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22.2.17

Quantos menos temos, mais temos


Nunca me considerei uma pessoa demasiado apegada a bens materiais. Nunca fui demasiado materialista, nem nunca valorizei mais objetos do que pessoas. No entanto, tive a minha dose de acumular coisas. Olhando para trás, acumulei muitas coisas que agora considero desnecessárias, e comprei muitas coisas no passado que nem sequer precisava.

Quando era mais nova, se fizesse uma lista de todas as coisas que queria no Natal ou no meu aniversário, garanto-vos que seria uma lista mesmo enorme. Felizmente, nunca chegava a escrever tamanha lista, porque os meus pais diziam sempre para escolher três prendas e davam-me apenas uma ( uma regra que ainda hoje mantêm). Assim, eu ansiava sempre por estas datas especiais para adquirir os bens materiais que mais desejava.

No entanto, com o passar do tempo, apercebi-me que acumulei demasiados bens materiais, tantos que alguns nem cheguei a usar muito. Durante toda a minha vida, tinha adquirido todos aqueles bens a pensar que lhes iria dar algum uso, quando na verdade não passavam de desejos impulsivos. Claro que também comprei muitas coisas das quais me orgulhei e que ainda hoje uso, porém, quando era mais nova, acho que não tinha muita capacidade para distinguir aquilo que eu queria daquilo que eu realmente precisava.

Recentemente, apercebi-me que se agora fizesse uma lista de todas as coisas que quero no Natal ou no meu aniversário, essa lista já não seria enorme. Claro que a lista ainda inclui livros, viagens, e um telemóvel de x em x anos, quando o meu já não funciona como deve. Porém, apercebi-me que já tenho tudo o que preciso, até mais do que muitas pessoas e que, além disso, a minha felicidade não depende da quantidade de coisas que possuo.

Quando cresci e deixei de brincar com brinquedos, eu e a mãe doámos muito dos meus brinquedos e roupas. Passado alguns anos, doamos manuais escolares que já não precisava, muito embora o meu instinto inicial quisesse guardá-los para recordação.  Durante este tempo, também fui deitando algumas coisas fora, principalmente quando me mudei para um apartamento, por não haver espaço suficiente para tudo. Pensava que iria ficar triste por ter menos coisas mas, na verdade, fiquei mais feliz e livre.

A maior parte das pessoas acha que ter muitos bens materiais é sinónimo de felicidade. Porém, eu acho que é precisamente o contrário. Quanto mais bens materiais temos, mais presos estamos a estes, mais preocupados estamos ( porque muitas coisas significa manutenções, seguros,...), mais coisas para limpar,... E acho que isto tudo nos torna mais infelizes.

A partir do momento em que temos capacidade para perceber que a nossa felicidade não depende de objetos, em que nos libertamos destes e adquirimos apenas aquilo que realmente precisamos, ganhamos mais. Ganhamos mais descontração, mais tempo para aquelas pessoas que gostamos, ganhamos uma nova perspetiva sobre aquilo que é realmente importante.

Quanto menos temos, mais temos. Para mim, a riqueza de uma pessoa não se mede pela quantidade dos seus bens materiais, mas pela sua inteligência, pelas suas experiências, pelas suas amizades.

De momento, as únicas coisas que quero acumular são experiências. Acho que isso é que me enriquece mais do que qualquer bem que eu possa ter.

20 comentários:

  1. Tens toda a razão no que escreveste acima, Cherry! Foi pelas mesmas razões que enunciaste (o desapego dos bens materiais, o aproveitar melhor o pouco mas bom que temos) que surgiu o estilo de vida minimalista, cujos princípios fundamentais são esses. Sugiro que, se ainda não conhecerem, pesquises sobre o assunto. É uma meta para mim em 2017 tornar-me mais praticante deste estilo de vida. 😊
    Beijinhos grandes e muitas felicidades! ❤

    chamammepequenita.blogspot.pt

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    1. Sim, já conhecia esse estilo de vida, e acho que faz todo o sentido :).

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  2. Não poderia estar mais de acordo com as tuas palavras! Beijinhos

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  3. Disseste tudo com "quanto menos temos, mais temos"! Ando a tentar adotar um estilo de vida menos consumista e aproveitar melhor o que tenho. Colecionar mais momentos e menos materiais, é o ideal! :)

    Automatic Destiny

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  4. Eu sou super apegada às minhas coisas e custa imenso desfazer-me delas, guardo tudo religiosamente :P

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    1. Ser apegada às coisas não significa que sejas acumuladora ou materialista. Eu gosto de ter pouco, mas valorizo o pouco que tenho e trato bem as minhas coisas :).

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  5. Eu olho para o que tenho e já chega. Estou feliz e não necessito de nada em especial. A não ser dinheiro ahaha

    Cátia ∫ Meraki

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  6. Infelizmente, existem pessoas que pensam de forma contrária. Lá porque têm mais bens materiais do que os demais, julgam de forma ridícula que já são os donos do mundo, associando isso à inteligência, coisa na maior parte do tempo, não têm. E, a cada dia que passa, nos tempos em que vivemos atualmente, esta realidade já não nos é desconhecida.

    A Vida de Lyne

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    1. Infelizmente ,é verdade, e o pior é que pessoas com muito dinheiro têm muito poder, como o Trump, e nem sempre o usam da melhor forma.

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  7. Concordo plenamente! Especialmente com a última frase =)

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  8. concordo plenamente!!!! ando a tentar viver uma vida mais minimalista e so compro coisas por necessidade ou se sei que vou retirar mesmo muito uso
    mas cheguei a um ponto em que prefiro gastar dinheiro em almoços e saidas com amigos, me festivais e em viagens :)
    beijinhos

    http://umacolherdearroz.blogspot.pt/

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    1. É como eu, prefiro gastar dinheiro em coisas que me vão trazer experiências do que em objetos que ficarão ali parados.

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  9. Eu sou muito agarrada às minhas cisas, confesso mas não me custa dar/doar roupas e sapatos ou o que for quando vejo que já não vou dar uso e há com certeza muitas pessoas que irão ficar felizes em receber essas coisas. Quando me mudei, dei uma grande volta ao meu quarto e empacotei muita coisa... para dar. E a sensação é muito boa.

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    1. Eu também não me custa muito doar coisas, aliás, se há coisa que agora odeio é saber que tenho roupa, por exemplo, que não uso, e que alguém pode precisar.

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  10. Isso demonstra um grande crescimento interior. É tão bom quando tudo o que queremos são experiências. Acho que, quando isso acontece, passamos a viver com uma intensidade muito maior. E isso é fantástico (:

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    1. Sem dúvida que se vive com mais intensidade assim :).

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  11. Como eu me revejo neste post :) Também tenho pensado nesse assunto ultimamente e sou assim também.

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  12. Concordo plenamente contigo! Ao longo dos ano fui sentido o mesmo tantos bens materiais que tive que não me fazem falta nenhuma para eu ser feliz ou até para o meu dia-a-dia. Atualmente já nem listas faço digo sempre que nunca quero nada nestas datas ou que qualquer lembrança chega-me e é verdade... dou mais valor as pessoas e ao que tenho do que a bens materiais.

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