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4.2.19

Palavras do quotidiano que, na verdade, são muito difíceis de pronunciar


É bastante frequente ouvir que o português é das línguas mais faladas do mundo, mas também das mais difíceis de se aprender. Enquanto que o inglês simplifica ao máximo a contração dos verbos, a indiferenciação dos géneros e até mesmo o tratamento por "tu", nós temos regras para tudo e mais alguma coisa. E, portanto, no que toca à pronunciação de palavras, a coisa também se complica. Mesmo para nós, que falamos esta língua desde que nascemos e, ainda assim, nos atrapalhamos em alguns vocábulos do quotidiano, o que resulta em momentos de embaraço, perda de credibilidade ou de um debate aceso que estávamos a ter com um amigo. Por exemplo:


1. Lula: Ou se calhar sou eu, que não sei pronunciar os Ls.

2. Solidariedade: Demorei algum tempo a conseguir dizer esta palavra sem me atrapalhar toda pelo meio. E por escrito também me causava dificuldades.

3. Desconstitucionalização: O que vale é que eu não costumo debater política como quem fala do tempo, senão estava tramada.

4. Cônjuge: Comecei a interrogar-me como raio se pronunciava esta palavra quando tinha que casar os meus Sims em "The Sims".

5. Frustrar: Quer dizer, uma pessoa além de já estar frustrada, nem consegue expressar esse sentimento na sua plenitude porque se atrapalha toda nos r´s.

6. Otorrinolaringlogista: Esta é difícil, naturalmente, pela sua extensão. Era o vocábulo usado nos nossos tempos da primária quando queríamos mostrar que éramos mais cultos que os outros. A parte mais triste da história é que, mesmo hoje, não sabemos pronunciar a palavra.

7. Paralelepípedo: Como se as aulas de matemática, por si só, já não fossem um desafio, pumba, toma lá Cherry, mais uma coisa na qual tens dificuldades. Para quê tantos "le"? Ainda por cima um que se pronuncia "lé" e outro "le". Depois queixam-se que os estrangeiros não conseguem aprender a nossa língua, pois, nem os de cá.


E vocês? Quais as palavras do quotidiano que mais vos custa pronunciar?

25.1.19

Como a Internet redefiniu algumas palavras


Mudanças tecnológicas, como sabemos, também provocam mudanças a nível cultural e a nível linguístico. É por isso que, todos os anos, termos  como "tweetar" entram para os dicionários. Acho mesmo fascinante o impacto que a Internet tem na nossa linguagem, ao ponto de não só inventar palavras novas como incluí-las em registos oficiais. 

Porém, aquilo que acho mais fascinante são as palavras que tinham uma grande história pré-Internet e que, com esta, ganharam um novo significado. Ao pesquisar para escrever esta publicação, constatei que a maior parte desta apropriação linguística não foi ao acaso: o significado de certos vocábulos é uma metáfora para os novos. 

Esta não é apenas uma lista que mostra a forma como a tecnologia mudou a linguagem, também é uma lista que expressa o modo como a linguagem moldou a tecnologia (ou, pelo menos, a nossa compreensão da mesma).


1. Viral: Viral com o significado de "imagem, vídeo ou informação que ganhou, subitamente, muita popularidade na Internet" é uma definição recente mas que, curiosamente, não se distancia muito da original. Tal como um vírus, quando uma publicação na Internet se torna muito popular, espalha-se rapidamente pela população.

2. Silenciar: À semelhança da palavra anterior, esta também se aproxima muito do significado original. Na era da Internet, silenciar as notificações é deixar de receber mensagens de determinada pessoa ou grupo de pessoas o que é, basicamente,  o mesmo que calá-las, com a vantagem de que não sabem que fizemos isso, ao contrário de uma conversa real, em que nos teríamos de virar para elas e dizer "cala-te". 

3. Amigo: Antigamente, amigo era alguém com quem mantínhamos uma amizade, uma ligação de afeição recíproca. Agora, amigo pode ser simplesmente alguém que adicionámos no Facebook e que mal conhecemos. É por isso que é tão importante distinguir o conceito original deste que nasceu online. Os "amigos" que temos nas redes sociais podem não sê-lo no verdadeiro sentido da palavra.

4. Navegar: Não precisas de te pôr em cima de uma prancha para pesquisar alguma coisa no Google. Não há ondas nem tubarões (embora possas apanhar um hater ou dois que, por vezes, conseguem ser piores). Basta abrir o motor de busca e escrever algo para pesquisar ou então, fazer um simples scroll no Instagram. Fun Fact: o termo foi criado pela bibliotecária Jean Armour Polly que, após ter escrito um trabalho sobre a Internet, precisava de uma metáfora para o título do mesmo, que representasse a aleatoriedade e o perigo do mundo virtual. 

5. Pirata: Outro termo relacionado com o oceano. Os piratas da atualidade não andam em  navios, com espadas, talas nos olhos e roupas rasgadas. Para ser pirata na Internet, basta violar a patente de algum produto, seja o download ilegal de uma música, filme ou livro. Algo que quase todos nós já fizemos, by the way.

6. Perfil: Se antes significava os contornos do rosto de uma pessoa ou a representação de um dos seus lados, agora também significa a página onde podemos aceder aos seus dados pessoais, fotos, etc. O que, no fundo, é conhecer uma representação dessa pessoa, embora nem sempre fiel. 

7. Seguir: No passado, se seguisses uma pessoa na rua, não havia dúvidas, eras um grande stalker. Agora, embora continue a não ser aceitável perseguir pessoas na rua, já o podes fazer pela Internet, através das redes sociais, e isso é algo que considerado normal. A fronteira que te separa do stalking é menos clara, pelo que é mais difícil detetar um perseguidor.


Que outras palavras conhecem que tenham sido muito influenciadas pela tecnologia?