se odeia. Os outros géneros podem ter filmes medianos, mas não dá parar criar algo mediano em comédia. Ou tem piada ou não tem, ponto.

Porém, este filme é daqueles filmes de comédia mesmo bons. Quando uma pessoa lê a sinopse, pensa que vai ser mais do mesmo, mas não, o filmes consegue superar as expetativas e, melhor, faz-nos rir, literalmente, do início até ao fim. Eu já não me ria tanto há bastante tempo, eu até chorei a rir, fiquei com dores de barriga de tanto rir!

O enredo deste filme gira à volta de uma família bastante disfuncional ( tão disfuncional, que vemos logo desde o início o irmão mais novo a fazer bullying ao mais velho! ) com muitas reviravoltas, surpresas e acontecimentos hilariantes, e é isto que o torna bastante engraçado. Uma pessoa ainda se estava a rir da cena anterior, e já vinha outra ainda mais engraçada, e quase que sufoca por não ter pausa para parar de rir!

Se estão à procura de um filme com tremendas lições de vida, que vos abra novos horizontes, afastem-se deste! Não vão aprender nada com este. O filme contêm linguagem que pode ser considerada ofensiva, nojenta, e com palavrões e referências sexuais. Apesar de parecer ser um filme familiar, não o é, devido à linguagem, e muitas pessoas podem não achar graça a certas piadas, mas isso vai depender da vossa abertura de mente e preconceitos.

Eu diria que a única lição de vida que podem aprender com este filme é que " a viagem é mais importante do que o destino". Walley World nem sequer era um parque espetacular, mas o que foi realmente divertido foi a viagem que a família fez até lá, e os acontecimentos hilariantes que aconteceram durante a mesma. Faz-me lembrar as viagens da minha infância: nunca fui assim para nenhum destino paradisíaco, mas os acontecimentos com que nos deparávamos durante a viagem é que fazia tudo valer a pena ( acreditem, na minha família já aconteceu cada coisa, até dava para escrever um livro!).

Não é o melhor filme que irão ver este verão, não é marcante, mas vale a pena ver, pois irão rir-se bastante.

PS: Este filme é um remake de de um filme clássico de 1983 com o mesmo nome , se não me engano, mas não é necessário verem o anterior para perceberem este.


Alguém já viu o filme? O que acharam?

21.5.16

Filme: Como ser solteira (2016)



No outro dia, como não tinha nada para fazer, nem muito para ver, decidi ver este filme. Toda a gente andava a falar nele quando estreou, além disso uma amiga minha adorou, por isso acabei por o ver. Tal como esperava não foi um grande filme, o que não quer dizer que tenha sido mau, porque até foi bom. Mas vejam a minha opinião abaixo.

Sinopse


Alice ( Dakota Johnson) acabou de sair de um relacionamento e não sabe muito bem como agir sem outra cara-metade. Para a sua sorte, ela tem uma animada amiga ( Rebel Wilson) especialista na vida noturna de Nova Iorque, que ensina-a a ser solteira ( trailer aqui).


A minha opinião


É um filme engraçado, mas um pouco previsível ( tão previsível que quase não corro risco nenhum de fazer spoilers, mas não se preocupem que não vou fazer nenhum) e cheio de clichés. Para um filme que se apresenta como um manual de " como ser solteira", este afirma demasiadas vezes que só somos felizes se tivermos alguém, não quero entrar em detalhes por que verão isso no filme.

Não acho que seja um filme muito realista. As personagens parecem todas um bocadinho burrinhas e só tomam decisões estúpidas, todas as " lições" que a amiga da Alice dá não se aplicam de todo à realidade,... Sei lá, há tanta coisa que parece mesmo falso e forçado. O filme passa a imagem errada que ser solteira é beber até cair e dormir com todos os gajos que nos aparecem à frente, o que obviamente não corresponde à realidade. Sim, há solteiras que são mesmo assim, mas isto não se aplica a todas as solteiras nem pode ser considerada essa a maneira certa. Há tantas formas de aproveitarmos o nosso tempo como solteiras: viajar, concentramo-nos na nossa carreira, fazer voluntariado,.... O filme ( principalmente a personagem interpretada por Rebel Wilson) insistem em dizer que todas essas coisas que referi são as formas erradas de se ser solteira. 

É um bocado irónico dizer que se trata de um filme sobre solteiras, quando todas as personagens passam a vida a envolver-se umas com as outras e a ter sexo, e inclusive assumem relações umas com as outras. Acho que a produção/realizador não deve saber o significado da palavra "solteiro". 

Apesar de todos estes defeitos, até é um filme bom e bastante engraçado. Tem um bom elenco ( como a hilariante Rebel Wilson, que também participou no filme " Pitch Perfect") e muitos momentos de morrer a rir. É um ótimo filme para ver com as amigas. 

É de realçar a interpretação feita por Dakota Johnson. Após o grande fiasco  que foi " As Cinquenta Sombras de Grey" ( além de ter sido humilhante para ela), a atriz redime-se agora neste filme. Não foi uma interpretação brilhante, mas foi muito boa e ela até foi muita engraçada. Se continuar por este caminho, ainda poderá vir a ter muito sucesso.

Se estão à espera de aprender mais sobre relações/ ser-se solteiro vão antes ver os filmes " O Sexo e a Cidade" porque são muito melhores e aprendem muito mais. Mas se só se querem divertir um pouco e esquecer os problemas por uma horinha e tal, este é o filme ideal para vocês.

No geral, apesar de ser um filme cheio de clichés e muito longe da realidade, é uma boa comédia, muito divertida e engraçada. 


Já viram o filme? O que acharam?