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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

À família que eu escolhi: A praxe.



( Foto retirada do We Heart It)

 Esta semana tive que tomar a decisão mais difícil que já tomei desde que entrei para a universidade e, provavelmente, uma das decisões mais difíceis da minha vida. Tive de desistir da praxe.

Quem já leu este post, este  e este , sabe que eu adorei andar na praxe e está a perguntar-se o que aconteceu para eu ter que tomar esta decisão. Bem, como o meu blog não é só para partilhar bons momentos ( embora eu tente que este seja o mais positivo possível para os meus leitores) , decidi contar-vos. Os meus pais nunca gostaram da praxe, em grande parte devido ao que viam nos media ( conclusões com pouco fundamento portanto) e tentaram convencer-me sempre a não ir. Nas primeiras semanas, até me deixaram andar lá em paz, porque pensavam que eu ia desistir, mas não eu fiz isso. Quando se começaram a aperceber que eu não ia desistir e que ia fazer a praxe até ao fim, começaram a chatear-me e a fazer de tudo para desistir. Eu como sou teimosa , mas principalmente porque eu adorava aquilo, tentei resistir. E resisti um semestre inteiro.

No início de 2016, não consegui ir a mais nenhuma praxe. Os meus pais tiraram-me o kit de praxe, não me deixavam sair de casa para as praxes, e ameaçaram tirar-me do curso e mandarem-me ir trabalhar, caso eu continuasse a persistir. Por isso, após muitas discussões, dores de cabeça e lágrimas, fui obrigada a tomar esta decisão ( sim, porque para os meus pais fui eu que decidi desistir, é o que vão dizer às outras pessoas que perguntarem, mas na prática fui obrigada por eles).

Custa-me ter que abandonar a praxe. Foi uma família para mim. Adoro os meus coleguinhas bestas e, principalmente, adoro os meus Doutores. Custa-me ter que deixar isto para trás. No entanto, estes três meses que andei na praxe vão ficar na minha memória para sempre. Foram os melhores meses da minha vida!

Apesar de desejar que isto  tivesse acabado  de outra forma, tenho a consciência tranquila, porque sei que me entreguei de corpo e alma a esta família que é a praxe. Cantei, berrei, enchi, ri, chorei, fiz jogos,.. Mas acima de tudo, fiz amizades, não só com os caloiros, mas também com os Doutores, fiz memórias e orgulhei o Curso. Só gostava de ter ficado até ao fim.

Dava tudo para ser praxada mais uma vez! Nem que fosse só mais um dia, uma hora, um minuto que seja. Dava tudo para voltar a encher 10 flexões, dizer " Pronto, Sr. Doutor Enfermeiro..." ,ouvir o Doutor " Pronto para quê?" e eu " Para encher mais dez..." e encher outras 10 flexões de seguida. Dava tudo para gritar outra vez palavrões e obscenidades no meio da rua, e  ainda rir-me da cara de chocada ou de desaprovação das pessoas. Dava tudo para fazer outra vez alto show com os meus colegas, com uma coreografia sincronizada e até adereços. Dava tudo para tentar outra vez matar uma formiga aos berros. Dava tudo para obedecer outra vez a uma ordem de um Doutor, para andar a chatear continuamente  um Doutor não trajado, e o pobre do Doutor não trajado não poder parar a ordem, porque não podia praxar sem traje ( sim, eu fiz mesmo isto, o Doutor não trajado disse eu que estava lixada quando ele aparecesse trajado. Mas no dia  a seguir, quando veio esse mesmo Doutor trajado, veio ter comigo para apenas se rir do que lhe fiz ). E principalmente, dava tudo para berrar mais uma vez o hino de curso. Eu adorava tanto berrar o hino de curso! Quando um Doutor berrava "HINO DE CURSO!" , eu sorria por dentro e berrava a plenos pulmões e com todo o orgulho o nosso Hino de Curso. Cada vez que o berrava, sentia a adrenalina toda a percorrer as minhas veias, e sobretudo o orgulho enorme que sentia pelo meu Curso.

Na praxe encontrei uma família. Encontrei pessoas que me compreenderam e apoiaram. Encontrei amigos para a vida. E, apesar de ter saído da praxe, nunca abandonarei esta família.

A praxe também me tornou uma pessoa melhor. Ensinou-me valores como  união, a entreajuda, o espírito de equipa, a generosidade, a amizade,... Já não sou a mesma pessoa que foi timidamente para a praxe no primeiro dia. Certamente continuo a ser um pouco tímida, porque é a minha maneira de ser, mas saio de lá muito mais confiante e segura de mim mesma.

Para acabar este longo post ( sorry ) só quero agradecer aos meus coleguinhas bestas, pelos momentos que passamos juntos. Podem sempre contar comigo para o que precisarem. E quero também agradecer também aos meus Doutores, que o foram com D maiúsculo. Já não sou da praxe, mas, para mim, serão sempre os meus Doutores , e vou tratá-los sempre como tal.  Devo-lhes todo o meu respeito, mas acima de tudo admiro-os. Infelizmente, não poderei praxar, mas se praxasse, seria com todos os valores que me transmitiram , e os meus Doutores seriam os meus modelos a seguir.


 Acabo este post com lágrimas nos olhos e com a letra da minha  música preferida da praxe ( a seguir ao hino, claro) que, apesar de a maior parte de você não saberem o ritmo, certamente gostarão da letra como eu :

" Somos caloiros de Enfermagem, 
            praxados a valer,
       
            agradecemos aos Doutores,
         
            tudo o que vamos viver.

           
           E vamos ser especialistas,
         
            e muitas vidas salvar,
         
           de caloiros a finalistas,
         
           o curso vamos honrar."

         

O que a praxe une, NINGUÉM separa!
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12 comentários:

  1. fala com os teus doutores! eu tinha um amigo nessa situação e ele explicou-nos tudo e conseguiu acabar a praxe sem os pais descobrirem!

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    1. Tarde de mais, agora já tomei a minha decisão e nesta altura, perto do final, já é impossível voltar atrás. Além disso, eu já tentei mesmo de tudo com os meus pais, e os meus pais são super protetores, era impossível esconder algo assim deles.

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  2. Se eles viam que andavas feliz durante a praxe porque é que simplesmente não aceitaram a tua vontade? Juro que não compreendo certas atitudes que os pais tomam..
    Eu compreendo-te bem, eu também adorei as minhas praxes, por mais cansativas que tenham sido. Podemos fazer figuras tristes, pensarmos que aquilo não serve nada, mas no final há sempre qualquer coisa que fica, as risadas, as brincadeiras, as lições de moral ou outra coisa qualquer. Só quem vive a praxe é que entende o que aquilo é realmente..
    Felizmente a minha mãe sempre aceitou a minha opinião e por isso continuo na praxe, até porque não tenho razões de queixa.
    Certamente estás bastante desiludida com isto tudo, mas também deves ter ótimas memórias da praxe, portanto, só tens de te agarrar a elas agora :)

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    1. Eu também não consigo compreender certas atitudes que os meus pais tomam... Eu era mesmo muito feliz na praxe, e sei que, quando olhar para trás para os tempos da faculdade, me vou arrepender de não ter continuado na praxe.
      Ora nem mais :), disseste tudo. Só quem vive a praxe é que consegue compreender.
      Obrigada querida :).

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  3. Eu consigo perceber o medo que os pais sentem pelos filhos. A televisão SÓ mostra as coisas más. Raramente vemos alguém dizer bem da praxe na televisão. Eu tive uma praxe horrível (falei disso aqui http://thoughtsofrarebird.blogspot.pt/2015/09/faculdade-praxe-e-afins.html) mas sei perfeitamente que nem todos os cursos são assim. Compreendo que os teus pais tenham medo, e isso está-lhes a toldar o raciocínio. De certeza que não o estão a fazer para te deixar triste propositadamente, mas têm medo.
    Tens duas opções: Falar com eles abertamente "eu sei que vocês têm medo, mas a praxe não só assim, blablabla" - que acredito que já o tenhas feito - ou falar com os teus doutores sobre isso. Certamente eles já terão passado por algo semelhante e te ajudarão :) Se te faz feliz pertencer à praxe, não desistas, mas sê absolutamente honesta com os teus pais. Talvez eles fiquem mais descansados se tu disseres "vou ter praxe em X sítio" (isto, claro, se souberes onde é).
    Espero que consigas voltar à praxe sem problemas :)

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    1. Acredita, eu já tentei de tudo com os meus pais. Quando os meus pais dizem não, dificilmente consigo fazê-os mudar de ideias. Além disso, tal como já disse em resposta a um comentário acima, agora já não posso voltar atrás.

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  4. Hoje em dia sempre que se ouve falar em praxes é sempre com uma conotação negativa e os teus pais na verdade só te querem proteger... também acho que deviam falar mais contigo e tentar perceber que as praxes a que estás sujeita não são propriamente um perigo mas pronto...
    Guarda as memórias que isso ninguém te tira!
    nem mais nem menos

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    1. Infelizmente, é assim mesmo que a praxe é vista :(.
      Gostava que os meus pais me tivessem compreendido, mas agora só me resta guarda as boas memórias que tenho e lidar com a frustração de não poder continuar.

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  5. olá! olha, os meus pais também nunca gostaram muito de praxes (não só pelo que viam na televisão mas também porque as associavam a álcool em excesso e atividades perigosas) e quando eu, mesmo antes da faculdade, decidi que iria participar obviamente que eles não gostaram muito. de facto, gosto imenso de andar na praxe e os meus pais continuam a não achar muita piada às atividades noturnas mas não se importam com aquelas que acontecem de dia. porque não tentas mostrar-lhes o quão feliz a praxe te faz sentir e o quão importante é para ti?
    tenta sentar-te com os teus pais e explicar-lhes que estás rodeada de coleguinhas e de pessoas mais velhas que não deixam nada de mal vos aconteça (porque, se acontecesse, a responsabilidade seria deles, algo que, obviamente, todos querem evitar) além disso, explica-lhes que a faculdade é extremamente cansativa e que não faz mal teres alguma distração! garante-lhes que és responsável e que o facto de andares na praxe não vai prejudicar os teus estudos. além disso, se achares importante, podes também dizer-lhes que tens maturidade para poder decidir que atividades queres o não fazer e como queres passar os teus tempos livres.
    caso os teus pais continuem sem compreender e abordagem "conversa" não funcionar, podes pedir a algum doutor que fale com eles e os tranquilize ou ainda levá-los a algumas das atividades que realizam fora da escola (não sei como é que isso funciona por aí xD) para eles verem que a praxe é algo seguro.
    caso nada disto resulte, podes sempre falar com os doutores e explicar a tua situação. se há coisa que aprendi nestes últimos meses na praxe é que não se deixam coleguinhas para trás e se tu adoras a praxe, continuas e continuarás sempre a ser coleguinha dos que andam na praxe e por isso eles vão aceitar-te, mesmo que não possas ir.
    espero que sejas feliz, no matter what :)
    beijinho, Noelle http://supergirlinconverse.blogspot.pt/

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    1. Obrigada querida, mas acredita, eu já tentei de tudo. A minha consciência está sempre a atormentar-me a dizer que podia fazer mais para tentar convencer os meus pais, que se não tivesse convencido os meus pais de x maneira ainda continuava na praxe, mas lá no fundo eu sei que lutei com todas as minhas forças para continuar na praxe, mas fui vencida. Gostava mesmo que os meus pais me deixassem tomar certas decisões. Mas, infelizmente, os meus pais não me respeitaram, e agora vou ter que lidar com a frustação de não poder acompanhar os rituais de praxe dos próximos anos, com os grandes amigos que fiz.
      Mas obrigada na mesma :)

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  6. Vim aqui parar porque estive a ler o teu post sobre o teu primeiro semestre. Realmente, e desculpa a sinceridade, é muito triste teres desistido de uma coisa que gostavas tanto por imposição dos teus pais. Foi o que mais gostei e, ainda hoje, em mestrado gosto.

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    1. Pois, foi muito triste, mas não podia fazer nada, foram ordens dos meus pais. Bem, mas fico feliz por estares a ter uma boa experiência na praxe, tal como eu tive :).

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