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11.3.17

Encontrar a beleza por detrás da dor


Todos nós temos um conceito diferente de beleza. A maior parte das pessoas interpreta beleza como algo superficial: as modelos lindas que vemos nas revistas, pessoas bonitas com que nos vamos cruzando, destinos de sonho, paisagens deslumbrantes,... Visualizam a beleza como algo que pode ser medido e/ou classificado.

Eu não vejo a beleza dessa forma. Claro que sim, que também vejo a beleza em pessoas bonitas, lugares e sítios bonitos, mas o meu conceito de beleza é muito mais extenso do que esse. Eu vejo a beleza como um ponto intermédio entre aquilo que se quebrou e aquilo que se recuperou, entre o que dói  e o que cura, entre a sombra do sofrimento e a luz da alegria. Eu vejo a verdadeira beleza nas coisas/pessoas que quebram, mas que se curam.

Quando passamos por uma situação má, de sofrimento e/ou humilhante, é difícil imaginar o lado positivo dessa situação. Estamos tão concentrados no nosso sofrimento, dor e tristeza, que é difícil ver que, um dia, tudo voltará ao normal e a luz do sol voltará a brilhar. Porém, cada situação imaginável tem uma beleza escondida, se estivermos dispostos a vê-la.

Cada situação imaginável tem o seu lado positivo. Para dar um exemplo, não sei se já contei, mas a minha mãe ficou 3 meses internada num hospital, quando eu tinha 16 anos, devido a uma endocardire e, descobriu-se mais tarde, uma válvula bicúspide no lugar da tricúspide ( teve que colocar uma vávula mecânica). Ao início, foi bastante difícil ver o lado positivo daquilo. Passei semanas a chorar, a sentir-me sozinha, impotente perante uma situação em que uma pessoa que eu adorava estava presa numa cama do hospital, e eu nada podia fazer. Porém, agora que passei por todo este sofrimento, consigo ver a beleza por detrás daquilo que se passou. Eu estava numa fase típica de adolescente, em que queremos é ver-nos livres dos nossos pais mas, passar por aquela situação, fez-me perceber que eu adoro a minha mãe mais do que qualquer outra pessoa neste mundo e que, apesar de todas as suas qualidades e defeitos, não imagino a minha vida sem ela. Também me fez apreciar o quão forte e determinada ela é pois, no situação de dúvidas e incerteza em relação ao seu diagnóstico, se ela sairia viva ou não, soube pôr os nervos de lado, e lutar.

Eu tive as sorte de não ter perdido a minha mãe, mas na vida nem sempre há essa sorte. A minha mãe poderia ter morrido, e eu teria que lidar com a dor da perda dela. Porém, por muito que  nos custe, a morte faz parte da vida, e sem a morte, não há novos começos nem há beleza. Será que apreciaríamos as pessoas que amamos se elas vivessem para sempre? Certamente não. Nós só apreciamos a beleza das pessoas e das coisas porque sabemos que tudo é limitado e nada dura para sempre.

Eu tenho adotado este tipo de pensamento em outras situações na minha vida. Tenho escolhido ver a beleza em cada situação difícil e obstáculo com que me tenho deparado. Tenho visto um fracasso escolar como uma oportunidade para corrigir os erros que cometi e ser melhor. Tenho visto as doenças que tenho tido ( que, felizmente, são poucas e pouco graves) como uma oportunidade de descansar e ficar melhor. Tenho visto o escasso tempo que posso conviver com a minha família e amigos como uma oportunidade para apreciar mais aquilo que fazem por mim e todos os bons momentos que passamos juntos. Nem sempre é fácil, é certo, mas vale a pena.

A verdadeira beleza da vida é sorrirmos e mantermo-nos fortes apesar do nosso sofrimento, dor, perda, inseguranças e problemas. É escolhermos ver o mundo como um lugar belo e mágico, apesar de tudo de mau que aconteceu e possa acontecer.