Quando era mais nova, adorava fazer anos. Era o único dia do ano em que eu podia ser o centro das atenções ( quando era criança gostava disso, mas agora não gosto, prefiro a minha privacidade e sossego), receber prendas e fazer uma grande festa com a minha família e amigos.
Mas mais do que isto, para mim, cada aniversário significava uma nova etapa, como se a vida fosse um jogo e cada aniversário fosse mais um nível desbloqueado, em que existiam novas recompensas e privilégios: aos 6 anos tive uma bicicleta , aos 12 anos podia almoçar com os amigos, aos 15 podia passar uma tarde com as minhas amigas no centro comercial, aos 16 anos podia sair à noite... Portanto, quando era mais nova, cada aniversário significava um recomeço, uma esperança renovada, novos privilégios.
Agora que cresci, sei que não é bem assim. Como sempre tive pais protetores ( por vezes demais), nunca obtive os privilégios que eram suposto ser obtidos numa certa idade ( por exemplo, só aos 17 comecei a sair à noite e só podia ser até à 0 h/ 1h da manhã). Comecei a perceber que o número em si não significava nada, não significava mudança nenhuma a não ser que eu fizesse por isso ou que alguém mo permitisse.
Quando somos novos, os aniversários têm sempre algo de mágico. Quando crescemos, a maior parte dessa magia perde-se, temos que ser nós a esforçarmo-nos para que ela aconteça.
Em criança, as pessoas diziam-me sempre: " Tu gostas de fazer anos mas é agora, porque quando fizeres 18 anos já não vais gostar..." Por muito que me custe dizer isto ( ao dizer isto estarei a magoar o meu " eu" criança) estas pessoas tinham razão, no entanto apenas em parte.
Daqui a menos de um mês faço 19 anos, mas parte de mim não os quer fazer. Sem querer ofender as pessoas ( muito) mais velhas que eu, eu já me sinto velha com 18 anos. Muitas vezes, dou por mim a dizer " No meu tempo, isto não era nada assim..." quando vejo crianças de 10 anos a fazer certas coisas. Dou por mim a ter saudades de certas alturas da minha vida, de certos momentos que sei que nunca mais voltarei a viver. Perdoem-me o palavrão mas, às vezes, crescer é fodido. O que mais me desagrada nestas coisas dos aniversários é saber que já não estou a ir para nova, que um dia vou perder a minha juventude, ganhar cabelos brancos e rugas e falar e fazer as coisas chatas que os adultos fazem.
Do que leram até agora, devem pensar que odeio fazer anos. Já odiei, quando estava a meses de fazer 18 anos. Porém, agora, estou a começar a compreender o seu verdadeiro significado. Fazer anos não significa receber prendas, conquistar novos privilégios ou apenas um dia para ser o centro das atenções. Fazer anos significa que ultrapassamos mais um ano com muitas batalhas, vitórias e derrotas, bons e maus momentos e, acima de tudo e se Deus quiser, mais um ano com aqueles que amamos. E isso sim, é que são bons motivos para continuar a celebrar aniversários.




