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10.5.18

Q&A 21º Aniversário


Há uns dias atrás, pedi-vos para fazerem-me umas perguntas, para festejar o meu aniversário de uma forma diferente. Hoje trago-vos as respostas. Um bocadinho atrasadas eu sei, mas maio está a ser um mês louco para mim, cheio de coisas para fazer (e agora com a semana do Enterro da Gata aqui à porta) mas, ao mesmo tempo muito feliz.

Não estava a contar que me colocassem tantas questões (muito obrigada àqueles que quiserem contribuir para este Q&A), pelo que não consegui responder a todas, até porque a publicação já está enorme. Tentei responder à maior parte, deixando de fora aquelas que já tinham respondido no último Q&A que fiz (que podem ver aqui e aqui) e também aquelas relacionadas com o Harry Potter. Fizeram-me perguntas tão engraçadas e originais que estou a pensar fazer um Q&A especial Harry Potter, portanto já tenho essas questões colocadas de lado para uma publicação futur que, provavelmente, sairá no verão (se quiserem acrescentar mais à lista, sintam-se à vontade para fazê-lo nos comentários). Sem mais demoras, aqui estão as minhas respostas. 


Há alguma categoria que gostasses de trazer para o blog, mas que foste adiando por causa do blog?
De momento, não me ocorre nada à cabeça. Antes de sair do anonimato, já me fui desleixando em algumas coisas. Aborrecia-me imenso não poder falar da minha cidade nem das viagens que fazia por isso, aos poucos, fui escrevendo sobre isso. Também fui, aos poucos, escrevendo sobre o meu curso. Introduzir categorias novas fez parte da minha transição gradual para um blog público. Aquilo que eu adiei mais devido ao anonimato foi publicações com fotos de mim própria. Era aquilo que eu mais ansiava quando revelei a minha identidade, poder publicar fotos minhas.

No teu álbum de memórias, qual é aquela que mais te faz sorrir?
Tantas! É difícil escolher apenas uma. Mas escolheria talvez os dias passados na praia com a minha família no verão, quando era criança. Ainda passamos momentos assim hoje em dia, mas na infância era diferente. A inocência da altura, as primeiras idas ao mar, os brinquedos na areia, os doces, as partidas,... As primeiras férias de verão em família ficam sempre na memória, e a praia da nossa infância vai ter sempre um lugar especial no nosso coração.

Qual é o álbum da tua vida?
"Laundry Service", da Shakira. Não por ser o melhor álbum de sempre, mas por ser o primeiro que recebi. As músicas deste álbum acompanharam a minha transição de pré-adolescente para adolescente, o processo de descoberta do meu corpo e toda a montanha-russa característica desta fase da vida.

Qual o teu animal favorito?
Os cães, por serem leais aos seus donos. No futuro, quando tiver o meu próprio apartamento, gostava de ter um cão para me fazer companhia.

Define-te em três palavras.
Sonhadora (mas com os pés bem assentes na terra), persistente e leal. 

Sobre o que é que mais gostas de escrever aqui no blog?
Adoro escrever sobre os mais variados assuntos (por isso é que nunca escolhi um específico para o meu blog), mas diria que os posts que mais me dão prazer a escrever são reflexões sobre a sociedade/vida em geral, livros, blogosfera e sobre o meu curso.

Já que és autora best-seller de listas, gostava de saber qual foi a tua lista preferida de escrever até hoje?
Tive que investigar os meus próprios arquivos para conseguir selecionar a lista merecedora de tal distinção. Após muito refletir, penso que a minha lista favorita de sempre é "Como o meu blog mudou a minha vida". Quando, numa tarde muito descontraída de sempre, criei o "Life of Cherry" nunca imaginei o impacto que este teria na minha vida. É realmente impressionante como uma simples plataforma como um blog pode ser uma rampa para tantas oportunidades, para tanto crescimento e para o começo de tantas amizades. Ainda hoje, após quase 4 anos nesta aventura virtual, isso continua a ser surpreendente para mim.

O que te motiva a não desistir?
A lista das coisas que me motivam a não desistir é diferente em cada dia. Tal como a Alice do País das Maravilhas pensa em 6 coisas impossíveis antes do pequeno almoço, eu costumo pensar em razões para não desistir de tudo aquilo que realmente quero. Mas, no geral, aquilo que mais me motiva a não desistir é meio cliché, mas resulta sempre: pensar na oportunidade que é estar viva e não querer desperdiçar oportunidades por medo ou achar que não sou capaz.

Em quem te inspiras?
Poderia referir aqui figuras públicas que fazem trabalhos notáveis ou ações humanitárias que marcam a diferença na vida das pessoas, mas prefiro dar destaque às pessoas mais perto de mim. Inspiro-me nos bloggers que sigo, inspiro-me nos meus professores, inspiro-me nos pacientes que já passaram por mim, nos meus amigos, na minha família... Além de todas estas pessoas, também me inspiro em mim própria. Pode parecer estranho e até egocêntrico, porém é algo em que acredito mesmo. Somos a nossa própria inspiração. Ou, pelo menos, eu tento ser. Quando estou desmotivada ou sinto que não sou capaz de algo, tento pensar em todos os obstáculos que já ultrapassei, em todas as minhas conquistas e depois penso "se eu já fiz aquilo, porque não haveria de fazer isto agora?".

Quem é para ti, o teu herói?
Não tenho ninguém em específico que considere um herói. Para mim, os meus heróis são todas as pessoas que eu amo, que estão sempre ao meu lado nos bons e maus momentos, que não me deixaram cair nos momentos mais baixos da minha vida e que contribuem para a minha felicidade.

Como é que conseguiste sair do anonimato de blogger, e passaste a ser tu mesma?
Eu sempre fui eu mesma na blogosfera, apenas com mais filtros. Naturalmente, como anónima, era mais contida, e só quando saí do anonimato é que me senti verdadeiramente eu mesma, mas fui sempre sincera e genuína em tudo o que escrevia, desde o início. Bem, a transição do anonimato para um blog público foi um processo gradual para mim, o que ajudou bastante. Teria sido um choque ainda maior se tivesse sido de um dia para o outro. Quando comecei a ficar farta dos filtros que ser anónima me impunha, comecei a "desleixar-me" um pouco e a dar mais informação sobre mim. Eventualmente, comecei a colocar algumas fotos de mim própria, mas de costas. A partir desta altura, já sabia que corria o risco de pessoas conhecidas descobrirem o meu blog, mas ainda não estava preparada para isso, ainda tinha medo da reação das pessoas. Eventualmente, o que eu temia aconteceu: a minha turma universitária descobriu o meu blog. Contei a história detalhada aqui, mas basicamente uma rapariga descobriu e espalhou pela turma toda. Na altura tive vontade de me meter num buraco mas, à medida que fui recebendo um feedback tão positivo das pessoas, perdi essa vergonha e comecei-me a orgulhar daquilo que escrevia. Uns meses depois, quando toda a agitação que a revelação do meu blog causou já tinha atenuado, senti-me finalmente confortável para tornar o meu blog público, e hoje estou muito orgulhosa da decisão que tomei. Um dia destes vou escrever uma publicação a falar mais especificamente daquilo que me ajudou a sair do anonimato, porque é uma pergunta que me têm feito com frequência.

A tua família sabe que és blogger?
A minha família descobriu que tinha um blog poucos dias depois de o tornar público. Achava que iria ter mais tempo para me preparar mentalmente, mas as sugestões do Facebook atraiçoaram-me (tive amigos a meterem gosto na página, e isso fez com que aparecesse nas sugestões dos meus familiares). Ao início, foi um choque para alguns, mas agora encaram tudo com normalidade e até tenho familiares que gostam muito de me ler. Mas ainda é estranho ser lida por familiares, confesso.

Achas que ficaste mais "famosa" pela blogosfera quando saíste do anonimato ou continua tudo na mesma?
Não diria que fiquei "famosa", mas o número de visitas aqui no blog aumentou, sem dúvida. Não foi uma diferença brutal, até porque antes já tinha muitas mais visualizações do que aquelas com que contava. Normalmente, quando somos anónimos na blogosfera temos mais dificuldade a criar o nosso público, porque não podemos revelar muito sobre nós (além de não nos levarem tanto a sério porque " ah dizes isso, mas não dás a cara..."), logo é mais difícil de criar empatia. Por isso, eu considero-me sortuda porque, apesar de ser anónima, consegui conquistar um um grupo de seguidores muito fiéis. Modéstias à parte, durante o meu percurso blogosférico, eu consegui tornar o meu blog numa marca. Quando eu saí do anonimato, ouve uma leitora que escreveu algo que me derreteu por dentro, por comprovar isto: " Fico muito feliz por saíres do anonimato, mas para mim não faz diferença, por Cherry já é uma identidade pela qual ficaste conhecida por aqui". 

O que mudou para ti desde que desta a cara pelo blog?
A minha confiança. Agora que tenho um blog público já não me tenho que esconder atrás de imagens do Tumblr, já não tenho que omitir datas ou locais nem tenho que andar por aí a escrever publicações às escondidas. Posso escrever sobre aquilo que quiser, e saber que existem pessoas que me conhecem e que me adoram ler deu-me ainda mais confiança para continuar com este espaço que tanto estimo.

Se tivesses que escolher entre praticares Enfermagem e não poderes mais livros ou leres todos os livros que quiseres e não poderes praticar mais Enfermagem, qual escolherias?
Tive vontade de chorar quando li esta pergunta, Mas que crueldade Nani, porque é que me fizeste isto? Este dilema quase explodiu com a minha cabeça! Bem, o meu primeiro instinto era escolher Enfermagem, mas depois comecei a refletir sobre o impacto que os livros tiveram na minha vida, e tive que mudar a minha escolha para esse lado. Grande choque, i know! Mas deixem-me explicar. Antes de saber ler ou escrever sequer, eu já tinha o meu coração entregue aos livros. Já ouvia atentamente todas as histórias que o meu pai me contava antes de adormecer e, em vez de adormecer, eu queria ouvir mais uma história e tentava memorizá-las para poder dizer que sabia ler. Os livros sempre foram os meus companheiros, os meus amigos, portas para lugares desconhecidos ou para lugares que não poderia visitar de outra forma, conselheiros em alturas em que mais ninguém me conseguia aconselhar. Os livros já me salvaram a vida, ao darem-me consolo em momentos de desespero e coragem para superar os vários obstáculos que já se atravessaram no meu caminho. Por tudo isto e muito mais, eu nunca vou conseguir abdicar dos livros. São praticamente os meus segundos pulmões, sem estes eu não respiro. Seria uma pessoa muito incompleta por ter de abdicar de Enfermagem, que é outra das minhas grandes paixões, mas acabaria por arranjar forma de trabalhar em algo da área da saúde que fosse o mais próximo disso. Ainda bem que isto só é uma situação hipotética e que eu posso fazer as duas coisas na realidade, ufa!

Porque é que escolheste enfermagem?  
Nunca fui daquelas pessoas que sabe aquilo que quer ser desde pequena. Quando era criança, já quis ser bailarina, cantora, cabeleireira, atriz, veterinária, até já quis trabalhar num supermercado (achava muita piada à forma como as senhoras tocavam nas teclas da caixa registadora, com as suas unhas pintadas). Mudava de profissão todos os dias, basicamente. Só por volta do meu 6º ano é que comecei a ter ideias mais definidas acerca daquilo que queria fazer no futuro. O meu coração sempre andou dividido entre letras e saúde, mas um conjunto de fatores e experiências fez com que eu escolhesse a segunda como profissão. Para começar, alguns familiares meus trabalham na área da saúde, pelo que cresci a espreitar livros de anatomia e a ver, à socapa, vídeos de operações que eles viam na Internet para estudar. Depois, claro, vi " Anatomia de Grey", que é responsável por metade dos jovens que se meteram em Medicina e Enfermagem (mesmo tendo percebido, mais tarde, que nem tudo era como na série). Mas aquilo que foi mais determinante e que mais me incentivou a ser enfermeira foi os profissionais de saúde que me acompanharam e que acompanharam as minhas pessoas. Ver enfermeiras com tanto gosto pela profissão, a tratar-me a mim e aos meus familiares com tanta empatia deu-me vontade de também eu vestir a "bata branca" e contribuir para melhorar a saúde e o bem estar dos outros. 

Qual a maior força e fraqueza em Enfermagem?
A nossa maior força é a proximidade que temos com as pessoas. Cada vez mais nós, estudantes de Enfermagem, estamos a ser instruídos no sentido de não nos limitarmos a fazer aquilo que está protocolado (dar injeções, colher sangue, dar medicação, fazer tratamentos a feridas,...)  e dedicarmos mais tempo a estabelecer uma relação terapêutica com o doente. Há uns 30 anos atrás já existia esta preocupação,naturalmente (não é à toa que Enfermagem é considerada uma ciência humana), mas cada vez mais existe esta preocupação, em trabalhar na relação com o doente, perceber os seus receios, reservar tempo para o ouvir, para permitir que ele exprima as suas emoções... Às vezes, estar ali simplesmente a ouvir um doente é mais terapêutico que um comprimido. Portanto, considero que esta relação terapêutica que estabelecemos com os doentes é o nosso ponto forte. A maior fraqueza em Enfermagem não tem propriamente a ver com a profissão em si, mas sim com a forma como a sociedade perceciona a nossa profissão. Sinto que grande parte da população ainda vê Enfermagem como uma profissão de segunda categoria, dos ajudantes dos médicos, dos jovens frustrados que não conseguiram entrar em Medicina...Acho que só quem já teve familiares ou pessoas próximas internadas num hospital é que deixa de ter esta visão de os enfermeiros e que percebe realmente aquilo que nós fazemos. Sinto que ainda temos um longo caminho a percorrer neste sentido de mudar a forma como as pessoas nos vêem. 

Achas genuinamente que vais ser uma boa enfermeira? Achas que tens perfil para isso?
Acho genuinamente que serei boa em tudo aquilo a que me entregar com todo o coração. É nisto que tento pensar, sempre que as inseguranças e os medos me tentam enganar e fazer com que acredite que não sou boa o suficiente para esta profissão. Nós, estudantes de Enfermagem, costumamos a dizer em tom de brincadeira que, num dia de estágio, sentimos vontade de desistir e de sermos enfermeiros incríveis mil vezes, tudo no mesmo dia. Os estágios exigem muitos de nós e por vezes, são tão exigentes que nos podem fazer esquecer a razão pela qual entramos no curso em primeiro lugar. Não estou a dizer que os estágios de outros cursos não são exigentes, mas os que estão ligados a saúde estão associados a maiores níveis de pressão, porque é com vidas humanas que estamos a lidar, e não há espaços para erros. Mas aquilo que conta ao final do dia é a nossa vontade insaciável de ajudar e de chegar a mais pessoas e o nosso amor pela farda branca. Apesar de já ter aprendido imenso, sei que ainda tenho muito para aprender, mas acredito que serei uma boa enfermeira, pois crio empatia com os meus pacientes, sou simpática e consigo identificar os problemas e preocupações dos outros. Uma pessoa que demonstre estas qualidades já é uma boa enfermeira, a experiência vem depois. 

O que mais gostavas de fazer após terminares do curso?
Além de exercer Enfermagem, gostava de viajar. Aliás, planeio fazer uma viagem logo após o curso, mas isso vai depender de muita coisa, nomeadamente do dinheiro disponível e do quão rápido eu arranjar emprego (gostava de poder estar a dizer, daqui a um ano, que não pude viajar porque arranjei logo emprego, seria bom sinal!). 

Qual foi o maior ensinamento dos teus 20 anos?
Que esta frase inspiradora é tão verdade: " Por vezes, tudo aquilo que é preciso são 10 segundos de uma coragem louca para mudar a tua vida". 

O que esperas dos 21 anos?
Aprendi, com o passar dos anos, a não criar grandes expetativas e metas muito fixas para cada idade, porque a vida troca-nos as voltas e fura-nos os planos o que, por um lado, até é bom, pois torna-a imprevisível e entusiasmante. Por isso aquilo que espero mesmo é ser feliz, independentemente daquilo que aconteça. 

21.4.18

Q&A 21º Aniversário: Deixem as vossas perguntas

Q&A 21º Aniversário: Deixem as vossas perguntas

Daqui a pouco mais de uma semana vou completar 21 anos de vida e, este ano, pensei fazer algo ligeiramente diferente para festejar o meu aniversário na blogosfera. Para além da habitual publicação de lições que sai sempre na véspera do meu aniversário, pensei fazer um Q&A. Já não faço algo deste estilo há dois anos (os últimos que fiz foram na altura do 2º aniversário do blog, aqui e aqui), pelo que entretanto já devem ter perguntas novas e também já há malta nova por aqui (incluindo pessoas que me conhecem pessoalmente. Vá, aproveitem o anonimato da Internet para perguntar aquilo que não tem coragem de perguntar na cara heheheh). Além disso, é o primeiro Q&A que faço desde que saí do anonimato, pelo que ainda terão mais questões, agora que sabem quem eu sou e podem perguntar coisas com menos filtros, porque eu já vos posso responder sem ter medo de que descubram a minha identidade. 

Podem deixar as perguntas aqui (pode ser em anónimo se preferirem), ou então pelo Twitter do blog ou pelo Instagram, nas respetivas publicações, se for mais fácil para vocês assim (bem sei que, às vezes, dá aquela preguiça de comentar blogs e que é mais fácil escrever através das redes sociais). Até ao dia 2 de maio receberei todas as vossas perguntas e, nessa mesma semana, sairá um post com as respostas. Eu sei, ainda falta alguns dias para eu fazer anos, mas assim têm tempo de pensar nas vossas questões e eu tenho tempo de respondê-las (maio é sempre, para mim, o mês mais ocupado do ano). Que me dizem?

Fico a contar com as vossas perguntas. Espero que gostem.

2.9.16

Q&A de 2º aniversário do blog: As respostas ( Parte 2)


Ontem foi o aniversário do blog e, tal como prometi, hoje trago a segunda parte do Q&A ( podem ver a primeira parte aqui). Aviso desde já que é um post longo, porque ainda tinha muitas perguntas para responder e, mais uma vez, escrevi demais, como sempre.


Se tivesses um poder, qual seria?

Vocês só me fazem perguntas difíceis! Quando era pequena, eu costumava dizer que o poder que queria ter era voar, mas agora não é esse que eu quero ( mas se eu o tivesse, seria bastante fixe!). O poder que eu agora gostava de ter era ler os pensamentos das pessoas. Não gostava de ler o pensamento de todas as pessoas, por obrigação, porque isso seria bastante horrível e até uma tortura ter que saber a opinião delas quando eu não o peço. Gostaria de ler os pensamentos das pessoas que eu gostava de ler. Há pessoas que eu conheço que parecem um mistério, um túmulo, e eu gostava de saber o que é que lhes vais na cabeça, o que é que elas realmente pensam sobre as coisas.


Como escolheste o título para o teu blog?

Esta é uma pergunta que me fazem imensas vezes ( acho que todos os seguidores de blogs gostam de saber a origem dos nomes dos seus blogs favoritos). Bem, como eu queria ter um blog anónimo, não podia usar o meu nome verdadeiro, obviamente, por isso decidi escolher um pseudónimo. Mas também não podia ser Ana ou Maria porque já existem umas 500 na blogosfera. Por isso, decidi ir a uma lista de nomes britânicos ( como já devem ter percebido, eu sou obcecada por tudo o que seja britânico) e encontrei o nome Cherry. Gostei das letras que compunham o nome e da sua sonoridade, por isso ficou. No dia em que eu criei o blog, estava a dar na televisão o filme " Life of Pi" ( já não me lembro em que canal estava a dar, pormenores...) e aí fez-se luz, decidi que o meu blog se chamaria " Life of Cherry".


Se pudesses descrever o teu blog com uma única palavra, qual seria?

Genuíno. Genuíno porque tentei sempre transpor a minha personalidade em tudo o que fazia neste blog, nas fotos, em cada palavra, na resposta aos comentários,... Na verdade, acho que não faria sentido ser de outra maneira. Dedico-me de alma e coração a todos os posts que escrevo. Pode não ser o blog com mais sucesso ( nem perto), mas é o meu blog, com a minha imagem de marca, com a minha visão pessoal do mundo, e isso vale muito.


Se pudesses descrever-te numa palavra, qual seria?

Eu não digo que só me fazem perguntas difíceis? A palavra seria persistente. Eu sou várias coisas em vários momentos, mas quero acreditar que, na maior parte do tempo, sou persistente e não desisto à menor dificuldade. Cada vez que penso em desistir, penso nas coisas que já tive que ultrapassar nesta vida, algumas mais difíceis do que a situação atual, e isso dá-me sempre força para continuar. Já me vi em situações em que nunca me imaginei, como quando a minha mãe ficou internada três meses no hospital, e em que achava que o mundo ia desabar, mas depois acabei por ultrapassar tudo. Portanto, acho que isto faz de mim  persistente e que não desisto daquilo em que acredito.


Alguma vez pensaste que um dia irias comemorar o segundo aniversário do blog?

Sinceramente, achei que nunca iria comemorar o segundo aniversário do blog. Obviamente que isso já me tinha passado pela cabeça, mas nunca achei que fosse capaz de manter um blog durante dois anos e, muito menos, a escrever quase todos os dias nele. Pensava que iria ser mais um hobbie de que me fartaria mas, afinal, o blog tornou-se mais que um hobbie, tornou-se uma grande parte da minha vida.


Ter um blog mudou muito a tua rotina? Deixaste de fazer alguma coisa por causa do blog?

Ter um blog não mudou drasticamente a minha rotina. Obviamente que mudou a minha rotina, uma vez que passo várias horas a escrever e a publicar posts, a atualizar as redes sociais e a comentar outros blogs. Há dois anos atrás, todas essas horas eram gastas a vaguear pela Internet, a ver filmes ou a ler um livro. No entanto, a minha rotina não mudou drasticamente por causa do blog. Continuo a estudar imenso e a ter sucesso escolar, continuo a sair com os amigos, a estar com a família, continuo a ler e a ver filmes, e a procrastinar também ( e isto responde à  segunda pergunta, de que não deixei de fazer nada por causa do blog) O que mudou foi as horas disponíveis para todas estas coisas. O blog ocupa-me imenso tempo, o que significa que todas as minhas outras atividades tem menos horas para ser feitas. Mas eu até vejo isso como um aspeto positivo, que agora desperdiço menos horas a fazer coisas sem interesse e a procrastinar, organizo melhor o meu tempo.


Em que é que o blog mudou a tua vida?

O blog deu-me uma perspetiva mais positiva da vida, ensinou-me que com persistência e muito trabalho tudo se consegue, ensinou-me que ainda existem pessoas que valem a pena e, acima de tudo, ensinou-me a orgulhar-me de ser eu própria e a tentar ser todos os dias a melhor versão de mim mesma.


Qual é a melhor coisa que já te disseram na blogosfera?

Já me disseram tanta coisa boa que já perdi a conta ( muito obrigada a essas pessoas)!  Mas a melhor coisa que me disseram foi " o teu blog mudou a minha vida, ajudou-me imenso." Esse comentário é impagável!


Como é que surgiu a ideia de criares um blog?

Já há muito tempo que seguia blogs. Seguia blogs de moda desde os 13 anos, mas sempre adorei os posts pessoais que essas bloggers faziam. Depois encontrei os blogs pessoais e aí rendi-me à leitura destes! Comecei a seguir muitos blogs pessoais, e a minha vontade de ter eu também um cantinho pessoal, onde pudesse escrever sobre o que me apetecesse, foi crescendo, até um dia decidir mesmo arriscar e criar este blog.


O que é que gostavas de mudar na tua vida?

Gostava que os meus avós sofressem menos porque, neste momento, a doença está a desgastá-los e a causar-lhes sofrimento. Gostava de viajar mais e gostava que este blog fosse público e aceite pelos meus pais. De resto, acho que não mudaria mais nada, considero-me uma pessoa feliz.


Quais são os assuntos que mais gostas de publicar?

Gosto muito de fazer reviews de livros e filmes, gosto muito de escrever posts em lista , seja de que tema for ( como já devem ter percebido), gosto de escrever posts que possam ajudar as outras pessoas, e adoro escrever a minha rubrica mensal " 5 coisas".


O que é que te faz feliz?

Tanta coisa! Mas para dar uns exemplos, o que me faz feliz são as viagens que faço, a família e os amigos, todos os livros e filmes que me inspiram, todas as pessoas que me inspiram e a blogosfera.


Se pudesses voltar atrás dois anos, que coisas dirias a ti própria?

Diria para não me preocupar demasiado com coisas pequenas e estúpidas, porque o tempo passa muito depressa e, quando damos conta, a nossa vida já passou. Diria também para não duvidar das minhas capacidades e daquilo que sou capaz, porque já provei ser capaz de mais do que aquilo que penso.


Espero que tenham gostado das minhas respostas.

1.9.16

Q&A de 2º aniversário do blog: As respostas (Parte 1)


Tal como prometido, aqui estão as respostas do Q&A do 2º aniversário do blog. Não contava receber tantas perguntas ( muito obrigada ) e, como também me estendi nas respostas tive que dividir este Q&A em duas partes, para não ter um post demasiado longo. A segunda parte sai amanhã.

Espero que gostem das minhas respostas.


Tens uma rotina para escrever aqui? Tipo, hora e local, por exemplo, ou quando tens um tempinho que aqui vens?

Não diria que tenho uma rotina, tento não criar muitas rotinas para não matar a inspiração, mas claro que tento ter algum planeamento e organização, porque sem isso seria impossível manter um blog com bom conteúdo regularmente. Escrevo sempre que tenho inspiração, e quando tal acontece escrevo 3 ou 4 posts que distribuo pelos dias de semana, num calendário digital que tenho para o efeito. Quanto ao local, em tempo de aulas costumo escrever no sítio que referi neste post . No verão, como estou sempre ou na casa da minha prima ou da minha avó, escrevo no sítio mais sossegado e na hora mais sossegada ( o que é difícil, porque está sempre muita gente nestas duas casas, mas eu lá encontro uma horinha mais sossegada para escrever).

Onde vais arranjar inspiração para o que escreves? Refiro-me sobretudo àqueles posts em listas.
Bem, a minha inspiração vem de diversos sítios. Vem dos livros que eu leio, dos filmes/séries que vejo, dos blogs que sigo, tanto no Blogger como no Bloglovin, do Pinterest ( esta rede social é uma grande fonte de inspiração)... Mas também podem vir das coisas mais pequenas do dia a dia, como uma conversa, algo que vi na rua e que me pôs a pensar, de uma aula... Quanto aos posts em lista, já não me lembro muito bem quando e como comecei a fazê-los ( só me apercebi que os fazia muito quando um leitor mo disse), mas acho que o facto de eu ler Buzzfeed influenciou-me muito ( embora eu não ponha gifs nos meus posts). Outro site que me poderá ter influenciado muito a fazer posts em lista é o mindbodygreen, que eu adoro ler!

Como é que te sentes, de verdade, ao saberes que tens um papel importante na vida das pessoas, por teres decidido criar um blog?
Em primeiro lugar, sinto-me surpreendida, porque nunca imaginei que o meu blog fosse ter tanto impacto! Criei o blog porque necessitava de ter um cantinho meu, onde pudesse ser eu própria, e as pessoas pudessem ler e comentar os meus posts, se fosse esse o seu desejo. Nunca imaginei que tantas pessoas fossem gostar tanto dos meus posts, e muito menos pensei que causaria algum tipo de impacto na vida delas. Também me sinto grata por poder ajudar e por ser lida, sinto-me linjonjeada e acarinhada por todos aqueles me deixam mensagens e comentários fofinnhos.

O que é que te motiva a continuares aqui, mesmo sabendo que os teus pais talvez discordassem com o facto de teres um blog?
O que motiva a estar aqui é sobretudo a minha paixão pela blogosfera e pela escrita. Nestes dois anos descobri que adoro escrever ( antes disso já gostava, mas agora sei que adoro mesmo) e que no futuro gostaria de ver este blog continuar a crescer, e gostaria de escrever um livro. Mas o que mais motiva é todas as mensagens carinhosas que os meus leitores me têm deixado ao longo deste tempo todo e a eles só tenho que dizer obrigada. Sem todo o vosso apoio e carinho, o blog não teria chegado onde chegou e eu, certamente, não teria tanta motivação para escrever nele.

Quais são os melhores livros que leste ao longo da tua vida e porquê?
Esta é uma pergunta difícil, porque eu já li tantos, mas tantos livros, que é difícil dizer quais são os melhores, mas vou tentar. Gostei imenso do livro "A Lua de Joana" e, apesar de já ter lido o livro há séculos, a sua história ficou-me na memória. Apesar de este livro já ter sido escrito há mais de 15 anos, o assunto ainda é atual e muito importante. Outro dos meus livros favoritos foi " O Gato Malhado e a Andorinha Sinhã", pela simplicidade da história que é, ao mesmo tempo, engraçada, dramática e com uma lição de vida também intemporal. É um livro que é bom para todas as idades, sejamos crianças ou adultos. Outros dos melhores livros que já li foi " O Principezinho", " Me Before You" e " A Grande Magia" ( um livro que me ensinou muito sobre criatividade, falei dele aqui).

Se pudesses fazer um curso à parte de Enfermagem, qual seria?
Esta também é uma pergunta difícil, uma vez que eu tenho vários interesses em áreas tão distintas. Só para perceberem melhor o que estou a dizer, o resultado vocacional do meu 9º ano foi 50% ciências e 50 % letras. Bem, mas respondendo à pergunta, eu não consigo escolher um curso, eu diria que estou interessada em Ciências da Nutrição, Ciências da Comunicação ou Línguas e Culturas Estrangeiras ( sim, eu sei, nada a ver umas com as outras).


Porquê é que o teu blog é anónimo? Tens medo que algum amigo o encontre? Tencionas, em algum dia, sair do anonimato? 

O meu blog é anónimo por diversas razões, razões essas que podem ser difíceis de compreender. Para começar, não teria problemas de dizer aos meus amigos que tenho um blog, apesar de ter medo, como é normal, pois no meu blog acabo por estar mais exposta, apesar de não dizer tudo sobre a minha vida. Mas, apesar do receio que poderia ter, não tinha problemas em dizer aos meus amigos. Os meus amigos aceitariam e, se não aceitassem, era sinal que não o eram. A principal razão que me leva a ter um blog anónimo é o facto de os meus pais serem muito conservadores, e pelo que eu tenho averiguado, eles não aceitariam muito bem. Poderia ser anónima toda a vida, se quisesse, mas não consigo. Nem imaginam a vontade que tenho de ter um blog público! De poder andar por aí livremente, a escrever posts sem fingir que estou a estudar ou estou a falar com uma amiga, poder partilhar os meus sucessos blogosféricos com os outros... No entanto, prefiro que os próximos 3 anos sejam sossegados, prefiro tirar o meu curso e deixar os meus pais livres de mais preocupações, porque eles já têm preocupações que cheguem, e não quero que eles me impeçam de ter um blog, para o meu bem e sucesso académico. Prefiro mostrar-llhes, daqui a 3 anos, que tirei um curso de maneira bem sucecdida ( assim espero) e que pude ser blogger ao mesmo tempo. Sei que não é a resposta que muitos leitores meus querem ler, mas acreditem que é para o bem do blog e de quem o segue. Talvez consiga ter um blog público mais cedo, mas o melhor é não contar com isso.

É que achas que afetaria a tua vida pessoal e a dos teus leitores se saísses do anonimato?
Acho que seria bastante positivo para os meus leitores, uma vez que passo a vida receber mensagens a perguntarem-me porque é que sou anónima e porque é que não saio do anonimato. Como leitora, sei que as pessoas identificam-se mais com os blogs públicos, em que podem ver uma cara, do que com aqueles que se escondem por detrás de uma foto do Tumblr. Quanto à minha vida pessoal, sinceramente, não sei como é que o blog a afetaria . Mil e um cenários ocorrem-me na cabeça, uns mais positivos, outros mais negativos. Quem já teve um blog anónimo e passou para público diz que nada muda, que continuamos a nossa vida normal, e eu quero acreditar nesse cenário. Contudo, também tenho medo que outros cenários mais negativos se concretizem: posso passar a vida a ser incomodada por amigos e familiares por causa de posts que escrevo, o blog pode afetar a minha carreira e impedir-me de encontrar emprego, certas pessoas que me são muito próximas podem ficar ofendidas com certos posts,... Sei que parecem cenários totalmente descabidos e impossíveis, mas são medos que me aparecem de vez em quando, quando penso em tornar o meu blog público.

No início do teu blog, como é que o divulgaste?
No início do meu blog, eu ainda nem tinha criado redes sociais para ele, por isso não tinha grandes formas de divulgá-lo. Basicamente, fui-me envolvendo com a comunidade blogosférica, deixando comentários em vários blogs ( deixava o meu link, mas eram sempre comentários relevantes, sobre o respetivo post), as pessoas foram aparecendo e gostando. Claro que quando criei o facebook do blog e, mais tarde, o Twitter e o Instagram, a audiência do blog cresceu mais rapidamente ( mas das três redes sociais, diria que o Twitter ajudou mais no crescimento do meu blog).


Que dicas dás para bloggers iniciantes e para quem quer criar um blog?

A primeira coisa que diria a bloggers iniciantes e a quem quer começar um blog é : antes de escreverem para outras pessoas, têm que escrever para vocês mesmos. O vosso blog tem que agradar-vos a vocês primeiro e só depois a outros. Se não gostarem do vosso blog, dificilmente os outros gostarão e, mesmo que gostem, será um sacrifício enorme para vocês ter que mantê-lo. As outras dicas que dou é serem sempre fiéis a vocês mesmos, não tentem copiar os outros e sejam consistentes no conteúdo que publicam, criem uma rotina de posts ( todos os dias ou 3 vezes por semana), para os vossos leitores saberem quando têm novos posts no vosso blog. Fiz um post sobre as características que acho que um blogger deve ter, que podem achar muito interessante.


Amanhã responderei ao resto das perguntas na 2º parte deste Q&A.