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2.7.16

A linguagem corporal e " Fake till you make it"


Na primeira semana de estágio em contexto hospitalar, eu estava insegura, nervosa por estar num ambiente em que não costumo estar, completamente fora da minha zona de conforto. Eu não reparava na altura, mas a minha linguagem corporal estava a transmitir essa insegurança, pois eu andava curvada, encolhida, com os braços para trás, até quando estava sentada estava encolhida.

No final da primeira semana, a minha professora orientadora disse-me isto. Disse-me assim " Ou alteras a maneira como te comportas e os outros te vêem, ou eu vou te ter que chumbar. E tu és das melhores alunas, seria uma pena." Foi um bocado brusco, não precisava de ser tão dura talvez, mas o que é certo é que se fez um "clique" na minha cabeça.

No primeiro dia da segunda semana entrei de costas erguidas, peito para fora, e enquanto eu fazia a minha apresentação de final de turno ( no final de cada dia, a professora reúne-se sempre com todos os estagiários da ala para discutirmos) sentei-me direita, de costas erguidas, em vez de estar encolhida. Eu continuava nervosa por dentro, aterrorizada até, mas o que é certo é que a mensagem que eu agora passava era que eu era confiante e competente, e a professora felicitou-me no dia a seguir por isso.

Tal como já tinha referido aqui, esta foi uma das grandes lições que eu aprendi neste estágio. Fez-me perceber o verdadeiro impacto que a nossa linguagem corporal pode ter na mensagem que queremos transmitir.

Porém,  uma linguagem corporal correta não muda apenas a forma como os outros nos vêem, também muda a forma como nos vemos a nós mesmos. Voltemos à história do meu estágio para compreender melhor o que acabei de dizer. Depois de ter mudado a minha postura na segunda semana, continuava nervosa e insegura. Apesar de outros já me verem como uma estagiária confiante, eu ainda não o sentia mas, pouco a pouco, a mudança já começava a ocorrer dentro de mim. Passado uma semana, já tinha interiorizado essa confiança , que antes só era visível para os outros, e já vagueava pelos corredores do hospital toda segura de mim mesma. E foi assim que percebi o verdadeiro significado do provérbio inglês " Fake till you make it"(em português significa algo como " tens de parecer até seres mesmo").

Na nossa vida tudo é um processo e, normalmente, tudo é difícil ao início. Todos os inícios das nossas etapas, como o primeiro dia numa escola nova ou num emprego novo, são difíceis. Não conhecemos as instalações, as pessoas, não nos adaptámos ainda à dinâmica de trabalho, na verdade porque até nem sabemos trabalhar. Sentimo-nos como um " peixe fora de água" e aqueles dias iniciais parecem um tormento. Parece que toda a gente nos passa um "atestado de incompetência". No entanto, se fingirmos desde o início que sabemos aquilo que fazemos, mesmo que ainda sejamos terríveis, as pessoas vão confiar em nós e, enquanto estamos a fingir que sabemos, vamos treinando, porque a prática leva à perfeição.

Isto de " Fake till you make it" é apenas uma forma de pensar e de estar mais positiva. Ninguém quer saber se tu estás a fingir que sabes, o que interessa é aquilo as pessoas vêem e, por exemplo, no caso de muitos empregos, se transmites um ar profissional ou não. O que interessa mesmo é que, na altura em que já não estiveres a fingir, já fores mesmo aquilo que pretendes, já és um/a expert.



8 comentários:

  1. Isto é tudo tão verdade! Acreditarmos em nós próprios e ter-mos postura é meio caminho andado para o sucesso :) Um beijinho

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  2. O "Fake it until you make it" sempre foi uma das minhas filosofias de vida. E acho que me tem ajudado mais do que qualquer uma outra e aplica-se quase a tudo. Se não ando bem por algum motivo é muito raro alguém conseguir aperceber-se disso até eu querer. E para quem lida com atendimento ou com turistas como é o meu caso acho que é das melhores armas que podemos ter.

    Beijinho.
    Lilium
    O Meu Dolce Far Niente
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    1. Este lema ajuda-nos muito no campo do trabalho, ajuda-nos a ser mais profissionais :).

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  3. Se tiveres um bocadinho de tempo, aconselho este vídeo: https://www.ted.com/talks/amy_cuddy_your_body_language_shapes_who_you_are?language=pt

    Fala exactamente sobre a linguagem corporal, e de como ela pode alterar quem somos. É um pouco longo (cerca de 20 minutos), mas acho que vale muito a pena.

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    1. Já vi o vídeo, adorei, realmente é impressionante como o corpo afeta a nossa mente :).

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  4. Por acaso, nunca tinha lido essa frase mas está 100% certa.

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  5. Eu penso que toda a gente passa por esse processo de "pretende ser até o seres" e digo isto devido ao humor que assombra muitas pessoas. Eu, por exemplo, quando estou indisposta, mas não quero que as pessoas notem, finjo que estou bem e acabo por me convencer disso, esquecendo aquilo que me andava a perturbar... É um exemplo estranho, mas consigo compreender toda a publicação. O mesmo de passa na escola: mesmo que não sejas uma pessoa muito séria, a partir do momento em que vestes essa personagem, as pessoas começam logo a respeitar-te e não te chateiam muito!

    Fico bastante feliz que tenhas conseguido ultrapassar as tuas inseguranças!

    A Vida de Lyne

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    1. Eu só consigo ainda fazer metade desse processo: quando estou triste não transmito aos outros que estou triste, mas continuo triste por dentro. É algo que tenho de melhorar. Quanto à personagem da escola, também consigo encarnar a personagem na perfeição!
      Obrigada linda :).

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