Este ano, de entre todas as publicidades natalícias a que assisti, considero que aquela que mais acertou foi a do Boticário, pela sua subtileza - ao contrário dos outros anúncios, passou a mensagem pretendida sem adicionar dramatismos desnecessários a uma época, que em si, já vai ser assim para muitas famílias. E esta mensagem é algo que descreve pefeitamente a minha atitude neste natal: mais importante do que estar presente, ser presente.
Como para muitos portugueses, decerto, o meu Natal vai ser diferente. Tomamos a decisão que acredito que mais se alinha com a situação epidemiológica atual, mas que nem por isso custou menos: este ano, só vou passar a ceia de dia 24 com o meu agregado familiar, os meus pais. Só vamos ser 3 de volta à mesa, em vez das habituais 10 a 12 pessoas à mesa (sim, meus caros amigos, porque na minha família já mais será aceite uma 13º pessoa, há familiares que até vão comer para a porta de casa, ao frio, se for preciso). Não vai haver a habitual algazarra, a dona da casa stressada porque são quase 20 horas, e ainda faltam 4 pessoas que foram ao Bananeiro. Não vão haver os beijinhos dos avós e os abraços do primo que ainda acha que temos 4 anos e que nos rodopia no ar. Não vai haver a troca de prendas que é suposto começar a entregar de forma ordeira, um a abrir de cada vez, mas que acaba sempre com todos a destruir embrulhos ao mesmo tempo, qual carnificina de papel (os ambientalistas iriam odiar a nossa família). Sei que, para muitas famílias, esta nunca foi a sua realidade todavia, para mim, o meu Natal sempre significou uma família de ciganos gigante reunida.
Apesar de tudo, por muito contraditório que pareça, sinto-me mais unida do que antes aos meus familiares - e esta união não precisa de ser física para se fazer notar. Um exemplo disso? A foto acima: a minha prima, num gesto simultaneamente maluco e querido, decidiu colocar na árvore bonequinhos a representar todos os membros da família que, devido à pandemia, não vão poder sentar-se na mesma mesa. Quão incrível é isto?
Numa época em que o contacto físico tem que permanecer reduzido ao máximo, gestos como estes são reis. Esta é uma boa oportunidade para serem mais intencionais do que nunca com os vossos presentes (mais do que dar algo caro, dar algo que fale por si), para ressuscitar a velha arte dos postais que rezamos que sejam enviados antes do dia 24, para substituírem as sms que mandam exatamente igual para os vossos 300 contactos por telefonemas para aqueles que realmente são mais próximos do vosso coração... Provem a este bicho maldito que não há distanciamento nem máscaras que vos impeçam que continuam a manifestar carinho pelos vossos.
A todos os meus leitores, desejo que reencontrem a sensação calorosa de sempre desta quadra: Natal será sempre Natal, venha o que vier. `Tis the season to smile!
(Foto: da autoria da minha prima)





