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12.6.18

13 Qualidades


Quando descobri qual era o segundo tema do Desafio 1+3, entrei em pânico. Considero-me uma pessoa com autoestima, sinto-me bem na minha própria pele, mas não estou habituada a refletir desta maneira sobre mim própria. Acho que, no fundo, ninguém está. É muito mais fácil pensar nos nossos defeitos e naquilo que podíamos melhorar do que pensar nas nossas qualidades. Foi assustador constatar que mais depressa escrevia uma lista com 13 defeitos do que com 13 qualidades.

Inicialmente, ia pedir ajuda aos meus familiares e amigos. Mas embora isso fosse um bom exercício para descobrir aquilo que mais admiram em mim, decidi que devia abraçar este tema sozinha e descobrir por mim própria aquilo que há de mais admirável em mim. Acabei de escrever esta publicação com um sentimento ainda maior de auto-valorização e a certeza de que todos temos tesouros escondidos dentro de nós.


1. Sou carinhosa: Adoro contacto físico, abraços, beijinhos e, sempre que posso, gosto de mimar as minhas pessoas. Não sou o género de carinhosa que abraça um desconhecido na rua, a minha timidez inicial faz com que eu hesite em fazer demonstrações de carinho  mas, quando estou mesmo muito à vontade com as pessoas, essa hesitação desaparece.

2. Tenho um sorriso contagiante: Isto é capaz de ser considerado um bocado batota, porque muitas pessoas já elogiaram tanto a forma como eu sorrio mas foi isso  que fez com que, eventualmente, eu me apaixonasse por esta minha característica (ok, isto soou um bocado egocêntrico, mas eu prometo que não sou assim). Agora, o meu sorriso é uma das coisas que mais gosto em mim. Gosto dele mesmo quando, de forma distraída, mostro um pouco das minhas gengivas ao rir-me. Talvez seja por isto que, inconscientemente, esteja a sorrir em (quase) todas as fotos que tenho.

3. Tenho um cabelo forte: Apesar de este ser muito rebelde e de nem sempre ficar como eu quero que fique é, sem dúvida, muito forte e saudável. Nunca tive queda de cabelo, não tenho necessidade de o lavar todos os dias e não fica danificado facilmente.

4. Sou boa ouvinte: Como introvertida, não sou muito de falar, sou mais de refletir e de analisar o mundo ao meu redor e de ouvir. Aprendemos muito sobre as pessoas quando as ouvimos. Estou a falar de "ouvir" no sentido de ouvir de verdade, não de ouvir apenas para saber o que responder. Esta é uma qualidade que eu tenho aprimorado ainda mais em Enfermagem e me tem tornado uma pessoa melhor.

5. Sou aventureira: Como sabem, adoro viajar. Não o faço tantas vezes como gostaria mas, quando o faço, aproveito ao máximo. Em viagens, deixo os meus medos e as minhas inseguranças em casa, e decido arriscar mais, fazer coisas que normalmente não faria e viver no momento (que é algo que, como preocupada crónica, não consigo fazer no meu quotidiano).

6. Sou persistente: Quando meto uma coisa na cabeça, não desisto dela. Por muito que seja difícil, por muito que as minhas inseguranças me tentem convencer que não sou capaz, eu luto por aquilo que quero até ao fim. Aos olhos dos outros, pode parecer que tive uma vida fácil (não diria fácil, mas que fui privilegiada em muitas coisas fui), porém a vida já me testou de maneiras que eu não considerava que eram possíveis e, ainda assim, tive força para continuar. As coisas boas acontecem por acaso, mas as melhores coisas acontecem porque lutamos por elas, e isso é algo que eu tenho bem presente na minha mente nos momentos em que a minha determinação parece falhar.

7. Sou curiosa: Não concordo nada com a frase " A curiosidade matou o gato". Para mim, a curiosidade não é um defeito. A busca incessante pelo conhecimento é aquilo que nos faz crescer e amadurecer. Atenção que, quando falo de curiosidade, não me estou a referir a coscuvilhices. Também gosto de saber mais sobre as pessoas de quem gosto, mas nunca ultrapasso os limites e respeito sempre a sua privacidade. Acima de tudo, a minha curiosidade volta-se mais para o mundo em geral do que propriamente a vida de cada um.

8. Sou extremamente pontual: Quando me apresentam um horário eu cumpro-o sempre, quer seja o horário da faculdade, de uma consulta ou apenas de um simples café com os amigos. Sou mesmo super pontual. Não gosto de causar transtornos nos horários de ninguém. Para mim, é simples, se se combinou uma hora é para cumprir.

9. Sou empática: Todos nós temos lutas internas que os outros nem imaginam que estamos a enfrentar e, no entanto, somos tão duros uns com os outros. O tempo tem-me ensinado a não julgar imediatamente todas as ações que não compreendo, porque pode existir todo um contexto por trás que eu desconheço. Não sou empática ao ponto de tomar a dor do outro como a minha (nem tal seria razoável, os problemas são sempre muito mais duros para quem os tem), dar apoio e ajudar ou, pelo menos, ser um pouco mais amável e tolerante. 

10. Sou humilde: Sei reconhecer os meus erros e defeitos. Não sou orgulhosa, e não tenho medo de pedir desculpa quando sei que falhei para com alguém.

11. Sou dedicada: Dou 100% de mim em tudo aquilo que me comprometo. Não gosto de fazer nada pela metade e isso aplica-se em todos os aspetos da minha vida, desde os mais pequenos detalhes até ao planos mais ambiciosos. Às vezes, isto resulta em frustração, por não conseguir dedicar-me a tudo em igual medida (somos seres com tempo e energia limitada) mas, a maior parte das vezes, considero isto uma grande qualidade.

12. Tenho muito autocontrolo: Não cedo facilmente aos meus caprichos e impulsos. Nunca caí em vícios nem em situações problemáticas.  Consigo estudar de forma produtiva sem recorrer a truques como tirar as tecnologias do quarto. Já cumpri dietas alimentares rigorosíssimas (infelizmente, por razões médicas). Curiosamente, não tenho este autocontrolo a nível emocional o que, por um lado é mau, porque faz com que a ansiedade me ataque mais mas, por outro lado é bom, porque torna as minhas relações mais espontâneas e reais.

13. Sou mente aberta: Nem sempre fui assim, mas a minha (curta) experiência de vida foi-me moldando para o ser. Quando nascemos, todos nós recebemos as crenças das pessoas mais próximas de nós. Algumas mais corretas que outras. Como somos demasiado novos, não temos essa capacidade de discernimento. Só quando crescemos é que começamos a refletir sobre a veracidade de algumas destas crenças e parece que o passo mais lógico seria abandoná-las. No entanto, abandoná-las é desconfortável, porque são tudo aquilo que nós conhecemos. É por isso que muitas pessoas ficam presas a tabus e a ideias pré-concebidas. Tenho aprendido que a melhor forma de viver em plenitude e aproveitar o melhor que o mundo nos tem para oferecer é ter uma mente aberta. Aceitar que os nossos valores e crenças estão em constante mudança e que, mesmo que não seja esse o caso, não faz mal em aceitar uma perspetiva diferente. Considero-me mente aberta em muitas coisas, e estou a trabalhar para sê-lo em outras tantas. 


( Publicação inserida no Desafio 1+3)

24.8.17

10 coisas que mudam quando te começas a respeitar a ti próprio/a


A minha mãe costuma dizer que não há amor maior do que o amor próprio. Antes eu não compreendia isso mas agora, após anos de inseguranças e de baixa autoestima, finalmente percebi o que ela queria dizer.

Durante anos não soube respeitar a mim própria. Não soube dar valor a minha própria, achava que não prestava para nada, que existiam pessoas muito melhores do que eu. Por conseguinte, as outras pessoas também pensavam assim.

Porém, quando ( finalmente) descobri que era cansativo viver desta forma, sempre a desvalorizar-me, comecei a trabalhar para me respeitar mais a mim própria e ganhar autoestima. Para quê concentrar toda a minha energia em desprezar-me a mim própria quando posso trabalhar para me amar mais e tornar-me uma melhor pessoa?

Melhorar a relação que temos com nós mesmos é um caminho longo e bastante difícil, mas quando estamos continuamente a insistir nisto, coisas boas, diria até mágicas podem acontecer, como estas.


1. A tua relação com ti próprio/a melhora: A partir do momento em que começas a cuidar de ti próprio/a, fisicamente, mentalmente, e emocionalmente, apercebeste-te que a relação mais importante que podes ter é a tua relação contigo/a próprio/a, e é esta relação que vai ditar todas os teus relacionamentos.

2. Começas a amar-te a ti próprio/a: Começas a parar de procurar desesperadamente o amor dos outros para preencher o teu vazio, e começas a preencher este com amor próprio e autoestima.

3. Os teus relacionamentos melhoram: O teu relacionamento com as outras pessoas melhora significativamente. Começas a abordar as pessoas com mais confiança, mais simpatia e mais bondade. As outras pessoas começam a estar mais tempo contigo, porque as abordas com confiança e abres-te mais nas conversas.

4. Atrais boas pessoas: Se há coisas que a vida me tem ensinado, é que positividade atrai mais positividade. Se tu dás positidade ao Universo, este dar-te-á mais de volta. Por isso, quando te sentes bem contigo/a próprio e és positivo/a, atrais mais pessoas assim, boas pessoas, interessantes, que vale a pena conheceres.

5. Afastas-te das pessoas tóxicas: Quando deixas de ter pena de ti próprio/a e começas a ter amor próprio, de repente percebes com clareza aquelas que pessoas que são tóxicas, que são negativas e só te fazem mal. Percebes que os relacionamentos não podem ser unilaterais. Por muito que gostes de uma pessoa, se essa pessoa é emocionalmente abusiva, o melhor é afastares-te.

6. Começas a lutar por ti próprio/a e pelo que acreditas: Quando ganhas amor próprio/a, as tuas certezas falam mais alto do que as tuas inseguranças. Deixas de acreditar na negatividade e nas dúvidas que os outros têm de ti, e começas a lutar por aquilo que queres. Elas podem dizer coisas más ou mesmo cruéis, mas tu já não as ouves. Estás concentrado/a nos teus objetivos e nos planos para os atingir.

7. Paras de sentir a necessidade de justificar as tuas escolhas a toda a gente: Se tu estás a fazer escolhas que te deixam feliz e que não prejudicam ninguém, não deves explicações a ninguém.

8. Paras de te deixar levar pela pressão do teu grupo de amigos, da família ou da sociedade: Deixas de fazer escolhas baseadas no que os teus amigos ou a tua família quer, ou baseadas nas normas restritas da sociedade. Fazes as escolhas que te fazem feliz e que te parecem ser as mais acertadas ( mesmo que, por vezes, não as sejam).

9. Paras de culpar o destino ou Deus pelas circustâncias: Sabes que há coisas na tua vida que não podes mudar, mas muitas outras que podes, e é nessas em que te concentras. Não adianta nada ficar parado/a a chorar pelos azares que tiveste na tua vida, quando não tens sorte fazes a tua própria sorte, e quando as oportunidades não aparecem, tu crias as tuas próprias oportunidades.

10. És mais feliz: Desde que comecei a respeitar-me a mim própria e me comecei a amar, que me sinto mais feliz. Sinto-me mais leve, mais sorridente, mais confiante. Claro que continuo a ter as minhas inseguranças e os meus medos ( todos nós os temos), mas não deixo que estes falem mais alto que os meus sonhos e as minhas convicções. Tento, todos os dias, pensar de forma positiva, rodear-me de pessoas positivas, e lutar para atingir os meus objetivos.


24.7.17

#BeautyBeyondSize: Carta para o meu corpo


Querido Corpo,

Durante grande parte da minha vida, eu e tu tivemos uma relação difícil. Durante grande parte da minha vida, eu não te amei como devia, não te valorizei nem apreciei. Fiz, disse e pensei coisas horríveis acerca de ti. Fiz sempre tão pouco, e esperei sempre tanto de ti. Durante anos, andei em guerra contigo, sem saber que estava a prejudicar-nos a ambos. Concentrei-me mais nos nossos erros do que nas nossas vitórias. Por tudo isto, peço imensas desculpas. Com este carta pretendo documentar este pedido de desculpas, e contar a história de como voltei a amar-te.

Sinto-me arrependida pelos dias que passei triste, por ser demasiado magra e alta comparativamente com as outras raparigas. Olhando para trás agora, sei que foi parte do meu crescimento, cresci mais rápido do que o que contavas, pelo que não conseguiste fazer com que ganhasse peso num tão curto espaço de tempo. No entanto, quando eu tinha 10 anos, não fui capaz de compreender isso, e culpei-te, por me fazeres sentir tão estúpida, esquisita e tão deslocada. Numa tentativa de remediar a situação e parecer-me mais com as raparigas populares que eu considerava bonitas, comecei a comer inúmeras gulosices sem fome, numa tentativa de ganhar peso, mas sempre em vão. Parecia que te recusavas a engordar, e todas as minhas tentativas foram falhadas. Vi-me obrigada a parar quando a minha mãe reparou que comia às escondidas. A partir daí, sobre a vigilância constante da minha mãe, não pude fazer mais nada, mas continuava a odiar-te e a culpar-te por me fazeres sentir tão mal.

Eventualmente, cresci, e tu também. Evoluíste para formas mais bonitas e mais saudáveis. Por volta dos meus 15 anos, eu e tu andámos numa fase de paz, em que eu te elogiava, admirava-te e respeitava-te, tal como o merecias. Sentia-me bonita, tinha um bom metabolismo, podia comer tudo o que quisesse sem engordar, e os comentários maldosos que diziam o contrário não me convenciam. Era tudo inveja. Andávamos, eu e tu, felizes, e parecia que nada poderia estragar essa felicidade. Contudo, isso foi sol de pouca dura.

Por volta dos meus 17 anos, por ironia da vida, passei do 8 para 80. Se antes me queixava da minha magreza extrema, comecei a queixar-me de estar a engordar. A pílula resolveu os meus problemas de acne, mas fez-me ganhar formas de mulher e engordar rapidamente.  Voltei a odiar-te e a tratar-te mal. Embarquei em muitas dietas restritas, mas que não me garantiam bons resultados. Perdia 1 quilo numa semana, mas ganhava 2 na seguinte. Comecei a ficar obcecada com as calorias, contava todas as que comia. Comecei a ficar cada vez mais triste e revoltada e, se a minha prima nutricionista ( na altura, estudante de Nutrição), não tivesse intervindo, não sei o que é que nos teria acontecido.

A minha prima ajudou-me a criar uma dieta em que eu perdesse peso, não tivesse fome e, sobretudo, me alimentasse de forma saudável. A pouco e pouco, fui perdendo peso, voltei a sentir-me bonita e, mais importante que tudo, voltei a amar-te. Deixei de pensar e dizer coisas horríveis sobre ti, deixei  de te maltratar e deixei de te insultar. A pouco e pouco, fui construindo uma relação de amor e confiança contigo.

O nosso caminho foi longo e duro mas agora, finalmente, consigo compreender tudo. Obrigada pela paciência que tiveste comigo, durante todos estes anos, para aturar e suportar todo o mal que fiz. Obrigada pelas lições valiosas que me deste, sobre autoconfiança, amor próprio e, sobretudo, por me ensinares a tratar-te da maneira que mereces. Abriste-me os olhos para a realidade de que todos nós só temos um corpo, e é nosso dever tratar deste como se fosse algo sagrado, um templo, porque a nossa saúde é algo que devemos estimar.

Mas a maior lição que aprendi com isto tudo é que a nossa beleza não se define pelo número que aparece na nossa balança. A nossa beleza define-se pelo quão saudáveis e felizes somos. E ninguém, nem mesmo a estúpida da sociedade, nos pode dizer o contrário.

Peço, mais uma vez, desculpa por todo o sofrimento que te causei, e agradeço-te por teres sido paciente e teres esperado para que eu aprendesse as minhas lições. Daqui para a frente, tudo será melhor. Espera-nos um futuro que, certamente, nos irá trazer muitos alegrias, se ficarmos sempre unidos.


(Este post insere-se no projeto "#BeatyBeyondSize", trazido à blogosfera portuguesa pela Sónia Pinto do blog " She Writes". Para mais informações, cliquem aqui)