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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A distinção de brinquedos de menino e menina faz sentido?


Em plena época natalícia, e numa altura em que, como todos os anos, revistas de supermercados e lojas vêm parar aos nossos correios, com brinquedos e artigos para crianças, achei interessante colocar uma questão aqui no blog: Fará sentido dividir os brinquedos em duas categorias, menino e menina?

Quando era pequena, recordo o entusiasmo com que recebia estas revistas em casa. Natal não era Natal sem receber uma destas revistas em casa, para poder escolher os meus presentes. No meu tempo, a revistas estavam divididas mais ou menos em quatro categorias: bebé, menino, menina e jogos educativos. Sempre fui uma criança muito imaginativa e muito aberta e, apesar de ser muito feminina, já cheguei a brincar com carros e brinquedos que supostamente eram para rapazes, por isso não me sentia mal em desejar algo que estivesse nas páginas de " brinquedos para menino". Felizmente, os meus pais nunca se preocuparam muito quando me viam a brincar com carros, sempre me deixaram dar largas à imaginação à vontade. Muitos pais ficariam logo preocupados com o facto de a filha poder virar lésbica no futuro ou maria-rapaz, mas os meus pais não. De facto, até nem tinham muitas razões para se preocupar, eu brincava a maior parte do tempo com bonecas e, muitas vezes, usava os carros como transporte para as Barbies. Mas já cheguei a construir pistas de comboios e a fazer corridas de carros com os meus primos, e isso não afetou em nada o meu crescimento, como muitos psicológos e a sociedade insistem em dizer. Cheguei na mesma a ser uma mulher heterossexual ( e se fosse lésbica, qual era o problema?).

Entretanto cresci e deixei de prestar atenção a estas revistas, mas estes dias recebi umas em casa, e decidi folheá-la, para ver se tinha existido alguma evolução. Infelizmente, as revistas continuam a vir com a divisão de menino e menina, o que parece inofensivo à partida mas, a meu ver, pode suscitar preconceito nos pais e vergonha nas crianças. Como é que acham que um rapaz, por exemplo, se irá sentir quando desejar uma boneca que está na página de "brinquedos de menina"? Vai sentir vergonha, obviamente, nem sequer chega a pedir aos pais, e se pede, os pais repreendem-no logo, com medo que ele vire gay.

Muita gente pode achar que eu estou a exagerar e que quero é ser do contra, que é só uma simples divisão para melhor organização, mas eu não concordo com esta. Acho que existem muitas maneiras de categorizar os brinquedos, sem ser pelo género: podem fazer uma categoria para carros, outra para  bonecas, para barbies, materiais de construção... Não é preciso recorrer ao sexo , podem organizar os brinquedos de mil e uma maneiras.

São detalhes que podem passar despercebidos a muitos, mas eu acho que estes pequenos detalhes fazem toda a diferença e, sem dúvida, passam uma mensagem às crianças e pais. Concordo com as divisões de género noutros sítios ( como nas casas de banho públicas, Deus nos livre se fossem homens e mulheres no mesmo sítio!), porém acho que aqui esta divisão não faz sentido. Devemos deixar as crianças darem largas à imaginação com os brinquedos que quiserem, sem preocupações com o seu futuro desenvolvimento e orientação sexual.

E vocês? Qual é a vossa opinião sobre a distinção de brinquedos?
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14 comentários:

  1. Tenho muitos primos na maioria rapazes e crescemos todos juntos. Tanto brincava sozinha com bonecas, como brincava aos carrinhos e às lutas com os meus primos, como jogava à bola com o meu pai. Talvez me tenha considerado um pouco "Maria rapaz" a certa altura mas garanto que sou muito feminina e adoro maquilhagem e afins que qualquer rapariga adora. Não acho que as coisas devam ser tão estereotipadas e concordo contigo!

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    1. Nunca jogue muito à bola, mas tal como tu brinquei muitos vezes com os meus primos.
      Exatamente!

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  2. Acredito que eles apenas dividam simplesmente para ser mais fácil de procurar. Eu quando era mais nova e via esses folhetos, via todas as categorias e muitas vezes cheguei a pedir presentes que estavam nas "folhas para os rapazes". Mas acho que essa distinção é quase inexistente nos dias de hoje. Quero mesmo acreditar que a divisão é única e simplesmente por uma questão de facilitar a vida à pessoa que está à procura de algo nesse mesmo folheto.

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    1. Acredito que quem faça estas divisões seja de forma inofensiva mas, tal como disse no post, existem muitas maneiras de organizar um catálogo de brinquedos que não impliquem dividir por géneros.

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  3. Quando era mais nova (e também porque tinha irmãos), brincava com todo o tipo de brinquedos. Lembro-me de preferir mil vezes o Action Man para casar com a minha Barbie do que o Ken.
    Acho que essa distinção já não faz muito sentido, mas duvido que a mentalidade vá mudar tão cedo.
    Beijinho* Confissões de uma Pecadora by Valentina ||
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    Croquis - Home Decor

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  4. Eu acho que as crianças devem brincar com aquilo que gostarem! Eu sempre brinquei com os carrinhos do meu irmão e ele com as minhas bonecas e assim é que éramos felizes!
    beijinhos
    http://direitoporlinhastortas-id.blogspot.com/

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  5. Não poderia concordar mais, e é como dizes, há muitas formas de fazer essa divisão, ela não necessita ser feita desta forma.

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  6. Tenho a sorte de trabalhar com crianças pequenas e de poder desconstruir as ideias pré-concebidas. Deixo-os brincar livremente e é maravilhoso ver que eles não se inibem de pegar no brinquedo que querem. Inicialmente tinham a ideia dos brinquedos de menina vs. brinquedos de menino mas eu disse-lhes logo que isso não existia. Que os brinquedos serviam para brincar. E é isso que temos que ensinar aos mais pequenos. Mas mais importante, é isso que temos que mostrar aos pais, tios, avós,... Tem que se dar liberdade à brincadeira. Porque brincar não tem género!

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    1. Tens estado a fazer um trabalho muito maravilhoso, pelo que estou a ver :). Admiro-te por estares a fazer isso, por estares a desconstruir ideias pré-concebidas, não só nas crianças, mas também nos adultos. Ao ensinares às crianças a brincar assim, elas contarão aos pais, e a mensagem será passada aos adultos, o que é ótimo :).

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  7. Este é um tópico que me interessa bastante e já tentei escrever sobre o mesmo umas quantas vezes, mas acaba sempre por ficar de "reserva". Tal como tu, não concordo com a divisão de brinquedos. Raparigas brincarem com coisas do sexo oposto, nunca causa grande stress, o problema é quando um rapaz resolve agarrar numa barbie ou "casinha" de bonecas. Aí, cai o Carmo e a Trindade. Já ouvi pais (homens) dizerem barbaridades sobre este assunto, o que me incomodou bastante. As crianças nascem sem fazer qualquer dinstinção de género, cor, etc. Quem as molda e "estraga" são os pais e as seus preconceitos. Enfim!

    Ricardo, The Ghostly Walker.

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    1. Não vejo mal nenhum em um rapaz brincar com Barbies, da mesma maneira que não acho mal raparigas brincarem com carros. É como tu dizes, as crianças nascem sem nenhum desses preconceitos, os pais e a sociedade é que lhes estragam esses valores e incutem-lhes ideias pré-concebidas que não fazem sentido, muito menos nos dias de hoje.

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  8. Eu sempre achei que essa divisão não fazia sentido, até porque eu nunca gostei muito de brincar com bonecas, sempre preferi carros e comboios. Na minha família, isso nunca foi problema - e felizmente há muitas famílias assim. Mas se pensarmos bem, essa divisão também é feita noutras coisas. Pensa nos anúncios a produtos de limpeza, por exemplo. Quem é que está sempre a limpar e depois a mostrar que aquele produto lhe facilita muito a vida? Uma mulher. Sei que pode parecer que não tem importância, mas este tipo de coisas manda uma mensagem, mesmo que não seja esse o objectivo. Inconscientemente, há algo que passa para as pessoas. Com os brinquedos é igual, mas acho que é um pouco mais como o Ricardo Francisco referiu: no geral, não há grandes problemas quando uma rapariga quer brincar com carrinhos. Mas muita gente insurge-se quando um rapaz quer brincar com bonecas. Há essa distinção clara, eu já vi reacções dessas algumas vezes. Deixo-te só uma nota em relação às casa-de-banho: já fui a casas-de-banho públicas que eram mistas e não houve nenhum tipo de problema :) Por isso não acho que a distinção seja assim tão importante.

    Mundo Indefinido

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    1. Também acho que esses anúncios mandam uma mensagem, mas nesse caso tem a ver mais com o público-alvo, embora este já se esteja a alterar ( já existem muitos homens que gostam de fazer limpezas).
      Também depende dos sítios. Já fui a casas de banho mistas, e devo dizer que acaba por criar muita confusão e muita menos higiene ( mas, às vezes, as mulheres são menos higiénicas do que os homens).

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