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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O bullying não é normal


Estamos em 2016 e as pessoas ainda acham que o bullying é normal, faz parte da vida escolar, faz bem às vítimas porque as torna mais fortes. Já não vou falar das pessoas estúpidas que acham que o bullying é como a seleção natural, em que os mais mais fracos são eliminados.

Quem nunca sofreu bullying não imagina as marcas que deixa numa pessoa, marcas essas que podem ficar para toda a vida. Estremeço só de de pensar no que sofri no 3º ano, de cada vez que passo pela escola primária onde andei durante apenas um período ( antes de mudar para a escola onde andei até ao 9º ano). Mas estremeço ainda mais quando penso nas crianças/jovens que estão a sofrer isto nos dias de hoje, na  era das redes sociais e dos smartphones, em que tudo pode ser filmado e publicado na Internet em segundos.

Estamos numa sociedade que ainda considera que o problema do bullying é das vítimas, pois não são capazes de se integrar numa escola e de se defender.  O verdadeiro problema aqui são dos bullys que, na maioria das vezes, são pessoas inseguras, que sentem que só conseguem ser mais confiantes e ser mais populares se rebaixarem os outros. Mas essas pessoas raramente são castigadas por aquilo que fazem, a não ser em casos extremos, em que espancam uma pessoa e o vídeo vai parar à net, e mesmo assim, o castigo que recebem não chega a ser conhecido ou é pouco claro, e dá a sensação que as pessoas em questão nao chegam a ser punidas. Na maioria dos casos, o bullying é psicológico, é silencioso, e a vítima não tem coragem de denunciar o problema, com medo der ser gozada tanto pelos colegas como por pais ou mesmo professores.

Como vos disse, eu no 3º ano fui vítima de bullying, numa altura em que ainda mal se ouvia esta palavra. Tinha acabado de me mudar de uma aldeia para Braga, e estive nesse escola durante apenas um período, mas foram feitos estragos suficientes para me deixar marcas para a vida. Querem saber a razão estúpida pela qual gozavam comigo? Porque eu era filha de um professor, que conhecia a minha professora primária. Fui gozada pelo simples facto da minha professora ter me apresentado como "filha de um colega nosso". Os meus colegas sentiram-se ameaçados, pensavam que eu podia ter acesso aos testes e tirar melhor nota do que eles, pensavam que eu iria ser a queridinha dos professores que iria denunciar todas as asneiras que eles fizessem, e que iria apontar o dedo ao aluno que estivesse a copiar durante um teste. Por ser filha de um professor, algo que eu não tinha absolutamente controlo nenhum, fui gozada. Os meus colegas acharam que tinham de dar uma lição a essa convencida ( AKA, eu?).

Fiz tudo o que é suposto uma vítima de bullying fazer nestes casos. Primeiro denunciei os bullys à minha professora, mas ela simplesmente mandou-me voltar para o recreio e ir brincar ( olhando para trás, até a compreendo, nem ela conseguia controlar aquela turma barulhenta). Disse aos meus pais o que se passava e eles, apesar de me terem mudado de escola ( o que eles já iriam fazer de qualquer das formas, estavam à espera de vagas num colégio), acharam-me uma fraca e estúpida (mas mais tarde, quando souberam a história toda, compreenderam-me e apoiaram-me). Escusado será dizer o que é que as outras pessoas acharam acerca disto.

Nos anos seguintes, sofri bullying, mas em doses bastante menores. Sobretudo porque, nessa altura, já tinha um grupo de amigos e defendíamo-nos mutuamente, e também porque já sabia lidar melhor com a situação, já sabia que o problema não era eu, mas sim de quem o fazia. A turma do meu básico tinha um grupo de raparigas bastante conflituosas, que gostavam de causar problemas a toda a gente. Houve uma rapariga que sofreu bastante, porque lhe chamaram gorda, e teve problemas de anorexia. Felizmente, eu e os meus amigos falamos  dessa rapariga aos professores, e ela teve a ajuda de que precisava. Mas na maior parte dos casos isso não acontece.

Sofri durante anos de insegurança, mesmo quando já não sofria bullying. Ainda agora sinto-me insegura de vez em quando, quando as coisas não correm bem. Tenho autoestima, tenho um grupo de amigos que me apoiam, tenho uma vida social boa, mas ainda tenho marcas do que sofri.

Em todo o meu percurso escolar, tentei intervir sempre que via pessoas a gozarem com outras (claro que não intervim nos casos de lutas entre rapazes, por razões óbvias, ainda me batiam a mim.). Mas este problema não vai acabar enquanto a sociedade achar que o bullying é normal, e as crianças/jovens acharem que não podem intervir porque senão estão fora do grupo de amigos "fixes".
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18 comentários:

  1. Concordo com tudo o que disseste... Também faço questão de defender outros que sofrem bullying. Porém, com as redes sociais torna-se um pouco mais complicado, devido ao cyberbullying e, como referiste, aos vídeos em que alunos espancam outros.
    Beijinhos

    Saturn's Mermaid

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    1. Sim, nas redes sociais é bastante mais difícil, mas já consegui reunir um grupo de amigos para denunciar um vídeo publicado no facebook ( o face tem uma norma qualquer que é preciso denunciarem x pessoas para o vídeo ser retirado, uma estupidez porque por vezes não se consegue juntar o número necessário e a vítima continua a sofrer).

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  2. Tenho uma história muito semelhante à tua. Sofri bullying porque a minha mãe era professora - não era na minha escola nem nunca conheceu os meus professores a não ser como encarregada de educação -. Foi um pesadelo, porque todos me chateavam e embirravam comigo por ser filha de uma professora. Para ajudar, tinha um ar frágil e franzino; empurravam-me de escadas, gritavam-me "CALA-TE" quando a professora deixava-me responder às perguntas (e não, os professores não intervinham, embora tivesse sido por ordem deles que eu estava a falar), gozavam com tudo o que tinha e vestia... E eu não ligava. Até um dia terem estragado todos os meus trabalhos de EVT. Foram à minha pasta e rasgaram tudo, esperaram pins, riscaram. Chorei baba e ranho, o trabalho de um período inteiro deitado ao lixo na véspera de avaliação e, embora a professora soubesse perfeitamente que tinha sido vítima, queria dar-me negativa porque "isto não são trabalhos que se apresentem". Hoje não sei o que teria feito a esta incompetente, mas naquela altura fiquei tão chocada que pedi ajuda aos meus pais. Contei-lhes tudo. A minha mãe fez queixa da professora e quando a DT quis amenizar as coisas, foi firme e desancou a DT. O bullying não passa despercebido, as pessoas é que simplesmente viram a cara e a minha mãe sabia disso. A queixa avançou e tive a nota que merecia. Depois entrei nas artes marciais e tudo acabou quando um rapaz tentou atirar-me pedras e eu deitei-o (com o meu quilo e meio de gente) ao chão. Mas não devia ser assim. Devia ser mais fácil e devia estar - todas as vítimas deviam - mais protegida.
    Enfim, Cherry, sorry pelo comentário gigante. É só para dizer que não estiveste sozinha. E hoje tenho muita coisa ultrapassada, evolui e sei que isto foi tudo por inveja e necessidade de afirmação. Não desculpa, mas pelo menos sei (e tu também saberás) que não foi por nós. E isso significa que somos muito mais. De uma essência mais especial.

    Sabes a maior ironia? Um desses bullys, no meu 2ºano de faculdade, entrou no meu curso e foi para a praxe. Esteve de gatas à minha frente, sem poder olhar além dos meus pés. Nunca lhe fiz nada nem me vinguei (não é dessa matéria que sou feita). Acho que nem lhe cheguei a dirigir a palavra. Mas achei muito curioso o que a vida prepara para nós.

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    1. Lamento muito aquilo que sofreste. Ninguém merece sofrer bullying, muito menos tu, que me pareces ser uma pessoa incrível, boa e generosa.
      Eu também tinha um ar frágil, pois era magra e muito branquinha ( ainda sou, só que agora tenho formas de mulher), e isso contribuiu ainda mais para ser gozada.
      Estou chocada por a tua professora de EVT não ter feito nada! Como é lógico, tu não irias destruir os trabalhos que arduamente fizeste, qualquer pessoa normal conseguiria ver que foi maldade dos outros. Ainda bem que tiveste pais que te apoiaram sempre, e ainda bem que a tua mãe foi firme até ao fim, outras pessoas podiam ter-se sentido desencorajadas e desistir da queixa. A tua mãe foi firme e avançou.

      Concordo contigo, as pessoas sabem que ele existe, mas fingem que é normal e nem ligam porque é muito mis fácil do que tentar resolver as coisas. E quem sofre é que tem que resolvê-las, sem qualquer tipo de apoio.

      Não tens que pedir desculpa pelo tamanho do teu comentário. Sabes que gosto sempre de ler-te independentemente do assunto que tens de falar. Como tu dizes, sei que isto não teve nada a ver com nós, o problema era de quem o fazia, mas enfim, acho que de certa forma nos tornou mais fortes e melhores pessoas, porque não queremos cometer os erros que eles cometeram. Apesar de querer que tu não tivesses passado pelas crueldades que passaste, isto terá contribuído de certa forma para te tornar a pessoa que tu és, uma pessoa com uma mente aberta, com bom-senso, generosa e bondosa.

      Não sou a favor de vinganças ( e fizeste bem não o fazer, por muito que pudesses ter vontade), mas é essa ironia é mesmo engraçada, ele estar de gatas a olhar para o chão e a pessoa que gozou ser agora doutora dele. Acho que isso prova que, de facto, o Karma existe mesmo e faz questão de não deixar passar nada ao lado.

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  3. Como te compreendo e concordo com tudo o que disseste ... Também sofri.

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  4. É mesmo triste uma pessoa ter que insultar outra para se sentir bem consigo mesma. Lamento que tenhas sofrido por bullying como lamento todas as outras pessoas. Sei que nunca vais esquecer "as marcas" do bullying, porque no oitavo ano a minha diretora de turma deu-nos um papel e mandou-nos esmaga-lo, eu e outros colegas, ficamos a olhar para o papel e eu pensei "Porquê que eu vou esmagar o papel?" e eu tentei esmaga-lo, mas eu não conseguia. Só dobrei um pouco a folha enquanto mais de metade dos meus colegas estavam a esmaga-la e a rir. Depois disso, a nossa professora mandou-nos fazer com que a folha voltasse ao que era, lisa. Passámos as mãos na tentativa que resultasse, mas não funcionou. No final, a nossa DT explicou-nos o objetivo e disse que uma pessoa que um dia sofra de bullying nunca conseguiria voltar ao que era, como o papel.
    Gostei bastante do post, ainda bem que abordaste este tema. :)

    http://mariana-a-desorientada.blogspot.pt/

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    1. Foi uma maneira muito engraçada que a vossa professora vos arranjou para explicar o bullying, é mesmo verdade! Infelizmente, são marcas que ficam para a vida, muito embora seja possível recompormo-nos e sermos completamente felizes.
      Obrigada :).

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  5. Infelizmente, eu também já fui vítima de bullying no primeiro ciclo. Até certa idade, nunca tinha contado aos meus pais ou mesmo à minha família, mas mesmo assim, tive colegas que me defendiam quando podiam, e outros que se aproveitavam para fazer piadas da situação. E eu era vítima por pura e simplesmente ter sido sempre uma das melhores alunas da turma e porque também tinha peso a mais. A bully que o fez, para além de me ter feito coisas terríveis e que hoje vejo que foram coisas extremamente estúpidas e sem sentido, de certa forma também maltratava outras pessoas. Era daquelas pessoas (e leia-se rapariga) que monopolizava um grupo de outras raparigas e eu passava mal nas mãos delas. Como eram as protegidas, julgavam que poderiam fazer de mim o que quisessem, o que acabou por ser verdade, porque eu nunca tive coragem de lhes fazer frente pois tinha a noção de que se tentasse, toda a escola seria colocada contra mim, ficando eu, uma criança, sozinha e sem amigos... Houve apenas uma vez em que levantei a mão a essa rapariga para me defender, mas mesmo assim não fui capaz de lhe bofetar a cara. Quando passei para o 5°, eu sentia um enorme terror de poder reencontrá-la na rua, cara a cara, mas tal nunca aconteceu. Eu tinha-lhe um ódio imenso, jurava para mim mesma de que se a visse um dia na rua, encher-lhe-ia de porrada...
    ... Mas entretanto cresci e a única coisa que nutro por ela é pena. Pena porque ela desprezou a amizade que eu julguei ter existido entre nós duas, mas que afinal era inveja. Pena porque na verdade ela deveria ter falta de amor ou algo do género para maltratar as pessoas, quando elas não mereciam. Desde então, e mesmo a partir do 5°, aprendi a impôr respeito por onde passava. Se alguém se atrevesse a levantar-me a mão, eu defendia-me, independentemente do estrago que provocasse. Hoje, basta-me que olhe para alguém de forma séria para que nem se atrevam a provocar-me... Graças a isso, e não que seja algo que se deva passar, porque sim, o bullying não é uma coisa normal, eu cresci. Aprendi a ser mais forte e NUNCA na vida fiz com os outros o que me fizeram. Sei que é algo que acontece, muitas das vítimas acabam por vitimizar outros, mas acho que isso acaba por ser um ato de cobardia e fraqueza. Ao cometeres o crime de que foste vítima, estás-te a mostrar mais fraca do que no momento em que não te defendeste!
    Sei que foi um longo comentário, e até já tinha pensado em fazer uma publicação acerca deste assunto (mas lá está, ainda me falta a coragem para fazê-lo de maneira tão pública), mas de qualquer das formas, fica sabendo de que não estás nem nunca estarás sozinha!

    A Vida de Lyne

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    1. Lamento muito tudo aquilo que sofreste. Tenho vindo a constatar que isto só acontece às pessoas mais espetaculares, que não o merecem mesmo de todo, e tu és uma prova fisso.
      É como tu dizes, normalmente os bullys fazem isto por insegurança, por inveja, ou por falta de amor em casa. Às vezes até são maltratados em casa, e por isso revoltam-se fora de casa, maltratando as outras pessoas. Tal como tu, ao início eu jurei que se visse os meus bullys na rua eu lhes iria bater, mas agora é como tu dizes, só consigo ter pena deles. No outro dia, cruzei-me mesmo com uma das bullys, que estava a trabalhar num supermercado. Pelo que soube, ela não entrou na universidade, porque nunca se esforçou o suficiente, e isso mete-me pena.
      Obrigada por partilhares a tua história. Lamento mesmo aquilo porque passaste, mas fico feliz por teres ultrapassado tudo e encontrares paz contigo mesmo. Não é nada fácil falar sobre o assunto, por mais ultrapassado que esteja, é sempre como voltarmos ao passado e sentir as feridas a abrirem-se. Sei que é difícil falar sobre isto de maneira tão pública ( até a mim me custou, mesmo o meu blog sendo anónimo) , mas se algum dia reunires a coragem necessária, acho quem um post teu poderia ajudar muita gente que esteja a passar pelo mesmo.
      Sei que não estamos sozinhas, e escrevi este post para as pessoas do outro lado do ecrã saberem isso, que não estão sozinhas nesta luta.

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  6. O bullying marca realmente uma pessoa e só mesmo quem passou por isso é que sabe. Lembro-me de na escola primária de chegar a casa a chorar todos os dias porque tinha um colega que me deu o apelido de "Perua Raivosa", foi preciso a minha mãe intervir mas mesmo assim de vez em quando o nome voltava. Depois já no ciclo sofri de um grupo de amigas...enfim...acho que marca para sempre e agora que tenho uma filha tenho imenso medo que um dia sofra o mesmo que eu sofri.
    Beijinhos

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    1. Lamento muito, o nome que te chamaram é terrível, as pessoas são capazes de ser muito cruéis. Imagino que como mãe tem-se muito medo disso, hoje em dia as crianças são muito más. O mal é que algumas essas crianças já não são educadas bem em casa, depois dá no bullying.

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  7. Oh Cherry, como adorei este post. Penso já ter escrito sobre isto a determinada altura.
    Identifico-me com todas as palavras da tua publicação e peço desde já desculpa por te importunar com a minha história.
    No 1º ciclo sempre me senti muito sozinha, porém, tinha um grupinho forte e muito quente de amigos. Infelizmente, por questões monetárias, os meus pais tiveram de me retirar daquela escolita no 4º ano. E, assim, começaram 7 longos anos de desprezo, ignorância, esquecimento. Tive que pôr aparelho nos dentes muito cedo, ou ficava sem eles, e, além disso, apareceu-me um pequeno problema de olhos e tive de usar óculos durante ano e meio. Era novinha para tudo isto e chegada ao 5º ano para uma turma de gente muito emproada fui alvo de chacota e gozo a toda a hora. «Avozinha, não tens outras roupas?»; «Essa franja fica-te mesmo mal!»; na altura eram só comentários. Foi então que souberam que a minha mãe estava na direcção daquela escola... como deves imaginar, o alvo nas minhas costas cresceu para o triplo. De simples comentários, comecei a ser posta de parte, a ser abafada nas aulas, chegaram a rasgar-me testes e a fechar-me nas casas de banho tirando-me as minhas coisas! Atingiu o cúmulo quando me acederam às contas de email e começaram a mandar mensagens aos meus familiares insultando-me fortemente e dizendo-lhes coisas muito feias.
    Fiz queixa à minha DT no final do 6º ano e a única coisa que ela fez foi falar com eles... o que piorou a situação.
    No 7º ano pedi transferência de turma, já com a minha mãe ao corrente da situação e pensando que isso me safaria das injustiças que sofri. Todavia, a turma nova não era melhor... estava a crescer, e começava a ter corpo, o que fez com que outros nomes surgissem nos insultos.
    Nunca desisti da escola, nem deixei que isto interferisse nas minhas notas, tendo sempre o melhor desempenho possível (o que aumentava os insultos, mas queria lá saber!), fui das poucas alunas a tirar 5 nos dois exames no 9º ano, porém, não foi nada fácil ter aquelas pessoas a olhar para mim todos os dias e a sentir-me o patinho feio quando tudo o que eu queria era alguém com quem falar, brincar, jogar...
    Pensei eu que ao mudar de escola no 10º ano as coisas acabariam... provavelmente, fiz mal ao ir para uma escola que era escolha comum dos meus antigos colegas! O desprezo perseguiu-me, os olhares reprovadores, «Aquela era filha da stôra, não confies nela, sempre foi favorecida!», tudo tinha mudado de escola comigo.
    No 11º ano fui completamente abaixo, isolei-me, comecei a emagrecer a uma velocidade louca, nesse Verão passei muito mal, até que conheci os meus amigos que me ajudaram a ver a luz ao fundo do túnel e a recuperar as minhas forças, que me acompanharam todos os dias numa caminhada chata e cansativa, que me defenderam e me apoiaram nos meus sucessos e insucessos. A eles lhes devo tudo.
    Aos outros devo também bastante, porque, apesar de não ter sido forte o suficiente, ajudaram-me a perceber quem são as pessoas boas e a afastar-me das que são medíocres, rascas e más!

    Ironia ou não, no outro dia encontrei uma das raparigas que me fez pior, ela veio ter comigo e disse-me estas exactas palavras: «Joana, peço tantas tantas desculpas, as pessoas com quem nos dávamos eram estúpidas e eu deixei-me levar, não sabia que te tinha magoado tanto!»
    Algumas também crescem!

    Apenas tenho pena que seja um assunto tão abafado pela sociedade, tão escondido. As pessoas têm medo, vergonha, o que seja, de falar sobre isso... Espero que aos poucos isto mude.

    Obrigada pela tua partilha e desculpa o meu comentário!

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    1. Muito obrigada.
      Oh Joana, lamento mesmo tudo aquilo que tu sofreste. Estou chocada com a crueldade dos teus colegas. O que eu sofri em nada se compara àquilo que tu sofreste. A sociedade não tem conhecimento deste tipo de histórias, e se tem, está sempre a abafar, e os culpados disto andam sempre por aí à solta, fazendo as vítimas passar uma terrível vida escolar, que deveria ser supostamente das etapas mais felizes.

      Não peças desculpa pelo comentário longo. Acho importante desabafares, e a tua história pode ajudar muitas pessoas que estão a passar pelo mesmo.

      Admiro-te imenso por nunca teres desistido da escola, apesar de todo o sofrimento que passaste. Qualquer pessoa teria desistido e reprovaria. Tu não só não reprovaste, como tiraste excelentes notas.

      Penso que apesar do sofrimento que o bullying acarreta, é uma das grandes lições que podemos tirar: ajuda-nos a distinguir as pessoas boas das más, e afastarmo-nos das últimas. Quando era mais nova, era muito ingénua, e aprendi isso da pior maneira.

      Apesar das desculpas dessa rapariga não apagarem o que tu sofreste, essa rapariga teve uma grande atitude, assumir um erro e pedir-te desculpa. A isso chama-se crescer. Muitos não têm essa coragem.

      A sociedade devia dar mais atenção a este problema, fico chocada com a falta de apoio que tu tiveste. Se não fossem os teus pais e os teus amigos no 12º ano, não tinhas apoio nenhum. As vítimas deviam ter mais apoio da escola e deviam punir os bullys, porque este tipo de comportamentos são inaceitáveis.

      Obrigada eu por partilhares a tua história. És um exemplo que tudo nesta vida pode ser ultrapasssado, e que se pode encontrar a felicidade depois das fases mais negras.

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    2. Infelizmente, algumas pessoas conseguem ter o mal dentro delas e escapar ilesas disso a vida toda.
      Não compreendo porque preferem abafar as vítimas e dar palmadinhas nas costas aos bullys. Revolta-me profundamente.
      Sem dúvida qje agora consigo ler melhor as pessoas e afastar-me quando denoto a crueldade, porém, algo me atrai nas pessoas vis, talvez sinta que as posso ajudar, todas as pessoas precisam de ajuda, na verdade. E as más sâo aquelas que precisam mais.
      Como disse, essa rapariga surpreendeu-me,hoje, quando a encontro, cumprimento-a e desejo-lhe tudo de bom, porque, também ela viu a luz ao fundo do túnel.
      Fico triste ao pensar que sofri 7 anos por falta de apoio, mas fico mesmo feliz pois descobri pessoas com um coração puro, e, sem dúvida,que acompanhar-vos a vocês também me ajudou.

      Nós podemos tudo e eu acredito mesmo nisso!

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    3. A mim também é algo que me revolta profundamente, daí ter escrito este post.
      Às vezes também tento ajudar as pessoas más, mas como é que conseguimos ajudar alguém que não quer ajuda? Já desisti de tentar mudar o mundo, para mudar o mundo temos que nos mudar primeiro a nós próprios, e é nisso que estou concentrada agora, a aprender com os meus erros e com os erros deles.

      É verdade, nós podemos tudo se acreditarmos em nós mesmos.

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  8. http://aduplafacedejoana.blogspot.pt/2015/05/mas-este-eu-vou-comentar.html
    Afinal nunca cheguei a abordar o assunto como o fiz aqui, mas deixo-te a publicação que fiz na altura daquela grande polémica.
    Todavia, os primeiros posts do meu blog são sobre o meu passado e a tal situação que sofri no 11º ano.

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