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segunda-feira, 6 de março de 2017

7 lições que aprendi sobre a morte em Enfermagem


Como sabem, este ano o meu estágio em contexto hospitalar foi no serviço de Oncologia, um serviço muito exigente física e psicologicamente. Por muito que nós estudemos na escola de Enfermagem como lidar com doentes em fase terminal, nada nos prepara para lidar com a morte dos nossos doentes. Existiram doentes a quem eu me afeiçoei bastante que, dias mais tarde, morreram, e eu senti-me como se estivesse a fazer luto da morte de um familiar meu ( porque, acreditem, vocês, quer queiram quer não, acabam sempre por criar laços com certos doentes que cuidam).

No entanto, é em alturas desafiantes que se aprendem as maiores lições. E digo-vos que, nestas semanas em que estagiei no serviço de Oncologia, aprendi lições muito valiosas, principalmente no que respeita a morte. A morte é uma realidade que todos nós temos como certa, mas que ainda é um assunto tabu para a maior parte das pessoas, por ser um tema tão pesado e difícil de lidar. Estas foram as lições sobre morte que eu aprendi em Enfermagem.


1. Lá porque alguém viveu muitos anos, não quer dizer que tenham experienciado tanto como outros: Já conversei com doentes que chegaram aos 80 anos e orgulhavam-se de ter vivido tudo o que queriam viver, e já conheci doentes da mesma idade que não fizeram metade. Também já conheci pessoas com apenas 50 anos, que fizeram mais do que doentes com 80 anos. A idade não é um medidor proporcional de experiências, cabe às pessoas essa tarefa de garantir que vivem o máximo possível.

2. Ninguém dura para sempre: Tal como já disse, a morte é uma realidade que todos nós temos como certa. A única pessoa que nunca te vai deixar na tua vida inteira és tu mesmo/a. De resto, os teus pais, irmãos, familiares, amigos, todos eles, eventualmente, te irão deixar.

3. A doença e a morte não discriminam: A idade, a saúde, a boa disposição, a riqueza ou a pobreza, o sexo e a raça não interessam. Toda a gente pode ficar doente e morrer em qualquer altura. Tu pensas que irás crescer com os teus irmãos/primos, só porque eles têm a mesma idade que tu. Pensas que vais ver os teus pais a envelhecer, vais envelhecer com a tua alma gémea e ver os teus filhos crescer... Lamento informar-te, mas nada disto é garantido. A ordem dos eventos na vida varia de pessoa para pessoa.

4. Família, amigos e experiências são as coisas que te irás lembrar no fim da vida: A quantidade de seguidores que tiveste nas redes sociais, o número de sapatos ou roupa que tiveste, a quantidade de jóias que tiveste não irão importar nada no fim. No fim da vida, aquilo de que irás lembrar mais serão as pessoas que te marcaram e as experiências que viveste.

5. A vida é mesmo uma dádiva: É nestas alturas, em que nos confrontamos diretamente com a morte, que percebemos que a vida é mesmo o quão temporária e preciosa é a vida. Todos os dias, dou graças a Deus por ter mais um dia para viver, mais um dia repleto de oportunidades e experiências à espera de serem vividas.

6. Com o passar do tempo, a morte não vai ser tão chocante para ti: Isto é algo que eu reparo nos enfermeiros mais experientes. Os enfermeiros já tiveram que lidar com tantas situações de morte que, a certa altura, deixa de ser chocante para eles. A certa altura, eles aceitam melhor que a morte faz parte da vida, e a ideia de que as pessoas morrem torna-se normal. Não quer dizer que não custe, porque vai custar sempre mas, de certa forma, torna-se mais fácil de lidar com esta.

7. Celebra a vida todos os dias: Nunca esperes para celebrar a vida. Não há momentos certos para celebrar a vida. Cada dia deve ser uma celebração. Celebra o facto de ainda estares vivo/a, de teres saúde, celebra a amizade e o amor, e celebra as oportunidades que te vão surgindo. Nunca pares de celebrar até ao fim da tua vida.


E vocês? Já passaram por situações em que se confrontaram diretamente com a morte? O que aprenderam? Partilhem as vossas experiências nos comentários.

Lê também: 15 factos duros sobre a vida que ninguém quer admitir.
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13 comentários:

  1. Posso dizer que é um post um tanto deprimente, mas é a realidade pura e dura! E por isso mesmo, gostei. Tenho uma amiga que é enfermeira e realmente vocês lidam com tudo o que nem se imagina. Por isso é que muitas vezes é bom terem algum humor negro para passar melhor as situações.
    A nível racional, lido bem com a morte, lá está, tenho essa ideia bem presente de que é a única certeza que temos na vida. Emocional já é outra história!
    E concordo contigo, temos de agradecer, seja lá a quem for, sobretudo o facto de termos saúde. A saúde é o mais importante. Enquanto isso podemos ir aproveitando tudo bem :)
    Beijinhos

    Automatic Destiny

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    1. Obrigada :). Sim, ter humor negro ajuda-nos a ultrapassar melhor as situações. Enquanto profissionais de saúde, temos que saber criar uma barreira e " desligarmo-nos" um pouco da realidade, mas atenção, sem nunca ser insensíveis.
      Exatamente, temos que aproveitar muito bem todos os dias :).

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  2. É algo com que não sei lidar, de todo! Beijinhos*

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  3. Uma amiga minha trabalhou como auxiliar num hospital e ao fim de poucas semanas também falava deste assunto de forma mais "leve". A mim faz alguma confusão, confesso. Não sei se teria estômago...

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    1. A mim ainda me faz alguma confusão também, mas já não me faz tanta como há um ano, quando estagiei pela primeira vez. É uma questão de hábito.

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  4. Lidar com a morte é sempre difícil, mas é mais que óbvio que isso nos pode ensinar muito (:

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  5. Grandes verdades que tu disseste. Não deve de ser nada fácil de ter de lidar com situações como a morte, mas acredito que com o tempo uma pessoa crie uma espécie de armadura para não se permitir sensibilizar tanto e cair na tristeza de ter perdido alguém.

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    1. É, eu vejo isso nos enfermeiros mais experientes, que criaram uma espécie de armadura.

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  6. Esta publicação fez-me pensar na minha experiência de estágio no hospital. Ainda que não tenha lidado com os doentes de forma tão prolongada quanto tu, afeiçoei-me a alguns e descobrir que tinham piorado da sua condição ou falecido, deixava-me sempre com um nó na garganta...

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    1. Por muito que nos habituemos, é sempre difícil.

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  7. Eu acho que a morte continua sempre a ser chocante, as pessoas é que desenvolvem mecanismos de defesa caso contrário não conseguiam continuar a desempenhar convenientemente o seu trabalho.
    Mas atenção, a minha atividade profissional nunca envolveu nada relacionado com a morte, a minha opinião pode não ser a mais assertiva.

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    1. Eu percebo aquilo que queres dizer. Claro que a morte será sempre chocante, mas para quem lida com ela diariamente, como os enfermeiros, acaba por sendo gradualmente menos chocante. Nunca será fácil porém, com o tempo, os profissionais de saúde vão criando mecanismos para lidar com esta.

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