Diagnóstico. Quando lêem esta palavra, aposto que a maior parte de vocês associam logo aos médicos, não é? Afinal são os médicos que fazem os diagnósticos, os outros profissionais trabalham a partir daí, não é, porque é que iriam associar a outra coisa, pensam vocês? Ora, porque esta ideia é errada, meus caros amigos. Os médicos não são as únicas pessoas que podem diagnosticar uma pessoa. Agora se me disserem que são os únicos profissionais que podem fazer diagnósticos médicos assim sim, já estamos a conversar. Isto porque existem diferentes tipos de diagnósticos muito específicos à sua respetiva área, desconhecidas pela população em geral, uma vez que a primeira tendência que têm é pensar logo em "médico, consultório".
Dando uma de escrita de tese (porque eu fiz uma investigação direitinha, não brinco em serviço), conceito de diagnóstico tem origem na palavra grega diagnõstikós, que significa discernimento, faculdade de conhecer, de ver através de. Na forma como é usado, na atualidade, significa estudo aprofundado realizado com o objetivo de conhecer determinado fenómeno ou realidade, por meio de um conjunto de conhecimentos teóricos, técnicos e metodológicos. O que significa que, apesar de ser tradicionalmente usado na Medicina, entretanto este termo já foi incorporado aos discursos e práticas profissionais de diferentes áreas da saúde. Com base na minha própria profissão, com a ajuda de outros profissionais da blogosfera e com alguma pesquisa no estatuto das referidas profissões, consegui reunir alguns exemplos para mostrar todo o mundo de diagnósticos que existem para além dos médicos, e como eles se complementam uns aos outros.
1. Diagnósticos médicos: Começando pelos diagnósticos mais conhecidos, os diagnósticos médicos, ao contrário das crenças populares, foca-se essencialmente nas patologias. Um diagnóstico médico trata a doença ou a condição médica da pessoa, e é orientado para a cura da mesma. Um exemplo de diagnóstico médico é Acidente Vascular Cerebral. Os médicos seguem fundamentalmente uma perspetiva biomédica, muito embora estejam a mudar agora para uma perspetiva biopsicossocial.
2. Diagnósticos de enfermagem: Por outro lado, um diagnóstico de enfermagem concentra-se na pessoa de uma forma holística, ou seja, na pessoa como um todo. É como se fosse a resposta humana aos diagnósticos médicos. Pegando no exemplo acima, se o diagnóstico médico de uma pessoa for um AVC, o enfermeiro centra-se na pessoa em uma transição saúde-doença, em que colabora com a pessoa neste processo de transição. Face ao diagnóstico médico de AVC, o enfermeiro autonomamente antevê as necessidades específicas da pessoa face a este doença - e os diagnósticos de Enfermagem serão algo como risco de queda, dependência para vestir-se/despir-se em grau elevado ou comunicação comprometida. Fora do hospital, na maior parte das vezes os enfermeiros fazem diagnósticos sem a pessoa ter sequer alguma doença subjacente.
3. Diagnósticos nutricionais: Ainda menos conhecidos do que os dois primeiros, existem os diagnósticos nutricionais, da competência e exclusiva responsabilidade dos nutricionistas. O estado nutricional é um dos componentes de saúde, que é influenciado pelo consumo e utilização de nutrientes e, claro pelas necessidades individuais, sendo estas informações obtidas a partir de exames clínicos, dietéticos, físicos e antropométricos. Um diagnóstico nutricional resulta da análise final de todos estes exames de avaliação do estado nutricional. Os nutricionistas não têm uma CIPE como, por exemplo, os enfermeiros, mas empregam termos que se traduzem em diagnósticos, como desnutrição.
4. Diagnósticos psicológicos: Os diagnósticos psicológicos, realizados pelos psicólogos, são muito menos lineares do que os três primeiros devido, principalmente, à própria complexidade da mente humana e ao desconhecimento que temos desta área em relação ao nosso corpo. Os psicólogos, para diagnosticarem uma pessoa, têm por base a compreensão da estrutura da personalidade e funcionamento mental do indivíduo, considerando a sua realidade biopsicossocial, estudando traços de personalidade, competências cognitivas e de memória, entre outras dimensões. O diagnósticos psicológicos dependem da área (psicologia clínica, forense, etc.), porém, trocando por miúdos, têm como objetivo a pessoa tomar consciência do próprio problema e auxiliar na sua tomada de decisão. Não confundir com os psiquiatras, cuja atuação se baseia nos sintomas físicos dos transtornos mentais e na prescrição de medicamentos.
5. Diagnóstico fisioterapêutico: Sou sincera, foi o único no qual eu não falei com o respetivo profissional da área, porque não encontrei ninguém até à data de publicar este post, pelo que me baseei apenas naquilo que pesquisei. Assim, se alguém da área me corrija nos comentários se eu estiver errada. Avançando este disclaimer, o diagnóstico fisioterapêutico, realizado pelo fisioterapeuta, tem como finalidade identificar, quantificar e qualificar o distúrbio cinético-funcional de orgãos e sistemas, sensíveis à abordagem fisioterapêutica, direta ou sinergicamente. Continuando com o exemplo do AVC (por esta altura, já deu para perceber o quão conectados estão todos pontos, né?), sendo esta doença caracterizada pela perda rápida de função neurológica, um diagnóstico fisioterapêutico seria algum tipo de discinesia muscular, como uma hipocinesia (que é uma diminuição redução do movimento).
Em saúde, todos os profissionais são colegas autónomos, e ninguém manda em ninguém. Complementam-se, mas cada um atua de acordo com a sua área de saber. Naturalmente, este é um resumo simplista daquilo que são os vários diagnósticos em saúde - que, com o passar do tempo, vão evoluindo ainda mais - pelo que vos convido agora nos comentários a escrever aquilo que ficou por dizer , o que acrescentariam noutros pontos ou até que outros diagnósticos em saúde conhecem, estou curiosa para ler.




