Quando descobri qual era o segundo tema do Desafio 1+3, entrei em pânico. Considero-me uma pessoa com autoestima, sinto-me bem na minha própria pele, mas não estou habituada a refletir desta maneira sobre mim própria. Acho que, no fundo, ninguém está. É muito mais fácil pensar nos nossos defeitos e naquilo que podíamos melhorar do que pensar nas nossas qualidades. Foi assustador constatar que mais depressa escrevia uma lista com 13 defeitos do que com 13 qualidades.
Inicialmente, ia pedir ajuda aos meus familiares e amigos. Mas embora isso fosse um bom exercício para descobrir aquilo que mais admiram em mim, decidi que devia abraçar este tema sozinha e descobrir por mim própria aquilo que há de mais admirável em mim. Acabei de escrever esta publicação com um sentimento ainda maior de auto-valorização e a certeza de que todos temos tesouros escondidos dentro de nós.
1. Sou carinhosa: Adoro contacto físico, abraços, beijinhos e, sempre que posso, gosto de mimar as minhas pessoas. Não sou o género de carinhosa que abraça um desconhecido na rua, a minha timidez inicial faz com que eu hesite em fazer demonstrações de carinho mas, quando estou mesmo muito à vontade com as pessoas, essa hesitação desaparece.
2. Tenho um sorriso contagiante: Isto é capaz de ser considerado um bocado batota, porque muitas pessoas já elogiaram tanto a forma como eu sorrio mas foi isso que fez com que, eventualmente, eu me apaixonasse por esta minha característica (ok, isto soou um bocado egocêntrico, mas eu prometo que não sou assim). Agora, o meu sorriso é uma das coisas que mais gosto em mim. Gosto dele mesmo quando, de forma distraída, mostro um pouco das minhas gengivas ao rir-me. Talvez seja por isto que, inconscientemente, esteja a sorrir em (quase) todas as fotos que tenho.
3. Tenho um cabelo forte: Apesar de este ser muito rebelde e de nem sempre ficar como eu quero que fique é, sem dúvida, muito forte e saudável. Nunca tive queda de cabelo, não tenho necessidade de o lavar todos os dias e não fica danificado facilmente.
4. Sou boa ouvinte: Como introvertida, não sou muito de falar, sou mais de refletir e de analisar o mundo ao meu redor e de ouvir. Aprendemos muito sobre as pessoas quando as ouvimos. Estou a falar de "ouvir" no sentido de ouvir de verdade, não de ouvir apenas para saber o que responder. Esta é uma qualidade que eu tenho aprimorado ainda mais em Enfermagem e me tem tornado uma pessoa melhor.
5. Sou aventureira: Como sabem, adoro viajar. Não o faço tantas vezes como gostaria mas, quando o faço, aproveito ao máximo. Em viagens, deixo os meus medos e as minhas inseguranças em casa, e decido arriscar mais, fazer coisas que normalmente não faria e viver no momento (que é algo que, como preocupada crónica, não consigo fazer no meu quotidiano).
6. Sou persistente: Quando meto uma coisa na cabeça, não desisto dela. Por muito que seja difícil, por muito que as minhas inseguranças me tentem convencer que não sou capaz, eu luto por aquilo que quero até ao fim. Aos olhos dos outros, pode parecer que tive uma vida fácil (não diria fácil, mas que fui privilegiada em muitas coisas fui), porém a vida já me testou de maneiras que eu não considerava que eram possíveis e, ainda assim, tive força para continuar. As coisas boas acontecem por acaso, mas as melhores coisas acontecem porque lutamos por elas, e isso é algo que eu tenho bem presente na minha mente nos momentos em que a minha determinação parece falhar.
7. Sou curiosa: Não concordo nada com a frase " A curiosidade matou o gato". Para mim, a curiosidade não é um defeito. A busca incessante pelo conhecimento é aquilo que nos faz crescer e amadurecer. Atenção que, quando falo de curiosidade, não me estou a referir a coscuvilhices. Também gosto de saber mais sobre as pessoas de quem gosto, mas nunca ultrapasso os limites e respeito sempre a sua privacidade. Acima de tudo, a minha curiosidade volta-se mais para o mundo em geral do que propriamente a vida de cada um.
8. Sou extremamente pontual: Quando me apresentam um horário eu cumpro-o sempre, quer seja o horário da faculdade, de uma consulta ou apenas de um simples café com os amigos. Sou mesmo super pontual. Não gosto de causar transtornos nos horários de ninguém. Para mim, é simples, se se combinou uma hora é para cumprir.
9. Sou empática: Todos nós temos lutas internas que os outros nem imaginam que estamos a enfrentar e, no entanto, somos tão duros uns com os outros. O tempo tem-me ensinado a não julgar imediatamente todas as ações que não compreendo, porque pode existir todo um contexto por trás que eu desconheço. Não sou empática ao ponto de tomar a dor do outro como a minha (nem tal seria razoável, os problemas são sempre muito mais duros para quem os tem), dar apoio e ajudar ou, pelo menos, ser um pouco mais amável e tolerante.
10. Sou humilde: Sei reconhecer os meus erros e defeitos. Não sou orgulhosa, e não tenho medo de pedir desculpa quando sei que falhei para com alguém.
11. Sou dedicada: Dou 100% de mim em tudo aquilo que me comprometo. Não gosto de fazer nada pela metade e isso aplica-se em todos os aspetos da minha vida, desde os mais pequenos detalhes até ao planos mais ambiciosos. Às vezes, isto resulta em frustração, por não conseguir dedicar-me a tudo em igual medida (somos seres com tempo e energia limitada) mas, a maior parte das vezes, considero isto uma grande qualidade.
12. Tenho muito autocontrolo: Não cedo facilmente aos meus caprichos e impulsos. Nunca caí em vícios nem em situações problemáticas. Consigo estudar de forma produtiva sem recorrer a truques como tirar as tecnologias do quarto. Já cumpri dietas alimentares rigorosíssimas (infelizmente, por razões médicas). Curiosamente, não tenho este autocontrolo a nível emocional o que, por um lado é mau, porque faz com que a ansiedade me ataque mais mas, por outro lado é bom, porque torna as minhas relações mais espontâneas e reais.
13. Sou mente aberta: Nem sempre fui assim, mas a minha (curta) experiência de vida foi-me moldando para o ser. Quando nascemos, todos nós recebemos as crenças das pessoas mais próximas de nós. Algumas mais corretas que outras. Como somos demasiado novos, não temos essa capacidade de discernimento. Só quando crescemos é que começamos a refletir sobre a veracidade de algumas destas crenças e parece que o passo mais lógico seria abandoná-las. No entanto, abandoná-las é desconfortável, porque são tudo aquilo que nós conhecemos. É por isso que muitas pessoas ficam presas a tabus e a ideias pré-concebidas. Tenho aprendido que a melhor forma de viver em plenitude e aproveitar o melhor que o mundo nos tem para oferecer é ter uma mente aberta. Aceitar que os nossos valores e crenças estão em constante mudança e que, mesmo que não seja esse o caso, não faz mal em aceitar uma perspetiva diferente. Considero-me mente aberta em muitas coisas, e estou a trabalhar para sê-lo em outras tantas.
( Publicação inserida no Desafio 1+3)







