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10.5.18

Q&A 21º Aniversário


Há uns dias atrás, pedi-vos para fazerem-me umas perguntas, para festejar o meu aniversário de uma forma diferente. Hoje trago-vos as respostas. Um bocadinho atrasadas eu sei, mas maio está a ser um mês louco para mim, cheio de coisas para fazer (e agora com a semana do Enterro da Gata aqui à porta) mas, ao mesmo tempo muito feliz.

Não estava a contar que me colocassem tantas questões (muito obrigada àqueles que quiserem contribuir para este Q&A), pelo que não consegui responder a todas, até porque a publicação já está enorme. Tentei responder à maior parte, deixando de fora aquelas que já tinham respondido no último Q&A que fiz (que podem ver aqui e aqui) e também aquelas relacionadas com o Harry Potter. Fizeram-me perguntas tão engraçadas e originais que estou a pensar fazer um Q&A especial Harry Potter, portanto já tenho essas questões colocadas de lado para uma publicação futur que, provavelmente, sairá no verão (se quiserem acrescentar mais à lista, sintam-se à vontade para fazê-lo nos comentários). Sem mais demoras, aqui estão as minhas respostas. 


Há alguma categoria que gostasses de trazer para o blog, mas que foste adiando por causa do blog?
De momento, não me ocorre nada à cabeça. Antes de sair do anonimato, já me fui desleixando em algumas coisas. Aborrecia-me imenso não poder falar da minha cidade nem das viagens que fazia por isso, aos poucos, fui escrevendo sobre isso. Também fui, aos poucos, escrevendo sobre o meu curso. Introduzir categorias novas fez parte da minha transição gradual para um blog público. Aquilo que eu adiei mais devido ao anonimato foi publicações com fotos de mim própria. Era aquilo que eu mais ansiava quando revelei a minha identidade, poder publicar fotos minhas.

No teu álbum de memórias, qual é aquela que mais te faz sorrir?
Tantas! É difícil escolher apenas uma. Mas escolheria talvez os dias passados na praia com a minha família no verão, quando era criança. Ainda passamos momentos assim hoje em dia, mas na infância era diferente. A inocência da altura, as primeiras idas ao mar, os brinquedos na areia, os doces, as partidas,... As primeiras férias de verão em família ficam sempre na memória, e a praia da nossa infância vai ter sempre um lugar especial no nosso coração.

Qual é o álbum da tua vida?
"Laundry Service", da Shakira. Não por ser o melhor álbum de sempre, mas por ser o primeiro que recebi. As músicas deste álbum acompanharam a minha transição de pré-adolescente para adolescente, o processo de descoberta do meu corpo e toda a montanha-russa característica desta fase da vida.

Qual o teu animal favorito?
Os cães, por serem leais aos seus donos. No futuro, quando tiver o meu próprio apartamento, gostava de ter um cão para me fazer companhia.

Define-te em três palavras.
Sonhadora (mas com os pés bem assentes na terra), persistente e leal. 

Sobre o que é que mais gostas de escrever aqui no blog?
Adoro escrever sobre os mais variados assuntos (por isso é que nunca escolhi um específico para o meu blog), mas diria que os posts que mais me dão prazer a escrever são reflexões sobre a sociedade/vida em geral, livros, blogosfera e sobre o meu curso.

Já que és autora best-seller de listas, gostava de saber qual foi a tua lista preferida de escrever até hoje?
Tive que investigar os meus próprios arquivos para conseguir selecionar a lista merecedora de tal distinção. Após muito refletir, penso que a minha lista favorita de sempre é "Como o meu blog mudou a minha vida". Quando, numa tarde muito descontraída de sempre, criei o "Life of Cherry" nunca imaginei o impacto que este teria na minha vida. É realmente impressionante como uma simples plataforma como um blog pode ser uma rampa para tantas oportunidades, para tanto crescimento e para o começo de tantas amizades. Ainda hoje, após quase 4 anos nesta aventura virtual, isso continua a ser surpreendente para mim.

O que te motiva a não desistir?
A lista das coisas que me motivam a não desistir é diferente em cada dia. Tal como a Alice do País das Maravilhas pensa em 6 coisas impossíveis antes do pequeno almoço, eu costumo pensar em razões para não desistir de tudo aquilo que realmente quero. Mas, no geral, aquilo que mais me motiva a não desistir é meio cliché, mas resulta sempre: pensar na oportunidade que é estar viva e não querer desperdiçar oportunidades por medo ou achar que não sou capaz.

Em quem te inspiras?
Poderia referir aqui figuras públicas que fazem trabalhos notáveis ou ações humanitárias que marcam a diferença na vida das pessoas, mas prefiro dar destaque às pessoas mais perto de mim. Inspiro-me nos bloggers que sigo, inspiro-me nos meus professores, inspiro-me nos pacientes que já passaram por mim, nos meus amigos, na minha família... Além de todas estas pessoas, também me inspiro em mim própria. Pode parecer estranho e até egocêntrico, porém é algo em que acredito mesmo. Somos a nossa própria inspiração. Ou, pelo menos, eu tento ser. Quando estou desmotivada ou sinto que não sou capaz de algo, tento pensar em todos os obstáculos que já ultrapassei, em todas as minhas conquistas e depois penso "se eu já fiz aquilo, porque não haveria de fazer isto agora?".

Quem é para ti, o teu herói?
Não tenho ninguém em específico que considere um herói. Para mim, os meus heróis são todas as pessoas que eu amo, que estão sempre ao meu lado nos bons e maus momentos, que não me deixaram cair nos momentos mais baixos da minha vida e que contribuem para a minha felicidade.

Como é que conseguiste sair do anonimato de blogger, e passaste a ser tu mesma?
Eu sempre fui eu mesma na blogosfera, apenas com mais filtros. Naturalmente, como anónima, era mais contida, e só quando saí do anonimato é que me senti verdadeiramente eu mesma, mas fui sempre sincera e genuína em tudo o que escrevia, desde o início. Bem, a transição do anonimato para um blog público foi um processo gradual para mim, o que ajudou bastante. Teria sido um choque ainda maior se tivesse sido de um dia para o outro. Quando comecei a ficar farta dos filtros que ser anónima me impunha, comecei a "desleixar-me" um pouco e a dar mais informação sobre mim. Eventualmente, comecei a colocar algumas fotos de mim própria, mas de costas. A partir desta altura, já sabia que corria o risco de pessoas conhecidas descobrirem o meu blog, mas ainda não estava preparada para isso, ainda tinha medo da reação das pessoas. Eventualmente, o que eu temia aconteceu: a minha turma universitária descobriu o meu blog. Contei a história detalhada aqui, mas basicamente uma rapariga descobriu e espalhou pela turma toda. Na altura tive vontade de me meter num buraco mas, à medida que fui recebendo um feedback tão positivo das pessoas, perdi essa vergonha e comecei-me a orgulhar daquilo que escrevia. Uns meses depois, quando toda a agitação que a revelação do meu blog causou já tinha atenuado, senti-me finalmente confortável para tornar o meu blog público, e hoje estou muito orgulhosa da decisão que tomei. Um dia destes vou escrever uma publicação a falar mais especificamente daquilo que me ajudou a sair do anonimato, porque é uma pergunta que me têm feito com frequência.

A tua família sabe que és blogger?
A minha família descobriu que tinha um blog poucos dias depois de o tornar público. Achava que iria ter mais tempo para me preparar mentalmente, mas as sugestões do Facebook atraiçoaram-me (tive amigos a meterem gosto na página, e isso fez com que aparecesse nas sugestões dos meus familiares). Ao início, foi um choque para alguns, mas agora encaram tudo com normalidade e até tenho familiares que gostam muito de me ler. Mas ainda é estranho ser lida por familiares, confesso.

Achas que ficaste mais "famosa" pela blogosfera quando saíste do anonimato ou continua tudo na mesma?
Não diria que fiquei "famosa", mas o número de visitas aqui no blog aumentou, sem dúvida. Não foi uma diferença brutal, até porque antes já tinha muitas mais visualizações do que aquelas com que contava. Normalmente, quando somos anónimos na blogosfera temos mais dificuldade a criar o nosso público, porque não podemos revelar muito sobre nós (além de não nos levarem tanto a sério porque " ah dizes isso, mas não dás a cara..."), logo é mais difícil de criar empatia. Por isso, eu considero-me sortuda porque, apesar de ser anónima, consegui conquistar um um grupo de seguidores muito fiéis. Modéstias à parte, durante o meu percurso blogosférico, eu consegui tornar o meu blog numa marca. Quando eu saí do anonimato, ouve uma leitora que escreveu algo que me derreteu por dentro, por comprovar isto: " Fico muito feliz por saíres do anonimato, mas para mim não faz diferença, por Cherry já é uma identidade pela qual ficaste conhecida por aqui". 

O que mudou para ti desde que desta a cara pelo blog?
A minha confiança. Agora que tenho um blog público já não me tenho que esconder atrás de imagens do Tumblr, já não tenho que omitir datas ou locais nem tenho que andar por aí a escrever publicações às escondidas. Posso escrever sobre aquilo que quiser, e saber que existem pessoas que me conhecem e que me adoram ler deu-me ainda mais confiança para continuar com este espaço que tanto estimo.

Se tivesses que escolher entre praticares Enfermagem e não poderes mais livros ou leres todos os livros que quiseres e não poderes praticar mais Enfermagem, qual escolherias?
Tive vontade de chorar quando li esta pergunta, Mas que crueldade Nani, porque é que me fizeste isto? Este dilema quase explodiu com a minha cabeça! Bem, o meu primeiro instinto era escolher Enfermagem, mas depois comecei a refletir sobre o impacto que os livros tiveram na minha vida, e tive que mudar a minha escolha para esse lado. Grande choque, i know! Mas deixem-me explicar. Antes de saber ler ou escrever sequer, eu já tinha o meu coração entregue aos livros. Já ouvia atentamente todas as histórias que o meu pai me contava antes de adormecer e, em vez de adormecer, eu queria ouvir mais uma história e tentava memorizá-las para poder dizer que sabia ler. Os livros sempre foram os meus companheiros, os meus amigos, portas para lugares desconhecidos ou para lugares que não poderia visitar de outra forma, conselheiros em alturas em que mais ninguém me conseguia aconselhar. Os livros já me salvaram a vida, ao darem-me consolo em momentos de desespero e coragem para superar os vários obstáculos que já se atravessaram no meu caminho. Por tudo isto e muito mais, eu nunca vou conseguir abdicar dos livros. São praticamente os meus segundos pulmões, sem estes eu não respiro. Seria uma pessoa muito incompleta por ter de abdicar de Enfermagem, que é outra das minhas grandes paixões, mas acabaria por arranjar forma de trabalhar em algo da área da saúde que fosse o mais próximo disso. Ainda bem que isto só é uma situação hipotética e que eu posso fazer as duas coisas na realidade, ufa!

Porque é que escolheste enfermagem?  
Nunca fui daquelas pessoas que sabe aquilo que quer ser desde pequena. Quando era criança, já quis ser bailarina, cantora, cabeleireira, atriz, veterinária, até já quis trabalhar num supermercado (achava muita piada à forma como as senhoras tocavam nas teclas da caixa registadora, com as suas unhas pintadas). Mudava de profissão todos os dias, basicamente. Só por volta do meu 6º ano é que comecei a ter ideias mais definidas acerca daquilo que queria fazer no futuro. O meu coração sempre andou dividido entre letras e saúde, mas um conjunto de fatores e experiências fez com que eu escolhesse a segunda como profissão. Para começar, alguns familiares meus trabalham na área da saúde, pelo que cresci a espreitar livros de anatomia e a ver, à socapa, vídeos de operações que eles viam na Internet para estudar. Depois, claro, vi " Anatomia de Grey", que é responsável por metade dos jovens que se meteram em Medicina e Enfermagem (mesmo tendo percebido, mais tarde, que nem tudo era como na série). Mas aquilo que foi mais determinante e que mais me incentivou a ser enfermeira foi os profissionais de saúde que me acompanharam e que acompanharam as minhas pessoas. Ver enfermeiras com tanto gosto pela profissão, a tratar-me a mim e aos meus familiares com tanta empatia deu-me vontade de também eu vestir a "bata branca" e contribuir para melhorar a saúde e o bem estar dos outros. 

Qual a maior força e fraqueza em Enfermagem?
A nossa maior força é a proximidade que temos com as pessoas. Cada vez mais nós, estudantes de Enfermagem, estamos a ser instruídos no sentido de não nos limitarmos a fazer aquilo que está protocolado (dar injeções, colher sangue, dar medicação, fazer tratamentos a feridas,...)  e dedicarmos mais tempo a estabelecer uma relação terapêutica com o doente. Há uns 30 anos atrás já existia esta preocupação,naturalmente (não é à toa que Enfermagem é considerada uma ciência humana), mas cada vez mais existe esta preocupação, em trabalhar na relação com o doente, perceber os seus receios, reservar tempo para o ouvir, para permitir que ele exprima as suas emoções... Às vezes, estar ali simplesmente a ouvir um doente é mais terapêutico que um comprimido. Portanto, considero que esta relação terapêutica que estabelecemos com os doentes é o nosso ponto forte. A maior fraqueza em Enfermagem não tem propriamente a ver com a profissão em si, mas sim com a forma como a sociedade perceciona a nossa profissão. Sinto que grande parte da população ainda vê Enfermagem como uma profissão de segunda categoria, dos ajudantes dos médicos, dos jovens frustrados que não conseguiram entrar em Medicina...Acho que só quem já teve familiares ou pessoas próximas internadas num hospital é que deixa de ter esta visão de os enfermeiros e que percebe realmente aquilo que nós fazemos. Sinto que ainda temos um longo caminho a percorrer neste sentido de mudar a forma como as pessoas nos vêem. 

Achas genuinamente que vais ser uma boa enfermeira? Achas que tens perfil para isso?
Acho genuinamente que serei boa em tudo aquilo a que me entregar com todo o coração. É nisto que tento pensar, sempre que as inseguranças e os medos me tentam enganar e fazer com que acredite que não sou boa o suficiente para esta profissão. Nós, estudantes de Enfermagem, costumamos a dizer em tom de brincadeira que, num dia de estágio, sentimos vontade de desistir e de sermos enfermeiros incríveis mil vezes, tudo no mesmo dia. Os estágios exigem muitos de nós e por vezes, são tão exigentes que nos podem fazer esquecer a razão pela qual entramos no curso em primeiro lugar. Não estou a dizer que os estágios de outros cursos não são exigentes, mas os que estão ligados a saúde estão associados a maiores níveis de pressão, porque é com vidas humanas que estamos a lidar, e não há espaços para erros. Mas aquilo que conta ao final do dia é a nossa vontade insaciável de ajudar e de chegar a mais pessoas e o nosso amor pela farda branca. Apesar de já ter aprendido imenso, sei que ainda tenho muito para aprender, mas acredito que serei uma boa enfermeira, pois crio empatia com os meus pacientes, sou simpática e consigo identificar os problemas e preocupações dos outros. Uma pessoa que demonstre estas qualidades já é uma boa enfermeira, a experiência vem depois. 

O que mais gostavas de fazer após terminares do curso?
Além de exercer Enfermagem, gostava de viajar. Aliás, planeio fazer uma viagem logo após o curso, mas isso vai depender de muita coisa, nomeadamente do dinheiro disponível e do quão rápido eu arranjar emprego (gostava de poder estar a dizer, daqui a um ano, que não pude viajar porque arranjei logo emprego, seria bom sinal!). 

Qual foi o maior ensinamento dos teus 20 anos?
Que esta frase inspiradora é tão verdade: " Por vezes, tudo aquilo que é preciso são 10 segundos de uma coragem louca para mudar a tua vida". 

O que esperas dos 21 anos?
Aprendi, com o passar dos anos, a não criar grandes expetativas e metas muito fixas para cada idade, porque a vida troca-nos as voltas e fura-nos os planos o que, por um lado, até é bom, pois torna-a imprevisível e entusiasmante. Por isso aquilo que espero mesmo é ser feliz, independentemente daquilo que aconteça. 

2.5.18

Esta sou eu aos 21 anos


Os meus 20 anos foram um dos anos mais felizes da minha vida. Comecei os meus 20 anos de pé atrás, a recuperar de uma fase que me deixou emocionalmente fragilizada e a recuperar aos poucos a minha alegria e energia habitual. Não fazia a menor ideia da reviravolta que os meus 20 anos seriam.

Os acontecimentos dos meus 20 anos apanharam-me completamente desprevenida, tanto pela positiva como pela negativa. Tive altos muitos altos e baixos muito baixos. Fiz coisas que nunca me imaginei a fazer. Fui confrontada com monstros que nem sabia que existiam e dos quais, inconscientemente, me escondia há anos.  Consegui fazer coisas que já há muito tempo queria riscar da minha lista de desejos. Larguei medos e inibições. Abracei mais a minha identidade, sem vergonhas. Saí dos meus 20 anos uma pessoa mudada, como se tivesse renascido. Parece cliché dizer isto, mas um ano muda mesmo uma pessoa, e se não tivesse ainda não tivesse percebido isto no passado, iria percebê-lo este ano. 

Entro nos 21 anos uma mulher mais confiante, mais corajosa e mais completa. Sinto-me mesmo bem na minha própria pele, apesar de todos os medos e inseguranças que aprendi que nem sempre são para tentar superar, mas para aprender a viver com eles. Ainda tenho muitos sonhos e objetivos para cumprir, mas estou numa fase bonita da minha vida. Estou a um ano e meio de acabar um curso pelo qual cada vez mais estou apaixonada, tenho um blog (público!) que me tem dado tantas alegrias e estou rodeada de pessoas incríveis: amigos que são os melhores do mundo e uma família que está sempre ao meu lado, nos bons e maus momentos. Não faço ideia daquilo que o futuro me reserva mas, pela primeira vez em muito tempo, sinto uma paz interior indescritível. 

Esta sou eu aos 21 anos: leve e feliz. Olá 21!

(Foto: da minha autoria) 

1.5.18

20 coisas que aprendi com 20 anos

 20 coisas que aprendi com 20 anos

Amanhã completo 21 anos de vida. E, tal como já manda a tradição aqui no blog, hoje é dia de refletir sobre as lições que o último ano me trouxe.

Este ano foi um dos melhores da minha vida. Os acontecimentos dos meus 20 anos apanharam-me completamente desprevenida, tanto pela negativa como pela positiva, mas o balanço geral foi muito positivo. Aconteceram tantas coisas inesperadas que até custa a acreditar que foi tudo no mesmo ano. Dos meus 20 anos, surgiram aprendizagens igualmente inesperadas mas muito valiosas.


1. As coisas são sempre muito piores na nossa cabeça: As coisas nunca acontecem como nós as imaginamos, para o bem e para o mal. Frequentemente, fazemos um filme na nossa cabeça sobre determinada situação que receamos, ficamos ansiosos, sofremos, e quando essa situação finalmente acontece, não foi tão má como imaginávamos que íamos ser. Apesar de ter aprendido isto, isto não me impede de continuar a stressar pelas coisas mais aleatórias mas, infelizmente, a ansiedade não é fácil de controlar, e eu ainda não arranjei estratégias para lidar com a minha.

2. Ser anestesiada não é tão aterrorizante quanto parece: O ano passado tive que fazer uma endoscopia, um exame médico que envolve anestesia (pode não envolver mas, por uma questão de conforto, eu preferi assim). Nunca tinha sido anestesiada pelo que, para mim, a ideia de perder a consciência, mesmo por meros minutos, era aterrorizante. Na realidade, foi melhor do que o que eu pensava. Só me lembro de os enfermeiros me dizerem "pensa em algo bom para sonhares" e, antes de eu sequer ter decidido em que memória boa para sonhar, já tinha adormecido. Acordei muito calma, como se nada tivesse acontecido. Foi o melhor sono da minha vida heheheh!

3. Ninguém tem o direito de te rebaixar, independentemente da sua posição: Nem os teus professores, nem o teu chefe, nem sequer a tua família. Ninguém pode desrespeitar ou privar-te dos teus direitos como ser humano só porque estão numa posição superior à tua.

4. Não tens que dar justificações a ninguém sobre as escolhas que fazes na tua vida: Chega uma certa altura da tua vida em que já não és mais criança, és adulto e, portanto, és responsável pela tua vida. Nessa altura, a vida é tua e tu fazes dela aquilo que quiseres. Não tens que pedir autorização a ninguém para fazer determinadas escolhas nem podes permitir que escolham por ti. Podes (e deves até) informar as pessoas que te amam sobre as tuas escolhas,mas não tens que justificá-las nem pedires desculpa por as fazeres. Se não tomares agora controlo sobre a tua vida quando o vais fazer?

5. As pessoas que gostam verdadeiramente de nós vão apoiar-nos em tudo (mesmo naquilo que não concordam): Há certas decisões na vida que são arriscadas, pois podem fazer com que percamos o apoio de certas pessoas que amamos. Mas este ano aprendi que as pessoas que nos amam verdadeiramente irão apoiar-nos até ao fim do mundo, se for preciso. Por muito que não concordem com certas decisões e que fiquem chocados com estas, que nos abandonem no início, no final vão sempre perceber aquilo que é mais importante e vão voltar para o nosso lado, para nos apoiarem como sempre fizeram.

6. A Universidade muda mesmo uma pessoa: Todas as fases da nossa vida vão moldando a nossa personalidade, mas sinto que a Universidade muda mesmo uma pessoa. Estes 4 anos parece que passam num instante, mas ao mesmo tempo parecem uma vida. Sinto que já sou uma pessoa completamente diferente daquela que era quando era caloira. 

7. O meu "eu" online é diferente do meu "eu" real (e não tem problema nenhum): Em fevereiro, decidi refletir sobre algo que já assombrava a minha cabeça há algum tempo e cheguei a esta conclusão, o meu "eu" online é diferente do meu "eu" real, e isso é normal. Esta é uma batalha interior que terei sempre que enfrentar enquanto blogger, aceitar este facto e reconhecer que, embora estes dois "eus" sejam diferentes, fazem parte da mesma pessoa, da mesma identidade, da mesma vida.

8. Os planos são (quase) sempre ajustados: Quando reflito nos últimos 20 anos da minha vida, apercebo-me que quase nunca nada correu como eu planeei. Sempre gostei de controlar tudo, cada plano até ao mais ínfimo pormenor e depois a vida fazia das suas e virava-me tudo de pernas para o ar. Aprendi que devo, sim, continuar a fazer planos, mas deixar margem para os imprevistos da vida e ter capacidades e recursos para reajustá-los.

9. Nem toda a gente quer ser ajudada: Quero sempre ajudar as pessoas e fazer todos os possíveis para que elas possam ser a sua melhor versão, por isso foi preciso muito tempo e algumas más experiências para perceber que nem todas as pessoas querem ser ajudadas. Se uma pessoa não quer ajuda, provavelmente não está preparada para recebê-la, e ajudá-la pode causar mais danos do que benefícios.

10. Não te vão dar aquilo que queres se não pedires: Quer seja pedir uma boa nota a um professor, uma promoção ao teu chefe ou uma oportunidade a alguém, ninguém te vai dar aquilo que queres se não pedires.

11. As pessoas geralmente não se lembram dos teus momentos embaraçosos: Todos nós temos aquelas histórias embaraçosas que repetimos vezes sem conta na nossa mente logo após terem acontecido. Mas temos que parar com isto. A única pessoa que é torturada com estas histórias és tu. Todas as outras pessoas já se esqueceram do sucedido logo após acontecer. Não, ninguém se vai lembrar das vezes em que tropeças no paralelo, das vezes em que quais dos teus saltos, das vezes em que entornas uma bebida, das vezes em que ficas sem saber o que dizer a uma pessoa linda de morrer nem das vezes em que dizes algo incrivelmente idiota. Até podem demorar alguns dias a esquecer, mas eventualmente ninguém se irá lembrar. Quando vires que a tua mente está a tentar repetir essas histórias, foca-te no que estás a fazer no presente.

12. Fazer sem estar pronta: Já adiei muitas situações na minha vida e já perdi muitas oportunidades com a desculpa de "não estou pronta". Porém,este ano fui posta à prova e fui posta em situações sem estar pronta, e acabei por me sair muito melhor do que estava à espera. E com isto aprendi algo que andava há anos a negar, nós (quase) nunca iremos estar prontos para nada. Raros são os momentos em que nos sentimos "estou preparado(a) para isto!" Iremos sempre sentirmo-nos nervosos, com medo de fracassar ou com medo que alguém faça melhor que nós. O melhor que temos a fazer muitas vezes é pormo-nos a caminho e ter coragem para enfrentar os obstáculos.

13. Não te conformes com menos do que aquilo que mereces: Sempre me disseram que eu fui uma pessoa muito insatisfeita com a vida. Que parece que nunca estava bem com o que tinha, que queria sempre mais. E durante anos, estas afirmações fizeram-me sentir culpada por ser tão ambiciosa. Porém, percebi finalmente que querer mais não significa que não estejamos bem com aquilo que temos. E não, não temos que nos conformar com o mediano como a sociedade quer que o façamos.  Não nos temos que conformar com empregos que não nos dão prazer, com relações más, com pessoas que não nos acrescentam nada, com cidades que (já) não parecem ser o nosso lugar. Não faz mal em querer mais, tu mereces querer mais. Não se trata de ser insatisfeito com a vida ou mal agradecido, trata-se por lutar porque aquilo que tu realmente queres, com todo o coração.

14. Perdi a vergonha de escrever: Em setembro, toda a minha turma universitária (que tem quase 100 alunos!), descobriu o meu blog. E se na altura achava que ia morrer de vergonha, agora estou grata por isso ter acontecido. Porque se não tivesse acontecido eu ainda hoje achava que era uma vergonha ter um blog e admitir que escrevia. Desde então, sinto-me mais livre. Livre porque já não tenho que esconder os textos que escrevo no fundo da gaveta, porque já posso falar do meu blog à vontade  e porque posso falar do quanto adoro escrever. É realmente bom podermos falar das nossas paixões e podermos mostrá-las ao mundo sem vergonha. Agora que já não tenho vergonha de escrever, sinto que esta ainda está mais ligada a mim e faz-me ainda mais feliz.

15. Não precisas de carregar os teus problemas sozinha: No início de 2018, o peso dos meus problemas tornou-se demasiado insuportável de carregar. Nessa altura, tive que engolir o meu orgulho de "nunca incomodar os outros e ter tudo o controlado" e pedir ajuda. Nesses dias, estava um caco emocionalmente e não conseguia pensar. E foi bom ter pessoas que, por uns dias, assumiram o controlo por mim e ajudaram-me a levantar-me e a resolver os meus problemas. Fez-me perceber que não, eu não estou sozinha, mesmo quando penso que estou, e que tenho pessoas a quem posso recorrer. Ainda não aprendi a exprimir-me quando as coisas correm mal, ainda guardo muitas coisas para mim (é um vício terrível), mas descobri que tenho uma rede de apoio mais alargada do que o que eu pensava e que não preciso de fazê-lo.

16. Não faz mal mostrar a nossa vulnerabilidade: A ideia de sermos vulneráveis aterroriza-nos. Todos nós evitamos a todo o custo mostrarmos os nossos sentimentos e emoções, com medo de sermos ridicularizados, humilhados e magoados. Em qualquer situação que constitua uma ameaça (seja física ou emocionalmente), nós construímos como que um muro à nossa volta, que ninguém pode saltar. Mas, por vezes, é preciso saber deixar alguém entrar. Somos todos seres humanos e, como tal, todos temos sentimentos. De vez em quando, é precisamos partilharmos os nossos sentimentos com alguém, parar criar empatia, para mostrar que nos importamos, para os ajudar (ou para nos ajudar a nós mesmos). Isso não faz de nós pessoas fracas, faz de nós pessoas apenas.

17. Sê interessado(a) antes de ser interessante: Tenho constatado que as pessoas, frequentemente, não querem saber do quão interessante és até se aperceberem do quanto te interessas por elas.

18. Um bom batom é um grande boost de confiança: Não sei porquê, mas sempre tive a ideia que os batons de cores fortes me ficavam mal, por ter lábios mais grossos. Foi uma crença estúpida que tive durante muitos anos, em parte alimentada pelo facto de nunca ter encontrado o batom certo para mim, mas agora que o encontrei este tem sido o meu aliado em dias de apresentações, dias de estágio, dias de saídas noturnas e até em dias completamente banais só porque sim. Não são as coisas materiais que nos fazem sentir bem, a atitude tem que vir de nós mesmas, mas um bom batom pode nos dar logo outra confiança e postura. 

19. Nós nunca conhecemos verdadeiramente as pessoas: Por muito próximos que sejamos das nossas pessoas, nós nunca as conhecemos verdadeiramente. Existem facetas delas que nunca vimos, medos que elas nunca nos confessaram, erros que cometeram e que nunca chegamos a saber, talentos que nunca vimos,... Achar que sabemos tudo o que há para saber acerca de uma pessoa é um erro que cometemos frequentemente, mas não necessariamente mau. Dá um certo encanto às relações quando temos oportunidade de ver um lado do outro que nunca vimos.

20. De um dia para o outro tudo muda: Os principais acontecimentos dos meus 20 anos foram assim, de um dia para o outro. Tanto para o bom como o mau. Existiram dias que passaram depressa de aborrecidos para épicos. Outros que passaram de bons para angustiantes, quase a roçar no catastrófico. Isto fez-me ver como na vida tudo é tão volátil e frágil. Num dia temos tudo e no outro podemos perder tudo. Precisamos de ter sempre em mente como tudo é efémero, aproveitar ao máximo todos os momentos, e aprendermo-nos a adaptar depressa a novas situações.

21.4.18

Q&A 21º Aniversário: Deixem as vossas perguntas

Q&A 21º Aniversário: Deixem as vossas perguntas

Daqui a pouco mais de uma semana vou completar 21 anos de vida e, este ano, pensei fazer algo ligeiramente diferente para festejar o meu aniversário na blogosfera. Para além da habitual publicação de lições que sai sempre na véspera do meu aniversário, pensei fazer um Q&A. Já não faço algo deste estilo há dois anos (os últimos que fiz foram na altura do 2º aniversário do blog, aqui e aqui), pelo que entretanto já devem ter perguntas novas e também já há malta nova por aqui (incluindo pessoas que me conhecem pessoalmente. Vá, aproveitem o anonimato da Internet para perguntar aquilo que não tem coragem de perguntar na cara heheheh). Além disso, é o primeiro Q&A que faço desde que saí do anonimato, pelo que ainda terão mais questões, agora que sabem quem eu sou e podem perguntar coisas com menos filtros, porque eu já vos posso responder sem ter medo de que descubram a minha identidade. 

Podem deixar as perguntas aqui (pode ser em anónimo se preferirem), ou então pelo Twitter do blog ou pelo Instagram, nas respetivas publicações, se for mais fácil para vocês assim (bem sei que, às vezes, dá aquela preguiça de comentar blogs e que é mais fácil escrever através das redes sociais). Até ao dia 2 de maio receberei todas as vossas perguntas e, nessa mesma semana, sairá um post com as respostas. Eu sei, ainda falta alguns dias para eu fazer anos, mas assim têm tempo de pensar nas vossas questões e eu tenho tempo de respondê-las (maio é sempre, para mim, o mês mais ocupado do ano). Que me dizem?

Fico a contar com as vossas perguntas. Espero que gostem.