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20.10.20

Como assim, já sou condutora há um ano?! (E o que aprendi)

 Pois é malta, parece que já sou condutora há mais de um ano. A 17 de outubro lá ganhei eu um cartãozinho azul carimbado! Ainda não parece real (porque ainda não tenho viatura própria, ando agora a poupar para ter) mas, aparentemente, há um ano que já posso pegar numa chave de um carro e fazer-me à estrada sem estar a cometer alguma ilegalidade. Não é espetacular?

Para celebrar este aniversário de carta (eu celebro mesmo tudo!), decidi compilar uma lista aleatória com 9 coisas que já aprendi. 


1. A primeira vez que conduzimos depois de tirar a carta é assustadora: A primeira vez que conduzi depois de tirar a carta foi à saída do centro de saúde onde estava a fazer a primeira parte do meu estágio de Integração à Vida Profissional. O carro estava estacionado num sítio um bocadinho tricky de sair, quanto mais para uma recém-encartada o que, juntando à hora de ponta, me fez panicar um pouco e lá acabei por conduzir em ruas com menos trânsito só para dizer que conduzi. Still, senti na mesma aquele sentimento de orgulho de ter conduzido a primeira vez completamente sozinha, só com uma pessoa ao lado que não tinha travões como nos carros de condução, que podia ajudar, mas era eu que comandava tudo. De que passa esta primeira vez, tudo fica mais fácil.

2. As subidas são o meu pior inimigo: Não há ninguém que deva odiar mais subidas do que eu. Um ano depois e eu ainda não consigo dominar a embraiagem bem o suficiente para o carro não ir a abaixo durante uma subida. E então quando há muito trânsito e sou obrigada a parar numa subida? Meu Deus, o que suo de ansiedade, estou mortinha de comprar um carro automático!

3. Meter o cinto antes de fazer o que quer que seja dentro do carro: Eu nem sei se há outra forma de conduzir, né, mas religiosamente, antes de ajustar o banco, espelhos ou, Deus me livre, meter o carro a trabalhar, eu meto logo o cinto de segurança. Se não o fizer, é certinho que eu cometa a coisa proibida (e punida por lei) de me esquecer.

4. Os outros condutores vão estar constantemente a irritar-vos: Quando eu era uma passageira dentro do carro e mesmo quando estava a aprender a conduzir, eu acho que não compreendia com toda a magnitude porque é que um condutor se irritava tanto com os outros. Contudo, quando sou agora que vou no volante, parece que só vejo idiotas à frente! É pessoas a não meter o pisca, a meter-se sem terem prioridade.... Há pessoas que parecem que mal têm a carta na mão que é a loucura e esquecem-se de tudo o que aprenderam!

5. Assumam sempre o pior das pessoas: A propósito do ponto acima, este é um conselho invulgar do meu instrutor de condução. Basicamente, pensem que os outros condutores são burrinhos de todo. Desta forma, estarão sempre a contar com o imprevisível e não ficarão tão atrapalhados quando alguém se mete na estrada sem prioridade ou quando alguém trava bruscamente só porque sim. 

6. Conduzir com chuva é o pior: Odeio conduzir quando está a chover imenso. A visibilidade diminui significativamente, o chão continua escorregadio,  a maior parte das pessoas não abranda quando o devia fazer e começam a apitar... Infelizmente, ainda evito conduzir com este tempo, sei que eventualmente vou ter que o fazer mais vezes, mas enquanto posso, andamos nisto.

7. Nunca corram riscos: As pessoas estão sempre a correr riscos na estrada e é assim que os acidentes acontecem. Há sempre alguém a entrar numa rotunda quando alguém está para entrar, a cruzar numa estrada a achar que vão passar antes do outro carro que se está a aproximar... São riscos completamente desnecessários. Para mim, é preferível esperar 1 minuto do que meter-me logo. Se arriscar em vez de 1 minuto são horas a preencher papelada por causa de um acidente, já pensaram nisso?

8. Mesmo já sentindo mais confiança não significa que conduzamos completamente sozinhos: Eu sei que há opiniões contraditórias nisto, que conduzir sempre com alguém no carro se pode tornar numa muleta, porém cada caso é um caso. A verdade é que eu não ganhei assim tanta experiência num ano como contava, porque houve vários períodos de pausa pelo meio, em que quase não toquei num carro - para acabar o meu Estágio de Integração, depois com a pandemia, depois com o trabalho... Sim, sinto-me muito mais confiante a conduzir do que em outubro de 2019, já conduzo pela minha cidade com bastante naturalidade, a minha ansiedade já não me atrapalha quase nada, mas ainda não estou pronta para dar este passo de conduzir um carro e não faz mal, mais vale ir com calma do que precipitar-me e, *bater na madeira*, ter algum acidente. 

9. Só aprendes mesmo a conduzir fora das aulas: No final do dia, é como dizem, nas aulas de condução só aprendemos os básicos, é mesmo nas estradas desta vida que aprendemos a desenrascarmo-nos. Nas escolas de condução, tanto nós como os instrutores são estão mesmo preocupados com isso, em ensinar-nos os básicos e os percursos habituais num exame. Só depois de tirar a carta é que temos a possibilidade de conduzir outra variedade de percursos, estacionar em diferentes locais e lidar com as situações mais reais do dia a dia. Por isso, se tiraram recentemente a carta e sentem que não sabem conduzir, é normal. A experiência virá com os meses, anos e durante toda a vida basicamente. 

5.3.20

Aprender a conduzir quando se tem ansiedade

 Aprender a conduzir quando se tem ansiedade

Há algo que ninguém diz quando se fala em tirar a carta de condução: o stress inerente a este processo. Toda a gente gosta de pintar a as aulas de condução como muito cor de rosa, com unicórnios a saltar, como se fosse algo natural para toda a gente. "Ah, vais adorar conduzir", "vais ver, 5 aulas e pumba, já apanhas logo o jeito".  Nem sempre é assim. Sobretudo para quem sofre  de ansiedade.

Imaginem uma pessoa que sofre muito com a ansiedade, que sofre sempre por antecipação (imaginando todos os piores cenários que podem acontecer), que se torna distraída à conta disso e que até experiencia sintomas físicos (como palmas da mão a suar, dores de cabeça, palpitações no coração,etc.). Agora, imaginem essa pessoa a conduzir. Pois, agora sim, já estão a imaginar o drama. Ter aulas de condução pode ser stressante para toda a gente mas, para quem sofre de ansiedade, ter aulas de condução pode chegar até a ser algo doloroso.

Sempre fui uma pessoa muito ansiosa, embora no passado fosse pior mas, infelizmente, ainda afeta negativamente  a minha vida  de muitas formas. No geral, as minhas aulas de condução até foram uma experiência bastante positiva, mas demorei uma quantidade absurda de tempo a conseguir arranjar estratégias eficazes para controlar a minha ansiedade. Sinto que, se não fosse a ansiedade, eu tinha aprendido a conduzir muito mais depressa. Bem, mas se estou aqui a escrever este post é porque consegui (já tenho a carta há 4 meses, yay!), e hoje estou aqui para falar disso mesmo. Acho que vai ser interessante. Apesar das publicações sobre a carta de condução que já vi pela blogosfera, ainda não vi ninguém a falar sobre este problema em específico, e sinto que vai ser muito útil (principalmente se forem como eu, que antes de se lembrar de desabafar com alguém, vem ao Google buscar respostas, mesmo sabendo que é um mau hábito).


1. Escolham bem o vosso  instrutor (e se não gostarem dele, troquem!): Durante todo este processo, a relação mais importante que vão ter (e na qual têm que trabalhar também) é na relação com o vosso instrutor de condução. Duas coisas que nunca ninguém fala e que nunca é demais relembrar: podem escolher o vosso instrutor e podem trocar sempre que quiserem. Trocar de instrutor nem sempre significa que ele seja mau, às vezes apenas significa que não tiveram compatibilidade, que a sua forma de ensinar não era compatível com a vossa personalidade. Eu poderia fazer um post inteiro sobre o impacto de um bom instrutor numa pessoa ansiosa, e então numa pessoa introvertida, aí é que daria muito que debater. Sentirem-se ou não confortáveis com o vosso instrutor vai influenciar IMENSO toda a experiência de aprendizagem.

2. Peçam ajuda a alguém para escolher um instrutor: Embora nenhum instrutor seja o certo para toda a gente, poderão sentir-se mais confiantes se escolherem alguém que já tenha ensinado um familiar/amigo vosso e que vos tenha dado um bom feedback sobre ele. O meu instrutor ensinou os meus primos, portanto eu já sabia um pouco sobre ele e, por isso, até já tínhamos do que falar. Se isto não for algo possível para vocês, outra ideia muito boa é conhecerem um instrutor antes de escolherem: falarem 5 minutos com ele, para conversarem sobre o que esperar e como se vão proceder as coisas (sim, podem fazer isto, lembrem-se, são vocês que estão a pagar).

3. Saibam o que esperar de cada aula: Eu consigo sempre gerir melhor a minha ansiedade quando sei o que vai acontecer, e aposto que com muitas pessoas também é assim. Conversem com o vosso instrutor para saber aquilo que vão fazer em cada aula.

4. Pensem um passo de cada vez: Embora o ponto 3 possa ser importante para nós, pessoas ansiosas, também temos que ter consciência que não conseguimos prever tudo, sobretudo num meio que, por si só, é tão imprevisível. Por isso, em vez de estarem numa ponta da cidade e de já estarem a pensar na manobra que vão fazer dali a 5 km, pensem apenas um passo de cada vez.

5. Não oiçam muitas experiências de outras pessoas: Normalmente, costuma-se aconselhar o contrário mas, neste caso, acreditem quando vos digo para não o fazerem. As pessoas, no que toca a sua aventura na carta de condução, não são lá muito sinceras. A maior parte não gosta de admitir as vezes em que deixaram ir o carro abaixo, as vezes em que fizeram mal uma curva ou contornaram mal um passeio, as vezes em que quase atropelaram uma velhinha e muito menos se reprovaram no exame. Peçam conselhos apenas às pessoas que sabem que vão dar-vos um opinião sincera.

6. Entrem num estado de espírito harmonioso antes de cada aula de condução: Algo que, provavelmente, já devem ter ouvido nas aulas de condução é que as vossas emoções têm um grande impacto no ato de conduzir. E não só são as emoções extremas como a tristeza ou angústia, às vezes um pouco de ansiedade ou uma mentalidade ligeiramente pessimista podem tornar uma aula desastrosa. Quando estamos assustados, o nosso corpo fica tenso. A ansiedade pode pôr-nos num constante modo fight or flight, o que nos põe suar, com o coração a bater descompassadamente, entre outras coisas que  não são o ideal para uma condução tranquila. Quando comecei a tirar a carta, eu costumava sair das aulas com o meu corpo a doer de tão tensa que eu estive. À medida que fui ficando mais confiante, esta sensação desapareceu. Todavia, não teria acontecido se eu tivesse sido mais proativa nisso. Tentem encontrar estratégias para acalmar os nervos. Se não o conseguirem fazer, certifiquem-se, pelo menos, que estão a dar a vocês mesmos a melhor chance possível. Durmam bem no dia anterior, certifiquem-se que têm tempo suficiente para tomar o pequeno-almoço se a aula for de manhã , e reservem tempo para simplesmente respirar um pouco. Se em algum dia se sentirem muito stressados com outras tarefas do quotidiano ou simplesmente cansados, desmarquem a aula. Por vezes, é preferível assim do que andar a desperdiçar aulas e depois ter que pagar mais. 

7. Aproveitar os semáforos vermelhos para respirar fundo: Durante a condução, não há muito tempo para pensarmos naquilo que estamos a sentir porque temos que estar atentos a tudo o que se está a passar na estrada. As nossas únicas oportunidades para o fazer é mesmo durante as luzes vermelhas dos semáforos . Nessa altura, aproveitem sempre para se acalmarem, descansar um pouco os pés (se os semáforos forem daqueles que têm o tempo, senão mantenham-se sempre prontos para arrancar) e colocarem-se no estado de espírito correto (caso não o tenham feito antes).

8. Pratiquem fora das aulas: Não na estrada mesmo, porque isso seria perigoso, mas em estradas privadas, sem movimento. Isto é bastante útil numa fase inicial, quando ainda não conseguem dominar bem o carro, e mesmo perto do exame, quando querem treinar manobras como a inversão de marcha ou o estacionamento. Não digam que fui eu que sugeri isto, é ilegal. Quanto mais praticarem, mais confortáveis se vão sentir a conduzir. Reservar tempo àquilo que nos dá ansiedade é difícil (a tendência é sempre fugirmos), mas cada vez mais me apercebo que todo o nervosismo está no quão difícil parece, não na ação propriamente dita.

9. Vocês vão conseguir conduzir: Melhor ou pior, todos nós conseguimos conduzir. Não há ninguém que não o consiga. Pode parecer que nunca vão conseguir fazê-lo, podem até já ter reprovado algumas vezes por esta altura, mas não desistam. Não importa quanto tempo demore, vocês chegar lá. E quanto a ansiedade, vai acabar por passar, eu agora, quatro meses depois de obter o famoso cartãozinho azul, já não sinto quase nenhuma (embora ainda tenha que ganhar muita experiência a conduzir, claro).


Como foi a vossa experiência na carta? Também eram muito ansiosos? Que conselhos dão àqueles que estão agora a começar e sofrem do mesmo mal?